Amargo
O café estava amargo. Colheres de açúcar não adoçavam mais os meus ouvidos.
Os grãos brancos sumiam no líquido negro e eu afundava.
Não suportava o teor das suas palavras. Eu tremia a cada elogio seu a outro alguém.
Uma xícara nos separava, e como estávamos distantes!
Engasguei.
Surpresa por saber, naquele instante, que o pouco que tínhamos acabava.
Que o brilho do seu olhar não poderia mais ser motivado por mim.
Que as suas gargalhadas eram de piadas as quais eu desconhecia.
Tossia compulsivamente para esconder os olhos marejados e a voz fraca.
Por fim, eu abaixava a cabeça, para não encontrar seu olhar curioso e leve.
E me arrepender de não ter te abraçado forte o suficiente para te aquecer.
Não ter te afagado como as brisas de verão.
Não ter beijado os seus lábios e sussurrado que te amava. E como eu te amava...
Fim do capítulo

Andreia2024
05/09/2024 às 09:38
Sua poesia me tocou!
GMS 07/09/2024 às 10:45
NúbiaM
22/11/2023 às 10:22
Tenho admiração por vocês escritoras que navegam fluentemente entre a escrita e os sentimentos.
Nós mortais quando escrevemos sempre nos espomos à incompreensão, mal entendidos.
GMS 24/11/2023 às 09:56