Capitulo 11
Capitulo 11
"Família é o lugar onde o amor começa - e às vezes, onde ele precisa ser reconstruído." - Eliane Brum
A casa estava cheia de vozes, risos e cheiro de café fresco. Pela primeira vez em semanas, Diana sentia que o peso no peito havia diminuído. Estava sentada à mesa com Rico, enquanto a pequena Clara, sua irmã de 12 anos, falava sem parar sobre os desenhos que fizera para eles.
- Esse aqui é você, Rico, com um chapéu de vaqueiro e um cavalo branco. E esse é você, Diana, com uma capa de super-heroína. Porque vocês são meus heróis.
Diana sorriu, emocionada. Rico bagunçou o cabelo da irmã com carinho.
- Você é nossa heroína, Clarinha. A única que consegue fazer a gente rir mesmo quando tudo parece desabar.
Clara se encolheu entre os dois, abraçando os irmãos com força.
- Prometem que vão voltar logo? E que vão me levar da próxima vez?
- Prometemos - disse Diana, beijando a testa da irmã. - Mas dessa vez, é melhor você ficar aqui. Nova Esperança não é lugar pra criança agora. Quero curtir um pouco mais nossa família, pode ser minha princesa?
- Siiimmmm. - Clara falou agitada como toda criança.
Era sempre assim, estar com os irmãos que ela amava fazia toda a diferença, desde que eles voltaram, as viagens de Diana e Rico para cuidar dos negócios da família, os três juntos acabaram se tornando momentos ainda mais prazerosos.
- Ei princesa, o que você acha de ir no shopping?
O sorriso brilhou no rosto da criança.
- Podemos brincar, ir no cinema?
- Com certeza, não é Di?
Diana apenas sorriu.
- Oba! Vou avisar a mamãe.
Saiu correndo para avisar Dona Sandra.
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Na sala, Mariana - esposa de Brito - conversava com Sandra sobre os planos para a fazenda. Veterinária experiente, ela estava animada com a ideia de ajudar na recuperação dos animais e da estrutura rural.
- A fazenda tem potencial. Com um bom manejo e cuidado, podemos transformar aquele lugar. E Liz está empolgada com a parte agronômica. Já fez até um plano de cultivo.
- Eu fico mais tranquilo por saber que Diana não está sozinha em Nova Esperança.
- O Brito tem me contado como estão as coisas por lá, tenha certeza Sandra que não vamos deixar a Di sozinha ou correr perigo.
-Ah! Mari, só de minha filha estar naquela cidade ela já corre perigo.
- Você...
- Não é uma questão de apoio. É medo, muito medo do que pode acontecer por ela estar remexendo nesse passado. Entendo e apoio ela desejar limpar o nome do pai. Mas, quem disse que isso impede de uma mãe ter medo? Pavor do que pode acontecer com seus filhos? Por mim já teria pego eles e colocado numa redoma.
- Sandra... as vezes a nós temos que deixar eles simplesmente irem...
- Não é fácil...
- Quem disse que é? A única coisa verdadeira que podemos fazer é prepara-los para o futuro. Dar as direções corretas e estar de braços abertos todas as vezes que eles voltarem.
Sandra passou a mão nos olhos, como quem tenta afastar o medo com um gesto simples. Mariana se aproximou, sentando-se ao lado dela no sofá.
- Sabe, Mari... às vezes eu me pergunto se fiz certo. Se esconder os filhos, mudar os nomes, fugir... foi mesmo proteção ou só mais uma forma de silenciar a dor.
Mariana segurou a mão da amiga com firmeza.
- Você fez o que podia com o que tinha. E fez com amor. Isso nunca é errado.
Sandra olhou para ela com os olhos marejados.
- Mas agora eles estão voltando. E eu não posso impedir. Não posso proteger. Só posso esperar. E isso... isso me mata um pouco por dentro.
- Eu entendo. Mas olha pra eles, Sandra. Diana é uma mulher forte, determinada. Rico é firme, leal. E Clarinha... é luz pura. Isso não veio do acaso. Veio de você.
Sandra sorriu, um sorriso triste.
- Eles são tudo o que eu sonhei. E tudo o que eu temi perder.
Mariana respirou fundo, como quem carrega também seus próprios medos.
- Quando Brito me contou sobre Nova Esperança, sobre tudo o que aconteceu... eu senti um peso. Mas também senti que era hora de enfrentar. De reconstruir. E não só a fazenda. Mas a história. A verdade.
Sandra olhou para ela com gratidão.
- Obrigada por estar com eles. Por ir junto. Por acreditar.
- Eu não vou deixar que nada aconteça com Diana. Nem com Rico. Nem com você. E se depender de mim, essa história vai ser contada como deve ser - com justiça.
Silêncio. Mas não o silêncio da dor. Era o silêncio da escuta. Da presença. Da promessa.
Sandra apertou a mão de Mariana com força.
- Então vá com eles. E volte com eles. Inteiros.
Mariana assentiu.
- É tudo o que eu quero.
Liz entrou na sala com uma prancheta nas mãos e um sorriso no rosto. Alta, decidida, com olhos que pareciam sempre observar mais do que diziam.
- Chegamos! E trouxemos café, charme e disposição!
Douglas vinha logo atrás, com o estojo de tintas pendurado no ombro e um olhar curioso que parecia escanear cada canto da sala como se fosse uma tela em branco.
- Finalmente! - Disse Diana, saindo da cozinha para abraçar a amiga. - Achei que vocês iam desistir da missão.
- Missão dada é missão cumprida - respondeu Liz, apertando Diana com força. - E eu não ia perder a chance de ver Nova Esperança com meus próprios olhos. Nem de te acompanhar nessa jornada.
Douglas se aproximou, estendendo a mão para Diana com um sorriso que misturava charme e provocação.
- E eu não ia perder a chance de ver você de novo, Di. Tá cada vez mais... inspiradora.
Diana riu, balançando a cabeça.
- Você continua um exagerado, Douglas.
- Exagerado, não. Artista. E artistas têm licença poética.
- Licença pra jogar charme, você quer dizer.
- Apenas para você, minha querida. Meus olhos brilham diante de tamanha beleza.
- Um galanteador nato. Igualzinho ao Rico...
- Ei... - Douglas piscou, teatral.
Rico apareceu no corredor, secando as mãos com uma toalha. Ao ver Liz, abriu um sorriso.
- Olha só quem chegou pra deixar a casa mais bonita.
Liz ergueu uma sobrancelha, divertida.
- E você continua com esse jeito de quem coleciona elogios prontos.
- Não são prontos. São personalizados. Só uso com mulheres inteligentes e perigosas.
- Então vou tomar como um aviso.
Diana observava os dois com um sorriso no canto da boca. Liz era sua amiga de longa data, e sabia exatamente como lidar com homens como Rico - com charme, mas sem perder o controle. Era bom ver Liz se divertindo. E Rico... talvez estivesse finalmente distraído do peso que carregava. Ela sabia que Nova Esperança não seria fácil, mas com eles ao lado, tudo parecia menos impossível.
A cena era vista por Sandra e Mariana que riam das brincadeiras dos filhos.
- Tia Liz! - Clara gritou animada correndo para abraçar a jovem.
- Olá meu amor!
- Tia, você também vai com meus irmãos?
- Sim, e vou estar esperando lá por você.
Douglas se aproximou de Rico, dando um tapinha nas costas.
- E aí, deixe minha irmã longe das suas garrinhas, ok?
- O que é isso? Por quem me tomas?
- Te conheço Rico... Mas, pronto pra voltar pro campo de batalha?
- Sempre. Mas dessa vez, com reforços.
Liz olhou para Diana, depois para Rico, e disse com leveza:
- Vamos fazer história. E talvez... algumas boas confusões também.
Diana assentiu, sentindo que, com eles ao seu lado, a volta a Nova Esperança seria menos solitária - e muito mais interessante.
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No escritório, Diana, Rico e Lucas estavam reunidos em torno da mesa, os documentos espalhados como peças de um quebra-cabeça antigo. A caixa de madeira estava aberta, e as folhas amareladas pareciam respirar memórias.
- Esse contrato aqui... - disse Rico, apontando para uma cláusula - mostra que o acordo entre papai e Otávio era legítimo. Sem juros, com divisão de produção. Isso derruba toda a narrativa de dívida.
Lucas assentiu, os olhos atentos.
- E essa carta aqui, escrita pelo próprio Otávio, confirma que ele confiava em Dário. Isso precisa ser entregue a alguém que saiba o que fazer com isso.
Diana passou os dedos pelas bordas do papel, como quem toca uma ferida antiga.
- Vamos organizar tudo. Criar uma linha do tempo. E depois... levar ao advogado. Mas antes, quero entender tudo. Quero sentir o que Nova Esperança ainda guarda.
Lucas olhou para os dois com orgulho silencioso.
- Vocês estão prontos. Mais do que imaginam.
No jardim, Liz e Mariana estavam sentadas com mapas, pranchetas e uma pasta cheia de anotações. Clara observava curiosa, com um lápis na mão.
- Aqui, vamos começar com a recuperação do solo - explicou Liz, apontando para uma área da fazenda. - E depois, a rotação de culturas. Nada muito agressivo. A terra precisa respirar.
- E os animais? - perguntou Clara.
Mariana sorriu.
- Vão receber cuidados especiais. Vacinas, alimentação adequada, e muito carinho. A fazenda vai voltar a viver, meu amor.
Diana se aproximou, observando os planos com interesse.
- Estou gostando do que vejo, podem me apresentar agora?
- Claro Di, senta que vamos mostrar o que pensamos.
As duas passaram a apresentar passo a passo do planejamento das ações, manutenções, aquisições e manejos que seriam feitos a partir do já havia sido implantado.
- Gostei do que vocês me apresentaram. Com certeza vamos realizar cada passo com cuidado. Aquelas terras são muito especiais para mim, vocês sabem.
- É mais do que trabalho, Di - disse Liz. - É reconstrução. E eu quero estar com você em cada passo.
Diana sorriu, mas havia algo em seu olhar. Liz percebeu.
- Mãe...
- Pode deixar, já entendi. Vou falar com Sandra e Lucas... juízo vocês duas.
- Tá pensando nela, né?
Diana suspirou.
- Desde aquele beijo, tudo ficou mais confuso. Ela é filha do homem que meu pai foi acusado de matar. E mesmo assim... eu não consigo parar de pensar nela.
Liz tocou o braço da amiga com carinho.
- O coração não entende lógica.
- Liz, não estou em Nova Esperança para encontrar um amor, pra viver um romance épico, já imaginou o enredo onde, duas mulheres de famílias inimigas, onde o pai de uma é acusado de matar o pai da outra... Isso da um filme.
Liz sorri. Diana usa a ironia e a acidez como defesa e ataque.
- Eu diria um dilema ou romance shakespeariano, mas, pode ser também um Jane Austin.
- Liz!
- O que? Quem falou em romance e enredo foi você, só atualizei.
Elas riram.
- Sério Liz, não sei o que fazer. Ela mexe comigo, tem um jeito nervosinho que me faz querer instigar até ela reagir, se bem que não precisa de muito pra ela atacar, não... Ela é feroz... encantadora.
- Ihhh... Já vi que a Dra jogou o laço e você caiu nele direitinho.
Diana respira fundo e diz: - Estou perdida Liz.
- Di, pode ser que você não esteja perdida. Mas, assustada e ela pode estar tanto quanto você.
- Eu não estou assustada.
- Nããooo... De maneira alguma. Te conheço há anos Diana, somos melhores amigas. Ela te assusta, não por ser filha e neta de quem é, sim pelo que te faz sentir.
- Eu... eu... você está certa. O que eu faço?
- Vive isso. Vai até Nova Esperança, faz o que tem que fazer e vive isso. E quando puder conta a verdade pra ela. Porque ela merece saber com quem vai se envolver.
- Eu vou pensar no que fazer Liz.
- Só não fuja Diana. Se permita sentir e viver algo diferente de tudo o que você já viveu e sentiu. Apenas se permita.
No alpendre, Douglas e Lucas conversavam animados. Douglas gesticulava com entusiasmo, os olhos brilhando.
- Lucas, eu tô falando sério. Diana é incrível. Forte, inteligente, linda. Eu queria investir mais nela. Mostrar que tô aqui, sabe?
Lucas riu, balançando a cabeça.
- Douglas... você é um bom rapaz. Mas, você sabe que a Diana gosta de meninas, né?
Douglas ficou em silêncio por um segundo, depois sorriu.
- A Diana já teve envolvimento com homens, cara.
- Enquanto não se assumia, irmão. Ela não queria admitir que gostava de meninas. E por um tempo ela quis esconder isso dela mesma.
- Isso explica muita coisa. E tudo bem. Eu gosto dela como ela é. Posso tentar fazer ela me ver como opção também. Afinal, muitas pessoas gostam de pessoas, não do gênero.
- Douglas... Não faz isso, cara. É por pensar assim que muita gente machuca e sai machucado de relacionamentos. A Diana, é lésbica irmão. Gosta de mulher. Se por acaso, fosse a Liz no seu lugar, teria muita chance de acontecer algo. Você não tem chance alguma. Esqueça isso.
- Porr*! Pensei que você era meu amigo e iria querer me ter como cunhado.
- Cara. Esquece isso. Você não tem a mínima chance com a minha irmã, então não poderia ser meu cunhado nunca.
- Vou flertar com a Diana. Se eu ver que tenho alguma chance, com certeza vou investir.
- Então espera sentado ou deitado. Porque você não vai ter a menor chance. Só avisando, por ser seu amigo.
Douglas baixa a cabeça, olha para o amigo e diz: - Sem chance?
- Zero chances.
- Então só amizade...
- Isso, Douglas, e fazer isso é sinal de respeito com a Diana e maturidade sua.
Douglas respira fundo.
- Irmão, em Nova Esperança deve ter várias mulheres para que possamos tentar algo meu amigo. Seremos a novidade. Dois homens bonitos, solteiros... Mas, tem que ser com respeito e sempre avisando que não quer nada sério. Só diversão.
- Você tem razão. Quem sabe não encontro outras musas inspiradoras para minha arte.
- Assim, é que se se fala.
Mais tarde, Liz e Diana estavam sentadas na varanda, observando o céu que começava a se tingir de laranja.
- Di... posso te dizer uma coisa?
- Claro.
- Eu sei que brinco com Rico, que dou corda nos flertes e as vezes uns cortes também... mas, no fundo, eu gosto dele.
Diana olhou para a amiga com ternura.
- É complicado. Rico tem medo de se envolver, adora diversão e mulheres. Além de ter muita coisa mal resolvida com relação a nossa família. Além da idade, né amiga...
- Tenho interesse nele.
- Então investe, mas, sabendo que pode não receber o que você quer.
- Eu não quero pressa. Só quero verdade.
- E você merece isso. Verdade. Amor. Tudo.
O silêncio entre elas era confortável. A casa estava cheia. A família reunida. E Nova Esperança os esperava.
Mas agora, eles estavam prontos.
Fim do capítulo
Temos novas pessoas indo para Nova Esperança...
Espero que gostem da Liz, do Rico, do Douglas... da Mariana... eles serão importantes...
spoiller... A Liz vai ser bem importante... rs
Deixem a autora feliz com comentários...
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jake
Em: 09/11/2025
Nova Esperança que nos aguarde....
Parabéns autora achando a história envolvente e instigante... Parabéns!!!!
Dinha Lins
Em: 15/11/2025
Autora da história
Obrigada! Que bom que está gostando...
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HelOliveira
Em: 07/11/2025
A Liz já deu pra sentir que ela gente boa, mas Douglas deu um pouco de medo.....Será que ele aceitou mesmo que não tem chance com a Di, ou arrumar problemas com a Carol
Dinha Lins
Em: 15/11/2025
Autora da história
O Douglas é gente boa... A Liz é gente boa também...
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mtereza
Em: 07/11/2025
Eita gostei da tropa nova que entrou na história ja prevejo que irão causar um reboliço em Nova Esperança
Dinha Lins
Em: 15/11/2025
Autora da história
Olá, que bom q gostou dos novos personagens...
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Dinha Lins Em: 22/03/2026 Autora da história
kkkkkkkkk lotaçã máxima... e ainda tem gente pra chegar...