Capitulo 7--medo de sonhar
* LEX *
Que idiotice a minha..procurar aquela..loirinha para o quê??!
“você gosta de mim?”
Poderia ter qualquer uma,qualquer uma neste mundo e é ela quem me perturba??!sabia disso quando coloquei Alice aos meus pés totalmente sedenta por mim e logo depois tirar apenas um cheque de cinco mil dólares da carteira e entregar a ela com sua demissão.Alice sequer reclamou e aquela loirinha com raiva porque a beijei.
Por que não me sentia bem com isso?
Eu tinha o cheiro da Alice no corpo,o perfume de uma trans* ardente mas Claire,o seu cheiro em mim ainda era uma incógnita.um perfume diferente e indescifravel.um cheiro que me excitava e me atraia e me fazia inspirar tão profundo como se faltasse o ar. Eu não necessitava viciadamente desse perfume mas assim que parti fiquei tentando manter-lo em minha mente,lembrando do que senti ao tocar Claire.
O que estava acontecendo comigo??
Cheguei em casa e me deparei com Caio,meu empregado já na recepção pronto para me interrogar.ele tinha aquele olhar fixo a mim e o semblante vazio.passei por ele em silencio mas eu sabia o que me vinha pela frente.
Me sentei no sofá cansada e já escutei seus passos a me seguir.
--O que você quer Caio?--perguntei sem mover meu olhar a ele enquanto depositava minhas chaves e bolsa na mesinha próximo a porta.
--Eu só queria saber do porquê a senhora não estar precisando dos meus serviços como motorista essa semana.—perguntou ele.
--Por que eu não quero!justifica??—virei a ele furiosa mas eu não podia fazer nada estando com tanta raiva da Claire.
--Sim mas...
--Não contratei você para ser meu cão guia e muito menos se importar com o que faço ou deixo de fazer!
-–...foi ver ela?--ate agora eu estava evitando encara-lo e toda sua pose de durão com aquela barba volumosa mas sim mostrei a ele minha surpresa pelo certeiro palpite.
O olhei surpreendida e odiava ter sido tão idiota para no caso a resposta daquela pergunta fosse sim.
por que eu fui ver ela??!tinha acabado de trans*r com uma menina e meus desejos tinham sidos suprimidos mas assim que a toquei,isso só podia ser loucura da minha cabeça.eu não tinha ido ate ela para falar de Elizabeth mesmo usando esta desculpa e nem morta diria a verdade para aquele curioso.
--Tive que convencer-la a ajudar Elizabeth com a cirurgia.—respondi ele e que ótimo estava começando a mentir para mim mesma.
--E teve que fazer isto quantas vezes??--o encarei surpresa.o que era aquilo??
--Do que esta falando??
--Tenho o controle de todos os rastreadores de seus carros Lex e eu não vejo o porque um deles ir ate a casa de Claire tantas vezes esses dias.mas agora entendi.(rs)--ele tinha me pegado..de fato eu tive que criar coragem para finalmente bater naquela porta e isso estava se estendendo desde a internação de Elizabeth.--estava stalkeando ela??—perguntou ele simplesmente e tive que esconder minha cara culpada entrando mais na sala.
--Elizabeth é uma pessoa importante caso tenha esquecido e Claire não é ninguém.uma garota qualquer do subúrbio.acha mesmo que o interesse de Claire é apenas um trabalhinho de faculdade idiota??eu tinha que saber se ela era confiável.
--Lex..você nunca se preocupou com sua mãe..sinto muito em dizer isto mas é a verdade.só se um milagre tenha acontecido.
--Claro que não!
--Diga logo,você gosta dela não é??
--Não diga tolices!!
--Você sequer percebe isso!
--Eu somente te digo uma coisa Caio,continue me chateando..que vai voltar a morar na sarjeta!
--Qual é?podemos ser como Alex e Miguel...se quiser.você pode se abrir comigo.(rs) arrisco ate algumas palavras em portunhol.--ele estava adorando me ver confusa.estava se divertindo.mas eu tinha algo guardado pra ele.
Deixei a sala já não aguentando mais aquela ladainha.
por que ele achava isso se eu não achava?!amar era um sentimento que não existia em mim.porque francamente eu sequer o conhecia.era apenas minha vontade insana de corromper tudo que é puro e inocente tomando conta do meu ser para tudo que me atraia.
Eu tinha que acreditar nisso.
Em minhas mãos eu ainda tinha o livro que ela havia me dado.o pequeno principe.que garota infantil.
O joguei sobre minha cama e fui tomar uma ducha.eu precisava.nem o cheiro dela eu queria mais no meu corpo.
Ele me mudava.
por que tudo sobre ela é tão confuso pra mim??!!essa necessidade de estar com ela, de vigiá-la em cada movimento ou saber exatamente com quem ela esta me tortura com essa dor em meu coração??
Ela é tão estranha,indiferente,tola,por que logo ela!!??soquei o espelho do banheiro ao deixar o box e vi o estado que ficou minha mão.
o sangue que corria dos cortes em meus dedos pingava dentro da pia cheia de cacos de vidro.aquilo me lembrava tudo em minha infância.momentos que apenas em meus piores pesadelos costumava rever,e por alguma maneira a presença dela os afastava.eu precisava de mais.precisava ocupar minha mente não só pelo dia mas a noite também..
Cuidei dos cortes em minha mão e a enfaixando com uma atadura procurei minha cama apenas.tinha sido um dia cansativo.nem fome eu tinha mas aquele livro ainda estava ali comigo.minha única companhia.
Adormeci.
A noite era sempre um dos momentos mais difíceis do meu dia.para mim sonhos alegres e relaxantes não existiam.tudo que minha mente fazia era voltar ao passado.voltar para o tempo que tudo era doloroso e cheio de nuvens negras sobre mim,e um dos sonhos mais recorrentes era o internato.
Os estalos,as caras feias das freiras sobre mim e os professores com seus sorrisos maliciosos.as visitas a diretora e a cozinheira.todos eles,todas as noites dizendo a mim e repetindo..
”sem medo não há respeito,sem dor não há postura,sem empenho não há perfeição.”
Escrevendo e copiando o mais rápido que podia sentia meus dedos arderem.
com as horas que seguiam enquanto copiava as regras do colégio escuto o forte estalo da régua de madeira sobre minha mesa.meu corpo estremesse.
Eu estava sonhando??
Minha atenção subitamente se ergue a velha professora,Lucia.uma freira rabugenta de cabelos negros que me puxou a mão e aplicou uma batida forte com a régua de madeira.uma,duas,três vezes ela repetiu.a marca vermelha ardeu mas não era o bastante para ela mas era muito para minha pequenina mão.
Ela me segurou pelo uniforme e me virou quase esfregando meu rosto no meu próprio caderno.
o que eu havia feito??
--Sabe o que fez de errado senhorita Ross??!!--perguntara ela e minha voz sumiu.--você erra demais!!sua folha esta cheia de palavras rasuradas e aqui erros como estes não são permitidos senhorita Ross!!vai copiar dez mais outras vezes!para aprender a não ser burra o suficiente para errar novamente!
Assim eu fiz mas eu era apenas uma criança com meus quinze anos,uma novata nesse mundo que mal conhecia em sua verdadeira natureza.eu não sabia que o mal escondido em cada ser as vezes tirava a única coisa que nós seres bem entendidos tínhamos,nossa humanidade.
errei outras vezes.três para ser mais exato e cada vez mais minha mão em carne viva ficava.ela gostava de me bater.a pele ate já se soltava das marcas e eu me perguntava eu merecia tudo aquilo??
Eu deveria apenas fugir,sumir daquele lugar ao invés de chorar em meu quarto sozinha e no escuro com minha mão a queimar com os calos que a caneta fizera em meus dedos e com a palma a sangrar.eu deveria fugir mas para onde sendo que a única pessoa que deveria me ajudar era a mesma que me colocou neste inferno que ate em meus sonhos se infiltrava.
Acordei e a manhã viera com meu alivio.era apenas um sonho e por alguma razão segurava firme o livro de Claire.um de meus dedos estava dentro deste,intercalado entre duas paginas marcadas.eu não me lembrava de ter lido mas abri o livro e me deparei com uma frase:
“É bem mais difícil julgar a si mesmo do que os outros”
Por alguma razão me identifiquei com esta singela frase,pois era aquilo que me definia no momento.eu estava sentindo algo por Claire algo que não entendia e não podia nutrir,algo que era impossível pra mim com todas as minhas dores e traumas.para meu temor não era apenas sex* era algo mais.eu tinha que aceitar.
Fui ate ela apenas para machuca-la,para tentar esquecer minhas dores e meu ego quebrado sem me importar com o que ela sentiria.talvez eu gostasse de ver ela sofrer,da carinha triste que ela sempre me fazia,de ver ela aos meus pés com seu orgulho ferido.
--Esqueça ela Lex..apenas esqueça.--disse a mim mesma.
Me arrumei para trabalhar,um vestido preto,um salto e meus cabelos bem penteados e arrumados mas olhando pela minha janela vi que o dia estava nublado,pronto para desabar o mundo com o forte chuva que aquelas nuvens escuras sinalizavam.me certifiquei de pegar meu sobretudo e com tudo guardado em minha bolsa avistei o livro de Claire.eu tinha que devolver-lo.o coloquei dentro da bolsa e com tudo pronto segui ate a sala de jantar onde lá meu café da manha estava pronto.
--Espero que goste.--disse Caio retirando o avental.tive que exibir um breve sorriso no canto de minha boca.
Ver um homem tão grande e de aparência máscula como a de Caio retirando um avental de florzinhas rosas era algo que não tinha preço.
Os ovos e o bacon estavam no ponto,ele sabia como me fazer feliz.
--Por que eu??!--perguntou ele apoiando as mãos na bancada.
--Pensei que quisesse ser mais útil a mim quando se meteu ontem na minha vida.
--Me preocupo com você.
--(rs)--eu tinha mesmo que rir.
--Acha que não foi exagerada em dispensar a empregada?
--Não dispensei.ela esta de férias e você como já disse vai me servir.
--Quer que a leve para o Saint Ross??
--Não.fique e limpe a cozinha como um bom menino.quero que a deixe brilhando.(rs)
Terminei rápido e saindo segui para o hospital.no meio do caminho a chuva começou.ia ser um dia frio.
No banco traseiro reparei em um guarda chuva vermelho.meu guarda chuva.Caio tinha feito seu trabalho.
Não levei muito tempo para chegar e já no estacionamento vi o carro de Elizabeth.
O que ela queria??
Peguei meu guarda-chuva e caminhei ate o saguão.ali fui avisada pela recepcionista que ela já me esperava em meu escritório.
segui e no caminho fui surpreendida pela sorridente Alice.mais essa agora.
--Pensei que tivéssemos nos entendido Alice.--falei sem parar meus passos.
--Eu sei..você me demitiu.mas vim aqui pra te ver.--disse ela toda manhosa.como eu odiava as grudentas.
--Estou ocupada e você sabe que o hospital não é praça publica.saia.
Entrei no meu escritório deixando aquela carinha triste para trás.
--O que veio fazer aqui?--perguntei a figura calada que era Elizabeth sentada em uma das cadeiras de frente para minha mesa.
--Quero um novo medicamento...isso que você me deu não esta funcionando.—disse ela sorrindo.como as vezes ela se parecia com minha irma principalmente quando não levava nada a sério.
--Isso não são balinhas Elizabeth..--falei me sentando em minha cadeira e assim que virei meu olhar a ela percebi sua impaciência.
--Eu sei,eu sei.eu só quero algo que acabe com minhas tosses!!
--Seus pulmões estão podres!deveria ter pensando nisso antes de fumar seu primeiro cigarro.
--Com duas filhas problemáticas..fumar foi o vicio mais tranquilo que me apeguei!--ela estava nervosa ao falar.seu estresse estava elevado ate mesmo pra mim.era obvio que os remédios não estavam fazendo diferença alguma a não ser deixar-la mais ainda preocupada.
--Talvez não deva mais te dar remédio algum..
--Como assim??me quer morta??!
--Quero que pelo menos tente a cirurgia!
--Não foi você que acabara de dizer “seus pulmões estão podres!”
--Foi uma comparação.
-–...me diz quantas chances eu tenho de verdade com esta cirurgia??
--Minimas não vou mentir.
--(rs)..minimas..para no final você me quebrar novamente..não!sei que se entrar aqui não sairei tão cedo..e possivelmente nem viva.--desse jeito que ela falava parecia que eu era uma açogueira.
--Não comprei meu diploma se quer saber.
--E é a coisa que mais me orgulho vinda de você sua ingrata!por que não pode entender meu lado?!!
Antes de continuar com aquela conversa insana o celular dela tocou e na hora ela me cortou para atender-lo.tive que me calar.
--Oi!!(rs)--que animação era aquela?nem parecia que a poucos se queixava que ia morrer.--...Claro Claire.pode falar.eu não estou ocupada.--fixei meu olhar nela e seu sorriso já me dizia tudo,Elizabeth estava adorando me ver curiosa com o que Claire poderia estar falando.
ela estava fazendo aquilo só para me provocar.eu podia ver isso escrito na cara dela.
--Não tudo bem pode falar,eu estou sozinha.não há nenhuma Lex aqui (rs)--era só o que me faltava,era ela mesmo.minha mãe ate piscou pra mim.
--Não,não há.(rs) na verdade quero pedir-la para ir a minha casa.sinto sua falta.da ultima vez você mal ficou lá em casa.
O que ela queria com Claire???
--Que ótimo.ficarei feliz em receber-la amanha.(rs) depois das suas aulas??ok.(rs) vou esperar-la ansiosamente já que Beat me expulsou da minha própria sede.acredita?ela quer que eu me cuide.(rs)
Elizabeth era lamentável,tentar me fazer parar o meu serviço para escutar-la conversando com Claire??!era só o que me faltava.
--Ok..te vejo amanha..as duas?ok.--ela desligou e com a certeza de que tudo que eu precisava era ouvir aquilo Elizabeth me fitou.
--Ela vai tá lá em casa as duas da tarde..--cantarolou ela contente ate demais apoiando-se na minha mesa.
--E daí??--respondi sem dar a minima.
--Vocês...poderiam fazer um belo casal.não acha??
--Ahhgr não!--me ergui na hora com aquela ideia e por sorte disfarcei bem diante de Elizabeth a minha surpresa.ela pensava mesmo que eu e Claire seriamos um..belo casal??!
--Por que não??--perguntara ela.que mulher teimosa.
Busquei em meu gaveteiro de remédios alguns dos frascos que ela precisava.passei a estoca-los próximo a mim,pode?ela ia começar aquele papo chato de mãe casamenteira.
Vasculhei os medicamentos e logo achei o que ela precisava.
--Pega.--falei apressadamente.eu estava caindo na dela fácil!
--Por que não?!—perguntou ela teimosa voltando aquela historia.
--Ela..é estranha!
--Desajeitada.esse é o termo certo.
--Estranha!!
--(rs) não não é!ela é incrível.--disse ela ressaltando assim que se ergueu da cadeira e me encarou de frente.
--Estranha,desajeitada,ela é a garota mais desengonçada que já vi!agora..tentar me associar aquela lá (RS) é algo que nunca verá!--abri a porta esperando ela sair,tirei meu sobretudo e troquei pelo jaleco e sim ela não demonstrou surpresa e sorriu.
--...e aquele dia??--perguntou ela esperançosa.
--Que dia??
--Ela me contou Lex..sobre seu belo ato de gentileza.(rs) todos esses defeitos não te impediu de..francamente..eu tinha acabado de tentar me suicidar e você..dormiu com ela.
--Quem é você para me criticar??!perdera este direito no dia que me enfiou naquele internato.--sai tentando não me irritar mais do que já estava e ocupar a minha mente com problemas mais importantes mas Elizabeth e seus passos apressados me seguiram pelos corredores do hospital ate me esbarrar em Alice.ela ainda estava aqui??!!
--Lex..—disse ela voltando sua atenção a mim.
--Você ainda esta aqui??!—indaguei surpresa.
--Essa é mais uma??!--disse Elizabeth em minhas costas.
--O que?isso não te interessa Elizabeth!—retruquei.
--Sempre se envolvendo com qualquer uma..da licença.--ela simplesmente me passou e se pôs na frente da moça.--garota não percebeu??ela só te comeu..ela não vai casar com você.--na mesma hora vi o sorriso de Alice se fechar lentamente e ela ate um pouco chocada se afastar de nós e tomar seu rumo a saída.ela ficou constrangida mas era uma verdade incoveniente.por outro lado Elizabeth me ajudando a se livrar dela foi uma coisa intrigante.ela tinha sua maneira de me prender a atenção.--você é uma cafajeste.—voltou-se a mim minha mãe.--ilude as meninas com esse seu jeitinho de princesa educada e logo após você mostra quem realmente é.já pagou ela também??!!agora me diz,se Claire foi a primeira que não estava em seus planos,por ser uma garota tão diferente das outras como diz, por que a levou para a cama??porque daqui ate sua casa são minutos bem interessantes para se analisar bem uma pessoa.
--(rs) ela tinha que se queixar para a dona Elizabeth.claro que você É a pessoa mais certa do universo.
--Não se trata de mim Lex..e sim de você.
--Quer saber mesmo o porquê??(rs) porque eu quis..devo ter feito um favor a ela!
--É inacreditável..eu não te criei assim Lex.
--Exatamente..você não me criou!
Ela não tinha mais o que dizer.só ficou ali me encarando com aqueles olhos brilhantes.talvez pensando no que me tornou assim mas ela sabia.ela sabia.
ela sabia o quanto eu odiava aquele lugar e toda vez que me visitava,perdia a conta das vezes que implorei para que ela me levasse embora dali mas minha dor não era nada para ela.
ela apenas segurava meus braços doloridos e dizia..
“você tem que ficar aqui..você tem que ser forte,mais forte do que eu..”
Lembro disso toda vez que ela fala comigo.quando tenta ser algo que nunca foi.
depois de tudo que sofri,depois de tudo que passei eu sequer contei a ela o inferno verdadeiro que era aquele lugar.aquele maldito internato.
Não perdi meu tempo me comovendo e muito menos tentando consolar ela pois Elizabeth lá ficara no corredor me vendo partir e como sempre sem dizer uma palavra.
Fim do capítulo
Comentar este capítulo:
Sem comentários
Deixe seu comentário sobre a capitulo usando seu Facebook: