POV CATARINA
Ainda estávamos na casa de Ester, Theodora já estava alterada pela quantidade de cerveja que havia ingerido, eu parei na primeira taça de vinho, não iria dirigir embriagada.
A noite estava agradável, até mesmo Isis estava interagindo comigo sem me tratar com hostilidade, conseguimos conversar sobre meu novo projeto, Malvina já havia dito que quer ela na campanha.
-Quer ir embora, meu bem? – Theo perguntou no pé do meu ouvido.
-Você decide, amor. – Ela me deu um beijo na bochecha.
-Não posso negar que vocês duas são lindas juntas. – Só aí percebemos os olhares voltados pra nós duas. – Essa otária fica boba ao seu lado, Cat.
-Ela é boba o tempo todo, Luiza. – Isis me encarava. – Mas ao lado de Catarina ela fica pior.
-Querem parar? – Theo pediu e eu ria com elas.
-Até parece que elas não ficam com cara de bobas, quando estão apaixonadas. – Ester se sentou no braço do sofá.
-Eu tambem fico, Theodora me deixa assim, bobona. – Ela me encarou sem graça, e eu continuei. – Sei que vocês têm um atrás comigo, mas eu sempre fui apaixonada por ela.
-Eu tenho os dois ainda. – Isis disse divertida e Theodora revirou os olhos.
A noite passou tranquila, demos muitas risadas, me sentia confortável, mesmo com algumas piadas das meninas, não levei para o pessoal, pois eu entendia o cuidado que elas tinham com Theodora. Depois de um tempinho decidimos ir embora, Theo me deu as chaves e fomos para a minha casa, ela já tinha algumas roupas, e se depender de mim, ela poderia se mudar pra lá de uma vez.
-O que você está pensando? – Ela perguntou enquanto eu dirigia pelas ruas.
-Em nós. – Fiz um carinho em sua coxa.
-Em nós? – Ela juntou as sobrancelhas fazendo uma expressão linda.
-Já percebeu que Luna vive te convidando pra morar lá em casa? – Ela abriu um sorriso lindo. – E eu percebi que isso seria incrível.
-Peraí, você mal me pediu em namoro e já está querendo morar junto? – Theo gargalhava.
-Para de debochar de mim. – Entrei na onda e gargalhei também. – Quando eu disse que eu quero você, eu quero por completo.
-Você me tem por completo. – Ela segurou minha mão e levou aos lábios deixando um beijo estalado. – A única coisa que me impede de gritar aos quatro ventos que sou sua, é Malvina.
-Vamos resolver isso juntas. – Ela confirmou com a cabeça.
Em poucos minutos chegamos em casa, fui ver como Luna estava e Theo foi pro banho, logo em seguida eu entrei pra tomar uma ducha também, quando eu saí ela já dormia serenamente agarrada ao travesseiro, beijei suas costas e sai do meu quarto indo até o quarto da minha mãe.
-Oie, posso entrar? – Minha mãe lia um livro e logo me recebeu com um sorriso.
-Oi meu bem. – Ela bateu a mão na cama para que eu me aproximasse. – Tá tudo bem?
-Só queria te ver. – Me deitei no colo dela e suspirei.
-Cadê a Theo? – Ela perguntou iniciando um carinho em meus cabelos.
-Dormiu, tomou cerveja além da conta. – Minha mãe deu uma risada.
-Da próxima vez me convide. – Acenei com a cabeça. – O que foi? Estou te achando aflita.
-Não é nada. – Enchi os pulmões de ar, eu precisava desabafar. – Na verdade eu estou com medo.
-De que meu amor?
-Malvina. – Minha mãe me encarou. – Eu decidi que vou assumir meu relacionamento com Theo, estou disposta a enfrentar as consequências, mas eu a admiro tanto, Mãe, queria que ela não criasse caso, entende?
-Entendo. – Ela respondeu. – Mas tenho certeza de que ela ama Theodora, e qualquer mãe que ama seus filhos, só quer que eles sejam felizes. Não sofra antecipadamente, tenha fé.
-Obrigada por ser essa mãe incrível. – Ela beijou meus cabelos. – Tem mais uma coisa.
-Lembra quando eu te contei sobre o segredo de Malvina? – Me sentei direito na cama e minha mãe afirmou com a cabeça. – Então, eu tenho a sensação de que se Theodora descobrir isso, ela vai surtar, você precisa ver como ela admira o pai.
-Deu pra perceber durante aquele jantar. – Levei as mãos no cabelo.
-Eu não queria saber dessa informação, eu não queria esconder nada dela.
-Cat, isso é algo maior do que você e ela. –Minha mãe é a pessoa mais sábia do mundo. – Isso é algo que não dá pra adivinhar, não sabemos como ela vai reagir, eu não posso julgar Malvina, mas eu não teria escondido isso há tanto tempo.
-Mãe, eu a compreendo. – Eu entendo o lado de Malvina. – Eu não pretendo contar pra Luna sobre o pai dela.
-Eu sei, filha. – Ela tentava me explicar o argumento. – Eu também não julgo você, mas todas as nossas escolhas possuem consequências. Malvina teve a escolha dela, e a reação de Theo vai ser a consequência. Você como a namorada só resta ficar ao lado dela.
Suspirei e ficamos ali conversando, isso estava martelando minha mente, eu não sei se devia contar pra Theodora, mas como minha mãe disse, isso é algo além do meu alcance. Acabei me despedindo da minha mãe e voltei ao meu quarto. Theo continuava na mesma posição, me deitei ao seu lado e ela me abraçou me puxando para o seu corpo, dei um beijo em seu rosto e me entreguei ao sono.
Na manhã seguinte seguimos nossa rotina, novamente Theo levou Luna na escola e eu fui pro ateliê, precisava chegar mais cedo, tinha um milhão de coisas pra resolver e ainda preciso terminar alguns croquis. Subi pra minha sala e Fabiana me repassou minha agenda, teria duas reuniões, uma com Malvina que já estava no ateliê, agradeci e fui de encontro à ela.
-Oie, bom dia. – Bati antes de entrar.
-Bom dia, Cat. – Ela tinha os óculos na ponta do nariz. – Invadi sua sala, desculpe.
-Sua sala, Malvina. – Dei um sorriso simpático. – É a minha sala emprestada.
-Tão modesta. – Ela revirou os olhos. – Que bom que chegou, preciso de uma opinião, nesses desenhos.
-Malvina, você é brilhante. – Eu me sentia envergonhada quando ela me pedia ajuda.
-Catarina, você é a diretora criativa, a coleção tem o seu nome. – Ela se levantou. – Eu preciso da sua opinião, você ainda não entendeu isso?
-Me desculpe. – Ela sorriu me encorajando e me entregou as folhas, analisei um por um.
-Sabe Cat, pode ser repetitivo, mas eu agradeço por ter você comigo. – Ela colocou as mãos em meus ombros. – Você tem minha confiança, algo que eu prezo muito, obrigada!
Engoli seco, parece que eu estava vivendo entre a cruz e a espada, sempre no meio do fogo cruzado. Fui tirada dos meus pensamentos quando o celular de Malvina tocou.
-Olha só, lembrou que tem mãe! — Ela dizia em um tom divertido. – Oi amor, como você está? Estou em reunião com a Catarina, mas pode falar. Exame? Como assim? Theodora, podemos falar disso depois? Eu não sei, seu pai nunca me disse, não sei filha, ok, até mais.
Malvina encerrou a ligação pálida e com as mãos trêmulas, eu sabia exatamente o que Theodora disse ao telefone, o que Ester disse a ela ia ficar martelando na cabeça dela, ela ia querer fazer esse exame, e isso pode acabar revelando todo o segredo.
-Malvina? Tá tudo bem? – Perguntei ao notar que a mulher continuava calada.
-Se Theodora descobrir, ela nunca vai me perdoar. – Malvina disse em um fio de voz.
POV MALVINA
Eu sempre achei que Theo nunca descobriria sobre Gael não ser pai dela, foi ele que me pediu que nunca contássemos a ela, e eu aceitei, ela foi crescendo e nunca nem desconfiou de nada, nunca questionou que os traços dela não eram parecidos com os dele, na cabeça dela eles era parecidos na personalidade, omitimos sobre a vida dela. Eu sempre tive medo de perder o amor da minha filha, tive medo dela descobrir e me odiar pra sempre, não me perdoar.
-Malvina? Tá tudo bem? – Catarina me tirou do transe.
-Se Theodora descobrir, ela nunca vai me perdoar. – Minha voz quase não saiu. – Você sabe como ela é.
-Você pensa em contar pra ela? – Arregalei os olhos. – Talvez se você contar toda a história ela entenda.
-Catarina, não sei o quanto você conhece minha filha. – Me remexi na cadeira. – Mas a Theo que eu conheço é capaz de pegar o primeiro voo de volta pra Londres, ela é impulsiva, de opinião própria, isso ela puxou a mim.
-Malvina, você sabe que eu não pretendo contar pra Luna quem é o pai dela, eu te entendo perfeitamente, mas isso é além de uma decisão nossa, se um dia ela perguntar, eu serei sincera, vou falar que nem mesmo eu o conhecia. – Catarina tinha uma história semelhante à minha, ela melhor que ninguém me entendia. – Converse com o Gael, vocês podem fazer isso juntos, Theo é uma mulher adulta, ela vai ouvir vocês.
-Preciso pensar. – Suspirei e levei as mãos no cabelo. –Vou ligar pro Gael.
Pedi que meu ex marido viesse ao ateliê, isso é uma decisão nossa, não posso levar a culpa sozinha, ele precisava me ajudar. Em poucos minutos ele chegou e eu o recebi na minha antiga sala, Catarina nos deu licença e ele se sentou.
-O que houve, você parecia desesperada ao telefone. –Ele perguntou aflito.
-Gael, precisamos conversar sobre o segredo que escondemos de Theo. – Gael me olhou espantado. – Ela me ligou, ela quer fazer um exame. Gael, se ela descobrir isso, Theodora nunca vai me perdoar.
-Malvina, se acalme. – Ele se levantou e colocou a mão no meu ombro. – Vamos pensar com calma.
-E se contássemos a ela? – As palavras saíram da minha boca sem controle.
-Você tem certeza? – Afirmei com a cabeça. – Vou ligar pra ela.
Fim do capítulo

patty-321
20/01/2023 às 19:10
Esse segredo ainda vai sobrar pra cat. Será q Theo vai entender ela não ter contado? Ela não poderia e sim os gael e a Malvina.
Lea
19/01/2023 às 16:26
São tantas verdades precisando serem ditas!
Marta Andrade dos Santos
19/01/2023 às 16:17
Vixe tá complicado em Mal.
Marta Andrade dos Santos
19/01/2023 às 16:17
Vixe tá complicado em Mal.