Capítulo 1

Setembro Vivaldi

de Setembro Vivaldi, por caribu

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749 palavras250 leituras3 comentários

Estamos terminando um dos meses mais atípicos do ano de 2023 – para não dizer “de todos os tempos” – e sinceramente eu não sei ainda até que ponto é vantajoso a gente avançar no calendário, considerando esse assustador clima de fim do mundo, que com certeza vai se estender outubro afora (ou “outubro adentro”). Mas encerrar um capítulo é sempre importante e esse foi tão impactante que eu até resolvi escrever essa crônica. Só para falar disso, que é muita coisa!

Setembro veio para nos mostrar que o aquecimento global é real e não uma conversinha furada, como insistem os terraplanistas negacionistas do óbvio, e em várias regiões do país pudemos sentir literalmente na pele o impacto de tudo isso. Aqui no interior onde moro, por exemplo, tivemos as quatro estações nas últimas semanas e a sinfonia foi ouvida enquanto as cigarras gritavam lá fora, desesperadas, sem entender que caralhos está acontecendo com nosso despedaçado meio ambiente. Tudo invertido, tudo mudado e a gente aqui, fritando no planeta Terra.

Infelizmente, durante muitos anos fui refém da indústria cultural estadunidense e consumi os enlatados norte-americanos que colocam sempre os Estados Unidos no centro de um palco geopolítico que hoje em dia, aparentemente, só existe na ficção (afinal, tamo aí acompanhando a China, gigante, estraçalhar seus concorrentes e dominar o comércio exterior. Não é bom para o Brasil, mas também não é bom para os EUA, então... Estou rindo melhor só porque é por último). Bom... mas o fato é que ainda que boa parte da população daquele país desconheça geografia e o sentido do conceito de empatia, os filmes de Hollywood adoram criar diferentes cenários de fim do mundo: tem invasão de etê, choque de meteorito, guerras variadas, vulcão, enfim. Toda uma gama de finais. E em todos, praticamente sem exceção, sempre tem o dilema da personagem principal, que às vezes até acaba junto com o fim do filme. Porque, sabemos, isso é o que atrai a atenção do espectador. O dilema. Que nesses casos se relaciona à tentativa de sobrevivência, que acaba permeando todo o enredo.

Em geral, eu tenho muitas ideias para escrever história. Juro, são milhares, milhões, todos os dias. Minha cabeça não para, sou um pouco aserehe(-ra-dehe), aí meu sistema roda num ritmo meio ragatanga, e isso acaba sendo um estímulo, um combustível para os meus pensamentos pipocarem a toda hora, a cada instante. Só que, passado um tempo (eu tenho 40 anos), aprendi que não é porque uma ideia parece boa que ela necessariamente vai ser uma boa história. Porque nem sempre encontro esse dilema, esse fio que vai te conduzir do primeiro parágrafo até o final do que quer que eu esteja te contando. Te confesso até que por muito pouco não descartei o trisal TPM; foi difícil encontrar um drama para uma trama tão aguinha com açúcar, tão fofinha (saudades, inclusive).

Agora, foco na vida real: o mundo está acabando. Tá, gente, vamos admitir que os sinais são bem claros, quase em neon, piscando na nossa cara. Já era. O calor intenso e desproporcional dos últimos tempos fez com que o degelo lá nos Alpes, em 12 meses, equivalesse ao que se derreteu em 30 anos, e a galera está tudo lá, resgatando os corpos que começaram a aparecer de repente. Aqui no Brasil teve cigarra cantando no inverno e inverno que não teve frio. Primavera chegou e os termômetros marcavam 40 graus. Deu 24h e a temperatura baixou para 15, com um vento de 35km/h que chacoalhou minha janela como se alguém muito zangado estivesse lá fora, querendo me pegar (me senti um dos três porquinhos, o que tem a casinha intermediária, de madeira).

Meu dilema nesse fim do mundo é que a nossa “jornada do herói” não envolve nenhuma missão emocionante. Eu mesma não tenho feito nada, a não ser resistir e continuar me preocupando com os meus boletos, com os meus problemas familiares... continuo perdendo o sono no meio da noite (por causa do calor, que é meio que uma novidade), mas com crises de ansiedade, com falta de ar (problema que já é um velho conhecido). Aí me flagro pensando em quem leria a desinteressante história da mulher que derreteu em cima de um colchão, num dia em que o ventilador cuspia mais vento quente do que ar. Demoro um pouco até me convencer de que está todo mundo assim, fingindo não se preocupar. Vou te dizer que não chega a ser um consolo, mas no fim, conforta.

Fim do capítulo

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Conversa

Comentários

3
C

cris05

02/10/2023 às 09:12

É isso. O mundo está acabando e a galera está pouco se lixando. Na verdade nunca se importou, não é à toa que estamos onde estamos.

Eu sou a chata com o meu papo de vamos plantar, gente. Vamos cuidar do planeta. E a resposta normalmente é: "Pra quê? Dá muito trabalho. A nova geração que lute". 

É desesperador essa falta de empatia, esse egoísmo, essa mania de "farinha pouca meu pirão primeiro" e por aí vai.

É como eu sempre digo, ou melhor, escrevo: (Ch)oremos!

Gosto do calor, autora, mas não com a sensação térmica de fim do mundo.

Beijos com a torcida de que outubro seja menos quente, porque setembro foi de lascar até c de peixinho rsrs (tô rindo mas é de nervoso).

 



Resposta do autor:

 

hahaha

Pois eu ri, mas com respeito!

O sinal do fim é justamente esse que vc apontou: a falta de empatia, o egoísmo. Por isso estamos como estamos (no caso, acabando).

Que outubro seja ameno! Bom fim de mundo pra nós!

Choremos!rs

Beijos, querida!

 

Foto de Marta Andrade dos Santos

Marta Andrade dos Santos

30/09/2023 às 10:20

É o planeta reclamando e deixando bem claro e vivo que nada é de ninguém e a natureza mostrando que manda na porra toda.

Eu não fico preocupada gosto de observar que nós não somos nada e não controlamos nada e somos frágeis e impotentes perante a toda mudança que está ocorrendo no planeta Terra.



Resposta do autor:

 

Não somos nada mesmo... por isso que o mundo tá acabando em barranco e nois tá tudo encostado rs

Beijos! Se cuide!

 

 

Foto de NovaAqui

NovaAqui

29/09/2023 às 05:49

Esse El Niño vai ser de lascar o planeta

A verdade é que não estamos preparadas para isso

Não sei se mesmo que uma grande tragédia aconteça, as coisas vão mudar 

Foto de caribu

caribu 29/09/2023 às 06:43

É, andei lendo que ele vai ser monstrão msm... não estamos nada preparadas pra isso!!
Uma grande tragédia nuda tudo, a partir do momento que não existir mais planeta rs Ou humanidade...
Se cuide!
Beijos!
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