— Samantha, já estou saindo. Não deixe a Katherine acordada até tarde e lembre-a de escovar os dentes, por favor.
— Pode deixar, chefe. E boa sorte lá com o senhor Fratielli.
— Vou precisar de muita paciência, mas agradeço. Até logo.
Dominique saiu para o compromisso com Leandro Fratielli carregando um desânimo visível. Só de imaginar que passaría horas ouvindo o homem elogiar a própria filha e tentar empurrá-la para cima dela já lhe embrulhava o estômago. No entanto, tratava-se de uma parceria comercial crucial para seus investimentos, então engoliu a contrariedade.
Ao chegar ao endereço requintado, uma recepcionista a conduziu até a mesa reservada no canto mais reservado do salão. O ambiente exibia sofisticação e poucas pessoas.
— Senhorita Foster, você consegue estar ainda mais deslumbrante do que na última vez em que nos vimos — cumprimentou-a o empresário.
— Senhor Fratielli, sempre um poço de cortesia.
— Ora, apenas constato fatos. Uma mulher da sua envergadura merece todos os elogios. A Gina sempre diz isso, e eu concordo plenamente. O que vai beber?
— Um uísque — pediu com firmeza. — Duplo.
— Poxa vida! Até nos gostos fortes vocês duas se parecem... Formariam um par e tanto.
Leandro abriu um sorriso largo e gesticulou para o garçom. Dominique revirou os olhos mentalmente, sabendo que aquela seria uma longa e penosa noite.
***
Enquanto isso, em outra parte da cidade...
— Amor, já que a viagem para a casa de sua mãe foi cancelada, o que acha de jantarmos fora hoje? — sugeriu Henry.
— Não sei, querido... Eu pretendia revisar alguns dossiês que trouxe do escritório — hesitou Lex.
— Poxa, Lex! Ultimamente você só pensa em trabalho e não me dedica tempo nenhum. Começo a achar que minha companhia já não te atrai — lamuriou-se o homem, fingindo uma mágoa calculada que tragou a boa-fé da loira.
— Desculpe, amor. Tem razão, preciso desacelerar e nos dar mais atenção. Se quer jantar fora, vamos.
— Tem certeza? Não precisa ir só para me agradar.
— Tenho sim. Fará bem para espairecermos — sorriu ela, conciliadora.
— Perfeito. Faço a reserva enquanto você se troca.
Minutos depois, Alexia reapareceu com os cabelos presos em um elegante coque frouxo, um vestido azul-escuro ajustado que desenhava suas curvas, sapatos de salto alto e uma maquiagem leve.
— Estonteante, como sempre — elogiou Henry, beijando-lhe a testa. — Vamos?
Ao chegarem diante da fachada do restaurante luxuoso, o semblante de Lex fechou-se num piscar de olhos. Ela detestava aquele tipo de estabelecimento frequentado por uma elite arrogante que usava o espaço apenas para ostentar status.
— Eu sei, eu sei — antecipou-se Henry ao notar o olhar dela. — Mas era o único lugar decente com vaga de última hora e eu queria privacidade para nós dois. Entenderei se preferir ir embora.
— Você deveria ter me avisado antes para eu escolher uma roupa mais adequada a este antro de exibidos... — suspirou, derrotada. — Mas já que estamos aqui e você diz que não está lotado, vamos entrar.
***
A poucos metros dali, Dominique quase perdia a sanidade. Leandro mantinha um monólogo incessante sobre a genialidade da filha.
A morena estava prestes a dar um trago em sua bebida quando um perfume floral delicado invadiu seu olfato. Ergueu os olhos na direção da entrada e flagrou Alexia Thompson, estonteante, caminhando de mãos dadas com um homem de sorriso presunçoso.
O casal recém-chegado acomodou-se em uma mesa a apenas três fileiras de distância. Henry puxou a cadeira para Lex, e, no exato instante em que ela se sentou, seus olhos cruzaram diretamente com os de Dominique.
Um calafrio percorreu a espinha da loira, que ficou atônita, incapaz de discernir se a executiva encarava a ela ou a Leandro, sentado exatamente na mesma linha de visão.
— Senhorita Foster... Dominique? Está me ouvindo? — chamou o empresário, percebendo a distração.
— Hã? Ah, mil perdões, senhor Fratielli. Estava apenas refletindo sobre o quanto a Gina cresceu e se tornou uma mulher interessante — improvisou a morena com um sorriso falso e impecável, vendo o rosto do homem iluminar-se de orgulho.
— Não imagina o quanto me alegra ouvir isso! — Leandro esticou a mão sobre a mesa, tateando e segurando a de Dominique. — Sabe que tenho por você um carinho imenso, quase paternal... Quem sabe um dia esses laços não se tornam ainda mais oficiais?
— Agradeço a estima, mas duvido que eu e a Gina déssemos certo morando sob o mesmo teto.
— Digo em termos de união familiar! Afinal, hoje em dia é raríssimo encontrar uma moça de família tão correta quanto minha filha — gabou-se o magnata, totalmente cego da realidade. Dominique conteve uma gargalhada ácida; se ele soubesse metade das peripécias da "menina exemplar", teria um ataque cardíaco fulminante.
— Sim, compreendo — limitou-se a responder.
Enquanto isso, na outra mesa, Alexia mal conseguia disfarçar o tormento ao ver Leandro segurando a mão da executiva com tanta intimidade, enquanto esta sorria. Ela virou o cálice de vinho de uma vez só.
— Lex, é impressão minha ou você está totalmente avoada hoje? — questionou Henry.
— O quê? Desculpe... O que disse?
— Você está muda desde que pisamos aqui. Se quiser ir embora, basta falar.
— Não, está tudo bem. É só... algo no meu olho que está incomodando. Vou ao toalete retocar a maquiagem e já volto.
Lex levantou-se apressada e refugiou-se no banheiro feminino. Diante do espelho iluminado, apoiou as mãos trêmulas na bancada de mármore e jogou água fria no rosto.
— Boa noite — sussurrou uma voz rouca e aveludada logo atrás dela, fazendo-a dar um salto de susto.
— Quer me matar do coração, garota?!
— Sou tão aterrorizante assim?
— Você sabe que não, eu só estava distraída.
— Pensei que estivesse na fazenda da sua mãe neste exato momento — alfinetou Dominique, abrindo a bolsa para retocar o batom.
— Pois é. Nem tudo sai como planejado. Aliás, confesso que achei que você odiasse homens em geral. Ou mentiu descaradamente quando disse que era lésbica?
Dominique soltou uma risada curta e debochada.
— Estou apenas cumprindo pautas estritamente comerciais, Doutora Thompson.
— Sei... Negócios muito íntimos, pelo visto — murmurou Lex, olhando para o próprio reflexo.
— Desde quando você desviou o hábito de olhar diretamente nos meus olhos para falar comigo? Isso é novidade.
— É que entrou um cisco maldito no meu olho.
— Deixe-me ver isso de perto — ordenou a morena, avançando sem pedir licença.
— Não precisa, já... — tentou recuar, mas era tarde demais.
Dominique colou seu corpo ao de Alexia, encurralando-a suavemente contra a bancada. Com uma delicadeza desconhecida, segurou o queixo da loira.
— Não estou enxergando corpo estranho algum, mas vou assoprar levemente só por precaução. Fique firme.
A respiração quente da morena roçou a bochecha de Lex, que fechou os olhos com força, sentindo o coração disparar descompassado contra as costelas.
— E então? Melhorou? — inquiriu Dominique, com a voz sussurrada a milímetros de sua boca.
— Sim... Obrigada — respondeu a loira, sentindo as pernas bambas.
Alexia tentou dar um passo para o lado, mas os braços da executiva apoiaram-se na pia, bloqueando qualquer rota de fuga.
— Quanto à sua dúvida de mais cedo... — continuou Dominique, inclinando-se um pouco mais. — Eu não estava blefando. Gosto genuinamente de mulheres. Mas pode ficar tranquila, doutora: eu não mordo... a não ser que me peçam com bastante carinho. Agora, se me dá licença, tenho um contrato lucrativo para sacramentar.
A morena afastou-se com elegância, mas, antes de empurrar a porta de saída, virou-se por cima do ombro com um sorriso enigmático:
— Ah, e tome cuidado. Seu noivo ali fora tem uma cara de tacho ciumento; ele pode surtar se te vir secando o senhor Fratielli com tanta intensidade.
Dito isso, sumiu corredor adentro.
Lex ficou estática, piscando sem acreditar. "E quem disse que era para aquele velho que eu estava olhando?", pensou, sacudindo a cabeça em seguida para afastar a loucura que aquela mulher insuportável insistia em instalar em sua mente.
Fim do capítulo

MaryLopes
20/11/2018 às 13:58
Boa tarde autora!
Esperando ansiosa o próximo Cap!! !!
Resposta do autor: Boa noite! Espero que goste dos próximos Bj
Thyane
15/11/2018 às 09:29
NayGomez
15/11/2018 às 01:10
As melhores coisas sempre tem que acontecer em um banheiro hahaha.
Resposta do autor: É verdade rsrs