Boa noite meninas, mais um capitulo para vocês, espero que gostem do capitulo :)
Capitulo 9
P.o.v Valentina
Fui deixada sozinha e devido os efeitos do clorofórmio acabei adormecendo novamente, despertei com um balde de água fria em meu rosto, estava desorientada, sem saber ao certo onde me encontrava, percebi que não estava sozinha quando ouvi:
- Pronta para o que vem a seguir? - perguntou eufórico.
Mesmo com a baixa iluminação do local, percebi o brilho no seu olhar, que me fez gelar a espinha.
- Me solta logo.
- Nem sonhando!
O vi posicionando o celular em um determinado local, saiu me arrastando até uma corda que estava pendurada no teto, me amarrou de pé, até tentei sair, mas não conseguia. Ele estava com alguma coisa na mão, colocou na mão direita, quando consegui enxergar o que era o olhei assustada, era um soco inglês, eu sabia que algo de muito ruim iria acontecer comigo. Me preparei para o pior, a cada soco que levava, era um grito de dor que saia da minha boca, ele passou um tempo me batendo, senti meu corpo pesar e doer muito em alguns lugares. O Pedro Henrique se afastou, o vi mexendo no celular, uns dez minutos depois voltou para perto de mim.
- Achou que me esqueci de você? Vamos continuar nossa brincadeira.
Quando ele pegou o soco inglês, eu já sabia que viria outra sessão de tortura, fechei os olhos e respirei fundo, continuou a me socar, meu corpo estava sensível, então cada soco que ele dava doía mais, o covarde estava socando os mesmos lugares que tinha socado antes, o suor escorria em seu rosto, os socos foram diminuindo a intensidade até que cessaram.
Estava sem forças, a única coisa que me mantinha de pé era aquela corda amarrada em meus pulsos.
- Como você está Valentina?
- A sua sorte é que estou amarrada, ou então veria do que sou capaz.
- Quem você pensa que é para falar assim comigo, hein?
- Alguém que jamais ficará com você.
- É o que veremos.
Ele voltou a pegar o soco inglês e deu um soco em meu rosto, bateu tão forte que quase desmaiei, só parou de me bater quando me viu quase desacordada, saiu e me deixou lá, minha cabeça estava girando e estava sentindo muita dor no meu corpo, a minha sorte é que ele não acertou nenhum lugar que poderia me levar a morte, ao menos é o que eu acho.
P.o.v Andreia
Me troquei, lavei meu rosto que estava todo vermelho de chorar e saí de casa, coloquei os fones de ouvido e fui escutando música para abafar meus pensamentos, mas nem a música acalentou meu coração, o rosto da Valentina não saia de minha cabeça e vê-la toda machucada me feriu profundamente, a música preferida dela passou pela minha playlist e nessa hora as lagrimas não paravam de rolar, cheguei alguns minutinhos antes dos pais dela, fui ao banheiro lavar novamente o rosto, eu não queria que me vissem chorando, fui ao quarto onde a Tina esteve antes de ser sequestrada, e fiquei esperando por eles, os dois chegaram logo em seguida, ao me verem perceberam que alguma coisa não estava certa, foi a mãe dela quem perguntou:
- Onde está a minha menina? Ela devia estar aqui no quarto.
- Não sei nem por onde começar, mas vamos lá, antes de me encontrar com vocês dois recebi três vídeos de um número desconhecido com imagens da Tina sendo torturada, ela foi sequestrada pelo Pedro Henrique
- Me deixa ver esses vídeos, não posso acreditar que o Pedro Henrique faria algo desse tipo.
- Acho melhor que não os veja.
- Me mostra logo Andreia.
Peguei meu celular a contragosto e entreguei a eles, os dois passaram alguns minutos assistindo aos vídeos, ao terminarem de ver, a mãe dela me abraçou e choramos copiosamente, olhei de soslaio e vi o pai dela encostado na parede, deu para perceber que ele estava tão devastado quanto nós duas, limpei minhas lágrimas e falei:
- Precisamos fazer alguma coisa.
- Vamos sim, vamos denuncia-lo agora mesmo, fomos o caminho todo até a delegacia em silêncio, cada um em seus devaneios, chegando lá pedi para falar com o Roberto Borges, ele apareceu e nos levou a uma sala perguntando:
- Do que precisam?
- Viemos fazer uma denúncia.
- E quem querem denunciar?
- O Pedro Henrique
- E querem denuncia-lo pelo que?
- Pelo sequestro da Valentina.
- Você tem certeza que fará a denúncia? É uma acusação muito seria de se fazer.
- Tenho certeza sim, tenho provas de que foi ele que sequestrou a Valentina.
- E posso saber que provas são essas? - disse ele rudemente.
- Claro que pode.
Relatei tudo o que aconteceu desde que saí do quarto da Tina, quando ele escutou que eu tinha os vídeos da tortura e que no vídeo aparecia a imagem do Pedro Henrique, ficou branco feito papel, mas não demonstrou reação alguma, estranhei o comportamento dele, mas não disse nada, quando a cor voltou ao rosto dele conseguiu pronunciar:
- Me manda esses vídeos e os apague logo em seguida.
Estranhei o pedido feito por ele, estava distraída pensando nisso, quando percebi um porta retrato na mesa, qual não foi a minha surpresa ao me deparar com uma foto do Pedro Henrique ao lado do delegado, aquilo estava muito estranho, mas isso explicaria muita coisa, o fato do delegado sempre me tratar mal, dele querer que eu apague os vídeos, qual será o parentesco deles dois? Sua voz me trouxe de volta a realidade.
- Preciso de todas as informações.
Passei uma hora explicando todo o ocorrido e em seguida assinei os papéis, o delegado avisou que manteríamos contato e que qualquer novidade me avisaria.
Estranhei o comportamento dele, alguma coisa não estava batendo, mas não disse nada, nos despedimos e fomos para a minha casa, os pais de Tina me deixaram com a promessa de que encontraríamos sua filha o mais rápido possível.
Adentrei em casa e as lágrimas voltaram a molhar meu rosto, eu não podia acreditar que aquele babaca do Pedro Henrique tinha machucado a minha Tina novamente, mas ele se verá comigo ou eu não me chamo Andreia, de tanto chorar acabei adormecendo no sofá mesmo.
Percebi que estava no plano astral, pois eu vi a Ângela minha mentora me esperando, me aproximei dela e falei:
- Você estava certa, o Pedro Henrique sequestrou a Valentina, eu não imaginei que ele seria capaz de algo tão baixo.
- Eu te avisei que ele iria fazer algo para vocês.
- Eu sei, só não imaginei que ele fosse sequestrar a Valentina e que fizesse mal a ela.
- O Pedro Henrique não suporta a ideia da Valentina não querer nada com ele, fará de tudo para estragar a felicidade das duas.
- Tenho que encontrá-la antes que ele faça algo pior com ela.
- Eu sei que você está preocupada com a Valentina, mas precisa se acalmar, enquanto sua energia estiver inquieta não irá conseguir pensar com clareza para encontrá-la.
- Eu sei Ângela, mas vai dizer isso para o meu coração, estou sentindo um aperto no peito por estar longe dela, me sinto impotente diante dessa situação.
- Sei que não é fácil e que você quer ir atrás dela, mas precisa pensar antes de agir.
- Está bem irei agir com calma e cautela.
- Isso mesmo, não deixe o desespero tomar conta dos seus pensamentos.
- Obrigada pela conversa Ângela estou me sentindo bem mais calma.
- Não há de que, sempre que precisar saiba que estarei ao seu lado.
- Obrigada.
Acordei mais calma e com a mente mais tranquila, fui tomar um banho para relaxar, ainda me sentia um pouco tensa, liguei o rádio e entrei na banheira, fechei meus olhos e estava relembrando os momentos bons que passei com a Valentina, lembrei do dia que cabulamos aula para passarmos um tempo juntas, sorri com esse pensamento.
Flashback on
Eu estava na frente da escola esperando a Valentina aparecer, tinha preparado um dia especial para ela, não era nenhuma data especial, então tinha certeza que eu conseguiria surpreende-la, a vi chegar de carro, esperei a mãe dela ir embora para não dar nenhum problema, como estava de costas ela não percebeu a minha presença, a abracei por trás dizendo em seu ouvido:
- Topa fazer uma loucura comigo hoje?
- Claro que topo, mas o que está aprontando dona Andreia?
- Você verá.
Saímos sem que ninguém nos visse e eu fui guiando ela até o parque de diversões, sei que ela ama ir ao parque, mesmo eu não gostando muito, chegando lá eu a vi sorrir e só isso já valeu a pena, ela queria ir em todas as montanhas russas que tinha, mesmo morrendo de medo fui com ela em todas, a melhor parte era a recompensa que eu ganhava cada vez que ia em sua companhia a montanha russa, eu morro de medo de altura, a Valentina sabia disso e para me acalmar me beijava na saída de cada brinquedo que íamos, como teria aula de teatro, então só precisaríamos estar na frente da escola a noite, demos uma parada para almoçarmos, comemos um lanche dentro do parque mesmo, a levei ao túnel do amor, lá aproveitei o escurinho e a beijei, estava com vontade de beija-la, foi um beijo misturado de desejo, carinho, amor, queria mostrar para ela o quanto me fazia feliz, fomos várias vezes no túnel do amor, pude matar um pouquinho da saudade que estava dela, quando olhei no relógio já estava na hora de voltar, demos um último beijo antes de corrermos para a escola, chegamos em cima da hora, foi o tempo certinho de chegarmos e nos despedirmos, e a mãe dela chegou para busca-la.
Flashback off
Eu estava saindo do banho quando a campainha tocou e fui atender, coloquei meu roupão e fui até a porta, quando abri me deparei com a última pessoa que eu poderia esperar:
- Oi Andreia
- Mãe? O que está fazendo aqui?
- A Alice me ligou avisando o que aconteceu a Valentina, vim ver como você está.
- Sério? Você nunca aceitou o meu relacionamento com ela, por que agora resolveu vir aqui?
- Porque você é minha filha, quero te ver bem e sei que precisa de mim.
Eu ainda estava magoada com minha mãe, mas ela me conhece tão bem, assim que fechei a porta e a abracei apertado, chorei, deitei no colo dela, ela fez cafuné no meu cabelo da mesma forma que fazia quando eu era criança.
Uma semana já havia se passado e nada de ter notícias da Valentina, eu já estava preocupada, resolvi ir a delegacia para pressionar o delegado, antes de ir até lá liguei para a mãe da Valentina.
- Bom dia, Cecília. Estou indo a delegacia, gostaria de ir comigo?
- Claro, vou me trocar e passo aí para te buscar.
- Está bem.
- Como você está?
- Preocupada, faz uma semana que não temos notícias da Valentina e parece que aquele delegado não está nem tentando encontrá-la.
- Vamos até a delegacia descobrir o que está acontecendo, calma. Também estou preocupada, mas não podemos perder as esperanças.
- Tem razão, estou a sua espera. Até mais.
Aproveitei que ela ainda ia demorar um pouco e fui arrumar a casa, estava com a mente a mil, arrumar a casa sempre me acalmava, uma hora depois os pais dela estavam na frente da minha casa, fomos o caminho inteiro em silêncio, todos nós estávamos muito tensos, chegamos na frente da delegacia e respirei fundo, pois aquele delegado não me descia, algo me dizia que ele tinha algo a ver com o sequestro da Tina, nos dirigimos a recepção assim que chegamos:
- Bom dia, podemos falar com o delegado Roberto?
- Esperem um minuto, ele já vai falar com vocês.
O delegado nos fez esperar duas horas para nos atender, parecia até que não queria conversar conosco e que se demorasse cansaríamos e iríamos embora. Nem em sonho irei embora antes de falar com ele. O delegado apareceu e nos chamou, nos levou a uma sala e perguntou:
- O que fazem aqui?
- Queremos saber como está a questão do sequestro da Valentina.
- Eu disse que se tivesse alguma notícia ligaria para vocês.
- Já faz uma semana que ela está sumida, tem certeza que está tentando encontrá-la?
- Quer passar um dia presa por desacato a autoridade, senhorita?
Olhei de frente para ele, se acha que terei medo dele, está muito enganado, respirei fundo antes de responder.
- Não quero vossa senhoria magnânima - disse ironicamente para ele.
- Sinto muito, mas até agora não encontramos a Valentina, vocês têm a minha palavra de que se encontrá-la ligarei avisando.
- Está bem.
Estávamos indo embora quando percebi que estava sem a minha bolsa, por distração acabei esquecendo na sala onde conversei com o delegado, quando estava na frente da porta escutei o Roberto falando baixo, parecia estar ao telefone.
- Oi meu filho, você é idiota ou o que? Mandar os vídeos da tortura para a Andreia, isso é uma prova que pode te botar na cadeia.
Fiquei chocada com o que ouvi, o delegado é o pai do Pedro Henrique, agora está explicado o seu comportamento estranho, assim que o vi desligar o celular tive a ideia de gravar a conversa que teria agora com ele, adentrei na sala não me importando com o que ele iria dizer, assim que entrei fui logo dizendo:
- Que bonito hein, volto para pegar minha bolsa e descubro que você é pai do Pedro Henrique.
- E daí?
- E daí que eu escutei você falando ao telefone e falando com seu filho.
- O que escutou exatamente, posso saber? - disse ele enraivecido.
- Falando dos vídeos que eu mostrei para você, como pode passar a mão na cabeça do seu filho?
- Exatamente por isso, e quem irá acreditar em você que o Pedro Henrique sequestrou e a torturou essa tal moça que você procura?
- Mas é a verdade, não é mesmo?
Ele me olhou por alguns segundos antes de responder:
- É a verdade, mas você não tem como provar isso.
Sorri por dentro, a minha vontade era esfregar a confissão que ele fez em sua cara, mas precisava ser paciente e esperar o momento certo para agir.
- Irei provar que o Pedro Henrique sequestrou e machucou a Valentina.
- É o que veremos.
Saí apressada de lá e peguei o celular que estava gravando, pausei o áudio e fui atrás dos meus sogros.
- Oi, podemos ir?
- Claro, te deixamos em casa.
Fui para casa pensando em que atitude tomar depois de escutar tudo o que o delegado Roberto falou. Se ele acha que vou deixar ele e o filho saírem impunes dessa estão muito enganados, estava tão distraída que nem reparei que estava na frente de minha casa, me despedi dos pais de Tina e entrei em casa, peguei meu celular para ver as horas e passava das duas da manhã, estava exausta pelo dia que tive, mal deitei na cama e adormeci logo em seguida.
Fim do capítulo
Beijos da Pimentinha
Comentar este capítulo:
Sem comentários
Deixe seu comentário sobre a capitulo usando seu Facebook: