Capítulo 1 - O Atropelamento de Bob.
A manhã de segunda-feira amanheceu calma, alguns estagiários até pediram uma folga, e Bruna concordou. De repente chega um caso que Bruna não estava acostumada a atender, um cão vira lata de uma moça tinha sido atropelado.
Maria Luiza chegou gritando com o cachorro nos braços:
-Doutora, doutora!!! Me ajude por favor!
Rapidamente chegou Bruna e se deparou com aquela cena horrível...
-Mariana me ajude aqui rápido!! Gritou Bruna já pegando o cachorro e levando ele e direção de Mari.
Mari correu com o cachorro nos braços para dentro do centro cirúrgico, e Bruna disse para a moça:
-Fique calma que vamos fazer de tudo para salvar seu cachorro.
-Por favor doutora, não deixe o Bob morrer, ele é tudo que tenho. Disse e suas lágrimas desciam.
-Vamos fazer de tudo, não se preocupe.
Na sala de cirurgia, Bruna e Mari se depararam com um cão com algumas costelas quebradas, 2 patas quebradas e possível hemorragia interna. Com muito esforço e com algumas limitações, como Bruna era especialista em grandes, conseguiram salvar o cachorro e o colocaram em observação.
-Caramba Bru, que loucura... Nunca tinha atendido um cachorro antes, e ainda conseguimos salvar ele, tô muito orgulhosa da gente.
-Pois é Mari, eu também nunca tinha atendido um cão antes, foi mesmo uma loucura. Mas ainda bem que conseguimos. Mas ainda tem o pós-operatório, temos que ficar de olhos abertos nele. Vou lá falar com a dona dele.
-Ok, vou dando uma olhada nele por aqui.
Bruna foi até a recepção, e viu a moça quieta num canto e ligando para alguém e pedindo alguma quantia, dizendo que não tinha dinheiro para pagar a cirurgia do Bob, e que não sabia o que fazer, e ouvindo tudo resolveu esperar a moça terminar de falar ao celular.
-Por favor mãe, me ajude. O Bob é tudo que tenho aqui, e não tenho nenhum dinheiro para pagar a cirurgia dele, não posso deixa-lo! Ia dizendo e contendo as lágrimas.
-Se vira com esse cachorro Maria Luiza, não mandei pegar vira-lata na rua e levar pra dentro de casa!
-Mas mãe, eu só quero uma pequena ajuda de vocês, por favor.
-Já te disse Maria Luiza, se vira!
-Quer saber mãe? Não preciso de ajuda nenhuma de vocês não, e não precisa mais mandar dinheiro pro aluguel do apartamento, vocês não precisam me dar mais dinheiro nenhum! Disse já irritada com sua mãe.
-Filha, também não é assim, nos ouç... E ouviu o telefone ser desligado na mesma hora.
-Não acredito que eles são assim, porque? Suas lágrimas caíam no seu celular.
Maria não acreditando no que acabara de ouvir, desabou em lágrimas. Pensando que não poderia pagar nada, e como iria fazer com seu amigo Bob, não poderia ficar sem ele.
Já tinha um tempo que Bruna ouvia a moça visivelmente abatida conversar com alguém, ouviu toda conversa e ficou reparando no quanto a moça era linda e sentiu algo que jamais sentiu dentro de si.
-Com licença moça, qual seu nome?
-Oi doutora, Maria Luiza. Como tá o Bob?
-Ele teve algumas costelas quebradas, quebrou 2 patas e teve uma pequena hemorragia interna, porém, fizemos o que estava ao nosso alcance e...
-Não doutora, por favor não! Maria Luiza chorou mais ainda, imaginando o pior.
-Calma moça, fizemos o que estava ao nosso alcance e conseguimos salvar a vida dele, ele está no pós-operatório agora, e acredito que tenhamos que ter mais cuidado com ele agora.
-Não acredito, ai meu Deus! Rapidamente Maria Luiza pulou em Bruna e a abraçou, Bruna não teve outra reação a não ser abraçar a moça também e sentiu coisas diferentes com aquele abraço.
-Tudo bem moça, ele está bem agora. Quase não conseguiu falar com Maria ainda abraçada a ela.
-Muito obrigada de verdade doutora, não sei nem como te agradecer. Mas eu preciso ver o preço que ficou tudo, e se pode dividir para mim. Maria disse já deixando o abraço da médica. Percebeu que sentiu algo estranho com aquele abraço, e gostou do que sentiu e sorriu.
Bruna se lembrou da conversa que a moça teve com a mãe no telefone, e ficou comovida. Resolveu então dar a cirurgia e o tratamento para Bob.
-Maria Luiza, não é? Então, a cirurgia do Bob e todo tratamento, vão ser por conta nossa, não precisa se preocupar com isso.
-Como assim doutora? Está dizendo que tudo que fizeram e vão fazer com o Bob, não irei precisar pagar nada? Não é justo com vocês, aqui nem é uma clínica de pequenos, doutora. Falou visivelmente alegre e pensativa ao mesmo tempo.
-Percebi que Bob é um cãozinho muito especial para você, e resolvi dar esse presente a você e a ele, o presente dele já demos, que foi salvar sua vida, e agora o presente para você será esse. Ficou feliz em falar essas palavras, porque viu a felicidade no olhar da moça.
Maria não teve nem reação a não ser chorar e abraçar a médica novamente, e percebeu de novo o mesmo sentimento estranho estando tão perto de Bruna.
-Bob só precisa ficar por aqui alguns dias, para ficarmos de olho nele, mais ou menos uns 15 dias só, e ele estará liberado para ir para casa. E pode ficar tranquila que eu mesma irei cuidar dele. Queremos ajudar, e vamos deixar o Bob bem. Não sabia se era certo, mas Bruna disse isso com muita alegria.
-Eu não tenho nem o que dizer doutora, muito obrigada mesmo, de verdade!
-Só preciso que deixe seu contato e endereço na recepção, para caso acontece algo ou quando liberarmos as visitas para Bob, tenhamos algum contato com você. Bruna sabia que esse era o procedimento padrão, mas disse aquilo de repente, e até estranhou quando falou.
Maria sentiu muita felicidade quando a médica disse aquelas palavras de que não precisava pagar nada. Sabia da sua situação financeira e que não teria condições de pagar o tratamento todo para Bob. E além do mais, ainda disse para sua mãe que não precisava mais mandar dinheiro pra ela, agora teria que pensar o que iria fazer, já que só estudava e não tinha emprego. Sua mãe não gostava de cachorros, e quando Maria pegou Bob, ela não concordou em nada, inclusive só mandava o dinheiro do aluguel, das contas e para algumas coisas da faculdade, para a filha. Maria Luiza tinha que pedir doações de ração e seu namorado Rafael também à ajudava com as despesas quando não tinha dinheiro. Rafael era um homem bom, com seus 23 anos já estava quase se formando em Engenharia Civil e já trabalhava em uma importante construtora da cidade.
-Doutora... Maria teve que se esticar pra ver o nome no jaleco da médica.
-Bruna. Disse a médica com um sorriso.
-Isso, Bruna. Deu um leve sorriso que a médica adorou.
-Eu sei que o tratamento irá ficar caro, eu ajudo no que for preciso aqui na clínica ou outro lugar. Faxina, cozinha, entregas de alguma coisa, eu tenho um carro, o que precisar eu faço doutora. O está fazendo e o que vai fazer pelo Bob é um gesto muito lindo, e eu sinto que preciso ajudar com alguma coisa.
-Bom Maria, quando disse que não precisava pagar a cirurgia de Bob, não pensei em nada disso. Porém, se é da sua vontade, passe aqui na clínica que conversaremos sobre isso.
-Eu sinto que tenho que ajudar doutora. Eu tenho aula as 7hrs da manhã, e acabando eu já venho pra cá. Maria falou já calma, porém com uma leve preocupação.
-Bom, primeiro pode me chamar só de Bruna. Sorriu.
-Estuda na UFMT? Qual curso? Perguntou Bruna com muita curiosidade.
-Sim, estudo na UFMT e curso Medicina Veterinária, porém estou no 1 período ainda.
-Ah que legal Maria! Me formei lá 5 anos, e ministro algumas aulas lá também. Daqui a alguns anos irei te dar aula hehehe. Bruna sentiu tanta alegria quando ouviu aquelas palavras da outra, que não conteve o sorriso.
-Sério doutora? Quer dizer, Bruna. Então vou ver muito você por lá... Se embaraçou para dizer isso.
-Iremos nos ver muito ainda Maria, pode apostar... Amanhã tenho que dar uma aula, se a sua aula acabar no mesmo horário, pode vir comigo até a clínica para conversarmos. Pego seu contato e te ligo quando eu acabar de ministrar a minha aula. Bruna sentiu um frio na barriga quando falou aquilo.
-Bom, dout... Bruna, carona é uma coisa que a gente não costuma muito a recusar, então espero sua ligação. Disse isso e as duas riram.
-Bom, até mais Bruna.
-Até Maria.
Maria Luiza foi até a recepção e deixou seus dados. Saiu da clínica aquele dia, com 2 certezas, que Bob estaria bem e em ótimas mãos e que aquela médica tinha mexido de verdade com ela.
Bruna foi até a recepção e pegou o contato daquela moça linda, e foi até seu escritório, sentou e em seus pensamentos só estava uma certa pessoa, Maria Luiza Bittencourt.
Fim do capítulo
Oiie pessoal, minha primeira história por aqui (que emoção), espero que eu coloque muitas histórias e que vocês gostem muito!!! Estou fazendo muitas histórias com muito carinho pra vocês!
Pretendo em todas histórias postar uns 2 capítulos por semana, pode acontecer de postar mais por semana, mas quero manter a meta de no mínimo 2 por semana.
Quero muito a opinião de vocês, porque isso é importante demais pra mim!!
Beijos, e até o próximo capítulo.
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