Capítulo 1

Bu!

de Bu!, por caribu

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Em frente ao seu prédio havia um prédio. Nada demais, tinham vários em volta, e até atrás. Ela gostava mais daquele porque ficava bem em frente à janela de sua sala, que pouco ia, mas quando eventualmente ficava no ambiente quase sempre era em frente à janela, vendo as janelas do prédio em frente ao seu. Tinha vontade de ligar em uma das imobiliárias que penduraram placa no segundo andar e visitar o apartamento só pra entender a disposição daqueles cômodos. A quantidade de janelas era simplesmente insana, ela de verdade não sabia quantos quartos tinha ali.

Não havia feito nada ainda porque era uma mulher de pouca iniciativa – ainda mais assim, para assuntos bobos. E também porque acreditava que o aluguel devia custar um rim, porque aquele apartamento em questão estava vago há dois anos e sete meses - ela sabia, era tipo fiscal. Adorava quando o caminhão de mudança parava na rua. Era sempre atraída pela “buzina” que os caminhões soltam ao dar ré. Ficava lá olhando as coisas do povo, que chegava ou partia: a quantidade de caixas, os móveis, se tinha furo no colchão.

Naquela tarde estava lá, observando a chuva bater nas janelas fechadas do apartamento vazio do prédio em frente. Não se importou que os pingos molhassem seu cabelo, era um dia quente, a água fresca vinha a calhar. Estava sem ter o que fazer – já tinha aspirado toda a casa, areado as panelas, passado a ferro até os panos de chão – a não ser trabalhar (que, no caso, ela não queria). Não fossem as janelas, seria a chuva; não fosse a chuva, certamente seria qualquer outra coisa. Era dessas que se perdem em pensamentos, os olhos ficam só parados, sem nem focar. Se não fosse assim, talvez essa história nem fosse estória. Porque foi com o canto dos olhos que viu. Um vulto, uma sombra, alguém passando em frente à janela do apartamento, vazio.

Ela não gravou porque não estava com o celular perto. Nem câmera, ou TekPix – tinha o sonho, frustrado, de ter uma; nunca teve. Não fez nenhum tipo de registro – apenas o ótico. Foi testemunha ocular de um fantasma, mas sem conseguir provar, como comprovar?

Ainda assim, porém, as pessoas ficaram impressionadas quando ela escreveu a respeito, lá do seu apartamento. Não à toa: mesmo os mais desatentos sabem que ele está vago desde 2014.

 

 

 

Fim do capítulo

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Conversa

Comentários

2
C

cris05

27/10/2021 às 16:45

Pior que comigo já aconteceu algumas vezes. E mesmo com toda a minha espiritualidade, tive vontade de correr rs. 

Bu pra mim só de cariBU mesmo rsrs

Beijos!



Resposta do autor:

 

rsrs

Pior é: vai correr pra onde, se eles passam pelas parede?rsrs

cariBU, nesse conto, é pseudônimo, moça que digita e até fantasma!

Imagina esse perfil no LinkedIn!rsrs

Beijos!

 

Foto de NovaAqui

NovaAqui

27/10/2021 às 13:54

Rimou: Bu! Por cariBu!

Mesmo com toda minha espiritualidade, eu dispenso fantasminhas camaradas KKK

Eu acho que vou virar fantasma ??‘? todas as vezes que eu dobro lençol com elástico, tenho a sensação que vou me embolar nele e virar fantasma rsrs 

Deve ter um fantasma lá mesmo. Fechado desde 2014? Só padre Quevedo!

Abraços



Resposta do autor:

 

hahaha

Ando toda rimadinha rsrs

(mas não tinha sacado isso! Se tivesse visto a tempo, o título seria cariBU!, com certeza rsrs)

 

Msm com toda minha espiritualidade, compartilho da sua opinião, e tb dispenso de vê-los rs 

Teve uma época que eu rezava para ter mediunidade de visão, mas aí chegava em casa e cada vulto era um "minha Nossa Senhora, creio em Deus Pai, ainda que eu caminhe no vale das sombras..." rsrs

 

Olha, não sei se desde 2014, mas na vida real o apartamento tá fechado, no mínimo, desde 2016, quando passei a vigiar suas janelas cerradas rs ("isso non ecxiste!" rsrs)

No de cima, fechado tb, ficava uma mulher "dolando" drogas rs Ou era costureira, mas na minha fic, era traficante rs

 

Beijos!

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