Capítulo 6
O caminho até onde seria o casamento foi lento e ao som de musicas pop que ninguém além de Camila escutava. Fui frente e Isadora sentada no banco de trás onde apoiava sua perna imobilizada.
-Chegamos meus amores.
Minha amiga estacionou e saiu depressa andando pelo gramado pra provavelmente abraçar o seu noivo me deixando sozinha para tirar Isadora de lá.
-Eu consigo sozinha, não precisa se incomodar.
-Para de ser boba, se apoia.
Encostei meu corpo para que ela se segurasse e a ajudei a encostar os pés no chão.
-Vou ter que te levar até na sacada, o gramado ta úmido e as muletas não vão te ajudar em nada.
-Obrigada Bia.
Não disse nada, apenas segui com o plano não me deixando levar pelo fato de quase estar com Isadora no colo e sentindo seu cheiro e seu calor sobre mim. A sentei na cadeira mais próxima e voltei para pegar as malas enquanto ouvia as vozes alteradas de Camila e da família dela cada vez mais próximas.
-Gente, Bia vocês já conhecem e essa é outra amiga que teve um incidente e quebrou a perninha linda: Isadora.
Todos mundo cumprimentava Isadora enquanto eu me virava em esvaziar o porta-malas. Camila se aproximou com aquela cara de quem aprontou e precisava confessar o crime.
-Temos um problema, mas antes, lembre-se que você prometeu que não acabaria com o meu casamento.
-Pode contar, vai.
-Um casal amigo do Mauricio acabou ficando com o quarto que era pra Isa e só sobrou o seu, amiga, me desculpa eu juro que não foi intencional mas eles nem tinham confirmado mesmo.
Mas que merd*.
-Tudo bem, não é como se a gente já não tivesse feito isso antes.
-Obrigada, você é um anjo.
Outra vez lá foi ela saltitante, eu amava Camila e não faria nada para estragar o seu momento. Entrei com algumas malas enquanto Mauricio puxava outras atrás de mim.
-É aquela porta ali Bia.
-Obrigada Mauricio, eu levo daqui, pode ver se a Isadora quer subir?
-Claro!
Entrei no quarto com pra minha não surpresa apenas uma cama de casal, era quase hora do almoço então decidi deixar tudo pra arrumar depois. Mauricio apareceu no topo da escada com Isadora no colo e a deixou andar até mim se despedindo com um aceno.
-Camila me contou que vamos dividir o quarto.
-Pois é, eu soube.
-Bia, eu não vou atacar você, eu não vou fazer nada que prejudique seu casamento, sei que temos que falar sobre o passado em algum momento, existem coisas que eu quero que você saiba, mas eu não quero acabar com o seu casamento, eu nunca quis, essa nunca foi a minha intenção.
-Eu só quero esquecer o passado Isadora, da pra parar de falar dele?
-Okay, eu quero tomar um banho e se isso não estiver fora dos limites você pode colocar uma cadeira no banheiro pra eu me apoiar?
Não, não posso, não devo.
-Posso sim.
Peguei a cadeira plástica da escrivaninha e a deixei próxima a ducha do chuveiro, Isadora veio segurando uma bolsa pequena e uma toalha nas mãos, acenei com a cabeça e fechei a porta. Mandei uma mensagem pra Julia avisando que cheguei poupando totalmente ela dos detalhes de onde eu dormiria. Seriam duas noites e não é como se tivesse algo pra preocupar a minha esposa com isso.
-BIANCA!
Ouvi o grito de Isadora e corri para o banheiro do quarto, ela estava no chão e nua com agua escorrendo pelo seu corpo, era como se o tempo não tivesse passado e aquele corpo fosse exatamente igual ao corpo que me lembrava.
-O que aconteceu? Você está bem?
-Pode me jogar a toalha?
Ela estava caída e o que e fiz? Fiquei parada na porta do banheiro observando seu corpo.
Peguei a toalha pendurada e desliguei a ducha cobrindo seu corpo.
-A cadeira é escorregadia e eu acabei caindo e não conseguia me levantar. Tá te molhando, desculpa.
Suspendi o seu corpo do chão, Isadora sempre foi magra do tipo que a gente consegue levantar com muita facilidade, daquelas pessoas que o primeiro impulso que temos é de proteger.
-Não se preocupe com isso, vou te levar pra cama.
Passei minhas mãos por baixo das suas pernas e ela se agarrou ao meu pescoço, caminhei até a cama de casal e a deitei.
-Você trouxe os analgésicos?
-Na mala.
Abri a mala e joguei algumas roupas pra fora procurando o vidrinho laranja de tampa branca.
-Pode pegar uma roupa e a tala? Eu tô ultrapassando os limites?
-Não está, não surta ainda.
Peguei uma calcinha preta que estava na minha frente e arremessei pra ela junto com uma blusa.
-Consegue se trocar? Vou buscar um copo de água pra você tomar o remédio porque mais tarde sua perna vai doer.
-Consigo sim e...já está doendo.
Abri a porta e desci as escadas, ninguém na cozinha, Camila deveria estar checando a decoração com o noivo e as outras pessoas eu não fazia ideia. Peguei a água e voltei me esquecendo de bater na porta dando de cara com Isadora de calcinha tentando vestir a blusa.
-Desculpa...deveria ter batido.
-Pode entrar, eu tô vestida.
-Bebe dois, se acabar eu prescrevo mais.
-Dois? Quer me dopar?
-Eles dão sono e quero que você durma o resto da tarde porque isso vai doer.
-Obrigada.
Sinalizei com a cabeça e sai do quarto encontrando Camila no corredor.
-Ei, vocês sumiram! O pessoal aproveitou que a chuva parou pra beber um pouco lá na piscina, cadê a Isa?
-Ela caiu no banho e dei dois comprimidos então ela vai dormir o resto da tarde.
-Como isso aconteceu? Mas tá tudo bem?
-Ela caiu caindo Camila, e sim não foi grave.
-Vem, vamos beber que você tá estressada.
Fomos para o fundo da casa, a família dos dois estava ali, eu conhecia boa parte da família de Camila, mas a de Mauricio não. Aproveitei para beber um, dois, três, quatro taças de vinho e depois mais algumas antes de subir para o quarto para me arrumar pro jantar. As escadas estavam bem mais difíceis de serem vencidas agora. Empurrei a porta e lá estava Isadora, enrolada numa toalha enquanto outra lhe cobria o cabelo, o cheiro do seu shampoo, o seu cheiro parecia tudo mais intenso.
-Hey, você demorou, acordei suada acho que tive febre e então decidi me arriscar num novo banh...
A interrompi, meus lábios estavam no dela, minhas mãos estavam na sua cintura, era uma mistura de lembranças, era distante do nosso primeiro beijo e distante do ultimo. Mas ainda assim era o mesmo goste ainda melhor.
-O que? Porr*, você enlouqueceu? Você bebeu?
Senti Isadora me empurrar e meu corpo cair sobre a cama. Depois disso não me lembro de mais nada.
Fim do capítulo
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