Capítulo 40
Luana chegou atrasada e encontrou um homem de meia idade sentado em sua cadeira. Estava bem vestido e parecia preocupado.
_ Bom dia, senhor! Posso ajudá-lo de alguma forma?
_ Você está 50 minutos atrasada, senhorita Luana.
_ Me desculpe à ignorância, mas quem é o senhor?
_ Sou o diretor da empresa e como você deve saber...
_... O pai da Anabelle.
_ Exatamente. Você deve imaginar o motivo de eu estar aqui, não é mesmo?
_ Acho que não serei promovida, não é?
_ Não. _ ele sorriu com um jeito todo dele de sorrir_ Você é bonita e pelo jeito engraçada. Não estranho a escolha da minha filha.
Luana não soube o que falar. Havia algo a se falar?
_ Bom, Luana, estive olhando a tua ficha na empresa e você é uma ótima profissional.
_ É porque o senhor não falou com o meu superior.
Ele sorriu novamente.
_ Falei com ele sim, e ele me disse boas coisas a seu respeito. Disse até que era pontual.
_ Um grande mentiroso.
_ Sim, um velho e gordo mentiroso.
Luana e ele riram. Após um pequeno silêncio, ele ficou novamente sério.
_ Você é divertida, mas o assunto não é nada “alto astral”.
Luana prestava atenção.
_ Minha filha Anabelle é minha única filha mulher e eu tenho uma sede de protegê-la tão grande que a sufoquei a ponto de ela parar de conversar comigo, como você já deve saber.
_ Sim, mas um momento. É melhor conversarmos em outro lugar, não? Aqui pode ter pessoas a escutar...
_ Ah, sim, claro. Havia me esquecido de todas essas pessoas ao nosso redor. Estou passando uma barra que está me deixando desesperado e cego.
_ Tudo bem.
_ Seu chefe me liberou a sala dele antes de eu vir aqui.
_ Então ele sabe.
_ Sim e qualquer tratamento diferente me procure. _ e entregou um cartão com seus telefones e de sua assessoria para Luana.
_ Obrigada.
Foram para a sala e se sentaram. Ele continuou:
_ Nunca dei muito certo com minha filha desde que ela se tornou adolescente e começou a me dar trabalho. Não aceitava críticas, saiu parecida comigo, e a situação piorou a tal ponto que eu e ela já não nos falamos. Ela é meu orgulho e será a minha sucessora nessa empresa já que meus outros filhos, não querem saber da empresa.
_ Entendo.
_ Eu sei que minha filha é lésbica e que ama você e sei que você não a quis.
_ Não foi bem assim...
_ Enfim, não tiro o seu direito e achei admirável da sua parte. Você poderia ter se aproximado dela por interesse, mas não o fez, o que me levou mais ainda a vim procurá-la. Você tem caráter e eu gosto disso.
_ Obrigada.
_ Você deve ter notado que minha filha não veio trabalhar.
_ Sim, reparei.
_ Tenho informantes e eles me passaram que ela não está sendo muito freqüente ao trabalho. Fiquei preocupado e procurei ir até a casa dela e lá chegando me deparei com uma casa mal arrumada, fedendo, com comida pra todo lado e muitas, muitas garrafas de bebida. Havia várias pessoas na casa e foram elas que abriram à porta para mim. Minha filha estava dormindo no chão do banheiro. Estava apenas de peças íntimas e parecia bêbada e... suja. E vou ser honesto não sei como lidar com essa situação. Ela não me ouve e nem suporta que eu abra a boca perto dela. A situação é degradante e preocupante.
E o homem estremeceu. Luana o abraçou e ele se recompôs após chorar silenciosamente.
_ Estou só com ela e não sei o que fazer. Coloquei todos para fora da casa, eram umas sete pessoas, e a coloquei na cama e enquanto ela dormia balbuciou o seu nome, tantas vezes que me convenceu a vir procurá-la. Sabia que vocês não tinham dado certo através da minha cunhada, muito amiga dela.
_ Não tive nada com a filha do senhor. Ela se declarou, depois apareceu na minha casa, me tratou mal, foi embora, eu liguei para ela e ela me disse coisas horríveis. Então desisti de manter uma amizade. A última vez que a vi ela ainda parecia ofendida comigo, não sei, ela estava estranha. Não imaginava que estava bebendo álcool nem que estivesse sofrendo...
_ Por amor. A culpa não é sua. Minha filha não consegue lidar muito bem com sentimentos, não se expressa direito, é parecida demais comigo até nisso, mais do que eu gostaria.
_ E o senhor, presumo eu, quer que eu vá até lá e converse com ela.
_ Sim, ela ainda está sobre forte segurança na casa dela. Ela está magra, abatida e você é a única pessoa que ela aceita falar. Por favor, me ajude, eu te peço como pai e como um homem que não sabe lidar com a própria filha.
Luana sorriu:
_ É claro, além do mais, sua filha é uma ótima pessoa, só é muito jovem, isso é uma fase, o senhor verá. Todos sempre estiveram aos pés dela, eu sou a primeira a lhe dizer um não e será bom ela aprender a receber alguns. Só não se afaste de novo, ela ama o senhor e o quer por perto, eu sinto isso.
_ Você acha?
_ Acho sim.
_ Obrigado.
_ Não há de quê!
_ Você poderia ir lá à hora que quiser.
_ Ok, vou até lá às seis horas da tarde, tudo bem?
_ Você poderia faltar ao trabalho, não descontaria no seu salário.
_ Jamais. Vida pessoal e vida profissional não se misturam. À noite irei até lá, fique tranqüilo.
Ele sorriu.
_ Está bem, então. Obrigado por tudo.
_ Por nada.
Se abraçaram e ele foi embora enquanto Luana ligava para Bruna para desmarcar o programinha de logo mais a noite.
Fim do capítulo
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