SAFE por Howtosavealife
Obrigada
A mineira não era do tipo de pessoa que gostava de dormir agarrado, nem mesmo com seu ex namorado. Sentia um incomodo e sempre acordava agoniada, dessa vez não foi diferente. O sol ainda não tinha aparecido, mas Ana Clara acabou despertando. Sentia um peso em cima de sua barriga e pernas assim como um ar quente vindo no seu rosto, abriu os olhos e percebeu que a mulher mais velha estava praticamente em cima dela e sua cabeça em seu ombro. "Véi aí não" pensou mentalmente e bufou, saio daquela posição com cuidado para não acordá-la e se virou pro lado enquanto a outra resmungava alguma coisa ainda dormindo até virar pro lado oposto e puxar o fino lençol. "Só pode ser castigo" pensou. Se encolheu e voltou a dormir. Continuava sendo madrugada, mas raios solares já davam sinais e Luísa acordou sentindo a cama se mexer levemente, se virou e viu a outra encolhida tremendo, não estava muito frio porém o lençol estava todo com ela. Acabou por fim cobrindo a modelo, abraçando por trás e voltando a dormir mais um pouco.
Vitor acordou com o despertador do seu celular vibrando na cabeceira, se espreguiçou, viu que amiga já não estava mais na cama e logo imaginou que a própria já tinha ido tomar café da manhã na pousada, mas para sua surpresa assim que levantou e foi caminhando pro banheiro viu Ana Clara deitada na cama de solteiro junto com sua segurança. Não só deitada junto como sendo enlaçada na cintura pelo braço tatuado da outra. O fotógrafo olhou curioso para cena na sua frente, mas nada disse apenas seguiu para o banheiro.
O barulho da água caindo fez a mineira despertar e respirar fundo, novamente naquele dia sentiu um peso, agora em sua cintura. Sentiu também as costas aquecidas pelo contado do outro corpo, se mexeu devagar mas o suficiente para outra resmungar e acordar.
- Hum - abriu os olhos e em questões de segundo viu a posição em que se encontrava - Bom dia - disse retirando o braço da cintura da outra deixando-a a vontade para sentar na cama.
- Eu disse pra ocê não me agarrar de novo - disse rindo - Bom dia Lu.
- Ah foi mal - disse meio sem graça - Você tava tremendo foi só pra ti esquentar.
- Hum ... se eu ficar travada nas fotos a culpa é sua ... Ouw odeio dormir agarrada fico toda cagada depois, dói tudin.
- Ah... Desculpa.
- Tá tudo bem, qualquer coisa cê me faz uma massagem.
- Ana Clara...
- Uai... Que que foi? - logo entendeu - Ouw num falei nada demais cê que tá pensado besteira sua safada - riram.
- Hum, que bom humor matinal temos aqui nesse quarto - disse Vitor saindo do banheiro e vendo as duas rindo.
- Pois a gente deveria tá é puta, Ouw migo cê ronca tanto que parece um motor de avião véi... Vim até dormir com a Luísa dava pra ficar do seu lado não.
- Ai que exagero, você que é fresca duvido que ela escutou.
- Não tem como te defender não guri - riu - Daqui já tava alto imagina lá do seu lado ? - as duas riram e o fotógrafo ficou sem graça.
Depois de fazerem a higiene matinal e tomarem café da manhã os 3 partiram para o ensaio que seria feito na praia azeda e depois partiriam para uma segunda locação. Ana Clara e Vitor ainda tentaram novamente convencer a segurança de posar, mas ela está irredutível.
- Bah mas eu já disse que não... Vocês fazem o trabalho de vocês e eu faço o meu.
- Véi cê ê é chata - disse cruzando os braços e batendo o pé.
- E não adianta fazer drama - riu um pouquinho da cena que a outra fazia - Eu não vou mudar de idéia.
- Vem amiga - o fotógrafo puxou ela pelo braço rindo da mini discussão das duas - Um dia ela topa, agora vamo bora tirar essas fotos antes que o sol fique forte.
Os dois foram andando até a beira da água com a mineira ainda de braços cruzados.
- Tem certeza que ela é sua segurança? Tá parecendo você e Dominique se implicando - comentou num tom divertido.
- A gente acabou ficando amiga né... Mas agora tô puta, Ouw custava te ajuda véi?!
- Deixa isso pra lá miga.
Começaram tirando fotos na beira do mar, depois na areia e por fim nas pedras que ficavam no canto da praia. Em menos de uma hora terminaram a primeira parte e voltaram para árvore onde a segurança observava tudo de longe.
- Acabamos bem na hora - disse assim que chegaram no carro - Agora vamos pro centrinho pegar a embarcação.
- Embarcação? - perguntou a gaúcha.
- É a segunda locação é numa lancha e depois vamos pra Arraial do Cabo.
- Ah - disse parecendo nervosa e a mineira ao seu lado no carona percebeu mais nada comentou.
Quando chegaram na lancha Ana Clara começou a se preocupar, a cara da outra não era nada boa.
- Lu ... Cê tá bem? - perguntou alguns minutos depois de sarparem.
- Uhum... Eu só tenho um pouco de nervoso de mar - falou baixinho com as mãos em cima das pernas que tremiam.
- Oh Luísa porque não me disse? A gente ia de carro é só 30 minutos a mais, agora cê vai fica sofrendo aqui uma hora.
- Eu vou ficar bem, precisa se preocupar não.
A mineira foi chamada pelo amigo e passou algum tempo tirando fotos na proa da lancha. Quando voltou encontrou a segurança completamente pálida.
- Ai Jesus... Luísa cê tá enjoada ? Tá sem cor nenhuma.
- Um pouco - disse de olhos fechados e com a cabeça encostada na parte que dava cobertura pra lancha.
- Calma tá? Já tamu chegando... Dez minutinhos tamo lá - passou a mão pelo rosto da outra e sentiu quão gelada tava - OOOH VITOR TRÁS O ROUPÃO AÍ.
- Aqui miga... Que aconteceu?
- Ela tá enjoada e toda gelada.
- Castigo por não ter tirado foto - recebeu uma cotuvelada da amiga - Aí vaca.
- Deve ser - disse rindo ao mesmo tempo que fazia cara de dor.
A modelo sentou ao lado da outra segurando sua mão e cobrindo-a com o roupão, em menos de 10 minutos a lancha começo a diminuir e fazer aproximação do cais, o movimento lento parece ter feito a gaúcha enjoar mais ainda. Levantou e foi o mais rápido que pode pra parte descoberta e colocou a cabeça pra fora da embarcação.
- Droga - disse a mineira indo atrás e segurando o cabelo da outra - Calma...
Ficaram ali até a outra terminar de vomitar. Depois sentaram.
- A gente já vai pra terra firme tá?
- Aqui gatinha trouxe uma água e toalha pra lavar a boca - disse o fotógrafo - Vamos lá pra fora, vem se apoia aqui. Amiga pega minhas coisas que eu levo ela.
Se sentaram nos banquinhos no final do Píer da praia dos anjos.
- Lu eu vou ali na farmácia comprar um remédio pra ocê - disse a mineira que agora estava em pé na frente da outra sentada.
- Não - disse segurando seu pulso antes de ir - Você não vai, não sem mim.
- Luísa ocê tá mal e num vai pra lugar nenhum mais eu não, cê fica aqui.
- Mas ...
- Num tem base um trem desse não, nós tá longe de casa num tem ninguém atrás de mim não cê deixar de ser neurótica mulher - viu a outra ficar quieta - Num se preocupa não eu volto já.
- Clarinha a gente vai pra locação, é aquele barzinho ali da frente, quando voltar vai pra lá. Vem Luísa - Vitor fez malabarismo pra conseguir ajudar a mulher e segurar seus equipamentos.
Os 20 minutos que a modelo demorou pareciam horas, a preocupação fez a cabeça da outra rodar ainda mais, mas não tardou pra escutar a voz que acalmou.
- Voltei - viu a segurança olhar pra ela e piscar os olhos várias vezes - Trouxe Plasil e Labirin... O farmacêutico lá falou que se deve tá tento uma crise de labirintite ou de ansiedade, pra tomar isso aqui de 6 em 6 e ir num médico...Acho que é isso... Vou pegar água pra ocê.
É estranho quando uma pessoa que temos como referência de força se mostra vulnerável, Ana Clara sentiu o mesmo incômodo e senso de proteção quando viu a segurança chorando algum tempo atrás. Talvez agora essas sensações tivessem aumentado.
- Aqui oh... Toma - entregou um copo e dois comprimidos pra gaúcha.
- Brigada - disse ao terminar de engolir, rezando pra não vomitar de novo - Brigada Clara... Pode ir lá, Vitor já tava nervoso aqui - riu.
- Caguei pra essa poc - riu - Espero cê melhorar.
- Não é sério, pode ir - se deitou no banco de madeira de uma das mesas do bar - Vou ficar bem.
- Hum... Se ocê se sentir mal me chama tá?
- Tá!
- Jura?
- Juro!
- Tá bom então - deu um beijo na testa da outra e saiu.
Essa parte da sessão de fotos acabou sendo mais rápida, era só trocar as saídas de praia, cangas e chapéus. Em 40 minutos já estavam de volta a lancha se preparando pra ir pra última locação.
O trajeto dessa vez foi pequeno apenas 10 minutos, mas mesmo assim a segurança passou mal novamente. Quando chegaram Ana Clara começou a fotografar na água cristalina na praia do forno enquanto a gaúcha observava na areia embaixo de uma árvore.
Aproveitou para tirar umas fotos, mesmo se sentindo mal queria ter uma recordação daquele pedacinho de paraíso.
- Se quer que eu tire? - disse a modelo se aproximando só de biquíni e com o corpo molhado.
- Eu... e quero - falou meio comendo as letras perdida na visão, sentiu o estômago virar mas agora não de enjôo - Aqui é... Lindo né? Eu tô zoada mas queria uma recordação - comentou por estar de regata branca, calça leg cinza e com a cara abatida.
- É sim, vai ficar linda de qualquer jeito - disse sincera e se preparou pra bater a foto - Pronto... Agora uma nossa - ficou do lado da outra pra bater um selfie.
- Com você ficou melhor - disse em meio sorriso.
Ficaram se encarando por algum tempo, talvez pensando que aquele seria um exato momento para um beijo, mas os gritos de Vitor chamando as duas de volta pra lancha interrompeu qualquer coisa que pudesse acontecer.
- Vamos? Já é 15:00 e ainda não comemos nada... Ele tá louco de fome e eu também... Só tem biscoito na lancha... E também ele quer embora antes das 18:00 - disparou a falar.
- Tá, vamos.
A volta foi uma tortura pra mulher tatuada que vomitou mais de duas vezes mesmo já não tento nada no seu estômago pra por pra fora. A modelo já estava nervosa com a situação mas fazia o possível pra tentar amenizar, fazendo carinho em seu rosto e cafuné em seu cabelo.
Quando finalmente chegaram no cais de Búzios, Ana Clara e Vitor conversaram por um tempo afastados da segurança. Depois de uma ligação os dois voltaram.
- Lu, eu liguei pro Mike... Cê não tem condições de pegar estrada hoje. A gente vai ficar na pousada e o Vitor vai com meu carro, aí amanhã mandam alguém buscar a gente tá. O remédio não não tá fazendo efeito ainda.
- Ana Clara eu aguento ir pra casa... Não precisa...
- Não tem discussão só tô te informando.
- Você sossega esse facho aí, tá zero condições de mandar em alguma coisa - disse o fotógrafo.
Não era fácil dar o braço a torcer, mas naquela situação a sua única opção era acatar. Almoçaram na pousada, quer dizer Vitor e Ana Clara almoçaram na pousada e a segurança tomou um suco, e logo o fotógrafo partiu e as duas foram pro quarto.
- Lu já tá na hora de cê tomar o remédio de novo - pegou os comprimidos e uma garrafinha de água - Toma... Bom eu vou tomar banho, tô cheia de sal ainda... Cê deita aí na cama e qualquer coisa me grita.
- Tá bem.
Deitada na cama, sentia o corpo todo doer, odiava vomitar os espasmos incontroláveis acabam deixando dor por todo seu corpo depois. Se encolheu e acabou pegando no sono. Foi acordada por uma mão no rosto e um cheiro suave invadindo sua narina.
- Ei, acorda - a voz baixa vez abrir os olhos - Deixei cê dormir um pouquinho mas tem que comer se não daqui a pouco desmaia aí e num sô forte que nem cê não, num guento de pegar no coloco não - riram - Pedi comida no ifood... É salada e frango grelhado, acabou de chegar.
- Eu dormi muito? - perguntou assim que percebeu a escuridão que estava depois da janela.
- 2 horas. Quando eu voltei do banho cê tinha apagado, fiquei com pena de te acordar, parecia cansada e tava roncando que nem o Vitor véi.
- Paraaa - disse empurrando de leve o braço da outra que estava sentada na cama - Tava nada - sorriram.
- Vem vamu comer e depois se toma um banho pra voltar a dormir.
E assim foi feito. Quando voltaram pra cama a segurança comentou algo que no final soaria família, mas com papéis invertidos.
- Obrigada - olhou nos olhos da outra que está deitada na sua frente e agradeceu pela luz do abajur se forte o suficiente ao ponto de deixá-la ver a pupila da outra dilatando - Por me ajudar hoje... Sabe...
- Faço suas minhas palavras agora "Você não precisa me agradecer por isso" - a gaúcha sorriu de lado.
- Mas mesmo assim... obrigada!
Ficariam sorrindo uma pra outra naquele silêncio nada constrangedor. Até a mais velha cortar a falta de som.
- Depois disso a gente se beijou né?
- É!
Mais uma vez se aproximaram pra desfrutar uma do sabor da outra. A gaúcha ainda se sentia um pouco tonta e muito cansada, mas nada era grande o suficiente para querer parar de aproveitar aquele momento, sugava a língua com calma e intercalada com puxadas nos lábios. Sentiu a outra estremecer quando tirou a mão do rosto e deslizou até sua cintura coberta pelo babydoll, mas foi a mão invadindo o pedaço de tecido que fez o momento parar.
- Lu, não...
- Você não quer ?
- Querer eu quero mas cê não tá legal... Descansa vai.
- Tava tão bom que até esqueci - passou a mal no rosto - Se tem razão... Não quero que seja ... Meia boca - viu a outra rir.
Ficaram conversando durante um tempo até a modelo perceber as piscadas ficarem cada vez mais lentas e a outra dormir. Ela por sua vez demorou um pouco pra dormir, ficou observando e sem perceber sorrindo. Quando o sono estava chegando, lembrou de pôr o celular pra despertar na hora do remédio da gaúcha e enfim dormiu, sem saber porque, feliz!
Fim do capítulo
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Anny Grazielly
Em: 05/04/2020
Aiaiaiaii... essas duas são louquinha... kkkkk... amo demais....
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