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  • Luana: as várias faces da Lua
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Luana: as várias faces da Lua por Ana Pizani

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Palavras: 1061
Acessos: 1288   |  Postado em: 09/01/2019

Capítulo 40

Luana chegou atrasada e encontrou um homem de meia idade sentado em sua cadeira. Estava bem vestido e parecia preocupado.

         _ Bom dia, senhor! Posso ajudá-lo de alguma forma?

          _ Você está 50 minutos atrasada, senhorita Luana.

          _ Me desculpe à ignorância, mas quem é o senhor?

          _ Sou o diretor da empresa e como você deve saber...

          _... O pai da Anabelle.

           _ Exatamente. Você deve imaginar o motivo de eu estar aqui, não é mesmo?

          _ Acho que não serei promovida, não é?

          _ Não. _ ele sorriu com um jeito todo dele de sorrir_ Você é bonita e pelo jeito engraçada. Não estranho a escolha da minha filha.

          Luana não soube o que falar. Havia algo a se falar?

          _ Bom, Luana, estive olhando a tua ficha na empresa e você é uma ótima profissional.

          _ É porque o senhor não falou com o meu superior.

          Ele sorriu novamente.

          _ Falei com ele sim, e ele me disse boas coisas a seu respeito. Disse até que era pontual.

           _ Um grande mentiroso.

          _ Sim, um velho e gordo mentiroso.

          Luana e ele riram. Após um pequeno silêncio, ele ficou novamente sério.

           _ Você é divertida, mas o assunto não é nada “alto astral”.

         Luana prestava atenção.

         _ Minha filha Anabelle é minha única filha mulher e eu tenho uma sede de protegê-la tão grande que a sufoquei a ponto de ela parar de conversar comigo, como você já deve saber.

          _ Sim, mas um momento. É melhor conversarmos em outro lugar, não? Aqui pode ter pessoas a escutar...

          _ Ah, sim, claro. Havia me esquecido de todas essas pessoas ao nosso redor. Estou passando uma barra que está me deixando desesperado e cego.

         _ Tudo bem.

         _ Seu chefe me liberou a sala dele antes de eu vir aqui.

         _ Então ele sabe.

         _ Sim e qualquer tratamento diferente me procure. _ e entregou um cartão com seus telefones e de sua assessoria para Luana.

         _ Obrigada.

         Foram para a sala e se sentaram. Ele continuou:

          _ Nunca dei muito certo com minha filha desde que ela se tornou adolescente e começou a me dar trabalho. Não aceitava críticas, saiu parecida comigo, e a situação piorou a tal ponto que eu e ela já não nos falamos. Ela é meu orgulho e será a minha sucessora nessa empresa já que meus outros filhos, não querem saber da empresa.

          _ Entendo.

         _ Eu sei que minha filha é lésbica e que ama você e sei que você não a quis.

         _ Não foi bem assim...

         _ Enfim, não tiro o seu direito e achei admirável da sua parte. Você poderia ter se aproximado dela por interesse, mas não o fez, o que me levou mais ainda a vim procurá-la. Você tem caráter e eu gosto disso.

         _ Obrigada.

         _ Você deve ter notado que minha filha não veio trabalhar.

          _ Sim, reparei.

         _ Tenho informantes e eles me passaram que ela não está sendo muito freqüente ao trabalho. Fiquei preocupado e procurei ir até a casa dela e lá chegando me deparei com uma casa mal arrumada, fedendo, com comida pra todo lado e muitas, muitas garrafas de bebida. Havia várias pessoas na casa e foram elas que abriram à porta para mim. Minha filha estava dormindo no chão do banheiro. Estava apenas de peças íntimas e parecia bêbada e... suja. E vou ser honesto não sei como lidar com essa situação. Ela não me ouve e nem suporta que eu abra a boca perto dela. A situação é degradante e preocupante.

           E o homem estremeceu. Luana o abraçou e ele se recompôs após chorar silenciosamente.

          _ Estou só com ela e não sei o que fazer. Coloquei todos para fora da casa, eram umas sete pessoas, e a coloquei na cama e enquanto ela dormia balbuciou o seu nome, tantas vezes que me convenceu a vir procurá-la. Sabia que vocês não tinham dado certo através da minha cunhada, muito amiga dela.

          _ Não tive nada com a filha do senhor. Ela se declarou, depois apareceu na minha casa, me tratou mal, foi embora, eu liguei para ela e ela me disse coisas horríveis. Então desisti de manter uma amizade. A última vez que a vi ela ainda parecia ofendida comigo, não sei, ela estava estranha. Não imaginava que estava bebendo álcool nem que estivesse sofrendo...

          _ Por amor. A culpa não é sua. Minha filha não consegue lidar muito bem com sentimentos, não se expressa direito, é parecida demais comigo até nisso, mais do que eu gostaria.

           _ E o senhor, presumo eu, quer que eu vá até lá e converse com ela.

           _ Sim, ela ainda está sobre forte segurança na casa dela. Ela está magra, abatida e você é a única pessoa que ela aceita falar. Por favor, me ajude, eu te peço como pai e como um homem que não sabe lidar com a própria filha.

          Luana sorriu:

          _ É claro, além do mais, sua filha é uma ótima pessoa, só é muito jovem, isso é uma fase, o senhor verá. Todos sempre estiveram aos pés dela, eu sou a primeira a lhe dizer um não e será bom ela aprender a receber alguns. Só não se afaste de novo, ela ama o senhor e o quer por perto, eu sinto isso.

          _ Você acha?

          _ Acho sim.

         _ Obrigado.  

         _ Não há de quê!  

         _ Você poderia ir lá à hora que quiser.

          _ Ok, vou até lá às seis horas da tarde, tudo bem?

          _ Você poderia faltar ao trabalho, não descontaria no seu salário.

           _ Jamais. Vida pessoal e vida profissional não se misturam. À noite irei até lá, fique tranqüilo.

          Ele sorriu.

          _ Está bem, então. Obrigado por tudo.

           _ Por nada.

         Se abraçaram e ele foi embora enquanto Luana ligava para Bruna para desmarcar o programinha de logo mais a noite.

Fim do capítulo


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