Privilégios
-O que foi aquilo no carro?
Chegamos em casa enquanto Yumi me enchia de perguntas, por fim não estava mais aguentando tanta falação.
-Estou apenas instruindo aquela garota, Cecilia possui potencial, satisfeita.
Estava de frente pra Yumi com os braços cruzados, enquanto seus olhos azuis me encaravam confusa.
-Eu sei que quer ajudar, mas não estávamos mais em seu estúdio.
Suspirei pesadamente enquanto subia as escadas pra ir pro quarto, ao fechar a porta encerrei o assunto impertinente, durante o banho pensava o quanto minha cabeça estava confusa, e que nenhum tipo de coisa assim me aconteceu antes, talvez fosse melhor fazer o meu trabalho a encaminha-la que tudo vai ficar normal outra vez.
-Diga por que a polícia está atrás de você!
Era raro ver o meu pai nervoso, mas as poucas vezes que presenciei sua fúria meu corpo todo estremecia.
-Calma querido, deixe a Cecilia falar.
-Sua mãe está uma fera, sabe o quanto ela detesta escândalos, e parece que agora você e o centro das atenções do bairro.
Minha madrasta se aproximou e me envolveu com seus braços me consolando, a essa hora meus olhos lacrimejavam e as lembranças daquele dia vieram átona de uma só vez.
Os risos os celulares apontados pra mim aqueles olhos debochados me filmando sem minha permissão, o chão gelado daquele banheiro. Não conseguia mais conter as lágrimas que rolavam quentes pelo meu rosto.
-Filha...
Meu pai se aproximou e nos sentamos minha madrasta de um lado e ele do outro, ambos não entendiam meu desespero, nesse momento eu queria sumir.
-Eu só preciso saber o que está acontecendo.
-Eu... Eu... Me filmaram nua no banheiro da escola.
-O quê! Quem fez isso ?
-Por favor meu amor está só piorando as coisas com esses seus gritos.
Eliana se levantou e caminhou até a cozinha, enquanto meu pai andava de um lado pro outro passando a mão nos poucos cabelos grisalhos que possuía, ao retornar minha madrasta me entregou um copo de água com açúcar.
-Beba vai se sentir melhor.
Bebia aos poucos enquanto brigava internamente com o meu corpo e mente, meu pai se sentou na poltrona de frente pra mim e com sua voz levemente calma começou a querer saber o motivo de tudo isso.
-Quem foi ?
-Não foi só uma pessoa... foram várias, armaram pra mim.
-Deus! Então foi por isso que você voltou.
Assenti com a cabeça escondendo de todos o mais profundo sentimento do porque está ali com eles.
-Eles querem que você volte pra responder algumas perguntas.
-Eu não vou voltar!
Levantei-me furiosa enquanto meu pai me olhava assustado com minha reação.
-Acalme-se filha, não vamos obriga-la a voltar.
Suas mãos pousaram em meu ombro e me trouxe pra um abraço aconchegante e seguro.
-Eu vou resolver isso, viajarei em breve.
Respirei mais aliviada e acabei espirando chamando a atenção dos dois que me olharam preocupados.
-Com toda essa confusão esquecemos que veio na chuva né, mocinha!
Tive que sorri minha madrasta e muito protetora, aproveitei pra subir e tomar um banho quente e deixar os dois conversando, depois do banho enquanto enxugava meus cabelos pensava em Amanda e em como ela estaria lidando com toda essa confusão.
Ao descer almoçamos em silêncio, se não fosse a voz da Eliana no ambiente parecia que alguém tinha falecido.
-Precisa de ajuda pra se matricular num dos colégios daqui?
-Ah sim obrigada, estou esperando apenas a diretora confirmar a minha transferência.
-Minha filha, sabe que amo ter sua presença aqui, mas ter fugido desta maneira não foi a melhor ideia.
-Eu sei pai, eu sei que o senhor me criou pra ser mais independente e encarar tudo de frente, só que... só que eu me sentia muito sozinha naquele lugar....
-Não precisa falar mais nada, a única coisa que a desgraçada da sua mãe fez de útil foi ter gerado você.
Suas mãos faziam um leve afago em minha bochecha, e aos poucos o clima durante o almoço foi mudando.
-Meu amor convidei meus pais pra virem passar um fim de semana conosco.
-Ah que bom meu amor, e um prazer sempre os receber.
-O que foi, não está com fome ?
A mão de Yumi envolvia a minha que estava gelada, estava dispersa durante o almoço e nem percebi que comi pouco.
-Só preocupada com o novo desfile.
-Sabe que sempre arrasa não há motivos pra ficar assim.
Suas mãos faziam milagres enquanto me massageava, estava tensa demais e aos poucos fui relaxando.
-Uma sauna mais tarde ?
-Como quiser meu amor.
Beijei suas mãos e por fim seus lábios, mais tarde ficamos assistindo um filme na televisão enquanto massageava seus pés.
-Sabe que minha mãe que vai cozinha né ?
-Claro que sei, a cozinha está à disposição dela.
Sorri minha sogra quando vinha me visitar amava cozinhar as comidas típicas de sua região, Yumi veio de uma família muito pobre e simples, o mínimo que podia fazer era acolhe-los em nossa casa.
A noite como prometido fomos pra sauna, estava sentada com Yumi em meu colo me beijando, por muitas vezes trans*vamos em meio aquele vapor de água, não demorou muito tempo pra sentir seus dedos habilidosos desatarem o laço do meu biquíni.
-Yumi... não quer ir pra um lugar mais aconchegante, por exemplo uma cama?
-Acha mesmo que vou aguentar chegar numa cama?
Riu da situação enquanto, tirava e jogava a parte de cima do biquíni e jogava em algum canto qualquer.
Sua boca macia preencheu meu seio e me fez gem*r tombando a cabeça pra trás, enquanto apertava com firmeza sua cintura escorregadia, aproveitei pra tirar o restante de tecido que cobria sua pele branquinha enquanto meus dedos desciam e subiam pelas suas costas, por fim fincando meus dedos em seus cabelos a trazendo pra mais perto do meu corpo.
Yumi montou em meus dedos enquanto sua boca mordia o lóbulo da minha orelha, sua voz rouca me deixava louca enquanto falava muitas obscenidades, aproveitava cada brecha pra estoca-la bem fundo e ouvi-la implorar por mais, mudamos de posição a coloquei deitada no banco enquanto meu corpo a abraçava e se aninhava no meio de suas pernas, o contato fez com que ambas gem*ssem ao mesmo tempo, tomando um ritmo único e frenético em nossa dancinha particular.
Eu não sei o que estava acontecendo comigo durante o sex*, queria cuidar da Yumi mais do que já fazia, mesmo sabendo a mulher safada que e na cama, deixo as fantasias os fetiches ao seu dispor apenas o cumpro com gosto, mas desta vez eram suas unhas a me arranharem e nãos as minhas, o pouco de força que fazia era pra lhe dá prazer ao extremo e me satisfazer com sua voz aveludada em meu ouvido e seus olhos brilhando no final de cada gozo.
Por fim deixamos a sauna e a levei no colo pro nosso quarto, ao chegarmos a coloquei na cama enquanto fui pro banheiro tomar um banho rápido, ao sair Yumi não se moveu um milimetro, sorri com o "poder" que ainda possuo.
No dia seguinte fomos pro estúdio, ao chegar caminhei direto pra sala aonde ficam os modelos testes, ao entrar todas estavam prontas me esperando.
-Bom dia a todas, será que desta vez vamos acertar!?
Ambas me olhavam apreensivas menos Cecilia que estava num canto perto da Priscila, Miguel entrou afoito na sala hoje era dia da pirâmide e havia me esquecido totalmente, me entregou a segunda remeça de fotos das modelos, ao pegar pedi pra ele se retirar.
-Façam o que fazem de melhor ou pior, desfilem.
Falava enquanto me sentava analisando foto por foto, algumas era boas outras nem tanto, o medo dos flashs era maior, enquanto analisava algumas fotos deixava de lado algumas, por último veio as fotos da Cecilia, hummm tive que concordar a dela era a melhor de todas, não estava enganada quando avistei chamas em seus olhos enquanto desfilava pra mim, aquela postura aquele olhar brilhante e indecifrável, aquele que de quero mais...
Me levantei e coloquei as fotos na pirâmide, enquanto caminhava com a supervisão da Bianca presente na sala, algumas vezes chegava a olhar pra Magnólia e no quanto estava muito bonita hoje, foi quando a porta se abriu e avistei Yumi entrando toda animada, passou por nos acenando enquanto se aproximava da esposa e a beijava, notei um certo descontentamento da Magnólia em beijar a esposa ali.
-Yumi sabe que não gosto de beijos assim na frente das modelos.
-Isso e pela noite de ontem.
Sussurrou em meu ouvido enquanto terminava de pôr as fotos no painel, coberto por um pano preto na frente.
-Por favor fique lá na frente.
-Está bem.
Depois de terminar chamei todas as modelos e pedi pra ficarem de frente pro painel, esse era um dos momentos únicos pra todas.
-Algumas se saíram bem, outras ainda teimam no mesmo erro, mas espero que isso sirva pra melhorarem, caso contrário estarei dispensando algumas.
Magnólia olhou pra mim e depois desviou os olhos puxando o pano preto ao seu lado, o silêncio era constrangedor e não compreendia porque a minha foto estava no topo.
-Por que a foto da novata está no topo, fala sério ela chegou esses dias aqui.
-Alexia já conversamos sobre isso, se de pôr agradecida que está em segundo lugar!
-Isso e muito injusto!
-Falou alguma coisa?
-Não não nada, e os prêmios.
Alexia estava com raiva pior raiva de mim, o que a Magnólia queria com tudo isso ? Já não basta toda essa confusão em minha vida.
-Pra terceiro lugar um fim de semana num hotel da cidade por conta da empresa.
-Segundo lugar compras nas melhores loja de Londres por conta da empresa.
-Primeiro lugar um fim de semana num Spa por conta da empresa também.
A voz da Magnólia saia arrastada e quase inaudível, por fim todas estavam liberadas, aproveitei pra sair primeiro.
-Alexia, preciso falar com você.
-Comigo?
-Qual e dessa Cecilia, me parece haver muita discórdia entre vocês.
Aprovei a deixa que Yumi estava desconfiada de algo e tratei de destilar o meu veneno.
-Eu não sei não, mas acredito que essa garota esteja querendo roubar o seu lugar!
-O quê! Você deve ter entendido mal, a Cecilia ela e a enteada da minha melhor amiga, sem chance.
-Se perguntou e porque está desconfiada.
-Não só acho estranho ela está em primeiro na lista.
-E muito estranho, mesmo.
Estava sentada num banco enquanto esperava minha madrasta vim me buscar, pois não estava me sentindo bem.
-Porque não espera lá dentro.
Sua voz me assustou, olhei pro lado Magnólia estava de pé segurando sua pasta e me olhando.
-Estou bem aqui.
-Não quero que minha modelo fique doente, falta poucas semanas pro próximo evento.
-Espero não está incluída nele.
Sua expressão mudou com minha resposta aparentemente deixando possessa, mas seu gesto me fez recuar um pouco, Magnólia se sentou ao meu lado no banco e me pareceu pensativa.
-Você tem potencial, possui uma presença que jamais vi em mulher alguma, agora não me faça perder meu tempo.
-Só quero que me trate como uma modelo normal, sem privilégios.
Ela riu e me fitou.
-Ouviu mesmo o que acabei de falar ?
-O mesmo vale pra senhora.
O silêncio se instalou o frio começava a me incomodar, ouvíamos apenas o balançar das arvores e seus olhos teimavam em permanecer juntos aos meus.
-Você e livre pra poder se expressar à sua maneira lá dentro, só preciso que continue com esse olhar.
Quando ia responder o carro parou na minha frente era minha madrasta buzinando, me levantei atordoada seguida de Magnólia.
-Vamos Cecilia se não vamos pegar uma chuva forte no caminho.
-Estou indo!
Virei-me pra olha-la e seus olhos acinzentados novamente se cruzaram com os meus.
-Eu entendi o recado, espero que a senhora cumpra o seu.
Ouvi mais duas buzinas e dei uma leve corrida até o carro, entrando e fechando a porta em seguida.
Fim do capítulo
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Cleide
Em: 20/10/2018
Eita q essa alexia é uma cobra.
Yumi não cai na dela NÃO
Resposta do autor:
Existe muitas pessoas como a Alexia no mundo infelizmente, potencial sabemos que ela possuí, mas o poder a torna cega e alheia as coisas importantes. Obrigada pelo comentário você e engraçada hehe
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