SAFE por Howtosavealife
Desejo Inconsciente
Acordaram bem antes do sol nascer, cedo o suficiente para a modelo ir resmungando do trajeto da casa até o Aeroporto.
- Porque eu fui inventar de chegar pro almoço? Lu você me perdoa mas quando chegarmos em BH e pegarmos o carro eu vou dormir o caminho todo até Patronicio.
- Tudo bem, já me acostumei com você dormindo no carro.
- Eu não consigo evitar - riu - Ah uma amiga minha vai com a gente, Eva... ela é muito animada, capaz de te fazer companhia enquanto eu durmo - riram.
Não deu outra. Depois das devidas apresentações as duas foram conversando o tempo quase que todo. Eva era maquiadora, não parava de falar um minuto só principalmente pela felicidade de estar noiva a uma semana da sua namorada de longa data Manuela, fora isso as duas mulheres falaram principalmente de seus trabalhos, Eva conseguiu até mesmo convencer a gaúcha em um futuro gravar um tutorial de make com ela.
- Amiga acorda, estamos quase chegando e eu vou ficar aqui pelo centro mesmo - cutucou a modelo que estava quase que desmaiada no banco de trás.
- Já?
- Já? É sério... eu nunca vi alguém dormir tanto quando cê.
- HUUUM - se espreguiçou - Lu cê vai que horas pra Berlândia?
- Assim que eu te deixar na fazenda, só vou esticar uma pouco as pernas e ir.
- Vamu tomar um café então aqui no centro? Vamu! - respondeu por ela - Eva vem com a gente!
- Topo!
As três pararam em um bistrô que segundo o menino tinha acabado de inaugurar e está bombando. Ficaram por cerca de uma hora até Eva seguir seu rumo e as duas irem em direção.
- Gostou do Eva? - perguntou curiosa assim que entraram no carro.
- Ela é demais, tagarela mas gente boa - riram - Acredita que me convenceu a gravar com ela? Disse quando for pro Rio eu não escapo dos pinceis dela.
- Deveria fazer mesmo... cê é bem bonita dava pra ser modelo fácil e o trabalho da minha amiga é maravilhoso.
- Brigada - disse levemente sem graça - Tenho um pouco de vergonha de tirar foto... mas acho que com ela vai ser tranquilo.
No curto caminho até a fazenda Ana Clara ia contando as histórias divertidas de tudo que já tinha passado com a Eva e também como Manuela. Assim que se aproximavam do casarão a modelo notava um homem que não conhecia sentado nas escadas da entrada. Quando o carro parou o mesmo se aproximou.
- Quem é vivo sempre aparece... e ai Braba?! - disse olhando diretamente para a segurança.
- Olá - a resposta veio da modelo que também se aproximou - Cê quem é?
- Você deve ser Ana Clara - a outra fez que sim com a cabeça - Eu sou Ramon segurança do seu irmão, muito prazer.
- Prazer!
- Oi feioso - finalmente a gaúcha respondeu - Aproveita que já tá aqui e faz algo de útil, leva as malas da Ana Clara pra dentro.
- Mal chegou e já está mandando... certas coisas não mudam - riram.
Todo tatuado, barbudo e com cara de mal. Lembrou da conversa das duas no dia anterior mais a tensão no ar e junto os pontos. Esses dois já tinham se pegado. Sentiu um leve incômodo que não conseguiu decifrar, então, deu de ombros e seguiu para a casa. Pouco tempo depois a segurança apareceu para se despedir.
- Clara... eu já vou indo - disse se aproximando da varanda onde os irmão estavam conversando.
- Já? Já descansou?
- Eu vou dormindo no carro, o Ramon também esta indo pra Uberlandia.
- Claro que ele está - Bernardo comentou com um risinho - Alias prazer em conhecer ocê Luísa... Mike e Ramon falam muito de cê.
- Ah... prazer... bom eu já vou indo, qualquer coisa pode me ligar, ok?
- Tá bem - respondeu meio sem dar muita importância - Tchau, bom descanso.
- Valeu!
- Ouw Ramon é doidin nela... tava aqui nervoso hehe folga vai ser boa - Continuou mesmo com a irmã em silêncio - Ouw cê sabe que ela pega muiê também? Nunca que eu ia imaginar que uma Deusa dessas gostava desses trem... Mike diz que ela é terrível lá no Rio. Cê sabia?
- Sim, acabamos ficando amigas e sei bastante da vida dela... e seus comentários foram ridículos.
- Uai eu num sô preconceituoso não, não acho nada de errado nisso.
- Eu sei que não... só to querendo dizer que seus jeito de falar foi péssimo...quer saber deixa pra lá. Daqui a pouco vovô chega... vou fazer uma café pra ele.
- Oh Clara ... - tentou chamar a irmã que se levantou rapido em direção a cozinha mas não obteve sucesso - Estranha...que eu disse de mais uai?
Em Uberlândia os dois seguranças ficaram na casa de um casal de amigos que já haviam trabalhado com eles. A sexta foi bem tranquila e a gaúcha deu Graças a Deus que o homem barbudo não tinha ficado em cima dela o tempo todo, decidiram aproveitar a passagem pela cidade para se tatuar com outro casal de amigos. No sábado de manhã foram para festa na casa do casal de tatuadores e a segurança deve que admitir que estava sendo agradável passar o tempo com Ramon, nesses dois anos sem ser ver e quase sem se falarem, ele parecia ter amadurecido bastante.
- Que aconteceu que você tá mais maduro, não esperava isso de ti? - implicou enquanto dos dois preparavam o churrasco.
- Mike não te contou?
- Sobre?
- Pow... agora eu sou pai - riu.
- Tá me zoando?!
- Não pow... aqui ô - pegou o celular - Minhas princesas... são gêmeas!
- Ai meu Deus que lindas Mon, parabéns.
- Elas moram em Miami... a mãe delas é mexicana dona de um bar lá, acabamos ficando quando passei 3 meses lá... e ai essas belezuras nasceram. Eu vou me mudar para lá quando esse trabalho acabar, ficar mais perto delas.
- E a mãe delas, tão namorando?
- Não - riu - E nem vamos, mas ela é de boa, a gente se dá bem mas foi só coisa de momento. Sabe como é...
Em Patrocinio o clima tava meio pesado. Eva tentava acalmar a amiga que já estava arrumada puta com novidade de última hora.
- Eva NÃAAOOO DÁ - andava de um lado para o outro no quarto - Como que minha tia chama o Fred pra essa festa?
- Amiga ele acabou ficando amigo da família, e cê sabe bem que ela torce pra cês voltarem.
- Ah se foder! Agora eu vou ter que ficar aturando ele com aquele olhar de superioridade me julgando.
- Calma vai dar tudo certo.
Mas não deu, a irritação da modelo só fez aumentar durante a festa. Decidiu ligar o foda-se, e fez até o que não curtia muito fazer... beber.
Enquanto isso ao mesmo tempo o churrasco continuava animado na outra cidade mineira.
- Lu... você não vai beber?
- Não, não bebo trabalhado você sabe!
- Você esta de folga guria.
- A gente nunca fica realmente de folga e você deveria saber disso também.
- Tinha esquecido como você é chata com trabalho, esqueci de outra coisas também que eu gostaria de lembrar.
- Aé... o que? - perguntou meio sugestiva.
- Da sua famosa caipirinha por exemplo, vamos na cozinha para você me fazer uma?
E realmente a bebida foi preparada com excelência.
- Nossa isso sim é um drink - falou bem perto da gaúcha - Já matei a saudade da sua caipirinha agora só falta da sua boca.
O inevitável beijo aconteceu até ser interrompido pelo celular da segurança vibrando.
- Não atende ... - disse Ramon ofegante entre os beijos.
- Pode ser importante - tentava parar o beijo, olhando pra tela do celular - É o Mike... Droga.
- Luísa - disse o homem apresado assim que a chama foi atendida - Eu preciso que vocês voltem.
- Ana Clara está bem? - perguntou a primeira coisa que passou na sua cabeça.
- Estão todos bem, mas temos uma situação... aqui conversamos... A festa acabou de começar, quero vocês aqui antes que termine.
- Tudo bem no máximo em 3 horas estamos aí, tchau.
A segurança desligou e olhou para Ramon explicando que deveriam que voltar.
- Eu sou muito azarado mesmo - disse rindo mas viu que não foi acompanhado, a outra parecia distante.
- Não deveríamos ter vindo, saco.
- Calma Lu, tá tudo certo com todo mundo isso deve ser só uma precaução, talvez uma ameaça... vamos pegar nossas coisas e ir logo.
- Não... vamos perder muito tempo se voltarmos na casa deles para pegar as coisas, vamos direto.
Os dois já estavam na porta da grande casa de festas esperando os irmãos saírem. Mike esxplicou por telefone que a situação tinha sido uma sabotagem no processo de embalagem do café e mais de uma tonelada havia se perdido por estar contaminada com sabão.
- Não acredito que você me fez vir assim, de calça jeans rasgada e blusão velho.... E você toda arrumada de preto.
- Que arrumada o que guri? Tô com minha roupa normal - comentou do seu próprio look de t-shirt, casaco de couro, calça e coturno tudo preto.
- Olha lá eles tão vindo - disse olhando em direção a Bernardo que vinha andando lentamente abraçado pela irmã - Vou pegar o outro carro.
Não demorou muito para chegarem onde a gaúcha estava.
- Lu?! - falou surpresa enquanto caminhava com dificuldade com ajuda do irmão.
- Oi guria... Ela tá muito ruim? - perguntou para Bernardo.
- Um pouco - riu - Ela não costuma beber aí bebe 3 copos e fica assim.
- Uai eu tô ótima - disse enquanto andava pra frente e se jogava nos braços da segurança - Amiga todo mundo amou meu vestido, brigada. Ouw... Bê foi ela quem escolheu...
- Eu sei ... ocê me disse 3 vezes já - riu - Ela fica meio melosa quando tá bêbada... Na verdade ela só é melosa quando ta bêbada.
- Tô vendo - riu também se afastando do abraço - Vamos pra casa dormir.
- Ah não Luuuu - falou com a voz manhosa - Eu quero sair pra dançar, foi tão rápido aqui, vamooos - soluçou - Cê não for eu vou mesmo assim.
- Ana Clara você vai pra casa sim - disse o irmão já perdendo a paciência - Nem que eu tenha que te deixar lá e te trancar.
- Cê não manda em mim seu chato ... Velho
- Ei ... Clara você vai pra casa sim, você não queria ir na cachoeira? Agora eu tô aqui e podemos ir amanhã, só temos que dormir agora.
- Sério mesmo ? - a segurança fez que sim com a cabeça - Então tá bom. Tchau Bê - deu um beijo no irmão e entrou no carro meio cambaleando por conta do álcool e do salto que não quis tirar de jeito nenhum.
- Mas - disse meio desacreditado que o drama tinha acabado - Como ocê vez isso?
- Bêbados são facilmente manipulados - deu de ombros.
- Preciso aprender isso aí ... Escuta eu queria ajudar ocê mas tenho que ir para fábrica, aconteceu um...
- Já estou ciente por isso voltei antes.
- Imaginei... O quarto dela fica no segundo andar, é a terceira porta a direita depois da escada, só jogar essa maluquinha na cama, e tenta não fazer barulho que nossos avós já foram embora a mais de duas horas da festa, certeza tão dormindo...
- Luísa - os dois olharam para trás com o grito da modelo que estava com o vidro aberto do carro - Anda logo!
- Boa sorte - comentou Bernardo e riu - Ocê vai precisar.
A segurança entrou no carro ainda escutando os lamentos embolados da outra.
- Que demora...
- Ao invés de estar reclamando você poderia estar colocando o cinto.
- Ouw o caminho é rapidin rapidin num preciso di cinto.
Ela sabia que falar era perda de tempo, então inclinou o corpo para frente e puxou o cinto para por na modelo. Assim que terminou viu a outra dar um risinho e apertar o botão de soltar cinto. Luísa repetiu o gesto e dessa vez olhou sério para a mais nova.
- Se você fizer novamente isso amanhã não vou a lugar nenhum com você.
A modelo fez só cruzar os braços e soltar um xingamento bem baixinho, o que fez a outra rir.
- O que foi que você bebeu em guria?
- Gin, só uns 3 copin ... Mas eu tô de boaça.
- Eu tô vendo quão de boa você tá.
- Eu nem gosto de beber, só bebi pra irritar o Fred mesmo... Num credito que ele veio pra festa da minha prima... Num era nem pra ter vindo. Tem base minha tia convidar ele? Num tem mas convidou né! "Amigo da família Clara" Amigo da família meu cu! Tinham que esquecer da existência desse ser assim como eu.
- Aí senhor - riu - Então você bebeu porque seu ex tava lá?!
- É, bebi ... Bebi mesmo, rebolei até o chão... véi eu até subi no palco com a Carol pra dançar... Teve banda ao vivo e DJ de funk, foi massa Lu.
- Que bom que se divertiu...
- E ocê? Curtiu a folga?
- Sim, matei a saudade dos amigos, fiz outra tatoo.
- Sério? Deixa eu ver!
- Depois te mostro é no antebraço mas tô de casaco. Fiz uma flor...mais uma.
- Hum ... O bonitão barbudo foi com você pra Berlândia ?
- O Ramon?
- É... o segurança do meu irmão.
- Foi sim, ele também é amigo desse casal e foi fazer umas tatoos, por isso que acabei fazendo.
- Huuuuuuum... não só uma tattos juntos, teu pescoço tá todo marcado.
- O que? - puxou o espelho do carro e ascendeu a luz olhando o pescoço vendo que não tinha nada - Você tá muito engraçadinha hoje.
- Pela sua reação eu poderia tá certa - comentou.
- Ai ai Ana Clara.
Ficaram em silêncio por algum tempo até a gaúcha perceber que a mais nova se agitava no banco.
- Ei... tá tudo bem?
- Não, Lu acho que vou vomitar - disse com a voz baixa.
- Calma vou parar.
Luísa ligou o pisca alerta e fez sinal com a mão para o carro atrás parar. Saiu do carro informando o que tava acontecendo e pedindo para um dos seguranças passar a dirigir.
- Passou? - perguntou assim que abriu a porta do carona.
- Um pouco ... mas tá rodando turu.
- Tá... Vamos fazer assim, vou com você no banco de trás, se quiser vomitar a gente para de novo.
A segurança ajudou a outra ir com dificuldades a ir para parte de trás do carro. Faltava pouco para chegarem na fazenda e a modelo dava sinais de enjoo de novo.
- Calma já vamos chegar, coloca a cabeça para trás tá?!
- Uhum.
Assim que o carro parou a segurança saiu rápido para abrir a outra porta.
- Vem chegamos - disse dando a mão para outra se apoiar, o que não foi suficiente já que no primeiro passo ela tombou pro lado batendo na porta aberta.
- Aii
- Luísa você vai querer ajuda com ela? - Pergunto um dos seguranças.
- Não, tá tudo bem só abram a porta da entrada, a do quarto dela e estão dispensados.
- Eu não tô mais de boaça não - riu ao mesmo tempo resmugando.
- Eu vou te levar lá pra cima tá? - a outra fez que sim com a cabeça e sentiu seu corpo ser levantando do chão - Passa a mão pelo meu pescoço... isso e Ana Clara não faz barulho pelo amor de Deus, seus avós estão dormindo.
- Lu... quero vomitar, solta eu!
- Calma, calma... já tamo chegando - disse apresentando os passos na escada e entrando no quarto. Foi o tempo de pôr a modelo no chão e a própria entrar no banheiro e ir em direção ao vaso - Calma... agora você vai melhorar - ajudava a outra segurando o cabelo - Cabou?!
- Acho que sim... odeio vomitar - disse chateada.
- Vem lava a boca.
- Tô meio fraca - comentou apoiada com dificuldade na pia, enquanto lavava a boca - Tô com medo... desmaiar.
- Eu já pego alguma coisa doce pra ti, vem cá - fez o corpo de apoio até chegarem na cama - Senta ai... onde tá sua mala?
- Ali no canto.
- Tá... toma esse blusão aqui pra você por.
- Bah cê me ajuda com o vestido, não consigo desabotoar atrás.
As mãos trêmulas desabotoava o vestido e a gaúcha disse para si mesmo que aquilo era causado pela fadiga muscular por ter levado a outra nos braços minutos atrás.
- Pronto... tira o salto e deita tá, já voltou - saiu o mais rápido que pode do quarto e desceu a procura de algo pra subir a glicose da modelo antes que ela desmaiasse.
Depois de muito procurar algo da cozinha que nunca tinha entrado, achou um resto de suco de maracujá e algumas torradas caseiras, aproveitou também pra pegar um balde.
- Pronto voltei - encontrou Ana Clara em posição fetal e com cara de dor.
- Nunca mais vou beber, que trem ruim.
- Ninguém cumpre essa promessa - riu enquanto sentava no chão próximo da cama - Aqui come isso.
- Mas eu vou vomitar mais se eu comer...
- Você precisa se não vai acabar desmaiando... por favor - viu a mineira comer tudo e depois comentou - Trouxe um balde caso você passe mal de madrugada... agora tenta dormir.
- Lu fica um pouquinho aqui comigo? - pediu fazendo tanta manha que a segurança teve que rir, nem parecia a mesma Ana Clara.
- Tá bom Ana Clara... agora fecha o olho.
O um pouquinho acabou virando a madrugada inteira, a segurança acabou pegando no sono sentada no chão com a cabeça encostada da cama, só seu deu conta quando o sol já forte entrava pela janela. Olhou para cima vendo a modelo dormindo tranquila, sorriu ao perceber que mesmo com maquiagem borrada a outra continuava bonita. Quando preparava pra levantar, escutou a voz a da outra acordando para logo depois resmungar.
- Véi ... um trator passou em mim... que horas são Lu?
- 13:00 - respondeu olhando para o relógio.
- Preciso comer...
- O enjôo passou?
- Sim , só tô com dor de cabeça e no corpo.... Vamos descer e procurar alguma coisa pra comer? Só vou trocar de roupa - disse se levantando para por um short jeans e um regata preta.
As duas ficaram algum tempo na cozinha tomando um café da manhã atrasado e logo estranharam a falta das pessoas na casa. Não demorou muito para Ana Clara entender o motivo. Minutos depois de escutarem os barulhos de carro seu irmão entrou apresado no cômodo.
- Ana Clara, estamos te esperando no escritório - se limitou a dizer.
- O que tá acontecendo? - perguntou apresada assim que chegou e viu seu pai, avô, tia e irmão de caras bem fechadas.
- Senta aí querida - falou o homem mais velho.
- Ontem a noite o controle de qualidade da fábrica percebeu um problema em um dos lotes do café - seu pai começou a falar - Tinha resto de sabão utilizados na lavagem dos tonéis nos produto... e pela quantidade não foi um erro técnico... foi sabotagem.
- Isso é grave?... cês sabem que não entendo nada desses trem.
- Grave? Isso é um pesadelo Ana Clara - disse seu irmão irritado - Uma tonelada ou mais de café jogada fora, tempo e dinheiro perdido. Ter que trabalhar dobrado para recuperar isso... UM PESADELO !
- Calma Bernardo - ponderou seu avô - Sabe que damos conta de recuperar.
- Querida - sua tia chamou atenção com a voz calma - Sabemos que você vai ficar chateada mas a gente decidiu não ir para viagem.
- O QUE? MAS...
- Ocê, Vic, sua mãe e sua avô ainda vão - completou seu pai - Mas nós vamos ficar para resolver tudo.
- Isso é ridículo, RIDÍCULO - disse alto mostrando sua chateação - Cês sabem a quanto tempo a gente não faz nada junto? 4 anos... 4 anos que eu to planejando isso... 4 anos que cês não saem dessa cidade, que não largam o trabalho uma semana sequer.
- Ocê acha que a gente tá feliz menina? - disse o irmão também nervoso - Mas a gente tem que fazer o que tem que ser feito.... Alguém tem que trabalhar pra pagar seus caprichos Ana Clara.
- Cê é ridículo - disse olhando com raiva para o irmão enquanto sai do comodo segurando as lágrimas.
Luísa conversava com Ramon na escada do casarão, o segurança explicava tudo que tinha acontecido na fábrica e a decisão que eles tinha tomado. Foi quando ambos escutaram um barulho alto de moto vindo da garagem e poucos segundos depois Ana Clara passar por ele a toda velocidade sem capacete.
- Droga ... tá com chave da Picape?
- Tô... toma aqui...Vai lá.
O tempo de entrar no carro e começar a dirigir fazia com que a distância fosse bem grande entre as duas mas o suficiente para que a segurança conseguisse segui-la. Foi acelerando e em menos de 6 minutos a plantação de café havia acabado e agora dava lugar a um morro de grande flores amarelas.
Ana Clara diminui a velocidade da moto até parar. Viu que o carro fez o mesmo e em seguida caminho a passos largos até a segurança que saia do automóvel.
- Vai embora Luísa - disse com a voz ríspida e o rosto ainda molhado - Me deixa ficar sozinha droga.
- Você sabe que eu não posso guria - disse com a voz mansa, quase triste em ver a mais nova transtornada daquele jeito.
- VAI EMBORA! - Se aproximou tentando empurrar a outra de volta pro carro - VAI EMBORA.
A outra mal se mexia do lugar, e tentava segura os braços que empurrava seus ombros.
- Calma ... calma guria - assim que conseguiu segura os pulsos da outra a puxou para um abraço - Shhss tá tudo bem - a outra ainda se debateu por alguns segundos até começar a chorar no ombro da gaúcha.
- Eu não quero... voltar pra lá... não me faz voltar - disse entre pausas e com a voz embargada, depois de algum tempo em silêncio.
- Não vou... ficamos aqui um pouco. Quer conversar sobre?
- Aham - saiu dos braços da outra e enxugou o máximo que pode os olhos - A gente pode sentar na cacamba da picape?
- Tudo bem.
Caminharam até a parte de trás do carro, abriram a cacamba e sentaram.
- Eu sempre venho para cá - olhou para a vasta plantação de girassóis - Quando estou triste, quando estou feliz, quando quero pensar...
- É lindo aqui, até nublado desse jeito, parece um quadro.
- É sim... Lu, você sabia da viagem? Por isso que voltou?
- Não, eu voltei por conta da fábrica... Mike ligou falou que tinha uma situação e tinhamos que voltar... fiquei sabendo de tudo hoje pela manhã. Ontem voltamos tão rápido que deixei minha mala em Uberlândia.
- Eu... eu tô planejando isso a tanto tempo sabe... 4 anos... ia ser o presente da Carol e uma chance pra todo mundo viajar junto... Capricho... Bernardo disse que é um capricho meu - secou uma lágrima que teimou em cair - Eu só quero dividir momentos diferentes com minha família uai... isso é errado? Eles trabalham tanto e quando finalmente temos uma oportunidade de usufruir de um momento juntos eles desistem por nada...
- Clara... é complicado... eu sei que você tá chateada mas essa situação também não é nada normal, não como se eles tivessem desistindo pra vender mais... é necessário a desissão deles.
- Eu não vejo assim - balançou a cabeça - Cê acha que também é um capricho meu?
- Não disse isso... mas consigo entender ambos os lados.
- Hum... pra ser sincera perdi a vontade de ir
- Não faz isso... não vai ser do jeito que você queria mas ainda vai estar com grande parte das pessoas que você ama, vai ser bom pra ti... se divertir um pouco e esquecer isso aqui.
- Talvez.
Ficaram um bastante tempo em silêncio, até a segurança perceber que a outra tremia levemente com o vento frio que sobrava devagar.
- Toma - tirou o casaco de couro dando pra outra pôr.
- Ah, brigada ... eu sai tão irritada que não peguei nem o casaco e capacete que ficam do lado da moto. Cê não vai ficar com frio?
- Eu sou do Sul esqueceu - riu - Sou resistente ao frio, é tipo um super poder.
- Boba - reparou no braço da outra que tinha uma novo desenho com a cor ainda bem forte - Essa foi a que você fez né?
- Sim.
- Bonita - passou os dedos pela tatuagem causando um leve arrepio na outra - Lu - seguiu os dedos até palma da mão onde juntou as duas mãos para completar - Obrigada!
- Pelo o que guria?
- Por não ter me deixado em paz - riu olhando pro basto campo de girassóis - E por ontem ter cuidado de mim ... e pelas conversas e por tudo que você tem feito esse mês... cê faz bem mais que seu trabalho.
- Não precisa me agradecer por isso - deu de ombros
- Mesmo que não precise - deixou de olhar pra frente e passou a olhar para o rosto da segurança - Obrigada!
O olhar sincero da modelo fez a segurança estremecer e por um segundo vacilar e desviar o olhar para a boca bem desenhada. Ana Clara acompanhou o movimento percebeu o rubor se formando na face da outra enquanto ela fechava os olhos e balançava a cabeça com se tivesse em negação a si mesma. Se surpreendeu quando sentiu sua própria respiração ficando mais pesada, um súbito desejo tomar conta de si, um desejo que nunca antes tinha sentido. De beijar uma mulher. Chegou a cabeça para frente encostando as testas, a boca entreaberta buscando por ar deixou claro o que ela queria. Luísa sentia que futuramente iria se arrepender, sentia que não era o correto, sentia que poderia estragar uma futura grande amizade... Mas mesmo assim o fez. Colou seus lábios junto aos da modelo, que por sua vez soltou aos mãos que ainda estavam dadas para por no rosto da outra. Os lábios se abriram ainda mais dando passagem para as línguas finalmente se encontrarem pela primeira vez. A mão da gaúcha entrou nos fios negros da mineira procurando uma forma de intensificar ainda mais aquele momento, que durou e durou e durou. Talvez mais tarde a segurança imaginasse que as gotas de chuva que caíram sobre elas era um sinal do destino que aquele momento deveria parar. Olharam-se assustadas e ofegantes, enquanto os pingos finos começavam a molhar as duas.
- Droga - a mulher tatuada foi a primeira a se afastar do contato e pular da caçamba, logo estendeu a mão para outra sair também - Precisamos ir... Eu levo a moto.
- Claro que não, cê vai se molhar toda e ...
- Ana Clara entra no carro e vamos embora - falou um pouco ríspida assustando levemente a mais nova, que nada disse e apenas vez.
No caminho a mineira olhava o tempo todo pelo retrovisor, a chuva felizmente não estava tão grossa mas chovia o suficiente para encharcar a gaúcha por completo. Se martirizou um pouco por não ter dado nem ao menos o casaco de volta.
Ao chegarem na garagem a segurança fez menção de ir em direção a casa dos funcionários mas foi impedida pela modelo que a segurou pelo braço.
- Lu se tá sem roupa esqueceu ? Eu te empresto uma ... Vem vamos entrar pela cozinha, cê só espera um pouco pra eu pegar uma toalha.
- Eu pego alguma coisa com os meninos.
- Uai Luísa... Deixa de besteira - puxou a outra em direção a entrada dos fundos da casa.
Minutos depois Ana Clara voltava com uma toalha e um chinelo nas mãos entregando para outra que batia o queixo denunciando o frio que sentia.
- Tira a bota e vamos lá pra cima escolher uma roupa pra você.
Subiram as escadas em silêncio num clima meio tenso.
- Cê quer tomar um banho quente? Pra ocê num gripar... Tem toalha limpa lá no banheiro, pode ficar a vontade - disse ao mesmo tempo que procurava algo na gaveta.
- Acho melhor.
- Aqui ó, esse moletom fica largo em mim e essa blusa também, acho que dá em ocê.
- Brigada.
Quando a segurança entrou no banhou a modelo sentou na cama e passou as mãos pelo cabelo nervosa. Não sabia muito bem o que tinha acontecido mas sabia que tinha acontecido e pior ... Tinha gostado. Enquanto isso a outra no banheiro com a testa encostada na parede se xingava mentalmente e até o ponto de verbalizar.
- Luísa você só faz merd* - sentia culpa enquanto a água quente escorria pelos cabelos e corpo.
Assim que saiu do banheiro.
- Brigada pela roupa depois te devolvo... Eu vou descer e umas 18:00 vamos embora, certo?
- Certo - viu a outra girar os calcanhares e ir em direção a porta - Luísa... Espera... Cê não acha que precisamos conversar?
- Sinceramente - falou voltando novamente o corpo em direção a mineira - Não a nada o que ser dito Ana Clara... Olha me desculpa eu não deveria ter feito aquilo, foi completamente anti ético e não vai tornar a acontecer... só esquece, tá!
- Uai cê falando assim até parece que me forçou a algo - segurava as próprias mãos meio nervosa em admitir - Eu quis... Quis mesmo...muito.
- Você só tá confusa... com tudo que está acontecendo guria.
- Confusa ou não eu gostei - disse se aproximando da outra que deu alguns passos para trás até sentir a porta em contato com suas costas.
- Ana Clara não faz isso - disse num com a voz quase nula - Por favor.
Quanto de juízo alguém precisa ter para se controlar em uma situação como essa? Muito? Pouco? Quando os lábios se encontraram novamente a quantidade de juízo que Luísa tinha já não importava. Tudo caiu por terra, o discurso ensaiado sobre ética e o fato daquilo ser apenas uma grande confusão. A mão foi quase que instantaneamente parar na cintura da modelo e o simples toque dos lábios se intensificou fazendo Ana Clara passar os braços pelo pescoço da outra, tão próximas que a agulha mais fina não seria capaz de passar no meio das duas. A segurança fez um pouco de força para sair do contato com a porta, o que fez com que as duas andassem aos beijos e acabassem batendo numa pequena e antiga escrivaninha. Com o baque a modelo acabou mordendo meio que sem quer o lábios inferior da outra, causando um leve gemido na mesma. As mãos da segurança que até então segurança firme a cintura fina passou a ter vida própria e deslizou agora por debaixo da fina regata branca que a outra usava. Ana Clara sentiu o corpo inteiro arrepiar com o contato das mãos quentes em sua pele, separou as bocas e finalmente abriu os olhos para encontrar em sua frente os olhos azuis quase que negros de tão dilatadas que as pupilas se encontravam. Colou as bocas novamente e deixou a mãos entraram nos cabelos negros enquanto passava as unhas pelo pescoço tatuado. Luísa por sua vez já sabia o que aconteceria se ela continuassem se beijando naquele forma, mas sabe o juízo? Ele não existia mais! Tirou um das mãos de dentro da blusa para subir pelo corpo até encontrar o pescoço da outra, quando finalmente chegou na nuca, puxou levemente os cabelos fazendo o pescoço ficar totalmente exposto. Ana Clara gem*u assim que sentiu a boca quente encostar naquela região, se alguma vez na vida havia sentido tanto desejo quanto naquele momento ela não lembrava. A umidade entre as pernas denunciava o quanto queria que aquilo proceguisse, sentiu as mãos mais experientes tirarem a jaqueta que foi jogada em qualquer canto do quarto. Suas mãos se tornaram curiosas e passaram a explorar o corpo tatuado, deslizava pelas costa, braços até tomar coragem de chegar na bunda. Lembrou da gaúcha de biquíni na praia, e essa lembrança vez seu íntimo contrair com tanta força que a própria se assustou, aquilo era um sinal mais que claro que seu corpo queria muito muito mais.
- Vem cá - disse com a voz ofegante acabando com o contato e puxando a mais velha para cama perto da cama.
- Você tem certeza? - Perguntou com a voz rouca de tanto tesão que sentia.
- Aham - só foi preciso dizer isso para a gaúcha se sentar na cama e puxa-la para seu colo.
Voltaram a se beijar com tamanha fome que os lábios já começam a dar sinais de inchaço. A segurança deslizava as mãos pelas pernas que se encontraram uma de cada lado das suas, subiu mais alguns centimetros até encontrar a bunda coberta pelo curto short jeans. Apertou e fez a outra suspirar entre o beijo. Deslizou a mão pelo corpo até parar nos seios, apertou levemente e sobre a regata preta. Interrompeu o beijo pois agora sentia a necessidade de sua língua saboriar outra parte daquele corpo. Abaixou o tecido que cobria os seios o suficiente para um dos mamilos ficar exposto e em menos de um segundo estava com sua boca nele, sugando e passando a língua quente no bico já rígido, perminiu olhar para cima e se deparar com a menina mais nova com a boca entre aberta gem*ndo baixinho e jogando a cabeça para trás. Quando a segurança decidiu retirar o que restava de tecido, escutou o barulho das antigas tábuas de madeira no chão do corredor.
- Ana Clara? - escutaram uma voz um pouco distante ainda.
- Ham? - a modelo abriu os olhos assustada e confusa - Puta que Pariu - levantou do colo da outra tão rápido que quase caiu.
- Droga... quem é? - a gaúcha pergunto
- Minha prima, mas que merd* - ajeitava a blusa rapidamente enquanto procurava o casaco pelo quarto - O que a gente faz? Pera... fica aqui!
Ana Clara saiu do quarto e deu de cara com Carolina pronta pra bater, fechou rapidamente a porta atrás de si.
- Oi Kerol, me chamou?
- Tava te procurando... Bernardo e Vovô acabaram de conversar comigo, já tá sabendo?
- Sim - disse meio aeria.
- Cê tá bem? Tá toda vermelha, suada... e estranha.
- EU?! Deve ser de raiva - tentou mudar de assunto - Não acredito que nossa viagem em família não vai rolar.
- Vamos conversar? - pergunto e colocou a mão na maçaneta da porta e escutou um grito da outra.
- NÃAAO - a reação foi maior que a própria esperava - Quer dizer vamu conversar sim.... Mas vamos pra cozinha? Tô cheia de fome.
- Eu quero novidade né?
Na cozinha a cabeça da modelo estava longe, escutava as palavras da mais nova, consegui entender mas raramente respondia. É como se todos seus sentidos estivessem bagunçados, talvez um ou outro ainda estivesse preso no quarto. A lembrança de minutos atrás atingiu com força, trazendo junto uma pergunta "E agora?".
Fim do capítulo
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