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Maldito aplicativo de relacionamentos - Parte 2 por Cma24

Ver comentários: 2

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Palavras: 1007
Acessos: 513   |  Postado em: 18/06/2021

Maldito aplicativo de relacionamentos - Parte 2

- Ei, ei moça.

Ouvi ao longe sua voz e só consegui responder um "Ahm" ruidoso e assustado.

- Pode me falar seu nome, para eu buscar a reserva?

- Ah, claro (Sorri toda sem jeito). - Manu! Digo, Manoela Soares. Reservei um quarto para essa semana.  

- Achei! Srta. Manoela Soares, é sua primeira vez em Manaus?

- Sim e já estou encantada! (Sorri demais dessa vez)

- Hmmm... Muito bom saber disso! Começamos bem! (Ela riu simpática). - Eu sou a Amanda! Seja bem vinda! Você deve estar cansada da viagem, mas amanhã posso ajudar com os passeios pela região. Tenho certeza de que irá curtir sua estada por aqui.

"Mas eu não tenho nenhuma dúvida", foi o que pensei antes de responder bem tímida:

- Claro, claro, vou curtir sim.

- Ótimo! Suas chaves estão aqui e seu quarto é o 204, no segundo andar. Ajudo em algo mais? 

- Não, é só isso mesmo. Obrigada!

Peguei minha mala e me despedi da Jéssica, do marido e do filho. Ela me disse que ligaria pela manhã sobre os planos para a semana, mas naquele momento eu só conseguia pensar na Amanda me ajudando com os passeios, quem sabe turistando comigo? Seria lindo! Ela é linda! Tem uma voz que combina exatamente com o sorriso exuberante e carismático que ela tem.

Cessei meus devaneios quando o elevador chegou. No corredor, ouvi uma música que me deu até vontade de dançar:

 

"Não é que eu esteja apaixonada

Eu 'tô falando sério

Eu não quero ninguém

Mas se você quiser, eu quero"  

 

Era mais um sinal de que eu estava no lugar certo. Gostei do ritmo, um forró eletrônico que eu deduzi ser típico, e a letra fez algum sentido naquele momento. Mas logo imaginei que eu estava inventando tudo isso para justificar a longa viagem e por um motivo tão banal.

É fato que eu fiquei mexida com a Amanda, foi um clique que me atordoou. Fazia anos que isso não acontecia. Na verdade, desde que eu passei a olhar mais para a tela do celular e menos para o rosto das pessoas que eu conhecia. No fundo, eu sabia que o mundo virtual era um refúgio confortável para contornar a timidez que me dominava desde criança.

Não é que eu não olhasse as pessoas com atenção. Mas a Amanda me atraiu e isso eu precisava admitir. Era mais sobre ela do que sobre meus medos e inseguranças. A sensação que ela trouxe quando a vi foi especial e ponto. Eu tinha que parar de pensar demais e claro: eu estava pensando de novo em não pensar demais.

Um caso perdido!

Segui arrumando minhas coisas quando bateram à porta. Eu me assustei mas vi que era ela. Ela me entregou meus óculos, que acabei deixando sobre o balcão. Também me deu alguns panfletos de tours. Então, não perdi tempo e perguntei:

- Já que você tá aqui e eu tô sem sono, podemos falar dos passeios agora. Que tal?

- Pode ser. Não tem mais nenhum hóspede para chegar.

Ficamos por umas duas horas conversando. Falamos de Manaus, um pouco da história. Assisti vídeos do encontro das águas, e fiquei convencida de que eu não poderia ir embora sem praticar Stand Up Paddle nos Igarapés. Uma semana seria pouco.  

E usando todas as minhas habilidades detetivescas aprendidas com as histórias da Agatha Christie empoeiradas no meu quarto, descobri que a Amanda sabia desde criança que seguiria no Turismo. Com a família toda no Amazonas, ela sempre aproveitou a natureza ao redor e se definia como manauara de sangue e de coração. Uma "cunhã", no tupi.

A atmosfera do bate-papo e das risadas espontâneas me envolveu ainda mais em sua paixão pelo Amazonas. Em alguns momentos, me distraí pensando no porquê de eu ter me limitado a ficar sempre no mesmo lugar, sem arriscar uma ‘viagem' assim antes.

Provavelmente, era uma dúvida que consumiria meses de sessões com meu terapeuta.

Nos despedimos e é claro que não consegui dormir até o raiar do dia seguinte. Combinamos que eu sairia sozinha pela manhã, para conhecer alguns lugares perto do hotel. À tarde iriamos juntas ao Museu do Seringal, ao qual chegaríamos de barco. Achei aquilo o máximo.  

Aproveitei o café da manhã para avisar a Jéssica que só a encontraria à noite.

Andei pelos arredores, e achei o teatro muito charmoso. Tirei algumas fotos e mandei para a Fer e para meus pais. Eles ficaram tão felizes quando eu disse que ia viajar que até compraram roupas novas para mim. Disseram que era por causa do calor, e eles estavam certíssimos.

Às 13h eu voltei ao hotel para encontrar a Amanda. Ela me abraçou apertado. E aquilo mexeu comigo. Ela mexia. Não importava o que ela fizesse nessas últimas horas desde que nos conhecemos.

Fomos ao embarque para o museu e em meia hora desembarcamos na "Vila Paraíso" (outro sinal!!). Fizemos o tour e senti bem de perto um pouco do drama dos seringueiros. Esse foi o momento que eu não entendi porque raios inventaram de chamar aquele lugar de paraíso (não, não era um sinall!!).

Depois, no caminho da volta, desembarcamos na Praia da Lua. Não, não tinha mar, mas tinha uma prainha tranquila formada às margens do Rio Negro. Um lugar mágico para curtir um pouco o fim da tarde. Paramos lá porque a Amanda garantiu que eu veria um pôr do sol inesquecível e novamente eu não duvidava!

Sentamos um pouco na areia, admirando o infinito daquele lugar e daquele momento. Parecia perfeito. Ficamos assim alguns minutos até a Amanda decidir comprar uma cerveja. Tão logo ela saiu, percebi uma notificação em seu celular, era uma mensagem "Quando você volta?", em seguida, chegou uma foto: dois perfis femininos na chuva e de mãos dadas. Os dedos se soltando. Parecia uma despedida. E foi essa última impressão que me deu um pouco de alívio. Se ela teve alguém, já não tinha mais... Será? Seriam mesmo duas mulheres na foto? Eu precisava descobrir.

Fim do capítulo


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Comentários para 1 - Maldito aplicativo de relacionamentos - Parte 2:
May Poetisa
May Poetisa

Em: 29/08/2021

Clelia, gostei tanto da primeira parte, que ficou com gostinho de quero mais, que corri para saber a continuação, impossível perder. Amo a viagem que a literatura possibilita, tão bom conhecer locais bonitos por intermédio da escrita. Obrigada e parabéns! May.

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Rosa Maria
Rosa Maria

Em: 21/06/2021

Cma24...

Que bom ter continuado a se desafiar continuar escrevendo a história está fantástica...acho que vem aventuras boas entre Manu e Amanda né? Quando acontecer não nós prive dos detalhes afinal sabe que adoramos não é mesmo? kkk

Beijo

Rosa

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