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Luana: as várias faces da Lua por Ana Pizani

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Palavras: 498
Acessos: 1248   |  Postado em: 09/01/2019

Capítulo 34

 Lisa estava encostada em uma mesa da floricultura, com o coração apertando no peito, sem saber por onde começar a fechar o comércio. Deus sabe o quanto amava as flores e plantas, porém nos últimos tempos não estava muito feliz com sua vida, com seu jeito nem com sua aparência. Sentia que tudo estava tão estranho! Sabia que estava bebendo demais, chorando demais, dormindo demais e esquecendo-se de seus compromissos. Não se sentia bem.

          Estava pensando em tudo isso quando sua avó chegou.

          _ Vó? A senhora aqui? E veio sozinha?Não pode vó, é perigoso!!

          _ Não se preocupe nem se incomode comigo, minha filha. Eu vim aqui para conversar com você e essa conversa não poderia acontecer lá em casa.

          Lisa já esperava ouvir um sermão, apesar de saber que sua avó não gostava de chamar a atenção das pessoas. Sabia que estava merecendo um puxão de orelha. Não estava sendo nem uma boa neta nem uma boa funcionária.

          _ Diga vó, o que é.

          _ Você sabe o que faz da sua vida, então não preciso falar que você tem bebido demais porque o problema e o fígado são seus, a responsabilidade é sua. Sei que anda diferente, chorando, anda calada, já não sai mais com seus amigos, acho que seus amigos já até desistiram de chamar você para sair. Porém minha querida, eu sei que isso é uma fase e que você está sofrendo de amor.

          _ Ah, vó, não me venha com suas histórias...

          _ Eu não tenho histórias dessa vez, eu queria tê-las, mas não tenho. Sou o que vocês chamam de heterossexual, e não sei como te aconselhar. Não tive muitos amores e não amei outro homem além do seu avô e você sabe disso. Os outros poucos que tive não passaram de paixonites. O coração é diferente. Ele é teimoso, não nos escuta, ele ama e pronto. O amor é universal, todos sentimos ou vamos sentir. E isso não muda pelo fato de você gostar de mulher ou homem. É amor, puro e simplesmente.

         _ Vó, acho legal isso tudo que você está dizendo, mas preciso fechar a floricultura.

          _ Olha, não vou tomar mais o seu tempo. Só quero que você não deixe que sua vida passe por você, feito uma folha carregada pelo vento. Se você ama aquela tal moça, lute por ela. Encher a cara e chorar é bom, mas não vai fazê-la voltar. Não se sinta presa a essa floricultura, você sabe que eu e seu avô passamos muito bem sem ela. Sei que você tem um dinheirinho guardado. Pegue-o e vá atrás dela. Enquanto você está aqui, ela deve está sendo rodeada de mulheres lindas e que a amam como você. Seja racional, você está se matando à toa. Vá atrás dela, não seja boba.

          Lisa não soube o que dizer. Apenas deixou que as lágrimas corressem pelo seu rosto enquanto sua avó a abraçava.

Fim do capítulo


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