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O Peso do Azul por asuna

Ver comentários: 3

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Palavras: 1408
Acessos: 339   |  Postado em: 07/02/2026

Epílogo

O aroma amargo do café recém-passado pairava no ar da padaria em Montague Street, exatamente como naquela tarde chuvosa em que tudo começara. Mas hoje não chovia. Um sol pálido de outono entrava pelas vitrinas, desenhando manchas claras sobre o chão gasto, iluminando a poeira suspensa no ar como pequenas partículas de tempo.

Oito meses.

Tinham passado oito meses desde que deixara a Austrália. O tempo, essa matéria instável que tanto se arrasta como atropela, fizera o seu trabalho silencioso de sedimentação. Nova Iorque continuava igual. Ruidosa, urgente, indiferente. Mas eu já não a atravessava como quem foge. Caminhava nela como quem regressou a casa.

O celular repousava sobre a mesa. Uma notificação de Piper iluminou a tela, uma fotografia desfocada de um bilhete de avião, tirada à pressa. Sorri, sentindo aquela pontada agridoce que já me era familiar. Desde o meu regresso, ela e a Olivia mantinham uma relação à distância que desafiava geografias e probabilidades. Havia uma leveza na forma como habitavam a ausência, uma confiança tranquila no “até já”. Não dramatizavam o amor, viviam nas videochamadas tardias, nos voos marcados por impulso.

Apertei o copo de água entre as mãos e deixei o pensamento deslizar até Mia.

Se alguma coisa confirmava que a decisão de voltar fora certa, era ela. A adaptação a Nova Iorque não fora linear, contudo a cidade dera-lhe anonimato suficiente para recomeçar, oportunidades e espaço para errar sem ser definida pelo erro. Na noite anterior, encontrara-a na sala, sentada no chão, rodeada de panfletos universitários, a testa franzida numa concentração quase solene.

"Administração ou Gestão de Empresas, Maya?", perguntara-me, com a seriedade de quem sabe que, pela primeira vez, o futuro é uma escolha sua e não uma imposição do destino.

Respondi-lhe que ela seria brilhante em qualquer uma, porque Mia tinha aprendido a gerir a coisa mais difícil de todas, a própria sobrevivência.

A última vez que vira Chloe fora através de uma tela no aniversário da Mia.

Uma chamada rápida, improvisada. Eu aparecera apenas por segundos, o suficiente para a cumprimentar, ser cordial e desaparecer de novo, engolida pelo trabalho acumulado sobre a mesa da cozinha. Disse a mim mesma que era melhor assim. Menos peso. Menos expectativa.

Continuei a trabalhar enquanto a chamada prosseguia. Os papéis espalhados à minha frente, o laptop aberto, o cursor a piscar como uma pulsação impaciente. A voz de Mia enchia a sala, animada, luminosa. Pelo canto do olho, via a tela iluminada. Conseguia ver Chloe a falar. A parar para ouvir.

Houve um instante, breve, quase impercetível, em que percebi que a atenção dela não estava inteiramente em Mia. A sua atenção desviava-se. Procurava. E detinha-se por um segundo a mais do que o necessário.

Em mim.

Não fiz nada com isso. Não levantei a cabeça. Não retribuí o olhar. Apenas continuei a escrever, os dedos mecânicos sobre o teclado, como se o corpo soubesse que aquele reconhecimento não podia ser tocado sem consequências.

Em algum momento a chamada terminou. A tela apagou. E a casa ficou subitamente grande demais.

Nessa noite, não adormeci logo. Fiquei deitada de olhos abertos, o teto escuro acima de mim, o silêncio a amplificar tudo o que durante o dia fora contido. As possibilidades, inexistentes naquele momento, começaram a assombrar-me com uma insistência quase cruel. O pensamento regressava, sem pedir licença, ao toque dela. À forma como a mão ficara no meu rosto. À proximidade dos lábios que nunca chegaram a cumprir-se.

O corpo lembrava-se antes de mim.

Houve um momento em que a vontade de gritar me subiu à garganta, não por dor, mas por frustração pura, daquela que nasce quando o desejo encontra limites que a razão se recusa a transgredir.

Não gritei.

Apenas fiquei ali.

 A respirar.

A suportar.

Percebendo que certas ausências não se fazem de vazio. Fazem-se de excesso.

Respirei fundo, sentindo o cheiro a canela e pão quente.

Grace falecera há quatro meses.

A notícia chegara-me num e-mail curto, escrito por Chloe. Não havia adorno emocional. Apenas a dignidade crua dos factos. E, nas entrelinhas, um pedido de tempo que não precisava de ser formulado.

Respeitei-o.

Não apanhei o primeiro avião. Não interrompi o luto com a minha presença. Não preenchi o silêncio com palavras que soariam inevitavelmente vazias. Fiz o que Grace me pedira naquela última conversa, na casa alugada em Gold Coast: deixei Chloe cair sem a tentar amparar. Deixei-a despedaçar-se longe de mim. Confiando que, se o amor que existia entre nós era real, sobreviveria também à ausência.

Mas a espera tem o seu próprio peso.

E naquela manhã, sentada àquela mesa, sentia-o no corpo inteiro.

A funcionária aproximou-se. Cabelos grisalhos, expressão cansada, a mesma mulher de sempre, ou outra qualquer com o mesmo cansaço universal.

— Já escolheu, querida? O que vai desejar?

Abri a boca para responder. O pedido habitual já estava formado, automático.

Porém não fui eu quem falou.

— Um latte. Sem açúcar, leite de aveia, com um extra de caramelo.

A voz veio de trás de mim.

O mundo não parou de forma espetacular. Não houve ruído súbito, nem vertigem. Apenas se deteve, como algo que reconhece o próprio destino e aceita não resistir.

Não era apenas uma voz.

Era aquela voz.

Rouca, ligeiramente arrastada, carregando sol e mar no sotaque. A mesma que me desafiara numa biblioteca, que me lera histórias em voz baixa, que prometera esperar sem exigir. A mesma que o meu corpo nunca aprendera a esquecer.

O coração falhou uma batida. Depois outra. Só então disparou, violento, contra as costelas. O cheiro familiar a baunilha chegou-me antes mesmo de eu me virar, sobrepondo-se ao café, à cidade, a tudo o resto que eu fingira ser importante.

Virei-me devagar. Com cuidado. Como se um gesto brusco pudesse desfazer aquilo.

Mas não era uma alucinação.

Chloe estava ali.

O cabelo loiro ligeiramente mais comprido, o rosto mais magro, o casaco escuro a cortar a luz da rua. Senti o deslocamento de ar ao meu lado antes mesmo de a ver.

Não pediu licença. Puxou a cadeira em frente à minha e sentou-se, ocupando o espaço com aquela naturalidade elegante e predatória que sempre tivera, como se aquele lugar lhe estivesse reservado há uma década inteira.

Os olhos azul-turquesa encontraram os meus. Havia neles o brilho do luto, sim, mas também uma clareza limpa, afiada, sem hesitação. Um meio sorriso formou-se-lhe nos lábios. Lento. Calculado. O sorriso de quem sabe exatamente onde está e porque veio.

— Ainda à procura de respostas fáceis, Maya? — murmurou.

A voz chegou-me baixa, quase tangível, vibrando-me na pele. Não havia acusação. Havia reconhecimento. Aquela precisão quase cruel com que ela sempre desmontara as minhas defesas.

Inclinou-se sobre a mesa, entrelaçando os dedos e pousando o queixo sobre eles. O gesto deslocou-lhe o corpo para a frente. O joelho avançou, invadindo a zona neutra sob a mesa.

Não me tocou.

E, ainda assim, tudo em mim reagiu.

A proximidade anulava qualquer ilusão de distância. Era uma promessa suspensa — não de contacto, mas de consciência.

Senti a respiração trair-me. Mais curta. Mais densa. Como se o corpo estivesse a reaprender um idioma antigo.

— Continuas a fazer isso — disse ela, observando-me com a atenção de quem lê um texto que conhece de cor. — A ficar imóvel. Como se acreditasses que, se não te mexeres, o impacto não acontece.

Fez uma pausa breve. O olhar desceu até à minha boca e voltou a subir, reacendendo fogueiras que eu julgara extintas.

— E, no entanto… — acrescentou — aqui estamos nós.

A perna dela avançou um centímetro. O tecido das calças roçou no meu. Um contacto mínimo, quase acidental — e o meu corpo respondeu como se tivesse sido chamado pelo nome.

Não recuei.

Também não avancei.

Ficámos naquele ponto exato onde a tensão deixa de ser ameaça e passa a ser escolha.

Chloe inclinou-se ainda mais, baixando a voz para um sussurro que era, ao mesmo tempo, segredo e sentença.

— Eu avisei-te — disse, com a calma de quem nunca teve pressa. — Disse-te que isto entre nós… não tinha prazo de validade.

Sorri. As lágrimas picaram-me os olhos, quentes, inesperadas — e, pela primeira vez, não as escondi. Estendi a mão sobre a mesa. Os dedos dela fecharam-se sobre os meus. Firmes. Quentes. Inevitáveis.

Senti o chão regressar ao lugar.

— Eu sei — respondi, a voz baixa, inteira. — E desta vez… eu estou pronta para ficar.

--------------------------------------------------------------------------------

Fim

 

 

Fim do capítulo

Notas finais:

Olá a todas!

Chegámos ao fim de O Peso do Azul. Desde já, quero agradecer do fundo do coração por cada comentário e a cada leitora que acompanhou a jornada da Maya e da Chloe até aqui.
Sobre este desfecho a minha proposta para o Epílogo foi, propositadamente, deixar uma porta aberta. Queria despertar a vossa imaginação e permitir que cada uma de vocês visualizasse o "felizes para sempre" que elas merecem, agora que estão finalmente prontas uma para a outra.
Por isso, terei todo o gosto em ler as vossas teorias e versões sobre como imaginam o futuro da Chloe e da Maya. Qualquer crítica será bem-vinda, pois o meu intuito é sempre melhorar com as vossas opiniões.
Espero que me possam voltar a acolher caso eu decida regressar com uma nova história.
Obrigada por tudo!

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Comentários para 36 - Epílogo:
keique
keique

Em: 02/03/2026

Boa noite autora.

Parabéns pela história muito bem contata! Gostei muito, me emocionei e fiquei pensando no porque de suas escolhas; em primeira pessoa, com uma narrativa mais pessoal e por isso mais solitária. Me peguei diversas vezes pensando em como seria essa historia pelo olhar da Chloe que ao meu ver é mais sensível e cuja vida foi menos traumática, porém bem mais consciente de tudo! Divagações que vão me fazer pensar bastante ainda em sua historia. O que me faz também querer te ler mais... No aguardo. Boas energias pra voce.Abraço 


asuna

asuna Em: 03/03/2026 Autora da história
Boa tarde!!

Antes de mais, quero agradecer o comentário. Fico genuinamente feliz por saber que a história tocou de alguma forma. :)
Escolhi escrever em primeira pessoa por preferência pessoal. Gosto da proximidade e da sensação de tentar estar dentro da mente da personagem.

A Chloe foi pensada como uma personagem mais enigmática, talvez por isso desperte tanta curiosidade. Cheguei a ponderar escrever um extra no POV dela, mas ainda não decidi se o irei fazer.

Quanto a Maya, eu senti necessidade de me desafiar ao acompanhar o seu percurso. Quis explorar as suas contradições, os seus medos e o seu processo interno de forma mais profunda o que tornou a narrativa muito mais introspetiva.

Já estou a trabalhar numa nova história e espero poder partilhá-la em breve.

Obrigada pelas boas energias. Significam muito.


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Mmila
Mmila

Em: 13/02/2026

Uau!!!!!!

Parabéns autora por nos prender nessa jornada de emoções.

Personagens complexos e intensos.

O amor é sempre uma constante de emoções e superações.....


asuna

asuna Em: 18/02/2026 Autora da história
Obrigada pelos comentários e por ter acompanhado!!


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HelOliveira
HelOliveira

Em: 07/02/2026

A jornada foi longa e dolorida, cheia de aprendizado, e elas finalmente estão prontas...

Foi um prazer enorme acompanhar a trajetória de Maya e Chloe...

Obrigada por compartilhar espero que volte em breve


asuna

asuna Em: 12/02/2026 Autora da história
Obrigada por acompanhar!!
Espero voltar com uma nova historia em breve :)


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