Capítulo 6

Capitulo 6

de Sob as Sombras de Nova Esperança, por Dinha Lins

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Capitulo 06

 

O encontro inesperado, as situações inusitadas, o que não foi combinado, mas tinha que acontecer. - Rubem Alves

 

O sol se escondia atrás das árvores, tingindo o céu de cobre e violeta. Diana cavalgava lentamente, guiada apenas pelo instinto - sem rumo, sem destino. Quando chegou à margem do rio, parou. Havia alguém ali.

Uma mulher, a mesma do outro dia.

Ela estava de costas, ajoelhada na beira da água, com os cabelos soltos e molhados, lavando o rosto. O vestido claro colava ao corpo com a brisa úmida. Diana desceu do cavalo em silêncio, mas não conseguiu evitar o som das folhas sob seus pés.

Carol se virou bruscamente.

- Quem é você? Resolveu se mostrar dessa vez? - Disse, com os olhos semicerrados enquanto se levantava sem pressa e sem medo.

- Eu poderia dizer o mesmo - respondeu Diana, com um meio sorriso.

- Como? Não fui eu que me escondi nas sombras das árvores para espionar, isso é com você.

Diana sorriu diante da percepção de que foi descoberta.

- Acho que você é que está me seguindo!

- Não - respondeu Diana sorrindo. - Mas se estivesse, você saberia. Eu não sou boa em ser discreta.

- Ah, isso eu já percebi.

- Hummm... Mas... O que uma linda mulher faz sozinha, seu namorado...

Carolina a olhou com indiferença e disse: - O que faz você acreditar que eu não possa me defender?

- Desculpe! - Disse levantando os braços e sorrindo- Na próxima você me engole...

- Ta aí uma coisa em que você é boa...

Diana se aproximou, parando a poucos passos dela e pergunta: - No que?

- Em me provocar.

- E você não é boa em esconder o quanto está incomodada comigo.

Carol cruzou os braços.

- Incomodada? Não. Só... intrigada. Você aparece do nada, compra terras que não são suas, e ainda tem a audácia de achar que pode andar por aqui como se fosse dona de tudo.

- Eu sou dona legalmente. E emocionalmente, talvez mais do que você imagina.

Carol riu, um riso curto, quase nervoso.

- Você tem respostas afiadas. Mas não me convence.

- E você tem raiva nos olhos. Mas não me assusta.

O silêncio entre elas era denso, quase palpável. O rio corria ao fundo, como se escutasse a conversa com atenção.

- Cuidado, Diana. Eu sou boa em odiar.

- E eu sou péssima em resistir a quem me desafia.

Os olhos se encontraram. Havia faíscas, havia dor, havia desejo. Mas também havia história. E feridas abertas. Carol parou por um segundo, como se quisesse dizer algo. Mas não disse. Montou no cavalo e partiu, deixando Diana sozinha à beira do rio, com o coração acelerado, o gosto do desafio ainda na boca, e a certeza de que aquele encontro não seria o último.

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Carol chegou em casa bufando de raiva, como se o encontro tivesse acendido algo que ela não sabia conter.

- Aquela... aquela... Ahhhh! - Disse com raiva.

- Carol? Aconteceu alguma coisa meu amor?

- Não vó, só encontrei com a nossa nova vizinha.

- Ela fez algo com você? Te disse alguma coisa? - Dona Estelita perguntou se aproximando para abraçar a neta.

- Ela não é nem louca de fazer algo comigo, vó, só foi um encontro inesperado, não se preocupe.

- Ah minha neta! Como não me preocupar seu avô está com os nervos à flor da pele por causa dessa mulher, seu tio está ainda mais nervoso ultimamente e você chega em casa assim!

- Ela é provocadora, audaciosa, sagaz e linda...

- O que? O que você falou Ana Carolina? Me parece que essa tal Diana realmente mexeu com você filha.

- Comigo? Até parece vó...- disse saindo em direção ao quarto

Dona Estelita sorriu olhando a neta: - Parece que você encontrou alguém que mexe com você mais do que o esperado.

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O corredor branco do hospital estava silencioso, exceto pelo som apressado dos passos de Diana com Brito ao lado, pressionando um pano contra o braço ferido.

- Foi só um rasgão, mas está fundo - disse ele, tentando disfarçar a dor. - Aqueles bois estavam possuídos hoje.

- Você devia ter esperado ajuda - respondeu Diana, preocupada. - Mas não, quis bancar o herói. Aguenta firme, já estamos chegando - disse ela, com o rosto tenso.

Ao entrar na sala de atendimento, Diana parou. Atrás da máscara e do jaleco, estava Ana Carolina.

- Você? - disse Diana, surpresa.

Ana Carolina ergueu uma sobrancelha.

- Eu sou a médica responsável. E você trouxe um paciente...

- Não. Trouxe ele para conhecer as instalações médicas.

- Veio provocar? Enquanto você ta ai falando ele está com dor e sangrando.

Diana sorriu, sem humor.

- Se eu soubesse que era você, teria vindo com mais cautela.

- E eu teria vindo com armadura e luvas duplas - disse Ana, sem desviar o olhar, como se cada palavra fosse uma flecha.

Brito olhou de uma para outra, desconfiado.

- Vocês se conhecem?

- Infelizmente - disseram as duas ao mesmo tempo.

Ana Carolina examinou o ferimento com precisão. Diana observava, braços cruzados, tentando não parecer afetada.

- Vai precisar de pontos - disse Ana, sem olhar para Diana. - E talvez de um pouco mais de juízo. Retirar boi preso em cerca com o braço nu é pedir pra virar churrasco.

- Olha só a doutora também conhece lida de fazenda, pensei que vivesse apenas entre bisturis e salas com ar-condicionado.

Ana Carolina parou por um segundo, depois sorriu por trás da máscara.

- E você vive entre cercas e faíscas. Deve ser difícil manter a calma com tanto fogo por perto.

Brito tossiu, tentando disfarçar o riso. Diana se virou para ele, irritada.

- Brito, quer que eu te deixe aqui sozinho?

Diana bufou, virando o rosto. Ana Carolina apenas sorriu, satisfeita terminando os pontos e curativos de Brito.

Mais tarde, no refeitório do hospital, Alice se sentou ao lado de Ana Carolina.

- Então...

- O que?

- A famosa Diana Camargo?

Ana Carolina revirou os olhos.

- Não começa, Alice.

- Interessante...

- O que é interessante?

- Você está mexida e não admite.

Ela é irritante. Arrogante. E linda. O pacote completo pra me tirar do sério.

Alice riu. Ana Carolina olhou pela janela, pensativa.

- Ela me desafia. Me provoca. E me faz sentir coisas que eu não queria sentir.

- Então talvez seja hora de parar de fingir que é só implicância. Porque o hospital inteiro percebeu.

Ana Carolina não respondeu. Mas no fundo, sabia que Diana estava mexendo com partes dela que há muito tempo estavam adormecidas.

########

Diana estava sentada na varanda da sede, com uma taça de vinho esquecida ao lado. O céu escuro parecia mais silencioso do que o normal, como se até as estrelas estivessem esperando por uma resposta.

Ela passou a mão pelos cabelos, ainda inquieta.

- Médica responsável... - murmurou, lembrando da postura firme de Ana Carolina, do olhar por trás da máscara, da voz afiada.

O hospital inteiro parecia ter desaparecido quando as duas se encararam. Era como se o mundo tivesse se resumido àquela sala, àquele embate.

Diana se levantou, caminhando até o parapeito da varanda. O vento da noite tocava seu rosto, mas não acalmava o turbilhão por dentro.

"Ela me provoca. Me desafia. E me desmonta com uma frase."

Brito tinha notado.

- Linda, irritante, sagaz... - disse em voz baixa, como se confessasse para o escuro.

Mas havia mais. Havia algo nos olhos de Ana Carolina que a fazia lembrar de si mesma. Uma dor contida. Uma força que não pedia licença. Uma vontade de não se render - e ao mesmo tempo, de ser vista.

Diana fechou os olhos. Respirou fundo.

"Isso não é só atração. É colisão. "

Ela sabia que aquele encontro não seria o último. E que, da próxima vez, talvez não fosse só palavras que iriam ferir ou curar.

 

Fim do capítulo

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Conversa

Comentários

4
Z

Zanja45

05/01/2026 às 12:12

Eita,  essas duas são intensas, já começaram com tudo. 

D

Dinha Lins 22/03/2026 às 04:49

Sim... rs tem muita coisa pra rolar ainda....
J

jake

09/11/2025 às 01:08

Eh Diana cuidado com Ana ...

Ansiosa pra saber o desfecho do próximo encontro 

D

Dinha Lins 15/11/2025 às 08:45

Essas duas... tem uns capítulos a frente....
M

mtereza

05/11/2025 às 06:11

Parece que as duas irão mesmo viver um romance alá Romeu e Julieta rsrsr só não pode terminar como eles kkkk

D

Dinha Lins 05/11/2025 às 10:04

kkkkkkkkkkkkkkkkkk bem desse jeito... o fim também espero que seja diferente...
D

Duduka

23/10/2025 às 08:35

Essas duas vão causar muito na cidade e em suas famílias. 

D

Dinha Lins 24/10/2025 às 08:50

Vão causar e muito, sem falar nas companhias que irão aparecer...
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