Alice. por Ablueautumn
4 semana
Você sabe que Alice é um nome de linhagem nobre? Pois bem, vamos falar sobre nobreza. Nobre eu fui, nobre eu sou. Você se lembra do como rompemos? Como cortamos a linha que nos unia, prendia, talvez sufocava. Aceita que não chegamos a ter um primeiro ou último beijo? Simplesmente acabou, mas não antes de começar. Nós havíamos começado a dezoito meses. Eu me odiei em um primeiro instante quando você apareceu e me decifrou sem pedir ajuda, sem pestanejar, abriu minhas portas e fez seu lar. Odiei sentir-me vulnerável. Amei, amei com todo meu coração, sentir-me amada, sentir-me casa, sentir-me pertencente a alguém. Você estava realmente longe, mas podia te sentir em todos os lugares que ia, quando saia com amigos, me lembro claramente de que cada risada que dava, pensava que se você estivesse presente naquele instante, eu riria mais, riríamos juntas. Amava nos imaginar em um parque de diversões, como duas crianças indo em todos os brinquedos, ou uma correndo atrás da outra em um piquenique no outono (nós amávamos o outono), e ria sozinha ao nos imaginar fazendo compras juntas. Você amava meu nome e eu amava você o dizendo repetidas vezes. Eu amava nós. Nós. Distantes, mas presentes. Amava o frio na barriga. Amava nossos planos. Amava você. E, ainda hoje, às vezes, procuro um culpado ou em que momento, que mínimo momento nós empurramos uma peça de dominó que derrubou tudo. Em que momento nos perdemos? Em que momento, eu, o seu poço de doçura, seu porto seguro, sua certeza, me desfiz? Em que momento, você, meu anjo, meu presente, minha certeza, se desfez? Em que momento, nós, amoras, nos desfizemos? Fui nobre quando te pedi pelo fim, quando aceitei que mais brigávamos que nos amávamos, aceitei que, ou o fim seria aquele momento, os segundos onde pensei "é a hora" ou nos destruiríamos. Hoje, depois oito anos eu não me lembro mais do que você me disse, sei que brigamos, sei que nos magoamos e em alguns momentos tentamos conversar, nos perdoar e brigamos mais. Eu não te perdoava por ter deixado que chagássemos a àqulele ponto. Não me perdoava pelo mesmo motivo. E agora tenho seu contato salvo e algumas vezes mandamos coisas aleatórias, conseguimos rir e não tocamos mais naquele assunto, poderia dizer que não existe mais qualquer sentimento por você em mim, visto que agora já existe outra pessoa, mas não tem o que dizer, se não houvesse nada, eu não teria essa necessidade de te escrever, de dizer que te perdoei e me perdoei. E que ainda hoje, quando estou nos lugares penso que, talvez, você também esteja e finalmente possamos ter um primeiro olhar, isso me bastaria.
Escrevi essa carta essa carta em casa e sai para caminhar na praia, o céu com essas cores lindas me trazem lembranças de nossas conversas. Alice amava o céu. Encontrei uma garrafa, enrolei a carta, a coloquei lá dentro. Deixei meu chinelo e entrei na água a jogando longe. Talvez as águas sejam capazes de levar isso a Alice, porque não tenho coragem e já perdi as contas de quantas joguei nesse mar imenso.
Fim do capítulo
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Cristiane Schwinden
Em: 28/05/2018
Bom fluxo de consciência, gostei muito!
Resposta do autor:
Obrigada!
RosanePatell
Em: 27/05/2018
Nossa! que carta linda! Me empresta, me vende ou me dá ela pra mim enviar para uma certa pessoa!!? rsrs
É por isso que amo literatura e também vocês, as autoras; precisamos de seu talento para expressar o que sentimos....! Parabéns!
Resposta do autor:
Oh meu bem, pode usar a vontade, viu?
????
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