Whitout me por Kivia-ass
Mansão Barcellos
POV THEO
A coisa que eu mais detesto no mundo é esse controle que minha mãe quer ter sobre mim. Ela me trata como propriedade dela, esquece que eu sou um ser humano pensante, mas como Cat disse: se rebelar é pior, e a solução seria me render ao bendito estágio. Os dias iam passando devagar, e o tédio me consumia quando eu estava no ateliê, o que deixava menos pior, era a empolgação com que Catarina trabalhava, ela de fato amava isso, fazia com paixão, fora os croquis que ela desenha, eram incríveis. Depois que ela me contou sobre minha mãe, nós duas acabamos nos aproximando, e ela me pediu desculpas por ter sido rude comigo no meu primeiro dia de faculdade. Cat fazia questão de me ensinar as coisas e tinha uma paciência enorme comigo, fora que ela era engraçada e muito divertida, sem contar que Catarina era uma deusa, nunca vi uma mulher ficar tão linda em absolutamente tudo que veste, ela poderia aparecer na faculdade enrolada em um pano de prato, que eu acharia lindo.
Hoje graças a Deus era sexta e eu estava matando aula pra bater papo com dona Geralda no banheiro. Ela se tornou uma grande ouvinte e nós duas passavamos horas conversando, ninguém sabia quem falava mais.
-Dona Gegê, eu trouxe isso pra senhora. – Tirei um envelope da bolsa e esperei que ela abrisse. – Espero que você goste!
-Que isso Theo, não precisava. – Ela secou as mãos na lateral da calça e arregalou os olhos quando abriu o envelope. – É o que eu tô pensando?
Balancei a cabeça e dei um sorriso travesso, dona Geralda era uma mulher incrível e que trabalhava muito, então quis dar um presente para ela se divertir.
-Eu não acredito que vou ver Raça Negra e Zeca Pagodinho ao vivo. – Ela pulava de alegria e eu sorria com a felicidade dela. – Você não existe Theo.
A mais velha veio até mim e me abraçou com força, era um abraço carinhoso e eu me sentia acolhida por ela.
-Espero que a senhora goste. – Eu disse quando nos afastamos. –Consegui dois ingressos, assim a senhora pode levar um paquera.
-Como se eu tivesse tempo pra isso. – Ela disse com a mão na testa. – Eu vivo pelos meus filhos e pelo trabalho.
-Mas tem que tirar um tempo pra se divertir também Gegê. – Me sentei na pia e ela guardou os ingressos. – Se não a vida passa e você não aproveitou ela, garanto que seus filhos já sabem se virar sozinhos.
-Mas eles sempre serão meus bebezinhos. – Geralda dizia com carinho. – Não vejo a hora dos dois me darem alguns netinhos.
-A senhora ainda tá nova, pra querer ser avó.
Continuamos batendo papo, era aula de desenho e eu não levava nenhum jeito pra coisa, e era muito mais legal ficar de papo com a dona Gê. Estávamos conversando sobre a novela da tarde quando Tassia entrou no banheiro.
-Meu pai sabe que a senhora fica de papo durante o trabalho? – Ela se dirigiu para dona Geralda e a senhora engoliu seco. – Que eu saiba, você é paga pra trabalhar, e não ficar de trela com os alunos.
-Eu acho que agora eu irei suspensa, pois eu vou esfregar sua cara no chão. – Pulei da pia igual um gato, mas a dona Geralda foi mais rápida e me segurou pela cintura.
-Não vale a pena Theo. – Dona Geralda me soltou e pediu que eu ficasse calma. – Depois a gente conversa, e obrigada pelo presente, vou aproveitar muito.
Tassia foi até o espelho para retocar o batom, e antes de sair eu trombei nela fazendo o batom borrar, dei um sorriso e fui andar pelo campus. Estava andando quando vi Ester de longe e acabei indo até lá.
-Oi Ester, posso sentar? – Ela lia alguns livros e balançou a cabeça.
-Oi Theo, matando aula também? – Balancei a cabeça em afirmação e ela sorriu.
-Mas sinto que qualquer dia essa aula que vai me matar. – Ela fechou o livro e me olhou.
-Você não gosta disso aqui mesmo, né? – Suspirei e concordei com a cabeça. – Eu também não estou gostando do meu curso, achei que ia me encontrar na faculdade de artes cênicas, mas ainda não é o que eu quero.
-E o que você quer? – Perguntei curiosa.
-Medicina. – Ela respondeu mordendo o lábio.
-Uau, que diferença! – Dei uma risada alta. – E você vai mudar?
-Sim, minha mãe ficou muito feliz inclusive. – Parece que todo mundo ao meu redor tinha apoio da mãe, menos eu.
-Fico feliz por você! – Eu estava feliz por ela, mas triste por mim.
-Obrigado Theo, e eu vou torcer pra você se encontrar também. – Ester me abraçou de lado. – Mas vamos mudar de assunto, você e Isis, ein?
Dei um sorriso maroto e me lembrei da morena espevitada. Isis era uma pessoa incrível e cada dia que passava eu estava mais envolvida.
-Ah, estamos nos conhecendo melhor. – Dei os ombros e a Ester sorriu.
-Vai dar namoro? – Era uma pergunta complicada, pois eu nunca namorei, e ainda tinha o fato de eu não ter me assumido para Malvina.
-Não sei, quem sabe. – Ela acenou com a cabeça e eu lembrei de uma coisa. – O Enzo não quer fazer isso, mas eu preciso ajudar uma amiga.
Marcela apertou as sobrancelhas e eu sorri antes de dizer.
-A Luiza é apaixonada por você desde quando tínhamos quinze anos. – Ester gargalhou alto. – É serio, ela falta babar quando você passa.
-A Luiza é um neném, vocês três na verdade.
-Mas não custa nada dar uns beijos naquele neném otário. – Falei sorrindo e Ester negou com a cabeça.
Ester e eu continuamos conversando, até que as meninas se juntaram a nós, Bia, Mari, Laura, Isis, Eduardo e Catarina. A aula tinha se encerrado e ficamos no gramado batendo papo, Bia estava eufórica, pois seu vídeo no youtube tinha batido 200 mil visualizações.
-Eu tô famosa gente, olha o tanto de gente comentando. – Todo mundo estava atento ao celular dela e felizes.
-Mas isso merece festa. – Se dependesse da Isis faríamos festa todos os dias. –Amanhã na mansão Barbosa?
-Queria fazer festa, mas meu pai vai oferecer um jantar amanhã. – Bia disse tristinha. – Inclusive sua mãe está na lista Theo.
Minha mãe sempre frequentava jantares importantes, e eu nunca me interessei por nenhum deles.
-Então pode ser lá em casa. – Bia me encarou sorrindo e batendo palmas.
-Tá falando sério? – Ela perguntou me abraçando.
-Sim, eu nunca fiz uma festa lá em casa. – A galera ficou euforica. – Todo mundo anima? Laura? Eduardo? Cat?
-Eu animo. – Laura e Edu responderam juntos.
-Eu não sei se vou poder ir gente. – Catarina disse com uma carinha triste e eu fiquei curiosa. – Eu tenho um monte de coisas pra fazer.
-Você vai comigo sim, Catarina. – Laura disse autoritária e eu ri da tampinha.
-Então estamos combinados, amanhã festinha na mansão Barcellos.
-Theo? Você vai me levar pra conhecer o closet da sua mãe? – Isis perguntou fazendo todo mundo gargalhar.
POV NARRADOR
Theodora estava eufórica, ela nunca tinha feito uma festa em sua casa por dois motivos: Não tinha muitos amigos e Malvina não gostava de baderna em sua mansão. Mas hoje ela estava empolgada por receber alguns amigos e pediu que os empregados deixassem tudo pronto, mas antes precisava pedir permissão para Malvina.
Malvina estava em sua suite se preparando para uma reunião de sócios e investidores, quando ouviu batidas em sua porta seguindo a voz rouca de sua filha.
-Posso entrar? – Malvina acenou com a cabeça e Theodora se sentou observando a mãe escolher um vestido.
-Deseja alguma coisa filha? – Theo tinha medo que sua mãe dissesse não.
-Sim, eu quero receber alguns amigos aqui em casa hoje. – Malvina não parou o que estava fazendo e Theo esperava ansiosa pela resposta.
-Você sabe que não gosto daqueles dois baderneiros aqui, principalmente quando eu não estou em casa. – Malvina disse séria e Theodroa revirou os olhos.
-Não são eles, quer dizer eles vão vir, mas é o pessoal da faculadade. – Malvina desviou o olhar para a filha e deu meio sorriso. – Não são muitos, apenas umas dez pessoas.
-Ok, tudo bem! Você tem se comportado ultimamente e estou gostando do seu desempenho no estagio. – Theodora se levantou sorridente. – Mas sem bagunça em minha casa Theodora, e mantenha aqueles dois baderneiros na linha.
Malvina não gostava nem um pouco de Enzo e Luiza e sempre que podia era arrogante com os amigos da filha.
-Obrigada Mal! – Malvina balançou a cabeça.
Theo saiu do quarto da mãe animada, ligou para os amigos e confirmou a festinha. Luiza e Enzo foram os primeiros a chegar e subiram direto para o quarto de Theodora, onde ficaram batendo papo até Malvina avisar que já estava de saída e de lá iria direto para o aeroporto, Malvina marcaria presença no desfile de uma velha amiga no Rio e isso deixou Theodora ainda mais animada.
(Quarto da Theo)
-A MANSÃO BARCELLOS É NOSSA! – Luiza gritou antes mesmo do carro da mãe de Theodora passar pelo portão.
Em poucos minutos a galera chegou e o som alto já era possível ser ouvido pela casa, Theo desceu e cumprimentou Isis, Mari, Bia, Ester e Eduardo. E todos olhavam maravilhados com a casa da garota, Ester era a única que já conhecia o local.
-Porr* Theodoraaaa. – Isis deu um grito e arrancou risada de todos. – Vamo tá preparando nossos papéis do casamento, comunhão total de bens.
-Interesseira demais, mas se casar com ela vai ter que casar comigo tambem. – Ester disse brincando e Luiza fechou a cara.
-Vem que eu vou mostrar o resto da casa enquanto Laura e Catarina não chegam. – Theo saiu mostrando os cômodos da parte debaixo fazendo Isis soltar um berro cada vez que uma porta era aberta.
Depois de alguns minutos Claudia se aproximou dizendo que Laura e Catarina estavam esperando na área gourmet.
(Area gourmet)
-Laura, eu acho que não devia ter vindo. – Catarina suspirou pela décima vez. – Esse lugar não é pra mim.
-Cat, para com isso. – Laura repreendia a amiga. – Já estamos aqui, você está linda e é convidada da Theo.
Catarina estava receosa desde que descobriu que sua mãe e Theodora viraram amigas, ela tinha medo que a mãe deixasse escapar algo.
-O que você faria sozinha em casa em pleno sábado à noite? – Laura questionou. – Sua mãe e o seu irmão estão lá curtindo o show, e você vai ficar aqui se divertindo comigo, ok?
-Tudo bem. – Catarina respondeu e tentou não ficar pensando nos problemas.
-Agora sorria, você está linda demais pra ficar com essa carinha. – Laura conseguia tirar os sorrisos mais sinceros de Catarina.
O resto da galera se cumprimentou e a festa começou, Theo e Luiza conseguiram algumas bebidas do estoque de Malvina, e ela rezava para que os empregados fossem discretos, se Malvina descobrisse isso, era perigoso queimar Theodora em praça pública e mandaria prender Luiza.
-Cat, que bom que você veio. – Catarina estava sentada em um sofazinho perto da piscina, quando Theo se aproximou. – Você está linda!
-Obrigada Theo. – Theodora achou graça de ver Catarina timida. – Sua casa é linda.
-Ah obrigada, apesar de achar tudo um exagero. – A menor disse dando os ombros. – Fique à vontade, tá? Espero que você tenha trago roupas de banho, a casa é nossa pelo fim de semana inteiro.
Catarina afirmou com a cabeça e Theo foi buscar mais alguns petiscos, a Festa rolava animada, Bianca e Isis dançavam um funk enquanto os resto da galera conversava animadamente, a única que ficava mais na dela era Catarina, pois o assunto dos amigos eram sobre suas viagens internacionais, e as únicas viagens que Catarina fazia era pro interior de Minas Gerais. Laura notou o desconforto da amiga e decidiu mudar de assunto, a tampinha sentia pena da amiga, e sabia que mesmo não contando que era bolsista, Catarina jamais seria alguém que não é, jamais inventaria mentiras para se encaixar.
-Galera, vamos jogar alguma coisa? –Isis cansou de dançar e se sentou ao lado de Theo.
-Que tal Faz ou bebe? – Enzo sugeriu e Ester encarou o irmão mais novo.
-Eu topo. – Todos responderam, menos Catarina e Ester, mas logo foram convencidas pelos amigos animados.
Fim do capítulo
Comentar este capítulo:
Marta Andrade dos Santos
Em: 10/08/2022
Eita lá vem confusão Theo.
[Faça o login para poder comentar]
Deixe seu comentário sobre a capitulo usando seu Facebook:
[Faça o login para poder comentar]