Capítulo 62

Capítulo 62

de Luana: as várias faces da Lua, por Ana Pizani

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No dia seguinte Luana acordou com uma gritaria às seis horas da manhã. Era um domingo chuvoso e frio e ela estava dormindo com Bruna e Gustavo em um colchão no chão no quarto de Bárbara.

           Luana reparou que era a voz do seu pai e de seu irmão mais novo que sobressaiam na discussão.

          Bruna também acordou e Luana disse que ela poderia voltar a dormir que iria ver o que estava acontecendo. Bruna não se levantou, mas todos ali, estavam acordados, prestando atenção no que estava acontecendo.

         _ Papai e Biel vivem brigando. _ disse uma Bárbara com voz cansada e sonolenta.

         Luana seguiu as vozes (o que não era difícil dada à altura das vozes) e foi parar no quarto de Gabriel.

         Sua mãe estava na sala de televisão e tremia enquanto tomava uma xícara de café.

         _ Calma, mãe. Eu vou ver o que está acontecendo. _ disse Luana preocupada com a sua mãe

          Luana entrou no quarto que estava com a porta aberta:

          _ O que está acontecendo aqui?_ Luana entrou no exato momento em que os dois pareciam a ponto de se atracarem.

           _ Nada, não, minha filha. Pode voltar a dormir tranqüila.

           _ Como? Vocês acordaram a vizinhança inteira com esses gritos. Vamos pai, diga o que levou o senhor e ao Gabriel a acordarem com tanta sede de briga a essa hora da manhã.

           _ Nada além da ignorância de papai, Luana, que você já conhece. _ disse Gabriel_ Papai cismou que eu o desafio o tempo todo, com as minhas opiniões.

         _ Ora, moleque, você precisa é de coro. Eu deveria ter te dado uns tapas quando ainda estava novo.

          _ Eu quero ir embora dessa cidade. Eu não suporto mais essa natureza controladora dele me dizendo que devo ou não fazer, me criticando o tempo todo, me comparando àquele burro do Bernardo.

         Seu Eduardo passou a mão no rosto nervoso, a ponto de perder o controle. Luana sabia o que deveria dizer:

         _ O que você quer Gabriel?

         _ Eu quero liberdade de poder fazer o que eu quero como eu quero, quando e onde eu quero. Eu quero que respeitem o meu espaço e me deixem quieto, sem críticas.

          _ Você quer viver das coisas que você escreve, certo? Você quer viver de arte?

           _ Sim, eu quero.

           Seu Eduardo riu criticamente à resposta do filho, enfurecendo Gabriel que gritou:

           _ Está vendo, ele ri de mim, ele ri!

           _ Deixa ele pra lá, olha, você precisa ser o melhor no que você faz para conseguir sobreviver das “belas-letras”. Precisa também se profissionalizar para se sustentar até conseguir uma carreira sólida de escritor. E você precisa ser independente para cobrar essa total liberdade que você quer, você concorda?

         _ Sim, mas eu não quero cursar uma faculdade que eu não goste.

          _ Que faculdade, Gabriel? Você vai precisar dar duro para conseguir entrar na faculdade não há essa opção de curso chato, porque não há nem um curso chato a sua espera. Você vai ter que correr atrás de tudo que você quer e tentar uma faculdade federal como eu.

           Gabriel parecia cair na real que todos pagam pelos seus sonhos e que sonhos só são realizados a base de muita luta.

           _ Olha, pai, se você quer ter uma relação legal com o seu filho precisa aceitá-lo como ele é e dar total apoio a ele. Se for dar certo, aí dependerão de n fatores.

         _ Eu só não quero ficar com as contas, eu sempre fico com as contas das bobagens dele.

         _ Pai, _ Luana pegou na mão do pai_ o que você acha de o Gabriel morar comigo?

          Seu Eduardo foi pego de surpresa. Gabriel foi pego de surpresa.

           _ Como... como assim filha?

          _ Eu o levo, arrumo um trabalho pra ele e o senhor não precisará acabar com a sua saúde com todas essas discussões.

           _ Mas... e os gastos, e a casa? Você mora numa casa de meninas.

          _ Eu me arranjo mais ele. Por favor, se permita papai, um pouco de paz, o senhor e a mamãe merecem um pouco de descanso.

          Seu Eduardo olhou e reparou o quanto Gabriel estava feliz com aquele convite e ali percebeu que um pouco de responsabilidade a seu filho seria bom para lhe mostrar o quanto é difícil se sustentar sem os cuidados de uma mãe zelosa e um pai que arca com tudo.

           _ Está bem, ele pode ir, mas qualquer problema que ele der, eu quero saber.

           Luana sorriu e abraçou o pai, depois abraçou Gabriel.

           Sim, ali Luana assumiria a maior de todas as suas responsabilidades.

Fim do capítulo

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