Capitulo 1
Em uma manhã não tão ensolarada de primavera, na pista do aeroporto JFK, um Boeing 747 - 8 VIP, com as iniciais WG - Wood Group, deslizava taxiando lentamente.
Instantes depois, uma bela e altiva morena surgia diante da porta aberta da aeronave.
- Olá, New York! - disse com a usual voz rouca, parando por poucos segundos, admirando a Big Apple diante de seus olhos.
Colocando seus óculos escuros da melhor marca italiana, desceu vestida impecavelmente, unido a um bonito casaco para aplacar o frio nova-iorquino. Obviamente de alguma grife clássica, afinal, julgava importante pequenos detalhes.
Seus longos e bem cuidados cabelos de tonalidade escura, trazia ainda mais requinte em seu porte, coisas que lhe era tão peculiar. Caminhou, ou melhor, desfilou naquela pequena distância entre o Jato e o Jaguar que a aguardava.
- Seja bem-vinda de volta, Amanda! - abrindo a porta do imponente automóvel, um homem calvo com um bem cuidado bigode chevron, sorriu receptivo.
Tom Ross fora o homem de confiança do Senhor Wood no início das Empresas e, após o seu falecimento, tornou-se o fiel escudeiro de sua herdeira.
- É bom estar de volta, Tom. - respondeu adentrando pelo carro. - Nat e Noah onde estão?
- Natalie nos aguarda na Holding... - sentou-se ao seu lado lhe fazendo companhia, enquanto o motorista seguia caminho. - E seu irmão voltará da fazenda amanhã à noite.
O tímido Noah Cooper Wood, irmão de Amanda era filho dos caseiros da mansão da Família Wood. Quando criança, em um estranho acidente, perdeu os pais e teve sérios problemas de saúde. Órfão, logo Adele Wood adotou-o e, com certeza, tornou-se uma das pessoas mais próximas à Amy.
- O Foster continua no Texas? - indagou a empresária.
- Sim, mas acredito que estará de volta ainda esta semana.
- Que pena! - respondeu entediada em pensar na presença desagradável do sócio de seu pai.
Ross segurou o riso. Ele concordava inteiramente com a chefe.
A mulher de penetrantes olhos verdes, cruzou as pernas, virando-se para o executivo.
- Agora me diz, por que você ainda não resolveu sobre os terrenos? - direta, sua voz beirava ao tom de irritação, demonstrando o quanto aquele assunto era incômodo.
- Eles ainda não aceitaram nenhum acordo.
- Como não? Ofereça um valor maior!
- Estou trabalhando nisso.
- Não quero desculpas, Tom. Quero resultados!
- A representante daqueles moradores não parece ter tendência a aceitar valores, por mais elevados que sejam.
A gargalhada irônica da empresária exprimia incredulidade.
-Tenho dúvidas disso! - limitou-se a dizer.
Durante o trajeto, Ross a atualizou de outros contratos que a Construtora Wood fechara, até finalmente chegarem à empresa, em Manhattan.
A chegada de Amanda ao local despertava sensações distintas. Uns admiravam sua postura, outros temiam e alguns simplesmente detestavam tê-la por perto. Existiam, porém, os que gostavam da presidente do Grupo Wood.
- Senhorita Wood, é bom tê-la de volta. - A secretária latina, recepcionou-a.
- Obrigada, Kayla. - sorriu, caminhando a passos largos até o iluminado e espaçoso escritório repleto de grandes janelas de vidro. Parou e esboçou um sorriso ao ver Nat distraída sentada em sua cadeira, olhando o celular.
- Natalie! - gritou. - Quem permitiu que sentasse na minha cadeira? - Seu berro causou um grande susto, fazendo Nat saltar da cadeira. Por fim, arrancando gargalhadas de Amanda.
- Sua filha da.... - respondeu a assustada executiva. - você pensa que sento onde quando desaparece de nossas vistas? - foi em direção à Amy, abraçando-a.
- Senti sua falta, Nat! Parece que faz séculos que viajei.
- Eu também senti e faz mesmo séculos, Amn! Vê se sossega um pouco!
Além de seu irmão, Natalie era uma das poucas pessoas que a presidente do Grupo Wood, efetivamente, permitia aproximar-se. Assim como, uma das poucas que mantinham intimidade até mesmo no tratamento informal com a ela.
- Amanda, buscarei os relatórios que pediu. - Ross disse antes de sair e deixá-las a sós.
- Então, trouxe a namorada a tiracolo?
- Se está se referindo à Marie, ela ficou em Santorini e só para esclarecer, ela não é minha namorada. - sentou-se na poltrona de couro que havia no local.
- Graças ao bom Deus a sua "sei lá o que" ficou por lá. Oh mulherzinha insuportável! - a pequenina de cabelos louros e cacheados tinha aversão à ex-namorada de Amy.
Amanda riu.
- Dessa vez ficará um tempo por aqui, Amn?
- Com toda certeza, talvez! - brincou.
- Como foi essa temporada fora?
Amanda soltou um longo suspiro e respondeu:
- Entediante.
- Esperava ouvir "esplêndido".
- Foi o de sempre, Nat.
- Quanta animação! Mudando de assunto... você mal chegou e já estão atormentando a Lea da Assessoria, para fazerem matérias com você.
- Matérias?
- Duas revistas, uma americana e outra canadense.
- Já te adianto a resposta... - disse pausadamente. - detesto entrevistas... odeio fotos... não sou celebridade. Estamos entendidas?
- Eu disse à Lea, mas irei reafirmar. - riu da aversão da amiga a esse tipo de badalação.
- Além disso, estamos com esse problema dos terrenos. Os chineses não abrem mão daquele maldito local. Estão me enlouquecendo.
- O Ross comentou. Aquele pessoal está lá desde sempre, Amn, não vão sair assim. Não há segunda opção? Outro lugar? - indagou a jovem de cabelos cacheados.
- Haveria se os chineses aceitassem, mas deixaram claro que não negociam o local. Entregamos o que eles querem ou estaremos fora do negócio. A questão é que sem esse contrato não virão os outros.
- Por isso voltou?
- Preciso resolver essa negociação o mais rápido.
- Deveria voltar para cá... realmente sentimos sua falta.
- E eu sinto falta de vocês, por isso insisto tanto para irem.
- Você é inquieta, não para em lugar nenhum.
A morena tornou-se pensativa.
- Sabe quando lugar algum parece te preencher?
- Não sei exatamente, mas vejo isso em você, Amn.
- Deus, quanto sentimentalismo o nosso! - sorriu e apenas queria interromper o assunto. - Vamos focar nesse projeto dos chineses. - colocou os óculos de grau, levantando-se para ir até sua mesa.
- Tudo bem, mas após comermos algo, estou com fome.
- Nat, quando você crescerá?
- Cresci e continuo com fome! - divertiu-se.
- Está bem, senhorita faminta! Por favor, ligue para minha mãe e avise que estamos indo. - pediu e dirigiu-se ao toalete, enquanto Natalie voltava para mesa fazendo a ligação.
Não houve, no entanto, tempo para concluir nada.
Entrou pelo escritório, uma mulher aos berros e completamente descontrolada, jogando toda sua fúria na primeira pessoa que via à frente: Nat.
- Você deve ser a tal Amanda Wood. Demônio! Bandida! Mau-caráter! Dinheiro é tudo para você, não é? Você morrerá! - Os xingamentos e agressões eram intermináveis. - Deixe-nos em paz! Deixe-nos em paz! - repetia exasperada.
A aflita Kayla chamou os seguranças, que apressados entraram e mal conseguiam segurar aquela garota. Sua raiva e indignação pareciam vir de dentro.
Natalie assistia àquilo sem reação, segurando o telefone em sua mão, nem mesmo tentou se defender. Amanda, por sua vez, através da porta entreaberta do toalete, via aquela cena sem ser notada. Cerrando os olhos, ajeitou os óculos em seu rosto para melhor enxergar a criatura que ousava fazer aquele escândalo infernal.
Quando finalmente os seguranças conseguiram tirar a enlouquecida loira, no escritório só se ouviam ecos de sua voz raivosa.
- Nat... que tufão foi esse? - a empresária perguntou pasma, olhando para os lados, tentando entender o que havia ocorrido.
- Que loucura! - Os olhos da executiva permaneceram arregalados. - Pensei que ela fosse me bater!
- Se bem entendi, ela pensou...
- Que sou o "demônio Amanda Wood".
Amy fuzilou-a com o olhar.
- Palavras delas. - ergueu as mãos, em autodefesa. - falando sério, ela nos confundiu sim.
- Foi o que pareceu.
- Senhorita Wood, me desculpe, a Senhorita Clark entrou igual louca e... - Kayla tentou se justificar.
- Espere. Clark? Do terreno dos chineses?
- Sim, ela veio algumas vezes falar com o Senhor Ross, mas nunca agiu dessa forma.
- Peça ao Tom para vir aqui, imediatamente. - Aquele certamente não era somente um pedido.
Kayla assentiu, saindo como se estivesse em uma corrida por medalhas.
- Sabe quando você convencerá essa mulher a vender aqueles terrenos? Nunca! Ela nem te conhece e já te odeia.
- Todos têm um preço, Natalie. - O olhar de Amy parecia disperso tanto quanto seus pensamentos. - não tem sentido ela recusar tanto dinheiro e ainda se enfurecer conosco.
- Ela estava fora de si.
- Quem essa fulana pensa que é, para ter a empáfia de vir aqui me agredir. - Sua voz denotava indignação.
- Me agredir, você quer dizer, não é?
A presidente do Grupo Wood nem mesmo ouviu, escutava apenas seus próprios pensamentos.
- Quem a ajudaria? - continuou em seu monólogo. - Aquele lugar é um lar para jovens, eles não têm dinheiro. O que eles poderiam oferecer?
- Algum político pode apoiá-la. O famoso populismo. - concluiu Natalie.
- Talvez... não sei. Eu poderia patrociná-lo, então, acho pouco provável.
O executivo Tom adentrou rapidamente pelo escritório.
- Kayla me contou a confusão. Desculpe-me, lamento esse... - A voz de Tom Ross evidenciava nervosismo e apreensão, mas sua chefe colocou a mão à frente, calando-o imediatamente.
- Tom, meses e meses e você não resolveu nada! - bateu a mão em sua mesa. - Quero já, um dossiê sobre essa garota. Quero saber tudo e, principalmente, o que ela faz da vida além de atormentar a minha! - A ira de Amanda Wood não era nada bonita de se ver.
- Amanda, resolveremos isso o mais rápido.
- Não vou perder um negócio de bilhões de dólares por birra de uma maluca que se julga a nova Madre Teresa!
- Eu... eu tenho um relatório, mas trarei tudo que existir sobre essa mulher. - gaguejou e saiu às pressas.
- Calma, Amn. Resolver empecilhos é sua especialidade. - Natalie tentou amenizar o clima tenso que se instaurou por todo ambiente.
- Vá almoçar, Nat. Eu preciso ficar sozinha.
- Amanda Sanz Wood, você nem viu sua mãe e já vai entrar nesse estresse?
- Natalie, por favor...
Ela conhecia o significado daquele "por favor", não havia o que fazer a não ser acatar.
- Ok, mas eu volto!
Nat Bell retirou-se, deixando-a ali.
Poucos depois, com alguns relatórios em mãos, a empresária fechou-se em sua sala e aproximando-se do pequeno som na estante lateral, ligou-o.
A maioria das pessoas que convivia, prefeririam ouvir canções Clássicas quando precisavam pensar, mas não ela. Quando se encontrava em momentos como esses, Amy Winehouse era tudo que ela precisava escutar, de alguma forma sentia-se mais forte... talvez má!
Cantarolou:" You know I'm no good e agora sim, ao trabalho!
Passou toda tarde analisando cada mínimo detalhe das informações que existiam sobre aquelas propriedades, as pessoas ligadas a eles e, especialmente, sobre a presunçosa loira que já odiava e sabia ser odiada na mesma intensidade.
- Então, você já esteve presa por tráfico... interessante... - essa informação saltou aos seus olhos, ela procuraria saber mais sobre isso. Continuou, então, toda leitura sobre a vida de Jéssica Clark, entre outras coisas.
Horas depois, Natalie retornou.
- Winehouse? Que Deus nos ajude! - exclamou Nat, ao ouvir daquele som e notar um olhar de contentamento em Amanda.
- A fulaninha já esteve presa por tráfico. - contou.
- Uau. É recente?
- Não muito, mas isso demonstra que: "Há algo de podre no reino da Dinamarca!" - arqueou as sobrancelhas com uma feição incógnita.
- Me causa medo você citar Hamlet com essa cara.
- A suposta defensora dos pobres e oprimidos não é tão santa assim. Sendo assim, não existe a mínima hipótese de algum político apoiá-la.
- O mais estranho é que ela receberia uma quantia alta por aquele lugar. Até onde sei é um Centro Juvenil, mas construído na propriedade da família dela, então, fechando o CJ todo dinheiro iria para ela e seus familiares.
- Isso também me intriga, Nat. Não faz sentido essa recusa, mas...
Natalie aguardou o que viria.
- Eu já sei como resolver essa parafernália toda. - sorriu.
- Pelo seu sorriso tenho certeza que raptaremos a loira fatal e iremos jogá-la no polo norte.
Amy encostou-se na cadeira, olhou fixamente para Natalie e mantendo o sorriso, explanou sua insana estratégia.
- Eles precisam de um professor ou professora, de Judô para aquela molecada xexelenta do belo Centro Juvenil. - Sua ironia tornava-se palpável.
A amiga não entendeu as entrelinhas naquela frase.
- Minha amiga, você se embebedou de informações. Agora, você pagará um professor para o tal Centro Juvenil?
- Nat, você se esqueceu que sou faixa preta?
- Hãn? - Ainda não compreendeu.
- Darei aulas, inclusive já entrei em contato e tenho entrevista amanhã com a senhorita Jéssica porr*-louca Clark.
- O quê? Você enlouqueceu? Ela te odeia! - exclamou.
- Não, querida! Ela odeia você! Aquela mulher nem sequer me conhece. - A voz calma de Wood era assustadora.
- Você, a toda poderosa Amanda Wood, dando aulas de judô? - gargalhou cética, mas voltando seu olhar para a empresária, percebeu seu semblante sereno e intimidante. Entendeu que ela falava realmente sério. - Você está falando sério?
- Sabe que sim.
- E como vai se apresentar?
- Preciso de um daqueles documentos que tenho certeza que você conseguirá para mim.
- Documento falso? Isso é ilegal, sabia?
- Você pensa que cheguei até aqui fazendo apenas coisas legais? Não seja inocente, Natalie.
- Não senhora! Você pode até ser implacável em alguns momentos, mas não faria nada ilegal.
- Hum.
- O que acredita que irá descobrir lá?
- Não sei, mas no mínimo mais coisas do que o Tom.
- Isso é loucura!
- Loucura é recusar todo dinheiro que ela está recusando. Descubro o motivo e aí saberei como reverter isso.
- Você está delirando igual quando éramos crianças. Contrate alguém para descobrir!
- O Tom fez isso e o que descobriram? Nada que nos ajudasse!
- Talvez porque não tenha nada mirabolantes na vida daquela criatura. - Natalie não imaginava o quão certa estava.
- Tem! Estou precisando me divertir um pouco. Agora tenho bilhões de motivos, entendeu?
- Amn, não faça isso... - pediu mesmo sabendo que seria em vão. - isso é excêntrico demais até para você.
- Será divertido!
- Isso não dará certo. - aquela frase da executiva parecia a tradução de um futuro muito próximo.
- Sabe de uma coisa... me deu uma fome gigantesca! - sorrindo, levantou-se saindo de sua sala e sendo acompanhada pela amiga. - Deus, preciso de roupas chinfrins. Essa será a parte difícil...
- Será interessante você chegar para uma entrevista de emprego com motorista à tiracolo.
A morena alta estacou.
- Hum... bem lembrado! Pego a moto do Noah.
- Ele vai te matar!
- Sim, ele vai! - riu daquela verdade, caminhando até o elevador.
Aquela calmaria arrogante e inconsequente de Amanda, preocupava sua amiga mais do que o normal, mas sabia que não conseguiria convencê-la do contrário. A única opção seria ficar por perto e tentar evitar o provável tsunami que viria.
No Brooklyn o dia começou corrido...
- Jess, o café está na mesa. - gritou Jimmy Clark na ponta da escada de madeira, esperando sua filha, sempre atrasada, descer para o café.
- Ela ainda não levantou? - perguntou Sophie, entrando na casa dos Clarks.
- Atrasada como sempre. - respondeu ele, para a vizinha e melhor amiga da filha, entregando uma xícara de café.
Ambas trabalhavam no Centro Juvenil, que havia sido criado por Meg Clark, avó de Jéssica. Com certeza, aquele lugar era o xodó de todo bairro.
- Cheguei, cheguei! - a loira desceu apressada vestindo seu jeans predileto e um moletom. Pegou uma xícara de café, sem pensar em sentar-se, pois não havia tempo.
- Contou para o seu pai o que aconteceu ontem, sua maluca?
Jéssica desesperadamente fez sinais para a amiga calar a boca ou mudar de assunto.
- O quê? - questionou Jimmy.
- Ah, a louca da sua filha... brigou... com... - pausava pensando em qual mentira inventaria, vendo o semblante aflito da amiga. - O Matt!
A garota de pele clara e cabelos escuros, sentiu-se aliviada por conseguir inventar uma história em tempo.
Jéssica suspirou por livrar-se da bronca homérica que ouviria de seu pai.
- Coitado desse rapaz, nem falo mais nada... - respondeu o senhor Clark, sem perceber o alívio da filha.
- Esquece isso, pai. Ah, hoje tem uma entrevista com a professora de judô, vamos ver o que vai rolar.
- Mulher?
- Sim, pai. Qual o problema, hein machista?
- Nada disso, só fiquei surpreso.
- Sei. - ela se divertiu, já saindo.
- Ei vocês, tomem café direito... - Mal terminou a frase e Jess, na companhia de Sophie, já chegavam ao carro.
Enquanto isso no CJ - Centro Juvenil...
Vince observava uma moto preta se aproximar e parar no estacionamento. Dela desceu uma morena, alta e intrigante, que o fez paralisar com sua beleza.
- Olá! - disse ela aproximando-se do rapaz. - Aqui é o Centro Juvenil que trabalha... - ela olhou para um papel fingindo não se recordar do nome da mulher que tem lhe infernizado a vida. - Jéssica Clark?
- Hãn? É... sim... aqui. - tropeçou nas palavras e ao retornar ao seu estado normal, se apresentou - Eu sou o Vincent, mas pode me chamar de Vince. Trabalho com a Jess, quer dizer, Jéssica Clark.
- Sou Amy. Tenho uma entrevista com a senhorita Clark.
- A professora de Judô?
- Exato!
- Ah claro, entre. Ela não deve demorar... - olhando para o lado, Vince viu o carro de Sophie logo adiante. - Que coincidência, ela acabou de chegar.
Amanda virou-se e viu aquela loira vestida de jeans e moletom, com cabelos levemente desalinhados ou bagunçados, não soube definir bem. Não desviou o olhar, queria conhecer cada passo daquela que jamais seria nada além de um empecilho passageiro em sua vida.
Jess caminhava conversando, com um sorriso aberto, parecia muito diferente da mulher que esbravejara em seu escritório.
Ela era simples, não simplória. Notou.
Aproximando-se, foi impossível não notar seus olhos, eram azuis, mas existia um tom esverdeado, foi impossível definir a cor com exatidão, apenas percebeu que brilhavam ainda mais com a luz do sol.
Naqueles segundos, Amanda analisou por completo, sua inimiga temporária.
- Oi! Bom dia! - disse Jéssica à Vince e também para a morena.
- Jess, essa é a professora de...
- Judô? - concluiu ela.
- Isso!
- Jéssica Clark. - estendeu sua mão.
Amy segurou-a com firmeza.
- Amanda Cooper. - apresentou-se imediatamente.
- É um prazer conhecê-la, Amanda. - Ela foi extremamente simpática.
- Pode me chamar de Amy.
- O...Kay! Então, apenas Jess. - brincou Clark e continuou. - Essa é Sophie Moore.
A empresária cumprimentou também Soph.
- Vamos entrar... - convidou Jess.
Elas conversaram animadas, em meio às crianças e adolescentes que lhes cumprimentaram durante o trajeto. Após mostrar todo local, finalmente acertaram os pontos para poderem contratá-la.
- Enfim Amy, como lhe disse, não podemos pagar muito, aqui é mantido na maioria por doações.
- Eu sei, aliás, tenho outro trabalho, mas estou me mudando para cá, soube deste lugar e me interessei, quero muito trabalhar com vocês. Bom, se vocês quiserem, é claro.
- Faremos o seguinte. Você vem amanhã para conhecer toda galera e, se estiver tudo bem, está contratada! Aí veremos os horários que forem melhores.
- Perfeito!
- Por que não fazemos o teste agora? - opinou Soph.
Clark gostou da ideia.
- Amy, se você não tiver compromisso agora, não precisamos deixar para amanhã, fique e dê uma aula para os meninos e já adiantamos tudo. - sugeriu Jéssica à judoca.
- Claro, não tenho nada urgente.
Existia, sim, uma reunião importante com os executivos da Holding, mas naquele momento nada importava mais do que ser aceita naquele maldito CJ, pensou ela,
- Que ótimo! - disse Jess.
- Eu não trouxe quimono e...
- Isso não será problema, nós temos e acredito que sirva em você, é só um improviso. - Jéssica explicou.
- Sendo assim... vamos lá!
Amn colocou seu melhor sorriso artificial nos lábios e seguiu Jess. Mal havia um dojô no lugar, reparou.
Em poucos minutos, Amanda surgiu em um quimono branco, que lhe haviam emprestado, mas parecia ter sido feito para ela. Prendeu os cabelos, tirou os óculos e dirigiu-se ao tatame, junto aos alunos.
Na lateral, Jéssica, Sophie e Vince observavam a aula. A princípio, os jovens pareciam intimidados pela bela e alta professora, gradualmente, Amy conseguiu deixá-los à vontade. Nem mesmo ela tinha noção que conseguiria lidar tão bem com aquela situação.
- A altona é boa nisso! - comentou o rapaz.
- É mesmo... - completou Moore.
- Boa... - concluiu Clark, de braços cruzados, atenta a cada gesto da professora. - Muito boa...
Sophie fitou-a com um semblante engraçado. Ela percebeu e olhou para amiga com uma careta.
- O que foi, Soph?
- Não sei, você frisou tanto o "boa".
- Me poupe. - respondeu entediada e indignada com a insinuação da amiga. - Acredito que já temos uma professora de Judô.
Ao fim da aula, as duas mulheres novamente ficaram frente a frente.
- Só me resta dizer: seja bem-vinda à família CJ! - Gentil, novamente estendeu a mão, selando aquele momento.
- É um prazer! - Amy retribuiu o gesto.
O sorriso dissimulado de Amanda, contrastava com a sinceridade de Jéssica. Os olhos verdes da morena encontraram-se nos azuis-esverdeados e não tinham a menor noção do tornado que esse encontro causaria em suas vidas!
Fim do capítulo
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