O fruto proibido
Eu olhava para ela, faminta, como uma leoa observando a presa. As horas se passavam e minha angústia e anseio por ela só aumentavam. Mesmo estando distantes uma da outra, a tensão sexual entre nós era quase palpável. Detestava admitir, mas a verdade é que eu estava loucamente apaixonada por ela, e ela sabia - e se aproveitava disso.
Enquanto eu conversava e negociava financiamento e apoio com uma das pessoas mais influentes do país, ela desviou minha atenção por completo quando olhou para mim e sorriu da maneira mais provocante que meu coração era capaz de aguentar. Depois, se dirigiu para a pista de dança acompanhada de um rapaz. Ele sorria como se tivesse tirado a sorte grande, e eu só conseguia me corroer de inveja. Afinal, ele podia fazer o que eu não podia.
Para meu total desespero, o que já estava ruim piorou quando o DJ trocou a música agitada pelo tom suave e sedutor do R&B. A partir dali, minha concentração na conversa ficou inexistente. O investidor falava, mas eu contava em desespero cada segundo daquela música que parecia interminável. A cada volta que eles davam, ela me lançava aquele olhar provocante novamente, fazendo meu sangue ferver - parte por raiva, parte pelo mais puro desejo.
Assim que a música terminou, os casais se misturaram e ela desapareceu entre as pessoas por alguns instantes. Então eu a vi, perto da porta que dava para o corredor que levava aos cômodos internos da casa, onde com certeza não havia testemunhas para o que ela sabia que eu desejava fazer.
Minha vontade era mandar todos ali embora, mas como poderia? Eu tinha que recebê-los, precisava manter a pose a todo custo. Minha carreira política dependia disso. No entanto, eu não era mais capaz de controlar a vontade de tê-la nos meus braços.
Pedi licença às pessoas da mesa e saí disfarçadamente, indo na mesma direção que ela havia tomado. Havia inúmeros quartos e outros cômodos em que ela poderia estar, mas eu sabia exatamente onde a encontraria.
Quando entrei no quarto, meu coração se acelerou e senti meu corpo inteiro ficar quente. Ela estava deitada na minha cama, vestindo apenas uma calcinha preta de renda. Seu olhar provocante me encarava, desafiando-me a perder o controle e me perder nas curvas perfeitas do seu corpo.
Fiquei por alguns instantes parada, hipnotizada por aquela visão e pelo receio. Se eu ousasse ir adiante, não haveria mais volta. Eu estaria arriscando tudo pelo que lutei e tudo o que ainda pretendia realizar. Meu momento de análise foi interrompido por sua voz suave e levemente rouca:
- Não pense. Apenas venha pra mim.
Foi o bastante para perder o controle e esquecer meus temores. Subi na cama e beijei sua boca com toda a intensidade do desejo que eu sentia. Ela não perdeu tempo e começou a arranhar minhas costas ainda por baixo da blusa, mostrando que desejava me sentir tanto quanto eu a ela.
Logo, sua impaciência foi mais forte. Ela subiu minha blusa e a retirou, começou a abrir os botões da minha calça. Eu a parei, me levantei e comecei a tirar a calça e as outras peças que ainda restavam. Ela não queria esperar; levantou-se e me abraçou por trás. Senti suas mãos em meus seios e vi o que faltava dos botões da blusa voarem pela sua pressa em me ter. Vi o fogo em seus olhos ao me ver nua, completamente exposta e vulnerável.
Ela me empurrou para a cama e começou a tocar minha pele devagar, como se esculpisse uma obra de arte, arrepiando-me por inteira. Minha calma terminou quando ela sussurrou:
- Linda...
Troquei de posição. À medida que os beijos ficavam mais intensos, o calor de nossos corpos aumentava. Deixei sua boca e desci para seus seios, sugando e ch*pando cada um deles, dando leves mordiscadas. Ela gemia baixinho, deixando-me ainda mais excitada.
Deixei seus seios e segui por sua barriga, fui até as coxas e subi bem devagar com minha língua pela parte interna, até chegar aos seus grandes lábios. Passei a língua bem espalmada neles, fazendo-a suspirar. Em seguida, fiz movimentos suaves, estimulando seu clit*ris, girando e dando leves sugadas, deixando-o pulsante como um coração. Depois, lambidas suaves a fizeram gem*r mais alto.
Ela me puxou pelos cabelos, querendo um beijo. Beijei-a. Ela abriu mais as pernas e comecei a roçar devagar, sentindo-a cada vez mais molhada. Fiquei de lado e, sem demora, deslizei meus dedos para dentro dela. Ela suspirou, fechou os olhos e começou a mover os quadris no mesmo ritmo dos meus dedos, que entravam e saíam lenta e profundamente.
Não demorou para que sua respiração ficasse mais acelerada, assim como o movimento dos meus dedos, que agora a dedilhavam como se tocassem uma melodia ritmada e hipnotizante. A música crescia até ser interrompida por um gemido alto e prolongado, seguido por tremores e um leve espasmo.
Ela abriu os olhos e sorriu com aquela expressão safada que eu tanto amava odiar.
E fiz. Fiz de novo. Toquei de novo. Me perdi e me entreguei por completo várias vezes naquela noite. Quando o sol começou a mostrar seus primeiros raios, o peso das consequências passou a me encarar, ao mesmo tempo em que minha vontade de estar com ela ainda me mantinha ali, atordoada, contemplando a beleza estonteante de seu corpo ainda nu.
Ela abriu seus olhos marcantes, cor de âmbar. Eles não mostravam mais desejo, mas tristeza, talvez um pouco de culpa. Não sorriu, não disse uma única palavra. Apenas se levantou e se vestiu. Fiquei observando em silêncio. Havia tanto a dizer, mas eu não ousava - e ela sabia.
Antes de sair, aproximou-se e me deu um beijo profundo, com gosto de solidão, e partiu silenciosa e fria, como a chuva que caía.
No mesmo instante, meu celular tocou. A realidade das consequências daquele ato me atingiu.
- Bom dia!
- Bom dia? Onde estava com a cabeça quando abandonou a senadora na mesa e desapareceu? Onde estava?
- Desculpe. Não estava me sentindo bem.
- Você acaba de ser indicada para primeira-ministra. Precisa do apoio dela mais do que nunca. Esse sempre foi seu sonho! Por que colocar tudo em risco agora?
- Eu sei que errei. Vou consertar. Marque um jantar com ela. Vou explicar e me desculpar.
O dia começou cheio, e uma das minhas primeiras tarefas foi garantir que aquela noite não virasse notícia. Mandei apagarem todos os vídeos das câmeras de segurança que pudessem ter registrado nosso encontro. Em seguida, coloquei meu sorriso no rosto e fui para a primeira entrevista. O dia seguiu: apertei mãos, abracei pessoas, fiz promessas.
A noite passada ficou esquecida como um sonho distante, até que ouvi a voz dela no rádio. A cantora número um do país, com quem eu havia conversado e por quem me apaixonara durante minhas curtas férias do Congresso.
Mandei desligarem o rádio. Eu não podia me distrair. Distração significava querer. E querer significava desistir de tudo e ir atrás dela.
Foquei no discurso na universidade federal e nas pautas do jantar com a senadora.
Às sete horas em ponto, bem vestida e certa de minhas palavras, encontrei-me com a senadora. Ela estava diferente naquela noite. Menos política, mais humana. Tão humana que me fez notar sua beleza pela primeira vez.
As diferenças não ficaram apenas nas vestes elegantes, porém casuais. Ela pediu que ficássemos a sós, sem assessores ou seguranças. Queria conversar, não apenas negociar.
- Venho observando você há algum tempo. Somos bastante parecidas. Começamos nossas carreiras bem jovens e atingimos altos cargos antes dos quarenta. Porém, eu não sou tão ousada. Poucos teriam coragem de desafiar o atual primeiro-ministro na pauta sobre moradia como você fez. E, com certeza, ninguém além de você me deixaria sentada em uma mesa durante uma conversa importante.
- Eu realmente sinto muito por esse lamentável ocorrido. Infelizmente, comecei a me sentir mal. Provavelmente foi consequência de não ter me alimentado corretamente durante o dia.
- Gosto de você. Então, peço que não minta para mim. Não cheguei onde estou deixando as pessoas me enganarem. Estou sempre observando tudo. E eu sei. Eu vi como você olhava para ela.
Somos mulheres que não podem cometer erros. Estamos constantemente sendo analisadas e julgadas. Por isso, muitas vezes deixamos de lado o mais importante: quem realmente somos e o que queremos.
- Já que sabe, não vamos fazer rodeios. Diga logo o que você quer. Creio que não teria tocado no assunto se não tivesse provas e quisesse algo de mim.
- Se acalme. Não pretendo usar isso contra você. Muito pelo contrário. Quero investir na sua campanha, mas com uma condição: você nunca mais irá vê-la.
- Não entendo. Qual é o seu interesse na minha relação com aquela mulher?
- Não se trata dela. Se trata de você. Quero que vá mais longe do que qualquer uma de nós ousou antes. Esperei anos para encontrar alguém capaz de mudar as regras e realmente causar mudanças em nosso país.
- Não serei usada dessa maneira. Se quer investir, não crie regras. Apenas confie que sei o que estou fazendo.
- Não. Você não sabe. A prova disso é que colocou em risco uma negociação importante para ir atrás dela. Ela sempre será seu ponto fraco. Não entende? Ela é famosa no mundo todo. Há pessoas observando-a em todos os lugares. Não dá para manter segredo se continuar se envolvendo. Entendo que seja uma decisão difícil, por isso lhe darei tempo para pensar.
Saí do jantar com uma sensação incômoda de perda, porque, no fundo, eu já sabia qual seria minha escolha. Ela se confirmou enquanto eu assistia ao jornal em casa. O país passava por uma crise; muitas famílias haviam perdido suas casas e agora estavam nas ruas. A pauta da moradia nunca seria aprovada se o atual primeiro-ministro continuasse no poder, ainda mais sendo uma proposta criada e planejada por mim, sua maior concorrente.
Eu precisava me distanciar de tudo para pensar, mesmo que a decisão já estivesse tomada.
Entramos no recesso de fim de ano. Dispensei minha equipe para que ficassem com suas famílias e fiz uma viagem. Jamais passaria pela minha cabeça que nos encontraríamos ali, na viagem dos meus sonhos, enquanto eu admirava o pôr do sol em um dos magníficos e escondidos fiordes da Irlanda.
- Você era a última pessoa que eu esperava encontrar aqui.
Disse mais para mim do que para ela. Sua presença deixava meus pensamentos instáveis e meu corpo paralisado.
- Posso dizer o mesmo sobre você. Li em uma entrevista que você adoraria conhecer os fiordes irlandeses. Quando minha turnê terminou, eu vim para cá. Imaginava nós duas caminhando por essas trilhas, livres das responsabilidades, sem segredos. Apenas...
Ela se aproximou, e seus olhos âmbar brilharam como joias sob a luz fria do pôr do sol.
- Apenas nos amando...
- Não podemos. Eu não posso...
- Eu sei. Ela me explicou, e eu também acredito. Acredito que você mudará tudo.
- Ela?
- Sim. A senadora. Ela me procurou, disse que sabia sobre nós. Me fez ver e entender o que, no fundo, eu já sabia.
Vi uma lágrima descer pelo seu rosto. Não tive tempo de sentir raiva pela senadora estar invadindo minha vida. Aproximei-me, coloquei a mão em seu rosto e sequei suas lágrimas. Eu não conseguia dizer nada.
- Você é a esperança. Mas, para que isso aconteça, não pode existir um "nós".
O peso daquelas palavras foi como um soco no estômago. As lágrimas agora também desciam pelo meu rosto. Era a confirmação de que eu não podia tê-la.
Ainda assim, impulsivamente, puxei-a para meus braços. Senti nossos corações pulsarem pelo contato, e o encontro de nossos olhares tornou inevitável o beijo, que abriu caminho para o encontro de nossos corpos nus na cama do luxuoso quarto da pousada.
Depois da combustão, veio o silêncio inquietante da realidade. Ela se entrelaçou em mim e me deu um beijo suave. Era nossa despedida e, no fundo, uma tímida promessa: um dia.
Ela foi embora. Soube que havia se mudado do país naquela mesma semana, focando na carreira internacional. E eu, de coração partido, foquei na minha campanha.
A senadora ficou mais próxima, mesmo quando a acusei e descontei minha frustração por ter perdido quem eu amava. Ela foi paciente e soube se infiltrar em minhas camadas, nos momentos e da maneira correta.
Aos poucos, sua beleza tornou-se mais evidente, assim como sua inteligência. Em algum ponto entre seu desejo pela minha vitória, seus sentimentos se misturaram, e ela deixou de me ver apenas como aliada política. Já éramos amigas e confidentes, e, em uma noite, ela mostrou que isso não bastava. Enquanto analisávamos os dados da campanha, a proximidade diminuiu e ela me beijou.
A resposta veio na ausência. Ausência não apenas de fogo, mas dos sentimentos que nos fazem querer abandonar tudo sempre que uma música toca. A ausência que ainda doía e me assombrava nos sonhos.
A senadora era uma escolha possível, poderia ser um acalanto, mas eu a amava de outra forma. Ela soube no instante em que nos olhamos após aquele beijo. Não poderíamos ser mais do que já éramos.
Ela se afastou por alguns dias, não por raiva, mas por autoproteção, até que minha rejeição silenciosa doesse menos e pudéssemos continuar. Para nosso desespero, aquele momento foi registrado e estampado em todos os jornais e canais de fofoca da internet:
"O CASO DA SENADORA E DA CANDIDATA A PRIMEIRA-MINISTRA."
- Fizemos tudo certo e, no final, eu coloquei tudo a perder!
- Não. Você só estava sendo humana. Agora é contenção de danos.
- Já sei. Vou emitir uma declaração dizendo que as fotos foram feitas por IA.
Pensei um pouco, e algo que já crescia dentro de mim ganhou força.
- Não. Talvez tenha que ser assim. Eu tinha muito medo de ser quem sou e isso destruir tudo, mas agora vejo que tudo o que construí foi justamente por ser quem sou. Não posso mais esconder a verdade. Quero começar com transparência.
- Está louca? Vai desistir de tudo?
- Não estou desistindo. Apenas não vou mais fingir ou esconder quem sou, mesmo que isso custe minha eleição. Me desculpe.
Ela respirou fundo, andou de um lado para o outro e, por fim, disse:
- Então vamos incendiar tudo. Estarei ao seu lado, aconteça o que acontecer. Se quebrar, nós reconstruiremos.
Naquela tarde, fiz uma grande coletiva de imprensa, onde assumi minha sexualidade e esclareci que a senadora e eu éramos apenas amigas. Quando veio a pergunta mais temida, eu me calei por alguns instantes, mas, se estava sendo honesta, não podia mentir.
- A senhora tem uma namorada?
- Não. Mas há alguém que eu amo. E espero que, um dia, esse amor chegue até ela e ela volte para mim.
Os jornais e a internet enlouqueceram. Minha popularidade aumentou como figura pública, mas minha carreira política parecia estar chegando ao fim. Os conservadores iniciaram uma campanha em defesa dos "valores familiares", impulsionando meu concorrente nas pesquisas.
Eu acreditava que tudo estava perdido, até que, do outro lado do mundo, um grande show aconteceu. No final, a cantora fez um discurso:
"Todos nós desejamos ser livres para ser quem somos, amar quem amamos e realizar nossos sonhos. A capacidade de uma pessoa não está nas palavras, mas nas ações. O país de onde venho está em meio a um processo eleitoral, e tenho visto ataques à principal candidata desta geração por ela ter se assumido lésbica. Vale a pena ignorar todo o legado de bem que ela construiu apenas porque prefere uma esposa a um marido? Pensem bem e votem sabiamente."
E, para nossa candidata em questão, eu tenho um recado.
Ela cantou uma música sobre amor, renúncia e saudade. Encerrou o show com uma imagem dos fiordes irlandeses. A repercussão foi mundial, e a resposta veio nas urnas.
"Com 68% dos votos, está eleita a primeira e mais jovem primeira-ministra da história do país."
Apesar de ter assistido e me emocionado, eu ainda não podia ceder ao impulso sufocante de tê-la.
Após a eleição, enfrentei ataques, mas reforcei a importância do projeto de moradia, que transformaria prédios públicos abandonados em lares. Com muita luta, consegui aprovação unânime.
Agora, sim, eu podia respirar.
O reencontro veio como um ato de coragem. Apareci de surpresa em um de seus shows. Senti nossos corações baterem como um só no instante em que ela me viu sentada ali.Ela sorriu encerrou a música e com lágrimas nos olhos disse:
"Hoje é um dia especial.Na plateia hoje está a inspiração da música que vocês colocaram em primeiro lugar no mundo.E apesar de tudo que já disse através da música ,hoje só tem uma coisa que eu quero dizer a ela
"Eu te amo"
Fim do capítulo
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