Capítulo 59

Capítulo 13 - solidão é lava, que cobre tudo

de Por Acaso | A história de duas mulheres e seus acasos, por Poracaso

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Quis abraçá-la forte quando vi que o almoço era comida japonesa. Não precisei, minha cara falou por mim.

- Ainda lembro seu prato preferido.

- Feliz por isso!

Almoçamos tranquilamente, sem que o assunto interrompido voltasse à tona. Melhor assim, naquele momento queria viver de amenidades.

Já era fim de tarde quando acabamos de lavar os pratos. Quanto mais a noite se aproximava, mais eu ficava inquieta sobre o que viria a seguir. Algo se alternava em mim, entre congelar o tempo para que pudéssemos ficar ali, nós duas, e coloca-la para fora dali e ficar só, onde ninguém pudesse me machucar.

Até que fui puxada dos meus pensamentos.

- Lu, como você está?

- Bem - respondi sem muita certeza de onde aquilo ia dar.

- Você quer que eu vá embora?

Senti meu corpo congelar e percebi que o sorriso apagou-se do meu rosto imediatamente. Era chegada a hora.

Não queria parecer fraca e pedir que ficasse, ao mesmo tempo não queria ficar sem a companhia dela.

- Tô bem, mas antes de ir, você pode me levar até o escritório para eu pegar o carro? - pedi, querendo mantê-la comigo um pouco mais.

- Claro!

Peguei meu carro, passei no supermercado pra comprar algumas coisas que amenizassem minha solidão num sábado à noite, e voltei para casa com uma massa, chocolate e chá, muito chá.

Cheguei em casa e tentei me entreter primeiro com um livro, depois com uma série e, por fim, com o trabalho. Estava finalizando uma peça e a primeira garrafa de chá, quando meu celular tocou.

Para quem tinha apostado num sábado tranquilo, parece que o jogo estava começando a virar.

- Alô?

- Dona Luísa? É seu Manuel, que toma conta aqui da casa da senhora.

- Oi, seu Manuel, algum problema?

- Na verdade, sim. É que um cano estourou na cozinha e a casa tá toda alagada. Eu já chamei o encanador do condomínio e fechei o registro geral. Ele tá vindo pra cá, mas preciso que a senhora venha também caso ele precise de algum material.

- Chego aí em 30 minutos seu Manoel.

- Pode vir com calma, eu vou ficar por aqui.

Tomei um banho, coloquei um jeans e uma camiseta e cheguei lá a tempo de quase dar um mergulho na cozinha.

Seu Manoel já tinha enxugado grande parte da água, mas ainda tentava expulsar o resto com o rodo.

O encanador estava com a cabeça embaixo do balcão quando entrei.

- Boa noite.

- Oi, dona Luísa, já tirei quase toda a água, só falta passar um pano na sala. Chico tá aí vendo o que pode fazer.

- Muito obrigada, Manoel. Chico, você já sabe o que aconteceu?

- Falta de uso, dona Luísa. O joelho que liga os dois canos ressecou a partiu. Dê uma olhadinha aqui.

Abaixei para conferir o estrago e o que senti foi uma grande quantidade de água me atingir direto no rosto. Fiquei ensopada. Quem tá na chuva, né? Mas o sacrifício valeu para dar uma olhada.

Estava segurando o cano enquanto Chico procurava um joelho novo em sua caixa de ferramentas, quando senti uma mão me puxando pela cintura.

- Desde quando você entende de cano, moça?

- Carol? - disse, surpresa. O que você está fazendo aqui?

- Seu Manoel deixou um recado. Assim que ouvi vim pra cá - respondeu.

- Desculpe, dona Carol, eu não consegui falar com a senhora aí liguei para dona Luisa - se explicou.

- A casa é nossa, Manoel, não tem porque se desculpar - disse ela - Chico, quanto tempo pra deixar isso aí em ordem?

- Mais uma hora e acabo aqui - previu ele.

- Lu, você jantou? - perguntou ela.

- Não.

- Vou pedir alguma coisa pra gente, então - falou. Chico e Manoel querem jantar com a gente?

- Não senhora, minha patroa tá me esperando pra jantar - adiantou-se Manoel.

- Eu já jantei, obrigado - renunciou Chico.

- Bom, então, o que você quer comer, Lu? - consultou ela.

- Qualquer coisa - falei, sem fazer nenhuma questão de decidir.

- Quer comida chinesa? - perguntou.

- Quero sim! - concordei.

Sentamos na mesa do jardim para jantar e conversamos tranquilamente, embora os assuntos não fossem assim tão amenos.

- Você pensa em voltar pra cá? - perguntou ela.

- Acho que essa casa é um projeto nosso. Não tenho planos nem coragem de tornar isso meu.

- Lu, precisamos decidir o que fazer. É caro manter isso aqui de pé. Estamos sustentando, cada uma, duas casas. Não quero te pressionar, mas acho que precisamos pensar no que faremos.

- Você tem razão.

 

Fim do capítulo

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Conversa

Comentários

4
P

patty-321

24/07/2018 às 20:18

Eu acho que aos poucos o coração da lu está sendo consertado, sim. É tempo de seguir em frente ou tentar novamente. bjs



Resposta do autor:

Concordo Patty. De um jeito ou de outro é preciso sair do lugar.

Foto de NovaAqui

NovaAqui

23/07/2018 às 20:07

Carol está tentando. Vamos ver se vai conseguir reconquistar seu amor. Está difícil, mas ela vai conseguir. Eu acho ;-)

Vamos lá Carol! Surpreenda Luísa com alguma coisa que vá deixá-la encantada. Uma viagem para o lugar dos sonhos. Um animal de estimação ou algo que ela queira muito.

Abraços fraternos procês aí!

 



Resposta do autor:

Vamos cruzar os dedos para Carol ter uma ideia que consiga aquecer o coração de Lu!

J

Jebsk

23/07/2018 às 17:16

Luiza está cedendo cada vez mais e isso é bom para ambas. Falta Carol investir em umas flores, chocolates, pelúcias ou uma surpresa incrível. Algo bem romântico. 



Resposta do autor:

Jebsk e NovaAqui, vocês podiam se juntar e dar uma ajudinha a Carol, né não? o que acham? #JebskeNovaAquijuntascomCarol.

M

Mello

23/07/2018 às 03:30

Contínuo achando que ela deveria dar uma chance para a Solange, pois apenas erros podem ser perdoados, e traição não  é um erro, é uma escolha.

"Uma das piores dores do mundo é obrigar a cabeça esquecer aquilo que o coração lembra a todo instante."



Resposta do autor:

Pois é, o problema ai é que o amor não é racional e o coração, vez por outra, bate mais forte por alguém que não é perfeito.

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