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Espectro Familiar por ArvoreDaVida

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Palavras: 1800
Acessos: 480   |  Postado em: 23/08/2021

Capítulo Único

Atenção! Este conto pode despertar gatilhos em pessoas sensíveis. Caso deseje prosseguir com a leitura, orientamos cautela. Caso precise de ajuda, busque um amigo, familiar ou entre em contato com o CVV, no 188.



Cresci com a ideia fixa de que quando minha tia morresse sua loucura seria passada a mim. A ideia, conforme eu ficava mais velha, assumia algumas responsabilidades, punha a mente em outras coisas, dormiu. Dormiu calma, tranquila e silenciosamente por mais de vinte anos. Nesse par de décadas vivi minha vida tão intensamente que certas memórias se embaralham, se confundem. Foram tantos - tantos! - amores, fodas, amizades, brigas, trabalhos, embriaguez e brisa. Uma vida bem vivida, eu diria. Só que depois eu sosseguei e gostei disso: notei o amor da minha vida e com ela era feliz. Foi pouco depois de minha vida tornar-se menos agitada, no entanto, que tudo desandou.

Minha tia morreu durante uma madrugada, seu velório foi logo naquele mesmo dia à uma da tarde. Fui não por uma obrigação parental, mas porque era próxima dela, diferente da maior parte da família. Sua insanidade a consumiu e afastou quase todos aqueles que um dia a quiseram bem: seus dois ex-maridos, sua mãe, sua filha, irmãos e sobrinhos. Ali estavam apenas seu filho e esposa, dois vizinhos que a socorreram e eu. O vazio do velório me doeu mais que sua partida. Afastou a todos. Era uma despedida vazia demais para uma vida vivida tão à flor da pele. Não imaginei que fosse estar repleto de gente, é bem verdade, afinal minha tia era como um furacão que deixava um rastro de destruição por onde passava, mas quase vazio, isso não imaginei. Afastou-se de todos, afinal.

Despedi-me dela com o Sol queimando a minha pele e o vento arrepiando-a. Minha tia morreu no outono de 99 e deixou para mim a assombração que a acompanhou durante quase toda sua vida. Logo após saber de sua morte, inevitavelmente pensei em como eu tinha sido uma criança tola por achar que ficaria louca quando aquele momento chegasse: era já adulta, eu não tinha virado louca, ainda era a mesma do dia anterior, ainda bonita, ainda elegante, ainda inteligente, ainda sã. Minha tia estava morta, pronto, acabou e nada me aconteceria. E não aconteceu, ao menos não nos primeiros cinco meses.

Mudamo-nos, Roberta e eu, para uma cidade vizinha à capital porque o custo de vida era menor e a qualidade, maior. A casa era mesmo uma beleza, espaçosa, com dois andares, com quintal enorme, com árvores frondosas, na parte de trás um caminho que dava para uma cachoeira, e ainda ficava num condomínio fechado cujas propriedades tinham uma distância considerável entre si, dando ao local um ar de interior e de privacidade que até aquele momento eu, nascida e criada no concreto, eu não conhecia.

Roberta montava a cama no andar de cima enquanto eu desencaixotava a prataria e vidraria na cozinha, quando, dando com uma xícara, lembrei-me da vez em que, quase um ano antes, minha tia apareceu em minha antiga casa, como sempre fazia, sem avisar. Ruça, corpulenta e, mesmo faltando dois dentes dianteiros, um em cima e um embaixo, bonita como todos da família de papai, sempre exigia usar aquele jogo de xícaras brancas com detalhes dourados.

Ela estava sentada ao meu lado no sofá da sala quando disse de repente, após ter ficado em silêncio no que pareciam infindáveis minutos bebericando o chá:

— Fico sabendo de coisas, Duda, que às vezes eu não queria saber, mas mesmo assim fico sabendo. Me são mostradas muitas coisas também.

— Fica sabendo pela menininha? O que ela disse à senhora dessa vez?

A menina a quem me referia era uma das tantas vozes que minha tia escutava, mas essa em especial parecia ser querida demais pela minha tia, que sempre se referia a ela com zelo e carinho. Por respeito ao seu estado desajuizado, de igual modo também acabava por me referir àquela voz, o que visivelmente sempre acalentava minha tia, cujas fantasias nunca eram levadas a sério pelos demais.

— Não é o que ela disse, minha filha, é o que vem acontecendo  e que eu não posso contar pra ela — afirmou-me num tom sério e assim se manteve ao longo de todo o restante de nossa conversa.  

— Mas se a senhora quiser, pode contar para mim. Vai ser segredo e não conto para ela. Juro!

— Mas tem que falar baixo, senão ela escuta e fica triste — recriminou-me ao mesmo tempo em que inclinava a coluna de modo a aproximar-se mais de mim e obrigando-me também a imitar seu gesto. Disse, segredando: — Ela vai ficar mesmo triste ou até brava comigo por não ter contato a ela, então tem que ser segredo, Duda. Essa menina, minha filha, essa menina eu sempre sonho com ela, você sabe, eu já te falei, uma menina bonitinha e loirinha. A menininha fala comigo, ela é minha amiga, gosta de mim. Mas ela não só fala comigo, também aparece nos meus sonhos, mas isso ela não sabe. Eu sonho com ela aqui, ó, aqui na minha cabeça, sim, eu sonho com ela. E eu fico sempre com tanto medo por ela, minha filha. Pobre criança que não fez nada para merecer aquilo. Sonhei e sonho, minha filha, muitas e muitas vezes com a menina e sempre vendo ela tentar correr de um homem, ele a leva para um matagal e faz coisas ruins com ela e mata ela e eu nunca consigo ajudar, nunca… Mas ela, aqui dentro da minha cabeça quando eu estou acordada, não sabe que isso acontece com ela, não, não sabe. Se ela souber, vai ficar triste e brava, Duda. Triste por saber, brava por eu não conseguir impedir o homem mau. Não quero ver ela triste e brava.

Me contou sobre esses sonhos de tal modo que a imagem de uma garotinha sendo levada por um homem ficou em minha cabeça por dias, mas passou, voltando somente naquele ato de desencaixotar os utensílios domésticos. O pequeno momento de distração findou-se quando senti Roberta beijando meu pescoço. Me sussurrou com segundas intenções que havia terminado a montagem da cama, mas agora precisava de ajuda para subir com o colchão. Agarrei-me a ela e não hesitei em auxiliá-la.

Roberta, minha amiga e companheira desde que me lembro, nunca amei e nem nunca fui tão amada quanto com ela. Demorou até que nos encontrássemos enquanto mulheres, mas sempre estivemos juntas numa amizade de uma vida inteira. Agora já não conseguia me imaginar sem ela, sem seu jeito habilidoso com quaisquer trabalhos manuais, sem suas mãos grandes e quentes percorrendo minha pele. 

As primeiras semanas que se seguiram após a mudança podem ser resumidas em exploração do bairro, arrumação da casa e inauguração dos cômodos, mas com o tempo precisamos voltar à realidade: Roberta trabalhava na parte editorial do jornal e, por mais que tenha conseguido uma escapadela a princípio, sua constante presença no local de trabalho era fundamental. Eu, por outro lado, escrevia contos que somente depois eram levados ao jornal, junto à redação final da minha coluna semanal sobre dicas domésticas. Quando na capital, nossa rotina era semelhante, a diferença era, no entanto, a presença de outras pessoas e a possibilidade de ir a outros locais. Ali naquela cidade pequena, eu não conhecia ninguém e, sem carro, já que Roberta saia com ele para trabalhar, acabava ficando confinada em casa. Acordava cedo, escrevia horas a fio, comia, limpava a casa, escrevia de novo, tirava um cochilo, fazia a janta, me banhava e esperava por Roberta. Às sextas, íamos e voltávamos juntas à capital. Aos finais de semana, no geral, ficávamos em casa namorando, assistindo uma fita alugada e nos banhando na cachoeira. Aos domingos à noite passei a sentir uma tristeza desmedida, pois sabia que dentro de algumas horas já seria segunda-feira, que marcava o retorno das viagens de Roberta e o meu martírio, que era estar só.

Aos poucos aquele mal-estar de estar só passou a ser um infortúnio mais palpável, uma vez que começou a afetar meu trabalho, os contos não me saiam e os textos da coluna pareciam reciclagem de anteriores.

Então, de repente, vieram os sonhos nos quais aquela menina bonitinha e loirinha aparecia. Ela brincava só num quintal e em seguida era levada embora por um sujeito sem rosto para o meio do mato. Eu via o terror nos olhos da garotinha, que me suplicava por ajuda, mas eu não conseguia me mover, apenas chorava, abraçando meu próprio corpo e implorando perdão.

Acordava exasperada com minha impotência ao simplesmente deixar que a menina fosse levada.

Ficava horas acordada, olhando para fora da janela do quarto, e ao lado de fora reconhecia na vegetação próxima o matagal instantes visto no sonho. Aos poucos a associação entre um espaço do plano físico e aquele do plano sensível me confundiu ainda mais a mente: só de passar por perto, ficava mal, desandava a chorar, ficava em pânico. O sonho foi se transformando e nele não via mais a menina, na verdade era como se eu estivesse em seu lugar, passando por tudo aquilo. Então via minha tia sentada na varanda, imóvel, nem mesmo me olhava, nem mesmo escutava meus gritos angustiados.

Quando me via em desespero, acordando aos gritos ou parada em frente à janela, Roberta me dava colo, me ninava, me punha para dormir com palavras doces ao pé do ouvido. Quando ela estava presente, sabia que tentaria me proteger de qualquer mal, ainda que a causa desse mal fosse eu. A princípio seus cuidados me ajudavam, mas a longo prazo, eram inúteis. Mas estar só era pior, pois na sua ausência eu me apavorava. Mesmo a certeza de que em algumas horas ela estaria comigo não era suficiente para me acalentar a alma.

Tentei me enganar por meses e meses, mas eu sabia, estava enlouquecendo tal qual um dia minha tia enlouquecera. Diferente dela, no entanto, eu não queria o afastamento das pessoas de quem gostava, não queria que dali vinte, trinta anos meu velório fosse vazio. Queria morrer sabendo que ainda amava e que era amada. Ser amada sobretudo pela minha companheira de quase uma vida inteira. Eu não suportaria me ver definhando e vê-la escapando entre meus dedos.

Me permiti, enfim, me sucumbir em mim para não dar ao senhor do tempo a possibilidade de me tomar de vez o juízo: fui eu quem decidiu entrar no meio daquele mato, fui eu quem decidiu avançar por meio do chão coberto de barro, fui eu quem decidiu lançar-me no meio das nas águas tépidas.

 

Minha tia morreu no outono de 99 e deixou em mim a assombração que a acompanhou durante quase toda sua vida e nos meses que se seguiram de minha.


Fim do capítulo

Notas finais:

Prometo de dedinho que meus próximos textos serão beeem mais leves. Só senti uma necessidade muito grande de escrever esse porque desbloqueei a memória de que, quando criança, eu também tinha o mesmo medo da Duda: ficar doida quando minha tia morresse. Mas diferente da minha personagem, não fiquei doida, juro. 


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Comentários para 1 - Capítulo Único:
Seven
Seven

Em: 03/09/2021

Já havia dito uma vez e repito: você escreve maravilhosamente bem. Seus contos tem a capacidade de me envolver profundamente na história, não importa o tema.

Saiba que tem alguém nesse site que sempre vai correndo pra ler tudo que você escreve. 

Obrigada. 

???–?

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