Capítulo 1

Crônica do dia

de Crônica do dia, por caribu

Tamanho do texto
773 palavras292 leituras3 comentários

Já faz uns anos que peguei mania de acordar cedo. É, sei lá o porquê, desperto antes de o dia começar, e não há nada que me faça voltar a dormir. Isso começou por volta de novembro de 2019 e eu, a “garota dos sinais”, fico achando que foi uma espécie de preparação premonitória para o isolamento social que de certa forma ainda rege meus dias hoje, quase três anos depois de ter começado. A pandemia afetou demais a qualidade do meu sono e não só isso, convenhamos. Se eu disser que estou sã, estarei mentindo. Na real, acredito que até aqui só não enlouqueceu quem já era maluca lá atrás. E eu já nasci doida!

No começo eu não fazia nada, exatamente. Ou fazia tudo: faxinava, areava as panelas, limpava as janelas... Só depois depois de muito tempo comecei a aproveitar as primeiras horas da manhã para correr, porque essa mania é relativamente recente na minha linha do tempo, e eu já disse algumas vezes o quanto essa atividade me salva (de mim mesma! Eu sou uma inimiga implacável, socorro). Mas claro que, embora tenha milhares de benefícios, o espelho comprova só um deles, não é todo dia que sou tomada por aquela vontade gostosa de calçar o tênis e sair correndo por aí, suando que nem uma camela debaixo do sol campineiro. Na verdade, segundo os vídeos que o Instagram agora insiste em me mostrar, correr tem mais a ver com disciplina do que com gosto, propriamente dito. Por sorte, sou bastante disciplinada (obsessiva, minha psicóloga diria), mas às vezes acontece de a minha chavinha virar, e aí, minha amiga... nem a sedução da endorfina me conquista. Tipo hoje.

Hoje acordei cedíssimo (por volta das 5h30) e o dia estava lindo: céu sem nuvem, tempo ameno, uma manhã perfeita, embora seja o horário que os coxa aposentados também saiam para a caminhada matinal aqui na minha quebrada (de burguês). Em geral, quando corro, levanto antes das cinco, mas nada me impede de sair depois, mesmo sendo dezembro e antes de dar oito horas já esteja fazendo um calor do cão. Mas nem foi o horário que me desanimou, não: fui eu mesma, com a desculpa de ser produtiva. Me convenci de que, ficando em casa, já poderia adiantar o trabalho e escrever. Que é trabalho, também.

Ontem foi feriado aqui na cidade e minha programação era bem simples: correr e escrever. É muito louco como acontece o processo criativo (como diria o meme: “empolgante!”), porque correr, até que corri, mas quanto a escrever... talvez no astral, quando me desdobrei nos diversos cochilos que me permiti ter ao longo do dia. A cada vez que acordava, meu cérebro gritava: “é feriado, foda-se, descansa”. Esse tipo de desculpinha me impede de fazer cada coisa... eu me permito a cada brecha que, olha, se fosse te contar, seria um livro inteiro só falando disso. Me permito a certos luxos, sabe? Tipo “dorme, cê correu pacarai...”, ou a clássica: “pode comer pão, sim, depois cê arca com o preju...”. Hunf. É cada cilada que não preciso de adversárias; eu sozinha já dou conta do recado!

Bom, aí desisti já bem cedo de correr para poder trabalhar e escrever. E, veja, essa é a mágica da coisa, porque quando liguei o computador, simplesmente eu abri o arquivo errado, num ato falho – ou não! Em vez de clicar no livro que estou trabalhando como escritora fantasma, abri meu conto de natal para o Lettera. Ainda não tinha nem terminado de ler o primeiro parágrafo e já me vi diante de um novo documento em branco, prontinho para escrever essa crônica. Nem sabia inicialmente qual seria o assunto e, até esta linha, esse texto ainda não tinha nome, mas já tinha capa, porque minha cabeça é meio alucinante no quesito criatividade. Ou seja, mirei um, acertei outro, mas levei para casa um terceiro. E parei de escrever umas 700 vezes para fazer outras 500 atividades não planejadas e não necessariamente relacionadas.

Ainda é cedo, não são nem nove horas, mas sinto como se metade da minha manhã supostamente produtiva tivesse escoado sem que eu tivesse o menor controle sobre mim, porque fiquei aqui batendo cabeça nas paredes do quarto, decidindo o que fazer, sem efetivamente fazer nada. Para ajudar, minha irmã acaba de me chamar para ver o jogo na casa dela (sim, parece que está rolando Copa do Mundo). Usou como argumento de convencimento piscina e água de coco.  

Ó! Consegue ouvir? Sou eu, me convencendo aqui dentro de mim a tirar mais um dia de folga. “Essa vida só se vive uma vez!”.

 

Fim do capítulo

Publicidade
Conversa

Comentários

3
C

cris05

12/12/2022 às 21:58

Eu acordo cedo mas não é um processo natural (só rola depois que os 350 alarmes do celular tocam rsrs)

Eu até acho que acordar cedo é mais produtivo, mas daí a achar prazeroso são outros quinhentos 

Às vezes também deixo de ir malhar com a desculpa de ser produtiva. No final das contas fico correndo atrás do rabo, a manhã acaba e não fiz nada.  Conclusão: fico chateada e durmo rsrs.

Beijos!

 



Resposta do autor:

 

É desse jeito msm rs

Quero nem ver quando eu ficar mais velha... Preciso logo arranjar uma calçada pra varrer bem cedinho rsrs

Beijos!

 

Foto de Marta Andrade dos Santos

Marta Andrade dos Santos

11/12/2022 às 07:24

Nem só de trabalho vive as pessoas,bom seria ótimo se fosse verdade essa frase né kkkk mas precisamos de trabalho sim e de descanso também.



Resposta do autor:

 

Pois é! Confesso que tenho dificuldade pra descansar...

 

Foto de NovaAqui

NovaAqui

09/12/2022 às 15:32

Eu acordo cedo e faço sabe o quê,?

Nada ????????????

Mentira! Eu faço caminhada ecológica! Fico vendo um monte de gente indo e vindo

Hoje! Eu estou de pernas para cima vendo jogo

♥



Resposta do autor:

 

Que delícia!

Eu, na dúvida sobre oq fazer, tive que trabalhar em algo que nem tava listado rsrs

Tudo pra ficar que nem vc no fds!

Beijos!

 

Informar violação das regras