Capítulo 1
Ella estava sentada no vão da janela enquanto observava a neve que caía lá fora. Véspera de Natal, era impossível não se lembrar dela. Larrissa. Só era mais forte no dia do aniversário dela! Tinha viajado pra passar o Natal com Lívia, sua amiga, em Nova York e ela estava terminando de se arrumar. Se serviu de um chocolate quente e se permitiu viajar nas suas memórias. Já tinha se passado mais de um ano que estavam separadas, e a verdade é que não havia nenhum motivo para que ela acreditasse que Lara voltaria um dia, ou pelo menos, que teriam uma nova chance. Mas era otimista, sempre fora. Mas a verdade, é que ouvia o seu coração. Sempre. E cada vez que cogitava esquecê-la de vez, o coração se revoltava e ela sentia que por alguma razão insana, elas poderiam sim ter um novo encontro.
- Um dólar por seus pensamentos.
Ella olhou na direção da amiga que entrava no aposento e sorriu:
- Não é justo, você provavelmente vai ganhar.
Lívia olhou pra ela como cara de resignada.
- Ain amiga, você sabe que eu não julgo né? Eu respeito o amor que você sente por ela. Eu não sei se entendo, mas respeito. Pelo menos você não deixa de se divertir, viajar e aproveitar os bons momentos. Pena que esteja fora do mercado, só isso.
- Você sabe que eu não me fechei Lívia, mas o que eu vivi com ela foi tão intenso, tão único, que todo o resto se torna superficial. E eu não gosto de nada raso. Mas não tenho vivido só de nãos.
- Eu sei amiga. Tomara que vocês possam ter uma chance um dia. Sem distância, mais maduras, quem sabe?
- É, quem sabe! (A simples possibilidade fazia Ella sorrir e aquecia seu coração, por mais brega e clichê que isso soasse, era a mais pura verdade). – Agora vamos encarar a neve e aproveitar nossa Natal!
A noite foi linda! Apesar de estar congelando, a animação das pessoas nas ruas, o sorriso estampado nas faces, as luzes de Natal, a neve que dava um toque mágino, tudo era contagiante. Foram patinar ou estava mais para praticar tombos ininterruptos, mas não importava, estavam felizes!
No caminho de volta para o hotel, esbarraram numa senhorinha cheia de pequenos mimos; Ella e Lívia pararam para comprar algo e ajudar a senhorinha.
Ella escolheu uma rena e Lívia escolheu uma bengala doce, àquela gulosa.
- Que moças lindas! E muito gentis também. Sabiam que a noite de hoje pode ser mágica? Me permite conceder um pedido? Como se chamam?
Ella e Lívia se olharam e resolveram entrar na brincadeira.
- Ok, senhora. Eu me chamo Ella e gostaria de pedir pra voltar em uma noite específica há pouco mais de um ano, onde perdi o meu amor.
Lívia morrendo de rir, complementou:
- E eu gostaria de pedir pra viver em uma realidade paralela, em que somos ainda mais felizes e essa minha amiga viva feliz, no presente, com o amor da vida dela!
A senhorinha sorriu, como se realmente fosse capaz de realizar desejos e nós continuamos nosso trajeto de volta ao hotel nos sentindo leves e felizes!
Ella acordou e olhou em volta procurando por Lívia. Estranhamente, estava sentindo calor. Provavelmente era o aquecedor. Olhou em volta e viu que não estava no hotel mais, mas sim no seu quarto. Provavelmente tinha bebido demais, pensou com seus botões. Aí se lembrou que nem bebia. Pegou o celular para ver que horas eram e já era quase 23 horas. Tinha um monte de mensagens e se assutou quando viu que eram de Lara. Fazia mais de um ano que não trocavam mensagens. Coçou a cabeça cada vez mais intrigada.
- Amor, cheguei. Já volto pra ficar um tempo contigo.
- Amor, será que você dormiu? Estranho. Tu raramente faz isso.
- Amor, cadê você? To começando a ficar preocupada.
- Amor, vou te ligar.
- Droga, onde você se meteu?
- Olaaaaaaaaaaa
- Oiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii
Ella ainda não entendia como, mas olhou a data e viu que tinha voltado exatamente na noite em que elas tinham terminado. Sentiu uma felicidade tão grande que ficou olhando para as mensagens, sem nem saber como responder. Já Lara viu que ela tinha lido as mensagens e recomeçou:
- Ahhhhh, finalmente! Tudo bem? Fiquei preocupada! Não vai me responder amor?
- O – Oi amor! Desculpa, acho que peguei no sono. Se eu te disser que nem eu entendi o que aconteceu, você acreditaria?
- Você está esquisita amor, tá tudo bem mesmo?
- Não sei, me diz você. Você ainda é a minha namorada? Ainda me ama e ainda quer ficar comigo?
- Que perguntas mais esquisita, sim pra todas as perguntas. Não estou entendendo o porquê dessas perguntas.
- Você sabe que não são tão absurdas assim. Nós estamos tendo muitos problemas e eu ando muito insegura e sendo chata às vezes.
- Sim, eu sei. Mas essa distância complica ainda mais as coisas. E eu tenho estado exausta. Com tudo.
- Eu sei amor! Eu sei. Engraçado, que parece que eu tive um pesado. Que a gente brigou e que você terminou tudo e a gente se perdeu completamente.
- Como assim?
- Sem comunicação entre nós, sem carinho, sem nada. Um período difícil. Eu passei pelo inferno e apesar de tudo, não consegui te esquecer. Imagino que da sua maneira, você também tenha passado.
- Você tem noção que está falando como se isso fosse real? Como se de fato, nós tívessemos nos separado?
- Eu sei que parece loucura, mas escuta uma história amor. – Narrei pra Lara tudo sobre a minha viagem à NY, a senhorinha, o pedido e etc. Nem eu sabia se estava sonhando agora ou antes.
- Ella, você não acredita que isso possa ser verdade né? Pelo amor de Deus, deixa de loucura!
- Amor, eu realmente não sei. Mas sei que estamos juntas e isso é o que importa. Se foi um milagre de Natal, magia ou sonho, pouco me importa, desde que estejamos juntas! Você é o amor da minha vida e eu não posso imaginar um mundo em que eu não possa dividir minha vida contigo!
- Posso te fazer uma pergunta? Se isso tivesse realmente acontecido, se você se machucou tanto nessa história, porque não desejou não ter me conhecido?
- Provavelmente isso tenha passado pela minha cabeça algumas vezes nos momentos de mágoa, e até raiva. Teoricamente você terminou porque disse que a gente não daria certo, mesmo a gente se amando tanto. Decidiu por mim também e isso não é justo. Machucou, mas respeitei sua decisão. E a resposta para sua pergunta é porque amo você, e isso não mudou, sendo esse tempo um sonho ou uma realidade.
- Te amo também amor! Agora vou dormir tá?
- Tá bom linda, beijinhos e durma bem!
- Beijinhos! Te amo!
- E eu a você, pra sempre!
Ella sorriu se sentindo nas nuvens. Se aquele futuro tinha acontecido de fato ou não, a única coisa que importava é que naquela noite, elas não tinham terminado. E tentaria fazer diferente, para que dessa vez, o pra sempre estivesse em suas vidas! Certo? Errado!
Algum tempo depois elas terminaram de novo. À distância, feridas e com um muro enorme entre elas. Muro erguido por Lara, muro que parecia impenetrável e que machucava. Mas de novo, escolhas devem ser respeitadas.
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Ella estava sentada no vão da janela enquanto observava a neve que caia lá fora. Véspera de Natal, era impossível não se lembrar dela. Larrissa. Só era mais forte no dia do aniversário dela! Tinha viajado pra passar o Natal com Lívia, sua amiga, em Nova York e ela estava terminando de se arrumar. Se serviu de um chocolate quente e se permitiu viajar nas suas memórias.[...]
- Um dólar pelos seus pensamentos.
Ia responder a Lívia, quando de repente, teve uma sensação de déjà vu. Olhou intrigada para a amiga:
- Por que está me olhando como se tivesse visto uma assombração?
- Sei lá, loucura da minha cabeça. E tu não acreditaria se eu contasse. Amiga, você se arrepende de coisas que fez? Tipo, uma briga no momento errado, uma cobrança desnecessária, uma sensação que se não tivesse dito ou feito àquilo as coisas poderiam ser diferentes?
Lívia sentou-se de frente pra ela, tentando entender. Conhecia bem demais sua amiga pra saber que nada daquilo era sem motivo ou sentido.
- Tá legal, o que está acontecendo? Ainda se fazendo cobranças absurdas por atitudes suas ou até o que você considera falta de atitudes na sua relação com a Lara? Amore, você talvez tenha errado, mas eram tantos complicadores. Você precisa ser gentil com você. E talvez, se não fosse naquela noite, talvez vocês ainda tivessem terminado.
- Eu sei disso. Eu finalmente entendi e aceitei que as coisas são como são. E que não dá pra mudar o passado porque sabemos que é impossível voltar no tempo. Simplesmente não dá. Eu imagino que ela tenha seguido a vida dela da melhor maneira possível, assim como eu segui a minha, embora ainda seja completamente apaixonada por ela. Engraçado, que foi no Natal que eu pela primeira vez falei um pouco mais abertamente como me sentia com relação a ela.
- Eu já disse e vou repetir, eu não te julgo e apoio sua decisão porque amor não se encontra em cada esquina. Então, se você acha que ela vale a tentativa, eu te apoio. E se der errado, eu vou estar aqui pra você. Eu e todas as outras, como sempre estivemos.
- Sim, ela é o amor da minha vida. Então, quando eu achar que é o momento certo, eu vou procurar por ela, se eu sentir o mesmo amor que eu sinto hoje, isso vai mover minhas ações. Se no meio do caminho, eu encontrar outra pessoa que me faça pensar e sentir diferente disso, aí minha decisão também será diferente. Só não posso ignorar o amor que eu sinto. Se não for recíproco e não tivermos uma nova chance, vida que segue. Muito obrigada por tudo amiga. Te amo!
Se abraçaram num abraço caloroso e cheio de cumplicidade.
- Agora, vamos logo porque a noite está só começando!
- Vamos! Deixa eu só pegar uma coisa, just in case.
De novo, a noite seguiu como um eterno déjà vu e a sensação que Ella tinha que já tinha mesmo vivido aquela noite era real. Estavam caminhando quando mais uma vez se depararam com a senhorinha. Ella sorriu e dessa vez estava preparada.
A mesma simpatia, a mesma carinha e os mesmos presentes escolhidos. Quando ela disse para fazerem um pedido, Ella tirou do bolso do casaco uma carta e olhando bem nos olhos da senhorinha, pediu:
- Se for pra ser, faça essa carta chegar às mãos de quem ela pertence!
- E eu quero um universo paralelo em que eu e minha amiga sejamos felizes com os nossos amores.
A senhorinha sorriu cúmplice, deu uma piscadela e elas seguiram abraçadas e sorridentes de volta para o hotel.
Em algum lugar do Brasil
Véspera de Natal
- Anda logoooo Lara, está perdendo toda a comida e eu sei que tu não vive sem comida!
- Idiota! – Gritou uma sorridente Lara para a prima. Já ia saindo do seu quarto quando avistou um envelope em cima da escrivaninha.
- Ueeeee, de onde isso saiu? - Provavelmente tinha chegado e tinham colocado em cima da escrivaninha.
Pegou o envelope e viu que era uma carta de Ella. Tinha um tempo que elas não se falavam. Aliás, nem sabia se queria ler aquela carta. Era passado e achava que ele deveria continuar assim, afinal, tinha sido sua decisão terminar e não achava que tinha escolhido errado, apesar de ter doído. Mas por algum motivo, aquela carta parecia exercer um certo fascínio sobre ela e resolveu abrí-la. Encostou a porta do quarto e sentou-se na cama:
“Oi amor! Que saudades! Sabe, eu pensei muito em te escrever essa carta, mas andaram acontecendo algumas coisas mágicas e eu resolvi arriscar. Sei que já faz um longo tempo que a gente se separou, mas eu sinto sua falta sempre! Sinto falta das nossas conversas, do seu beijo, do seu abraço, das suas bobeiras. Sinto falta do seu riso e dos seus olhos! Sinto falta do seu cheiro. Até do seu humor estranho e suas esquisitices e tosquices às vezes. E sabe do que mais eu sinto falta? Da sua mão na minha. Andando pela vida, eu sinto falta de você ao meu lado. Do seu toque. Sem suas mãos junto às minhas, parece que está sempre faltando algo sabe? Saudade de dormir e acordar com você. De te ouvir me dizendo que me ama e te abraçar e não querer nunca mais te soltar, como se aqui fosse o nosso lugar! Saudades de te mimar! Eu sei que errei contigo. Sei que nós erramos. Não existe culpados ou inocentes. Existe a gente fazendo merd*, porque somos humanas. Existe eu ainda te amando, cada dia mais. Existe eu criando um conto pra quem sabe, te dizer isso! Existe eu aceitando que passado é passado e não tem o que ser feito. Me perdoando e te perdoando! Eu espero que essa carta te encontre feliz! Não sei se você está com alguém ou não, isso também não me compete! E eu acredito, que nós precisamos viver nossas experiências. Isso não significa que eu tenha desistido de você. De nós! Enquando eu sentir amor e quando eu achar que é o momento certo, eu vou até você, e quem sabe te reconquistar ou talvez só te abraçar uma vez mais? Um abraço de reencontro ou de adeus definitivo. Só o tempo e nossos corações poderão dizer! Hoje, eu aproveito um pouco da magia de Natal pra te dizer que eu te amo e que você é o amor da minha vida Lara e que eu super acho que você vale a pena. Quem sabe após novas vivências, amuderecimento de ambas as partes, nós possamos nos dar uma segunda chance pra construirmos uma nova história e que dessa vez o pra sempre esteja de fato em nossas vidas? Amor ainda é o sentimento mais bonito e transformador que há. Por isso, eu venho até você, de coração aberto e sem medos e sem me sentir menor por isso, porque você é parte de quem eu sou hoje. Que você esteja bem, feliz e que seu Natal seja mágico! Que possamos nos reencontrar! Feliz Natal! Te amo!”
(No cantinho do quarto uma outra Lara tentava desvendar uma Lara teimosa que tentava esconder as emoções!)
Lara enxugou a lágrima que escorreu e ficou pensativa sem saber o que fazer. Quase caiu pra trás quando se deparou com uma cópia idêntica a si mesma. Ia gritar, mas a cópia foi mais rápida e pôs a mão em sua boca.
- Ok, eu sou você, mas em outra dimensão. Lá eu não sou tão teimosa e nem Ellla é tão complicada e nós estamos muito bem obrigada! Mas o peso da sua realidade está afetando a nossa, porque aparentemente existe uma brecha, que a idiota da Lívia causou quando falou de nós aqui nesse plano. Eu vou matar aquela criatura e você também. Você vai precisar ser menos cética e abrir a mente pra acreditar que a minha missão aqui é deixar vocês bem pra que eu e Ella continuemos felizes em nossa dimensão. E então, como você se sente com relação à Ella e a tudo o que ela disse?
- Oook, cara eu só posso estar muito doida. Isso não pode ser real. Eu realmente não sei o que dizer aqui.
- É simples: Você a ama ou não?
Se tem uma coisa que aprendi é que o amor não é simples. Exige entrega, escolhas, vontade de ficar! Vencer medos, ciúmes, inseguranças, distâncias, às vezes fisícas, outras emocionais e às vezes ambas! Ceder sem abrir mão de quem se é. Respeitar limites e reconhecer no outro o que não pode ser mudado. Amar é um exercício e uma escolha. Relacionamentos também. E eu escolhi respeitar o amor que sinto por aquela menina que a essa hora deve estar festando no Brasil! Mas me julguem, é Natal e eu acredito em magia! E quer magia mais bonita do que amar e ser amada? – Ella fechou seu diário, sorriu e foi pra cama com o coração em paz! No cantinho, uma última nota: Feliz Natal a todas!
Fim do capítulo
É isso. Se acharem que a história tem potencial, por favor, me deixem saber.
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Mille
Em: 26/12/2018
Olá
Gostei bastante.
Ella teve duas chances de viver com a Lara e infelizmente não consegui viver o amor como queria mesmo que os sentimentos ainda estejam presentes.
Resposta do autor:
Oi Mille!
Muito obrigada!
Há quem diga que amor não é tudo não é mesmo? Mas, talvez não tenha dado certo em sua segunda chance, porque não foi no momento certo e realmente, é bem complicado mudar àquilo que já passou. Obrigada por seu feedback!
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