CAPITULO 2 - O PREÇO DA NOITE
No fundo, uma pergunta ecoava em sua mente, como um sussurro incômodo: até quando conseguiria suportar esse jogo sem se perder completamente?
O dia seguinte começou como tantos outros na vida de Julianne — corrido e silencioso ao mesmo tempo. Acordou cedo, o corpo ainda pesado pela noite mal dormida. Passou o café enquanto a água do chuveiro esquentava, olhando pela janela da cozinha para a cidade que já fervilhava.
O aroma forte da bebida ajudou a espantar um pouco o torpor, mas não a ansiedade que se instalava no fundo do estômago. Entre um gole e outro, verificou a agenda no celular: reuniões rápidas com dois clientes fixos, um encontro com Renata — cliente habitual e conhecida por seu jeito perspicaz — e, no fim da tarde, um tempo reservado para escolher o vestido perfeito para a “noite” que Sérgio havia imposto.
Durante o almoço com Renata, no restaurante reservado que costumavam frequentar, a cliente não deixou de notar a tensão de Julianne.
— Ju, você parece distante hoje… — comentou Renata, dando um gole no vinho.
— Só um dia cheio, nada demais — respondeu Julianne, tentando disfarçar, ajeitando os cabelos com as mãos.
Renata arqueou a sobrancelha, um sorriso de lado se formando. — Humm… “só um dia cheio”, né? Com você nunca é só isso. Tem algo acontecendo, quer me contar ou é segredo de trabalho?
Julianne suspirou, desviando o olhar para a taça. — Talvez seja segredo…
Renata riu baixinho, satisfeita com a resposta enigmática. Ela gostava de brincar com a intimidade limitada que tinha com Julianne, sem jamais cruzar limites, sabendo que cada gesto, cada olhar, fazia parte de um jogo de tensão e confiança.
Quando o sol já começava a se pôr, ela voltou para casa com sacolas de lojas caras, carregando o vestido preto e o par de saltos que Sérgio havia exigido. Enquanto os deixava sobre a cama, percebeu que suas mãos tremiam.
Por volta das sete da noite, o celular vibrou novamente. Na tela, o nome dele: Sérgio Barreto. Ela atendeu.
— Já está se arrumando? — a voz dele era seca, quase uma ordem.
— Estou, senhor Barreto. — Manteve o tom profissional.
— Ótimo. Espero que não me faça perder tempo. Gosto de mulheres que entendem o valor de um contrato… e o meu tempo é o mais caro que você vai encontrar.
Julianne ficou em silêncio. Ele continuou, com um riso carregado de deboche:
— Ah, e não me apareça com aquele olhar distante, como se quisesse estar em outro lugar. Quero você inteira… pelo menos por essa noite.
— Entendido. — respondeu, sentindo o peso de cada palavra.
— Bom. Oito horas, sem atraso. — E desligou, sem sequer se despedir.
Julianne encarou o reflexo no espelho. A maquiagem ainda por fazer, o cabelo solto, e o vestido sobre a cama como um lembrete cruel de que aquela noite não era escolha, mas necessidade.
No fundo, sabia que, para Sérgio, ela não passaria de mais um capricho caro. Mas para ela… seria mais uma prova de que o jogo em que vivia cobrava caro, não só no bolso, mas na alma.
Julianne parou o carro em frente ao Hotel Montereau. Ela desceu com passos calculados, sentindo o peso do salto alto equilibrando o corpo tenso. O perfume marcante, o vestido justo, o cabelo solto perfeitamente arrumado — tudo projetado para seduzir, mas, por dentro, uma pontada de desconforto apertava seu peito.
O hall do hotel estava silencioso, elegante demais para ela sentir qualquer familiaridade. Um mensageiro conduziu-a ao elevador, e cada andar que subia parecia aumentar a ansiedade.
Quando a porta do quarto se abriu, Sérgio Barreto a aguardava encostado na cabeceira da cama, camisa social aberta no colarinho, expressão fria e dominadora. O olhar dele percorreu Julianne com uma intensidade que misturava desejo e posse.
— Entrou. — Ele disse de forma ríspida, quase como um comando. — Tire o casaco.
Julianne obedeceu, o corpo tenso, sentindo os olhos dele pesarem sobre cada movimento. Ele não escondia que a observava, analisava, controlava cada gesto. A tensão no ar era quase palpável.
Sérgio aproximou-se devagar, sem pressa, mas com precisão, colocando as mãos sobre a cintura de Julianne, segurando-a firme. O toque não era delicado; era possuidor. Um arrepio percorreu sua espinha, misturando medo, desejo e excitação.
— Você sabe exatamente pra que está aqui, não é? — murmurou, o hálito quente contra o pescoço dela. — Quero que me dê prazer, mas não esqueça… aqui, você existe para mim.
Julianne sentiu o corpo reagir, mesmo enquanto a mente resistia. Era o dilema de sua vida dupla: o prazer que o corpo ansiava e o desconforto da submissão imposta. Cada toque, cada comando, cada movimento dele era preciso e impiedoso, quase mecânico, mas o efeito sobre ela era real.
Ele a deitou na cama, cuidadosamente, mas sem suavidade. Cada gesto era calculado para despertar prazer e submeter, para lembrar Julianne do papel que desempenhava naquela noite. Ela fechou os olhos, tentando controlar a respiração, absorvendo o contraste entre desejo e desconforto, medo e excitação.
— Olhe para mim. — Ordenou Sérgio. — Quero que saiba exatamente quem está no controle.
Julianne abriu os olhos e encontrou o olhar impiedoso dele, um fogo que a queimava e excitava ao mesmo tempo. Cada toque, cada roçar de dedos, cada pressão dele contra seu corpo era um lembrete do poder que tinha sobre ela. A tensão sexual se acumulava, inescapável, misturando desejo, medo e tesão.
Quando ele finalmente se aproximou mais intimamente, Julianne sentiu uma estranha combinação de prazer e frieza. O corpo dela respondia, traindo a mente que tentava resistir. Cada gemido, cada movimento, cada suspiro era consequência do desejo que não podia ignorar, mesmo sabendo que estava sendo tratada como objeto.
O tempo parecia dilatar. Para Sérgio, tudo era controle; para Julianne, cada segundo era uma prova de sua resistência, seu autocontrole e seu domínio sobre a própria vida — ou a falta dele naquela noite.
Quando a intensidade atingiu seu ápice, Julianne sentiu uma mistura de alívio e esgotamento. Ele, satisfeito, recostou-se na cabeceira, frio e impassível, enquanto ela permanecia ali, respirando fundo, processando o que acabara de acontecer. O prazer ainda pulsava, mas o peso da intimidade imposta deixava uma marca invisível em sua mente, lembrando-a do preço de sua vida dupla.
Após se recompor, Sérgio tirou um boa quantia de dinheiro da carteira e jogou em cima de Julianne e exigiu que ela fosse embora o mais rápido possível.
Assim a mulher fez.
Depois de um longo dia de plantão, Camilla chegou em casa exausta, jogando a bolsa no sofá e sentindo o peso do dia se dissolver pouco a pouco. O uniforme do hospital ainda estava quente de tantas horas de movimento, e o cheiro sutil de antisséptico parecia impregnado na pele. Sentou-se na beira da cama, ligou o celular e abriu o grupo das amigas, onde as mensagens pipocavam com fotos, memes e conversas animadas. Não demorou para que o assunto mudasse de banalidades para provocações.
— Você vive só trabalhando, Camilla. Precisa fazer algo diferente 😏 — escreveu Larissa.
— Algo diferente? — digitou Camilla, sorrindo de leve.
— Isso mesmo. Tipo… explorar seu lado sensual — completou Beatriz, enviando um GIF sugestivo.
— Gente… eu não sou dessas.
— Dessas quem? — insistiu Larissa. — Uma mulher que se permite? Você não vai viver só de plantão e café gelado.
— Sem contar que qualquer uma dessas garotas ia amar sair com você sabendo que tem um “presente especial” dentro da calcinha — soltou Beatriz, adicionando um emoji sugestivo de um p*nis.
Camilla mordeu o lábio, já imaginando onde aquilo ia parar.
— O que vocês estão sugerindo?
— Contrata uma acompanhante de luxo — respondeu Beatriz, como quem pede uma pizza. — É seguro, discreto… e você vai se surpreender. Tenho a pessoa perfeita.
Segundos depois, um novo contato apareceu: “Julianne – discreta”. Camilla sentiu o coração bater mais rápido. A foto mostrava apenas um vestido preto justo de costa nuca e uma tatuagem de fênix nas costas.
— Só coragem — respondeu Beatriz, mandando um emoji de fogo.
— Ai meu Deus… — Camilla murmurou para si mesma, mas não conseguiu evitar a curiosidade.
Camilla ficou encarando o nome por alguns minutos. O aplicativo aberto diante dela parecia maior do que realmente era. Respirou fundo. Mandar ou não mandar? Fechou o aplicativo, abriu de novo. Escreveu “Oi” e apagou.
A ansiedade apertava seu peito, mas antes que pudesse se convencer a desistir, digitou:
— Boa noite. Recebi seu contato através de uma amiga…
Julianne analisou a foto de perfil de Camilla, achou a mulher linda e atraente. Em seguida decidiu respondê-la.
O tempo entre o envio e a resposta pareceu eterno. Quando finalmente a notificação surgiu, a mensagem tinha um tom educado, equilibrado e profissional, mas com uma confiança que deixou Camilla imediatamente intrigada:
— Boa noite, querida. Posso saber o que você procura?
Camilla engoliu em seco. Hesitou, respirou fundo, e respondeu com sinceridade:
— Não tenho certeza… algo discreto. Quero conversar, conhecer você.
Do outro lado, a resposta veio rapidamente, firme, sem rodeios:
— Acho que podemos marcar um jantar, sem pressa, sem expectativas. Só nos conhecer.
O coração de Camilla acelerou. Hesitou por alguns segundos, as palavras girando em sua cabeça. Digitou e apagou duas vezes antes de finalmente responder:
— Perfeito. Você está disponível amanhã?
Julianne leu a mensagem, avaliando de forma profissional. Não havia pressa nem julgamentos. Apenas analisava o pedido e decidia como conduzir o encontro. Poucos minutos depois, respondeu:
—Sim. Me diga o horário e o local.
Camilla digitou rapidamente, sentindo cada toque na tela como se fosse um pequeno fio de tensão entre elas:
— 20h. No Evvai.
— Combinado — respondeu Julianne. — Nos vemos então. Até logo.
O diálogo, simples e direto, carregava uma tensão silenciosa. Camilla, nervosa, sentia curiosidade pulsar a cada resposta. Julianne, observadora e profissional, analisava cada palavra com interesse moderado, intrigada pela mulher cuja imagem já a chamava atenção, mas que ainda não conhecia pessoalmente.
Camilla deixou o celular de lado por um instante, respirando fundo, tentando organizar os pensamentos. A antecipação crescia, uma mistura de ansiedade e expectativa.
Julianne olhou para o celular novamente, lendo e relendo as mensagens de Camilla. Havia algo naquela forma contida, quase tímida, mas ainda assim direta, que chamava sua atenção. Ela não conseguia evitar observar mentalmente aquela mulher que ainda não conhecia pessoalmente: elegante, discreta, e aparentemente bastante segura do próprio mundo, mesmo que a timidez transparecesse nas palavras.
O fato de Camilla ter escolhido o restaurante Evvai, um dos mais luxuosos da cidade, também não passou despercebido. Julianne sabia que o lugar não era apenas uma escolha gastronômica, mas um reflexo do cuidado, da sofisticação e do gosto apurado de quem o frequentava. Havia confiança e leveza naquele gesto, mas também uma certa dose de intimidação — afinal, Evvai não era um restaurante comum, e Julianne sentiu o peso da expectativa no ar, mesmo antes de conhecê-la pessoalmente.
Ela se permitiu analisar cada detalhe que podia extrair das mensagens e do perfil que tinha acesso. Camilla era bonita, e não apenas de uma forma convencional. Havia uma aura de disciplina e cuidado próprio, uma mistura de suavidade e firmeza que despertava curiosidade e respeito ao mesmo tempo. Julianne sabia que precisava manter o profissionalismo, mas não conseguia evitar se sentir intrigada.
“Interessante,” murmurou para si mesma, com um meio sorriso, enquanto fechava o aplicativo por alguns instantes. “Essa vai ser uma noite interessante… e provavelmente mais complicada do que eu esperava.”
O nome Evvai ecoava na mente dela: um jantar luxuoso, uma mesa reservada, o clima perfeito para conhecer alguém em profundidade. Mas Julianne também sentiu a tensão sutil de se manter no controle — sempre o controle. Ela ainda não sabia muito sobre Camilla, e aquela mistura de profissionalismo, curiosidade e interesse prometia tornar o encontro inesquecível, de uma forma ou de outra.
Camilla estava em seu quarto, a luz suave da luminária iluminando apenas o suficiente para refletir o vestido que ela segurava entre as mãos. O vestido florido, longo e sofisticado, parecia perfeito: elegante, delicado, mas com um toque de personalidade que combinava com ela. Girava na frente do espelho, observando como o tecido caía e como as cores realçavam sua pele. Cada detalhe parecia sussurrar uma promessa de cuidado e charme — exatamente o que ela queria transmitir.
Ainda assim, a decisão não foi simples. Colocou o vestido três vezes, ajustando a cintura, conferindo o decote, verificando o caimento. Cada tentativa parecia revelar uma versão diferente de si mesma: tímida e encantadora, confiante e sedutora, nervosa e vulnerável. Cada versão, de alguma forma, parecia adequada e inadequada ao mesmo tempo.
O restante da noite foi uma mistura de ansiedade e expectativa. Camilla tentou dormir, deitar-se, fechar os olhos e descansar, mas a mente não ajudava. Criava mil versões possíveis daquele encontro: as palavras que diria, a maneira de sentar-se à mesa, os possíveis olhares de Julianne, os silêncios e os sorrisos. Cada detalhe imaginado a deixava mais nervosa, mas ao mesmo tempo mais curiosa.
Respirou fundo, tentando acalmar o coração que parecia bater mais rápido a cada minuto. Entre pensamentos sobre o restaurante, o clima, a conversa e o que poderia sentir ao finalmente conhecer Julianne pessoalmente, Camilla percebeu que aquela noite seria diferente de todas as outras que já vivera.
Mesmo antes de dormir, fechou os olhos e se deixou envolver pela expectativa: a ansiedade de conhecer aquela mulher, de descobrir sua personalidade, sua presença, e, talvez, de se permitir sentir algo inesperado. E assim, a noite passou lentamente, com Camilla alternando entre tentativas de sono e devaneios sobre o que o jantar no Evvai poderia lhe revelar.
No dia seguinte, a ansiedade de Camilla já estava no auge. Ela vestia a cueca de compressão, cuidadosamente escolhida para esconder seu órgão genital, e sobre ela, o vestido florido longo e sofisticado que havia decidido na noite anterior. O salto médio completava o look, adicionando elegância sem exagero. Passou um perfume suave, de aroma delicado, e aplicou o batom cor de vinho, o tom exato que transmitia ao mesmo tempo segurança e sutileza.
Enquanto dirigia até o restaurante, a mente não parava de martelar: “O que estou fazendo? Será que estou pronta? E se ela perceber algo diferente?” Cada semáforo parecia eternizar o tempo, e cada volante apertado revelava sua ansiedade e nervosismo.
Do outro lado, Julianne se arrumava com elegância. Escolheu um vestido que equilibrava charme e sofisticação, deixando seu corpo à mostra de forma sensual, mas sem excessos. O cabelo caía suavemente pelos ombros, maquiagem discreta realçando seus olhos verdes penetrantes. Respirou fundo, revisitando mentalmente sua postura e o modo como conduziria o encontro, mantendo o profissionalismo, mas curiosa sobre a mulher que estava prestes a conhecer.
Camilla chegou primeiro ao Evvai, estacionou o carro e caminhou com passos medidos até a mesa que havia reservado. Sentou-se, ajustou a postura, cruzou as pernas e tentou controlar a respiração. Observava discretamente o ambiente, mas sua atenção estava voltada para a entrada, esperando Julianne.
Quando a porta se abriu, Julianne entrou. O olhar da acompanhante percorreu o salão com calma, avaliando cada detalhe, mas logo encontrou Camilla. Um leve sorriso surgiu em seus lábios, profissional, mas não desprovido de curiosidade. Caminhou até a mesa com passos firmes e elegantes, mantendo postura impecável.
O primeiro contato visual entre ambas durou alguns segundos que pareceram uma eternidade. Camilla sentiu o estômago apertar e a respiração falhar por um instante. “Ela é ainda mais bonita do que eu imaginava… e tão confiante…”, pensou, tentando recompor-se.
Julianne, por sua vez, analisava Camilla com atenção profissional. “Interessante… ela transmite timidez, mas também há algo de firme, de seguro. Um contraste que me intriga.” Ajustou a postura, sentando-se à frente de Camilla, mantendo o sorriso elegante, e disse:
— Boa noite, Julianne. – A acompanhante se inclinou para cumprimentar Camilla com dois beijos no rosto.
— Boa noite, prazer em te conhecer, me chamo Camilla. — respondeu Camilla, com a voz levemente trêmula, mas firme o suficiente para demonstrar interesse após receber dois beijos no rosto.
O clima era uma mistura de tensão, curiosidade e expectativa. Nenhuma das duas sabia ainda como aquela noite terminaria, mas ambas estavam conscientes de que aquele encontro seria apenas o primeiro de muitos momentos que poderiam se revelar surpreendentes.
Camilla respirou fundo, tentando acalmar o nervosismo que ainda fazia suas mãos tremerem levemente. Observou o cardápio por alguns segundos, mas a atenção dela estava totalmente em Julianne. Então, resolveu quebrar o silêncio:
— Quer tomar um vinho enquanto esperamos o jantar? — perguntou, com um leve sorriso.
Julianne ergueu uma sobrancelha, mantendo a postura elegante, mas mostrando interesse discreto:
— Gosto da ideia. Que tipo você recomenda?
Camilla sentiu um pequeno calor subir pelo rosto, mas manteve a calma:
— Recomendo um Merlot suave, com notas frutadas, perfeito para acompanhar conversas… e não apenas o jantar.
Julianne sorriu, aprovando a escolha com um leve aceno:
— Então, vamos nesse. Confio no seu gosto.
O metre se aproximou, e Camilla pediu o vinho, sentindo a ansiedade misturada com expectativa aumentar. Enquanto o líquido vermelho era servido, o clima entre as duas permanecia carregado de tensão silenciosa. Camilla observava Julianne, tentando decifrar cada gesto, cada expressão, enquanto a acompanhante mantinha o olhar firme, elegante, analisando a médica com atenção profissional e curiosidade contida.
Assim que a taça foi colocada na frente de cada uma, Camilla brindou discretamente:
— À noite de descobertas.
Julianne apenas sorriu, batendo levemente a taça na dela:
— À noite de surpresas.
O primeiro gole do vinho trouxe uma sensação de conforto e aproximou as duas, quebrando um pouco da barreira inicial. As conversas ainda estavam por vir, mas naquele momento, o silêncio compartilhado, o toque do vinho e o olhar de curiosidade mútua já criavam um clima carregado de expectativa e química latente.
O clima entre elas começou a mudar. O vinho parecia ter dissolvido um pouco da tensão inicial, e o olhar curioso e contido de Julianne misturava profissionalismo com interesse. Camilla, nervosa, mexia na taça e desviava os olhos a cada pausa na conversa. Julianne percebeu e, com voz suave, disse:
— Tente se acalmar, Camilla. Aproveite a noite.
Camilla engoliu em seco, respirando fundo, sentindo o coração acelerar. A ansiedade e a expectativa cresciam, misturadas a um sentimento novo e intrigante — a sensação de que aquele jantar poderia marcar algo diferente em sua vida.
Pequenos gestos surgiam naturalmente: um toque leve na taça de vinho, sorrisos contidos, olhares que se cruzavam sem necessidade de palavras. Cada instante aumentava a química, mantendo a tensão deliciosa do primeiro encontro.
Quando terminaram, Julianne sugeriu uma breve caminhada até o carro de Camilla. O vento da noite bagunçava levemente os cabelos das duas.
— Foi bom te conhecer, Camilla — disse Julianne, com um meio sorriso.
— Também gostei… mais do que imaginei — respondeu Camilla, sentindo a vontade de vê-la novamente crescer.
Julianne manteve o olhar fixo por um instante, inclinando-se levemente, como se fosse beijá-la, mas apenas sorriu e recuou:
— Até breve, Camilla.
— Até a próxima — murmurou Camilla, ainda com o coração acelerado, enquanto entrava no carro.
No trajeto de volta para casa, a médica sabia que aquele encontro não seria o último. O simples toque de olhos, os gestos sutis e o sorriso de Julianne permaneceriam em sua mente, fazendo o coração bater mais rápido, antecipando o próximo encontro.
Enquanto dirigia de volta para casa, Camilla não conseguia tirar Julianne da cabeça. Cada detalhe da noite, desde o jeito seguro com que a acompanhante conversava até o leve toque na taça, ecoava em sua mente. A sensação de proximidade, mesmo em simples gestos, fazia seu corpo reagir de formas que ela ainda não tinha experimentado com ninguém.
“Como alguém pode ser tão… completa?”, pensou Camilla, com um misto de admiração e nervosismo. Ela lembrava do olhar firme de Julianne, da forma como se inclinou levemente para frente antes de se afastar, do sorriso contido que parecia guardar segredos. A médica percebeu que, pela primeira vez em muito tempo, sentia vontade de se permitir algo inesperado — algo que não podia ser controlado.
Ao chegar em casa, Camilla estacionou, mas demorou alguns segundos antes de desligar o motor. Seus pensamentos giravam entre curiosidade, desejo e uma ponta de medo. “Será que ela sentiu algo também?”, murmurou em voz baixa, passando a mão pelos cabelos e sentando-se por um instante, tentando absorver cada sensação que o encontro despertara.
Quando finalmente entrou em casa, foi direto para o quarto. Sentou-se na cama, o corpo ainda vibrando com a tensão da noite, e fechou os olhos por alguns minutos. Respirou fundo, tentando organizar os pensamentos, mas a mente insistia em voltar à imagem de Julianne: o perfume, o sorriso, o olhar firme e, acima de tudo, a forma como parecia dominar a própria presença sem esforço.
Mesmo exausta, Camilla não conseguiu dormir de imediato. Virava de um lado para o outro, imaginando conversas futuras, risadas compartilhadas, olhares trocados. Cada pensamento a fazia sorrir e, ao mesmo tempo, sentir aquele frio gostoso no estômago que ela só tinha sentido algumas vezes na vida. A ansiedade misturava-se com expectativa e desejo, criando uma mistura intensa que ela não sabia como lidar.
Julianne entrou no carro após deixar Camilla, mantendo a postura firme, mas com a mente longe do momento. Observava as luzes da rua passarem, mas seus pensamentos não estavam ali. O jantar havia sido agradável, elegante e, principalmente, diferente de tudo que ela havia experimentado recentemente. Camilla não era apenas bonita — havia algo nela que prendia o olhar, uma mistura de timidez e confiança que despertava curiosidade.
Enquanto dirigia para casa, Julianne se pegou refletindo sobre cada gesto, cada palavra da médica. A forma como ela escolhia o vinho, como se preocupava em conduzir a conversa, o jeito delicado com que sorria quando algo a deixava desconfortável ou envergonhada… tudo aquilo indicava mais do que educação ou protocolo: havia um interesse genuíno, mesmo que misturado à ansiedade. Julianne achou aquela combinação fascinante, intrigante e, de certa forma, provocadora.
Ao chegar em casa, antes de se recolher, passou pelo quarto da irmã, Luísa, que já dormia profundamente. Julianne sorriu suavemente, baixando-se para deixar um beijo na testa da adolescente.
— Boa noite, princesa. Durma bem — murmurou, com carinho e preocupação contida.
Voltando ao próprio quarto, Julianne não conseguiu desligar a mente. Sentou-se na cama, deixando o vestido elegante do jantar repousar cuidadosamente sobre a cadeira. Pensava em Camilla, no jeito como ela conduzia a conversa, nas sutilezas do olhar e do sorriso. O profissionalismo de Julianne misturava-se a uma curiosidade cada vez maior — havia algo ali que não se encaixava em sua rotina, algo que fazia seu interesse ir além do habitual, mesmo sem admitir.
Por alguns minutos, apenas observou o teto, refletindo sobre a sensação de ter conhecido alguém que, de forma sutil, a desafiava e instigava. Sabia que Camilla era diferente das clientes que costumava encontrar. Diferente no modo de olhar, de pensar, de se colocar. Um detalhe a mais que a fazia querer conhecer ainda mais aquela mulher intrigante.
No silêncio do quarto, entre o cansaço e a adrenalina do jantar, Julianne se permitiu pensar: talvez aquele encontro fosse apenas o começo de algo inesperado, algo que sua vida estruturada ainda não tinha espaço para explicar, mas que seu instinto não queria ignorar.
No mesmo dia, enquanto Camilla ainda se recuperava do encontro e processava cada detalhe na própria cabeça, o grupo de WhatsApp das amigas começava a ferver.
— Genteeeeeee, alguém tem sinal da Camilla? — digitou Sofia, ansiosa, adicionando um emoji de fogo. — Preciso saber como foi o encontro com a tal Julianne? Quero detalhes!
— Sim! — respondeu Lara, mandando várias carinhas piscando. — Estou morrendo de curiosidade. Ela é bonita mesmo? Charmosa?
— Eu também quero saber! — Beatriz entrou na conversa, acompanhada de um emoji de olhos arregalados. — E Camilla… e a conversa? Rolou química?
— Meninas, calma… — respondeu uma das amigas mais cautelosas, rindo. — Vamos deixar ela contar do jeito dela, sem pressão.
— Mas olha… não tem como não comentar — retrucou Sofia. — Camilla sempre nos dá spoilers, então agora quero tudo!
— Concordo! — escreveu Lara. — Quero saber se ela é tão incrível quanto você disse, Camilla. Se é a tal acompanhante misteriosa ou se a gente vai morrer de curiosidade!
O grupo continuava enviando mensagens cheias de expectativa, emojis de corações, fogos, olhos arregalados e carinhas de inveja divertida, enquanto todas esperavam ansiosas que Camilla finalmente respondesse.
O dia seguinte amanheceu tranquilo, mas Julianne não conseguia tirar Camilla da cabeça. Cada detalhe da médica estava gravado em sua mente: o jeito tímido de sorrir, o modo como ajustava os cabelos atrás da orelha, o leve rubor nas bochechas, a forma como segurava o guardanapo com delicadeza, como se fosse a coisa mais importante do mundo. Não entendia como uma mulher tão impressionante, atraente, confiante e independente como Camilla ainda estava solteira. Era evidente que tinha dinheiro, status e beleza, mas havia algo mais — uma aura de doçura e timidez que a tornava ainda mais fascinante. Julianne sorriu, intrigada e curiosa, percebendo que aquele encontro estava longe de terminar em sua mente.
Enquanto isso, do outro lado da cidade, Camilla acordava com uma mistura de entusiasmo e nervosismo. A noite anterior ainda lhe causava arrepios de expectativa e ansiedade. Ela se levantou, preparou um café rápido e, ao sentar-se no sofá, pegou o celular. Abrindo o grupo de mensagens das amigas, e se assustou com várias mensagens, começou a digitar:
— Meu Deus.... vocês são muito curiosas. – Respondeu Camilla olhando assustada centenas de mensagens das amigas.
— Que demora para aparecer Camilla Graham Fontes – Bianca chamou a atenção da amiga.
— Meninas… sejam menos curiosas... sobre o jantar...foi mais do que eu esperava. – Comentou super feliz.
— Mais do que você esperava? — respondeu Sofia, imediatamente animada, com emojis de fogo. — Me conta tudo!
Camilla respirou fundo, tentando organizar as palavras: — Ela é incrível. Inteligente, charmosa, muito segura de si… e bonita, mas de um jeito natural. Não sei explicar, é diferente de tudo que já vi.
— Eu sabia! — exclamou Lara. — Então você vai marcar outro encontro?
— Não sei… — respondeu Camilla, hesitando. — Não quero criar expectativas. Foi só um jantar.
As amigas insistiram, enviando emojis de coração e carinhas piscando, tentando convencê-la:
— Mas você tem que ver de novo! — dizia Beatriz. — Não é todo dia que aparece alguém assim na sua vida.
Camilla sorriu sozinha, sentindo-se estranhamente corada. Ainda assim, respondeu de forma contida: — Talvez… mas não posso prometer nada.
Os dias seguintes seguiram a rotina habitual de cada uma. Julianne acordava cedo, levava a irmã para a escola, depois corria para a faculdade e estágio, dedicando-se com afinco a cada compromisso. À noite, mantinha a vida dupla como acompanhante, cada encontro calculado, seguro e sedutor. Mesmo durante esses momentos, não conseguia tirar Camilla da cabeça. Pensava no sorriso tímido, nos olhos atentos, na forma como ela havia se soltado um pouco, mesmo que minimamente, naquela noite. A lembrança provocava uma mistura de desejo e curiosidade — uma vontade de conhecer ainda mais aquela mulher intrigante.
Camilla, por sua vez, também seguia sua rotina no hospital, entre plantões, cirurgias e reuniões. Mas de vez em quando, mesmo em meio à correria, o pensamento escapava: Julianne. A lembrança do jantar fazia o coração acelerar de forma inesperada, e uma pontada de ansiedade e desejo surgia quando imaginava o próximo encontro. Ela se pegava revisitando mentalmente cada gesto, cada sorriso, cada palavra, tentando compreender o que sentia e por que aquela mulher mexia tanto com ela.
E então, numa noite de sábado, sozinha no apartamento, enquanto assistia distraidamente a uma série, Camilla sentiu um impulso repentino. Pegou o celular, o coração acelerando, e discou o número de Julianne. Um misto de ansiedade e expectativa a dominava: no fundo, esperava que Julianne estivesse ocupada, não atendesse, mas havia também a esperança silenciosa de que ela estivesse livre. Quando a voz de Julianne atendeu, suave e reconhecível, Camilla sentiu um calor subir pela espinha.
Ligação de Camilla para Julianne (sábado à noite)
- Alô? – Julianne atendeu com a voz um pouco desanimada
- Oi… sou eu, Camilla.
- Ah, Camilla! Que surpresa boa… Já ia me deitar pra maratonar uma série. O que te fez ligar a essa hora? - o tom muda, ficando mais animado
- Estava aqui pensando… e me perguntei se você estaria livre esta noite pra… jantar comigo.
- Livre e sem planos — levei bolo de um cliente hoje, então tô oficialmente disponível. – Julianne deu uma pausa como se estivesse sorrindo na ligação.
- Bom, pelo menos o bolo dele abriu espaço pra você me ver. – Camilla rir discretamente.
- Você sabe que não precisa nem pedir duas vezes… Já tenho até um vestido mentalmente escolhido.
- Então ótimo. Pensei em irmos no Fasano, pode ser? – perguntou receosa da resposta.
- Você que dita as ordens, eu só acato. É uma ótima escolha de restaurante por mais que eu nunca tenha estado lá.
- Que isso, você também tem suas vontade. E espero que use muitas vezes comigo. – Brincou.
- Ah, pode ter certeza de que usarei.
- Então… oito horas tá bom? – Camilla respira fundo
- Perfeito. Olha...se eu atrasar, não fique chateada.
- Se isso acontecer, posso exigir algo em troca.
- Eu ia gostar de resolver esse tipo de trabalho…
Camilla sorri sozinha, mas muda o tom
- Até mais tarde, então.
- Até mais, doutora.
- Doutora?
- É…combina com você.
Camilla da um leve sorriso do outro lado da ligação.
- Boa noite, Julianne.
- Boa noite, Camilla.
Camilla desligou a ligação e respirou fundo, tentando conter o sorriso que insistia em aparecer. Foi direto ao closet, sabendo exatamente o que queria para aquela noite. O conjunto azul bebê de alfaiataria estava impecável blazer estruturado e calça de corte reto, a blusa simples da mesma cor deixando o visual monocromático elegante e harmonioso. Finalizou com sapatos de salto nude, o cabelo preso de forma despretensiosa, mas que realçava o rosto, e um perfume suave que deixava um rastro delicado.
Fim do capítulo
Meus leitores queridos,
Quero saber de vocês… o que estão achando das novas personagens? ?
Já têm alguma favorita? Alguma que mexeu mais com vocês?
Essa história ainda está só começando, e posso garantir: muitas surpresas vêm por aí. É uma trama intensa, provocante e cheia de tensão, que vai explorar desejos, limites e conexões de uma forma que talvez vocês não estejam esperando…
Para quem gosta de uma história mais ousada, com uma pegada mais dominadora e cheia de jogos de poder… preparem-se. Vocês ainda vão se surpreender MUITO com o que está por vir. ?
Me contem tudo, quero saber cada impressão de vocês!
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Naahdrigues Em: 17/04/2026 Autora da história
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