Decisões - Parte 1
- Isso não pode estar acontecendo!
Camila suspirava enquanto Evellyn lia a matéria postada em seu celular.
- Calma, Mila. – a morena tentou tranqüilizá-la – Não estão falando nada demais aqui. Só dizem que é um possível novo affair da empresária Evellyn Campbell e blábláblá...
- Possível novo affair? – a encarou incrédula – Eu previ isso. Essa situação. Eu não acredito. A gente deveria ter tomado mais cuidado, Evellyn. Aquela matéria que saiu sobre você no início da semana falou sobre isso, e que logo descobririam sobre sua vida amorosa. – gesticulava nervosamente – Eu devia ter pensado nisso, é claro que estariam de olho nos seus passos. Você se tornou um assunto bastante comentado novamente e...
- Camila, calma! Seu nome nem foi citado. É só uma matéria num site de fofocas. Isso não tem a menor importância pra mim. Eu não me importo que falem, que especulem sobre a minha vida. Fazem isso desde que eu me entendo por gente. É só ignorar que logo eles se cansam e aparece algo mais interessante pra virar o assunto do momento.
- Você não entende. Nessa foto dá pra ver nitidamente que sou eu, quem me conhece logo vai saber. Você viu a Emma dizer que o Marco já estava falando que nós temos um caso. Agora todo mundo na empresa... Não... – suspirou pesado.
- Você está mesmo preocupada com o que aquele imbecil do meu irmão fala ou pensa? Camila, presta atenção. – a fitou nos olhos – Eu não devo nada a ninguém e pelo que eu sei você também não. Nós somos mulheres adultas e temos um relacionamento. Ponto. O fato de você ser minha assistente e trabalhar para mim não é impedimento. Qual o problema? Nós não seríamos as primeiras e nem as últimas “colegas de trabalho” – fez aspas com os dedos – a se relacionarem.
- Eu sei... – abaixou os ombros em derrota – Não é exatamente essa a minha preocupação.
- E qual é? Você está com medo que pensem que você está querendo me dar um golpe, é isso? – sorriu fraco – Não se preocupe que disso eu entendo e sei bem quem se aproxima de mim apenas com interesses escusos. E eu sei também que você não é assim. O seu caráter é uma de suas qualidades que me fazem te admirar.
- Evellyn, não é isso. É isso também, quer dizer, eu não quero ninguém por aí me julgando dessa forma, mas a minha maior preocupação é com a minha carreira profissional.
- Como assim?
Camila respirou fundo pensando na melhor maneira de dizer o que a estava sufocando por dentro desde que começou a se envolver com sua chefe.
- Evellyn, eu não pretendo trabalhar pra você a vida inteira. Eu me formei na área jurídica com planos de seguir carreira de advogada. Ser o auxílio jurídico de uma empresa não é o que eu sonhei pra mim. Eu quero trabalhar com pessoas, defender os seus interesses, defender o rumo de suas vidas, se possível. Eu trabalho em várias áreas diferentes desde quando ainda estava na faculdade, mas com um único objetivo de ter uma carreira de sucesso com meu próprio escritório. Eu venho fazendo minhas economias pra conseguir realizar esse sonho e eu nunca estive tão próxima quanto agora.
A morena a fitava séria.
- Eu entendo. – disse não conseguindo esconder a decepção em sua voz – É o seu sonho e você tem que seguir atrás dele. Claro, você tem que fazer o que te faz bem e feliz. Mas no que a nossa relação te impede de conseguir isso?
- A minha imagem é importante. Como eu vou ser vista quando se tem notas em sites de fofocas dizendo que eu tenho um caso com minha chefe? As pessoas que forem em busca de meus serviços têm que confiar em mim, na minha ética profissional, e isso não é nem um pouco favorável.
- Você se envergonha por essa situação, é isso?
- Não! É claro que não. Eu só... Acho que seria mais fácil se nos assumíssemos depois que eu já estivesse fora da empresa, sabe? Com a minha carreira já bem encaminhada.
- E quando seria isso, Camila? Daqui um mês, dois, daqui uns anos? – Evellyn se levantou da cama alterada – Era essa a sua idéia? Sempre foi, não é? Você sustentaria a nossa relação dessa forma e quando fosse conveniente pra você nós assumiríamos. Sinceramente, Camila...
- Evellyn, você sabe que não é tão simples assim! – Camila se levantou indo em direção à morena.
- É simples assim sim! Você que complica tudo, Camila. Você envolve tudo em uma bola de neve e só enche cada vez mais de problemas pra evitar assumir algo comigo. Você não vê que eu estou disposta a ficar do seu lado e enfrentar qualquer coisa com você? Não percebe que eu estou aqui entregue à você pra ser o seu apoio, pra sanar os seus medos e inseguranças? Nós podemos fazer isso juntas, Camila! Você não precisa passar por essa fase sozinha como eu tive que passar. Você tem a mim... por inteiro.
- Eu sei que sim! – a loira se aproximou e segurou o rosto de Evellyn com as duas mãos, fazendo com que o lençol caísse, revelando sua nudez – Eu sei que eu posso contar com você, Evellyn. Você já me deu provas mais que suficientes de que não quer que eu seja apenas mais uma em sua vida e acredite, meu coração se enche de alegria toda vez que você me faz essas declarações, toda vez que você me diz sem medo o quanto me quer. E eu te quero também! Eu te quero muito.
Camila começou a distribuir leves beijos nos lábios da morena enquanto repetia o quanto a queria em sua vida.
- Então fica comigo? – Evellyn segurou em seus pulsos e a encarou suplicante – Fica comigo do jeito certo. Vamos assumir nossa relação de uma vez sem dar margem pra essas especulações.
- Eu estou com você, Evellyn. Eu estou com você e não há ninguém nesse mundo com quem eu queria estar além de você! Só espera mais esse tempo comigo? Eu já tenho quase tudo certo, já encontrei um lugar para montar o meu escritório e daqui a um mês ou dois no máximo eu já vou poder começar a trabalhar. Só espera mais esse tempo comigo? Por favor?
- Você sabe há quanto tempo eu estou esperando por você? Não há mais motivos pra esconder o que a gente tem, Camila. Você não vê que vai ser pior se deixarmos que sejam só fofocas ao invés de assumirmos e fazermos tudo do jeito certo?! Além do mais eu não quero que você saia da empresa.
- Evellyn... – a loira suspirou se afastando.
- Sim, Camila! Você pode continuar trabalhando na empresa, o setor jurídico precisa mesmo de um novo diretor, ou nova diretora. Eu posso te promover. Você não vai mais estar ao meu lado, mas vai continuar ali, comigo.
- Evellyn, não! – bufou raivosa e pegou o lençol no chão, se cobrindo novamente – Você não vê que isso será muito pior pra mim?! Em uma semana descobrem que eu tenho um caso com a chefe e na semana seguinte eu sou promovida à diretora de um setor inteiro da empresa.
- E daí? A empresa é minha e eu faço com ela o que bem entender. Você tem competência pra isso, eu não estaria fazendo um favor à você, mas sim à mim mesma.
- Mas quem está lá fora não sabe desses detalhes, Evellyn. E eu não estou mesmo afim de ser tachada de qualquer nome sujo por aí.
- Camila, pelo amor de Deus! Tudo vira um drama shakespeariano aos seus olhos.
- Eu não vou aceitar isso, Evellyn. Não adianta tentar me convencer do contrário. Eu posso cuidar da minha vida profissional, não vou viver às suas custas pro resto da vida.
- Você vai trabalhar pra mim, não é como se fosse um favor!
- Não importa, eu ainda estaria me sustentando diretamente por você e isso eu não quero.
- Tinha eu ser tão orgulhosa assim?
- Eu vou pra casa. – disse buscando suas roupas pelo quarto.
- Nós ainda não terminamos.
- Eu acho melhor não terminarmos essa conversa hoje. Não quero discutir com você depois da noite que tivemos.
- Você não vai sair daqui enquanto não resolvermos isso, Camila.
- Vai me prender? Eu já paguei o que devo, senhorita. Se não está lembrada das 5 vezes que me fez gem*r seu nome... – a fitou com um sorriso debochado nos lábios.
- Eu me lembro muito bem de todos os detalhes. – sorriu de volta – Mas os motivos para lhe manter aqui agora são outros.
- Te acuso de me manter em cárcere privado. – disse enquanto se vestia.
- Não é cárcere se você quiser ficar. – se aproximou lentamente.
- Eu não quero ficar.
- Posso fazer você querer.
- Você acha que pode mandar em mim assim sempre? – disse a fitando nos olhos – Está muito enganada, Evellyn.
- Eu não tenho culpa se você cede aos meus encantos assim, tão facilmente... – sorriu vitoriosa.
- Você é muito abusada.
- E você gosta. – a puxou com força pela cintura e juntou seus corpos.
- Alguém precisa te dar uma lição.
- E quem seria essa pessoa que vai me corrigir?
Camila sorriu maliciosa e empurrou Evellyn contra a cama.
- Acho que posso lhe fazer esse favor. – disse enquanto subia em seu corpo na cama.
- E como pretende fazer isso, senhorita?
Camila se apoiou no corpo da morena e se aproximou de sua orelha.
- Te ch*pando bem gostoso. – sussurrou.
Evellyn suspirou ao ouvir aquelas palavras e no mesmo instante sentiu os lábios macios de Camila percorrerem seu pescoço. Seu corpo estremeceu quando a língua da loira passeou por sua pele e foi em direção ao seu colo. Camila desamarrou o roupão da morena com facilidade, a deixando nua sobre si. Sua boca contornou os seios de Evellyn e logo tomou um deles, sugando com força, extraindo gemidos carregados de desejo da morena.
Não demorou para que ela alcançasse o ponto de prazer de Evellyn. Começou beijando suas coxas, em seguida atingindo as proximidades da região onde a morena mais desejava. Passeava sua boca lentamente por toda a extensão.
- Você está se vingando pela tortura, é isso? – Evellyn disse num sussurro pesado.
- Eu disse que você precisava de uma lição. – sorriu irônica.
- Camila...
A loira deixou um último sorriso escapar para em seguida tomá-la em sua boca.
Movia sua língua calma e intensamente e sugava todo o líquido que Evellyn lhe dava. A morena se contorcia de prazer, se movendo sob os lábios suaves de Camila. Grudou os dedos nos cabelos da loira quando sentiu seu corpo dar sinais de que o ápice se aproximava e num instante se desfez em um orgasmo, gem*ndo o nome da mulher que era o seu mais adorável tormento.
Camila mal terminou de sorver todo o fluido da morena e logo se ajeitou em seu colo. Evellyn a fitava confusa quando percebeu quais eram suas intenções. A loira se posicionou entre as pernas dela e uniu seus sex*s, iniciando movimentos incessantes na busca de aliviar seu desejo. Friccionou seus corpos se deliciando com aquele atrito sob o olhar atento de Evellyn, que por sua vez se deleitava com aquela visão. Levou suas mãos até a cintura de Camila e cravou suas unhas na pele da loira, a incentivando a se mover cada vez mais intensamente. Em poucos segundos gemidos mais pesados invadiram o ambiente e seus corpos juntos chegaram ao clímax.
Camila caiu sobre o peito de Evellyn e suas respirações descompassadas se uniram até que se acalmaram e relaxaram.
- Fica comigo. – a morena disse nos braços de Camila.
- Eu estou com você. Eu sou sua, você não notou isso ainda?
- Eu quero dizer ficar oficialmente, deixar todo mundo saber de uma vez e continuar trabalhando na empresa.
- Evellyn, não começa de novo, por favor.
- Tudo bem, eu vou te dar um tempo pra pensar. Mas lembre-se de uma coisa, eu não posso te esperar a vida inteira.
***
William deixaria Camila em casa naquela tarde. Durante todo o caminho ela trocou poucas palavras com o motorista. A conversa com Evellyn não saía de sua cabeça e as palavras ditas por ela estavam fixas em sua mente.
“Eu não posso te esperar a vida inteira.”
- Não é a vida inteira, é só mais um tempo. – sussurrou preocupada.
- Como disse, senhorita? – William indagou confuso.
- Nada. Eu só estava pensando em voz alta.
Assim que adentrou em casa ouviu gargalhadas vindas da cozinha.
- Ah... apareceu a Cinderela! – Denis debochou.
- Oi pra você também, Baby D. – beijou o rosto do amigo.
- Aconteceu alguma coisa, filha? Ta com uma carinha abatida, me parece preocupada.
- Isso daí é cansaço, dona Daisy. Cansaço conseqüente de uma boa noite de sex*!
- É, ela ta com a pele boa mesmo. – Daisy assentiu analisando o rosto da filha.
- Vocês dois não comecem! – a loira disse se juntando a eles à mesa da cozinha.
- E aí, como foi o fim do celibato? Ela compensou você por todo esse tempo sem sex*? – o loiro provocou.
- Como assim celibato? – a senhora questionou surpresa.
- A Evellyn tava dando um castigo na Camila. – sorriu malicioso.
- Dá pra vocês pararem de falar da minha vida sexual como se eu não estivesse aqui?!
- Me conta logo! Valeu a espera? Foi boa a noite? – Denis perguntava animado.
- Vocês querem mesmo saber? – olhou para os dois que assentiram – Tudo bem, eu vou falar de uma vez pra vocês pararem de me encher com isso. Primeiro nós jantamos, ela me enrolou o quanto pôde pra me torturar mais um pouquinho. Depois fomos para o quarto dela, que é muito elegante e bem decorado por sinal. Ela nos trancou lá dentro e só me deixou sair depois de me fazer goz*r 5 vezes pra ela. E fim.
Denis e Daisy encaravam a loira surpresos.
- Cinco vezes? – disseram juntos.
- Cinco. E mais uma hoje de manhã.
- E eu achando que o meu recorde de 3 vezes era sensacional. – Daisy suspirou.
- Essa é a vantagem de ser lésbica, dedo não cansa, se é que me entendem. – Denis provocou – Nunca consegui um bofe que passasse de 4 vezes. Ah, bicha sortuda você! Tem gente que nasce com uma sorte, credo! A mulher é rica, linda, romântica e ainda te faz goz*r 5 vezes numa noite! Eu não tenho uma sorte dessas.
- Ta querendo uma Evellyn pra você também é? – Camila debochou.
Denis revirou os olhos.
- Será que ela não tem um irmão gêmeo perdido por aí não, hein?
- O único irmão que ela tem é um bandido que não vale nada.
- De homem que não presta eu to cheio. Prefiro ficar só mesmo.
- Mas me diz, filha. – Daisy encarou a loira – Essa carinha aí é só cansaço mesmo ou aconteceu alguma coisa?
Camila suspirou.
- Eu e a Evellyn discutimos hoje de manhã e ela me disse umas coisas que me deixaram preocupada.
- Vocês são estranhas, num minuto estão trans*ndo loucamente e no minuto seguinte brigando que nem gata e rata para depois trans*rem de novo. Eu hein. – Denis debochou.
- Assim que é bom. – Daisy comentou – Essas relações cheias de intensidade são as melhores.
- Deve ser por isso que a Camila fica tão insana desse jeito quando se trata da senhorita Campbell.
- É, mas toda relação, por mais intensa que seja, precisa dos seus momentos de calmaria. O casal precisa ter confiança de que terão apoio e segurança na relação. Nenhum relacionamento sobrevive a vida inteira só com intensidade.
- É justamente isso, mãe. – Camila choramingou – Hoje saíram umas fotos nossas em um site de fofocas. Fizeram suposições, dizendo que eu sou o novo affair da Evellyn. E agora ela quer assumir tudo logo de uma vez.
- E qual o problema? – Denis indagou – Triste seria se ela não quisesse assumir nada com você, não é?!
- O problema é que eu estava esperando o momento certo pra isso. Ela disse que me esperaria até eu me sentir segura, mas agora que descobriram a nossa relação mais próxima ela não quer esperar mais. Eu queria pelo menos me estabilizar profissionalmente primeiro.
- Filha, agora que já estão comentando e não há mais como negar essa proximidade de vocês, não seria melhor vocês assumirem de uma vez? Seria pior se todo mundo comentasse que você é só um caso dela do que se assumissem um compromisso sério.
- Eu sei que sim, mas é que... Não sei! Droga, isso não podia ter acontecido agora. – disse apoiando os cotovelos na mesa e levando as mãos ao rosto.
- Camila, qual o seu problema? Você já parou pra pensar que ela não vai te esperar a vida toda? – o loiro disse.
- Foi isso que ela me disse hoje de manhã. – suspirou em derrota.
- Pois você trate de tomar uma decisão logo porque ela não é mulher de se deixar escapar assim não. Metade dessa cidade queria estar no seu lugar. Hoje em dia ta difícil encontrar alguém que queira um compromisso, alguém como ela então... É ganhar na loteria, querida! E eu não to falando isso porque ela é rica, mas porque ela gosta de você de verdade e faz questão de demonstrar isso. E claro tem os outros atributos que fazem dela uma mulher incrível. Se você deixar a Evellyn escapar pode se conformar em morrer solteira porque essa paciência que ela ta tendo você não se encontra em mais ninguém não. Eu no lugar dela já teria dado nessa sua cara branca até ficar roxa pra ver se você acorda pra vida.
- O Denis tem razão, filha. Pensa direitinho, com calma, e você vai ver que o melhor a se fazer é firmar uma relação com ela de uma vez. Ela gosta de você e é uma boa mulher. Eu ficaria feliz se você namorasse alguém como ela. Ela é uma mulher decente e tenho certeza que vai cuidar bem de você.
- Eu tenho certeza que sim, mãe.
- E então? Você gosta mesmo dela? Ou tem medo porque ainda está incerta sobre o que sente?
- Eu tenho certeza do que sinto, mãe. Eu gosto muito dela. Eu to apaixonada e já confessei isso a ela.
- Disse mesmo? – Denis sorriu largo – Ai, que lindo! Eu queria ter visto esse momento.
- Então eu acho que você já sabe qual é a melhor decisão a se tomar, não sabe? – Daisy continuou.
Camila suspirou mais uma vez, ponderando a situação.
- Acho que sim, mãe. – sorriu fraco – Eu não sei o que seria de mim sem vocês.
- Olha, eu também não sei não, viu?! – Denis debochou.
- Mas me conta, mãe. Como foi o encontro com o Doutor Bonitão? A senhora ta com uma pele bonita, um semblante animado...
- É dona Daisy, conta pra gente se o Robert é bom de cama.
- Eu prefiro não comentar sobre isso. – sorriu sem jeito.
- Ah, não! – Camila protestou – Eu tenho que contar detalhes da minha vida sexual pra vocês e na hora de saber o que acontece de interessante na sua eu sou vetada?
- Vai dizer que um homem com aquele porte é ruim de cama? – Denis provocou – Eu não posso acreditar nisso!
- Não, ele não é ruim, ok? – confessou – Ele é maravilhoso! O melhor que já tive em toda minha vida. Seu pai que me desculpe, Camila, mas que homem é esse?! – se abanou com as mãos.
- Humm... – os loiros disseram juntos, trocando um olhar cúmplice.
- Nos conte mais sobre isso, dona Daisy...
***
Naquele dia Camila havia levantado disposta a acertar tudo de uma vez com a Evellyn. Foi para o trabalho animada e nervosa ao mesmo tempo. A partir daquele dia tudo iria mudar. Assumir um relacionamento com Evellyn a colocaria no foco de muitas especulações, mas ela sabia que seria o melhor a se fazer.
Assim que chegou na empresa pôde perceber os olhares e cochichos dos outros funcionários por onde passava. Seu rosto queimava e o nervosismo aumentava a cada segundo.
- Bom dia, senhorita Clarke. – disse a secretária.
- Bom dia, Susan. – a loira respondeu e entrou apressadamente em sua sala.
Camila voltou no mesmo instante, assim que percebeu que a sala estava vazia.
- Susan, a Evellyn ainda não chegou?
- Ela chegou, mas foi direto ao setor jurídico resolver alguma coisa.
- Ok, obrigada. – disse retornando à sala.
- Será que? – sussurrou a si mesma – Não, ela não faria isso sem conversar comigo primeiro.
Após algum tempo a morena enfim chegou à sua sala, dando um largo sorriso assim que viu a loira.
- Bom dia! – disse animada.
- Bom dia. – Camila respondeu confusa – Está tudo bem?
- Sim, tudo ótimo. Por quê?
- Nada. A Susan me disse que você chegou e foi direto ao setor jurídico para resolver alguma coisa, fiquei preocupada.
- São boas notícias, não se preocupe. – disse se ajeitando em sua mesa – Só um resultado positivo de uma ação que a empresa moveu. Resultado esse que demorou séculos pra sair. Ainda acho que se você estivesse à frente do setor o andamento dos processos seria mais eficiente.
- Nós já falamos sobre isso. – Camila repreendeu.
- Tudo bem. E eu já entendi, não se preocupe.
- Eu queria conversar com você sobre outra coisa.
- Sim, pode falar.
Camila se levantou calmamente e caminhou em direção à mesa da morena. Seu coração palpitava, suas mãos suavam. Ela estava decidida a resolver toda aquela situação o quanto antes. Sentou-se na poltrona à frente e respirou fundo uma última vez.
- Evellyn, eu...
Antes que pudesse continuar o celular de sua chefe começou a tocar.
- Ah... Me desculpe. Você pode esperar um minuto para eu atender?
- Claro. Eu espero.
- Só um minutinho. – piscou para a loira e atendeu a ligação – Oi, Meg! E aí, conseguiu chegar à tempo? ... Ótimo!
“Meg?” – Camila pensou – “Quem é Meg?”
Evellyn fez uma pausa e tapou o celular com uma das mãos.
- Mila, você poderia ir até o Financeiro buscar uns relatórios que eu pedi enquanto eu termino essa ligação?
- Sim, claro.
- Obrigada. – piscou e jogou um beijo para ela – Sim, eu estou te esperando aqui. – continuou ao telefone – Assim que chegar pode vir direto até minha sala, eu já deixei avisado que estou esperando você.
- Pelo menos ela está de bom humor hoje. – Camila disse assim que saiu pela porta – Sexo realmente faz bem. – deixou um sorriso bobo escapar.
- O que disse, senhorita? – Susan perguntou.
- Não, nada. Só estou pensando alto, Susan.
Ao chegar no setor financeiro, Camila logo viu o estagiário concentrado em seu computador.
- Bom dia. – disse secamente.
- Bom dia, Camilinha. – sorriu.
- Frederick, a Evellyn mandou que eu buscasse uns relatórios que ela pediu.
- Claro, já estão aqui. Só falta pegar algumas assinaturas do Marco. Só um instante. – disse e saiu até a sala do seu chefe.
Após alguns minutos Camila ouviu gritos vindos da sala do Diretor Financeiro.
“Você não faz porr* nenhuma direito!” – era a voz do Marco – “Eu já falei que o fechamento mensal tem que ficar pronto antes do fim do mês. Eu to repetindo isso pra você desde que entrou aqui. Você é burro ou é surdo? Some da minha frente, anda!”.
Logo em seguida Frederick saiu da sala do chefe bufando e irritado.
- Esse seu cunhado é um otário mesmo, não é?! – disse entregando os papéis à Camila.
- Como disse? – a loira o fitou surpresa.
- O Marco, seu cunhado. – sorriu malicioso.
Camila semicerrou os olhos e o encarou sem saber o que dizer.
- Ah, todo mundo já sabia que você e a chefona se pegavam, Camila. Depois daquelas fotos de ontem só ficou confirmado o que todo mundo aqui já comentava. Você foi esperta, foi direto na dona do império todo.
- Primeiro, você me respeite que eu não te dou intimidade pra falar assim comigo. Segundo, o que eu e a Evellyn fazemos de nossas vidas não diz respeito a você e nem a ninguém. E terceiro, você deveria tomar mais cuidado com a sua vida ao invés de ficar cuidando da dos outros.
- Relaxa, Camilinha. Eu não tenho preconceito, sou até a favor das mulheres se pegarem, acho que todas deveriam fazer isso. Se precisarem de alguém pra ajudar na relação eu estou disponível.
- É mesmo? A Evellyn vai adorar saber disso. Pode deixar que eu aviso a ela. – sorriu irônica.
- Não, calma! Eu só tava brincando. – engoliu seco – Não precisa falar nada pra ela, ok?
Camila nada respondeu e já se preparava pra sair quando Fred segurou em seu braço.
- Espera, o chefe quer falar com você.
- Comigo? O que ele quer?
- Eu não sei. Só pediu pra te chamar até a sala dele.
Camila suspirou e a contragosto foi à sala do Marco.
Após longos minutos na sala do Diretor Financeiro, Camila saiu com uma expressão séria no rosto. Estava pálida e parecia aflita.
- Tchau, Camilinha. – Fred acenou.
A loira passou por ele apressada sem nada dizer. Seu coração parecia querer saltar de seu peito enquanto ela caminhava de volta à sua sala. Mas ao contrário do que ela imaginava sua tensão não diminuiu quando ela retornou. Assim que abriu a porta seu corpo travou no lugar e seus olhos se arregalaram fitando a cena que via em sua frente.
Uma morena de cabelos alourados e corpo atlético em um vestido branco e muito justo estava nos braços de Evellyn. A beijando sem pudor.
Assim que a porta foi aberta Evellyn empurrou a mulher leve força para se afastar.
- Isso não pode estar acontecendo. – Camila sussurrou a si mesma.
Fim do capítulo
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