Capítulo 72

Capítulo 26 - Ela dá pra qualquer um! Maldita Geni!

de Por Acaso | A história de duas mulheres e seus acasos, por Poracaso

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- Você quer comentar o que eu disse? - perguntou Carol se referindo à fala dela sobre Solange.

- Acho que você fez a leitura correta da situação - respondeu Luísa, olhando diretamente para Carol.

- Então, quer dizer que você e Solange...

- Quer dizer que aconteceu o que nos permitimos que acontecesse.

- Isso quer dizer que...

- Quer dizer que foi tudo de comum acordo, respeitando os limites de cada uma.

- Lu, desculpa, mas eu posso perguntar se vocês ... - disse Carol se agitando na cadeira.

- Acho melhor você não perguntar, porque essa história é minha e dela, você não fazia mais parte da minha vida. Ao contrário da sua história, que é nossa, por mais que eu não queira. - Alfinetou Luísa.

- Você tem razão. - disse, baixando o olhar, encarando a taça de vinho. - Bom - disse Carol, olhando para o relógio - Duas da manhã, acho que tá na hora de ir pra casa.

- Você bebeu, Carol, não vou deixar sair assim.

- Posso deixar o carro aqui e pedir um Uber - disse.

- Carol, você cuidou de mim esse tempo todo, dormiu aqui todas essas noites, fica aqui.

Carol olhou para Luísa, controlando o sentimento que crescia dentro dela. Uma vontade de afastar quem queria o que um dia foi seu.

- Luísa, olha só - disse Carol se levantando e sentindo, imediatamente, os efeitos do vinho. - Acho melhor eu ir. - falou sentando novamente.

- Acha? Carol, você tomou uma garrafa e meia de vinho!

- Não, você também bebeu - falou contrariada.

- Tomei uma taça, o que pra mim também é bastante, mas você não tá nem conseguindo ficar de pé!

- Não quero ficar aqui, vou embora. Em cinco minutos tô em casa, não tem perigo. - falou se apoiando no sofá para levantar.

- Carol, vamos lá - falou Luísa, trazendo a outra de volta para o sofá e sentando ao seu lado. - Você está sendo infantil né? Porque tá com ciúmes, vai ter uma atitude irresponsável e se colocar em risco?

- E eu não posso sentir ciúmes?

- Pode, claro, se achar que deve, que tem motivo.

Parecia que os papéis tinham se invertido. Carol sem conseguir lidar com a insegurança, enquanto Luísa tentava trazê-la para o equilíbrio.

- E você acha que não tenho motivos?

- Eu não sou sua.

Era essa a frase para qual ela nunca esteve preparada.

Imediatamente, sentiu como se estivesse dentro de um barco em meio a uma grande tormenta. Jogada de um lado para o outro, o estômago embrulhado.

Vomitou.

Todo o conteúdo dela despejado, ali, no chão.

- Desculpe, vou limpar isso e ir embora. - falou atordoada e com as lágrimas já fora de controle.

- Carol, me faz um favor. Sobe, toma um banho e me espera no quarto, pode ser? - pediu Luísa.

- Eu vou embora. - disse Carol, levantando e se dirigindo com dificuldade para a porta.

- OK, é ir embora que você quer? Então vamos lá, vou te levar até a porta.

Luísa abriu a porta decidida, olhou pra Carol e disparou:

- Pronto, o elevador chegou. Vá!

Carol parou em frente à Luísa e a abraçou:

- Eu não quero ir embora. Por favor, me deixa ficar? - pediu chorando.

- Meu bem - disse Luísa, fechando a porta e envolvendo Carol com os braços. - Hora nenhuma coloquei você pra fora. Suba, tome um banho, enquanto eu organizo tudo aqui.

- Não, deixe que eu limpo.

- Carol, por favor, deixe eu cuidar de você. Sobe e faz o que eu estou pedindo.

Carol nunca tinha visto tanta firmeza na atitude de Luísa. Diante daquele comportamento, até então desconhecido pra ela, e do percentual alcoólico no qual se encontrava, só lhe restava obedecer.

Luísa subiu assim que escutou o chuveiro ser desligado.

Carol estava saindo do banheiro, enrolada na toalha, quando Luísa entrou no quarto e lhe entregou um pijama. Ela voltou ao banheiro e vomitou novamente. Luísa bateu na porta:

- Carol, deixa eu entrar.

- Não.

Luísa encostou a testa na porta e bufou, mas não insistiu, apenas desceu. Preparou um chá de boldo e subiu novamente.

Encontrou Carol escovando os dentes, já de pijama.

- Tá tudo bem?

- Está.

- Fiz um chá pra você.

- Obrigada. Vou descer para limpar as coisas.

- Já está tudo organizado. Vá pra cama e tome o chá devagarinho.

- Não estou com sono.

- Não precisa dormir, só deite, descanse.

- Você não vem?

- Vou tomar um banho e já chego.

- Tá bom.

Luísa estava acabando de se vestir, quando Carol bateu na porta:

- Lu, posso entrar? - pediu

- Pode, já acabei, tô só escovando os dent...

Carol entrou depressa e foi direto vomitar. Luísa, só teve tempo de largar a escova de dentes e segurar o cabelo dela.

- Eita, que esse vinho entrou errado, hein?! - observou Luísa.

- Acho que não foi o vinho não. - respondeu se encostando na parede e respirando profundamente.

- Será que foi o jantar? - perguntou

- Acho que foi a sobremesa. - disse.

- Não comemos sobremesa. Você está sendo irônica?

- Não, estou usando metáforas pra não ter que repetir o que ouvi. - disse Carol, bochechando água e cuspindo na pia.

- Você quer continuar essa conversa na cama? - propôs Luísa.

- Já entendi tudo. Não tenho nada pra conversar

- Então, vou pegar um remédio pra você.

- Não preciso de remédio.

- Olha, Carol, acho que a gente já passou dessa fase, né? Você vai tomar o remédio ou vai acabar desidratando. - sentenciou Luísa.

Carol engoliu o remédio com má vontade e se apressou em dizer:

- Eu só estava com ciúme. Não quis dizer que você era minha propriedade.

- Carol, você mesma disse que não queria conversar.

- Não quero, só precisava esclarecer.

- OK. Boa noite. Se precisar de alguma coisa, me chame.

Luísa já estava deitada embaixo do edredom, quando Carol retomou o assunto:

- Só acho que tenho direito de sentir ciúmes.

- Carol, vê só - disse Luísa, sentando impaciente na cama. - Se você quiser conversar, sem problemas, a gente faz isso. Agora, se for pra ficar nesse loop, eu vou te deixar falando sozinha, ok?

- Lu, eu tô com tanto medo - disse abraçando Luísa com força.

- Meu bem, vamos lá, do que você tá com medo? - perguntou Luísa, alisando as costas de Carol.

- De te perder pra sempre - disse ela soluçando.

- Carol...

- Eu sei, fui eu quem fez as escolhas, eu que te traí, eu que não te mereço, mas dói saber que você tem outra pessoa. - precipitou-se.

- Carol, eu não tenho outra pessoa e se tivesse, não diria respeito a você.

- Você não precisa falar assim comigo, eu já estou muito machucada.

- Meu bem - falou Luísa retomando a paciência. - nós não podemos controlar as pessoas.

- Eu não quero controlar você, eu só amo você - retrucou, com as lágrimas escorrendo.

- A gente está num momento de acomodação, analisando como as coisas vão ficar. Somos livres para tomar nossas decisões. Por que você está tão angustiada?

- Eu não sei viver sem você. Não quero ficar sem você. - disse Carol, correndo, em seguida, para vomitar no banheiro.

Luísa foi atrás dela.

Carol estava sentada no chão do banheiro, abraçada à bacia sanitária.

Ao ver Luísa, Carol disse:

- Não precisa ficar aqui. Eu tô bem.

- Carol - disse Luísa se ajoelhando ao seu lado. - eu vou ficar aqui com você até quando nós quisermos. Vou cuidar de você até ficar bem, porque eu quero. Vamos parar de nos machucar? A gente já chegou à conclusão que tem muito amor aqui dentro, só não sabemos se o nosso lugar é juntas. E, também, não acho que hoje é o dia ideal para descobrirmos isso. Você tá mal, bebeu demais, ouviu muita coisa, tá com os sentimentos à flor da pele. Vem pra cama comigo, amanhã, se você estiver melhor a gente continua essa conversa, o que você acha?

- Tá bom.

Luísa levantou, estendeu a mão para Carol e foram juntas até a cama. Luísa esperou Carol deitar, colocou o edredom por cima dela e ocupou seu espaço na cama. Carol adormeceu logo, com Luísa alisando seus cabelos.

Ela ainda ficou ali um tempo, vendo a outra dormir e pensando que, mesmo tendo dito que aquele não era o momento de discutir o futuro, ela já sabia o que queria, só não sabia se estava preparada.

 

 

Fim do capítulo

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Conversa

Comentários

7
M

mtereza

20/11/2018 às 22:56

Meu Deus que angústia esta dando essas duas

?

Membro

03/11/2018 às 22:22

É autora, me parece que verdadeiramente os papéis ficaram invertidos. So não sei se isso é bom pra carolzinha.

Vamos esperar pra ver!

S

Silvanna

24/10/2018 às 22:32

A própria Carol já sente na pele que dificilmmente conquistará o perdão, a confiança perdida estará sempre nas entrelinhas. O caminho é este mesmo que a Lu está trilhando, seguir e fazer escolhas e a carol fazer o mesmo, o sentimento está vivo entre elas, cada uma que avalie o que vale a pena.

Autora as leitoras estão impacientes e o apoio a Carol é justificável, afinal a Lu já ocupou o seu lugar em seus braços! 

 

P

patty-321

23/10/2018 às 00:49

Aí ai. Oh situação. Sofrimento demais ou ficam juntas ou separam de uma vez. Sofrer mais não rola.

C

Cleide

22/10/2018 às 16:08

Autora  sei q tu vai sorrir de me ,mas é  q já  estou com pena da carol.

Cara elas TÃO  só  se machucando com palavras;

Ai pensei q eu era ruimmm ,mais a LU  é  mais caram

Kkkkkkkkkkkkk 

L

LeticiaFed

22/10/2018 às 12:18

Ai,ai,ai, gezuize. Luisa finalmente se decidiu? Nem acredito...Ta preparada, sim, perdoa e fica com a Carol de vez. Parem de se machucar, ja fizeram bobagem que chegue, troco pra la e pra cá. Pode mandar o recadinho pra Luisa, por gentileza. Agradecida.

E

Elizaross

22/10/2018 às 11:00

aff, ainda tão nisso, jesssus qdo esse nó vai desatar!!??

Carol. filha segue a vida, e deixa essa Luisa de lado.

autora, acelera isso vai...

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