Irresistível
Camila dormia um sono nada tranqüilo naquela manhã de sábado. Sua nuca molhada pelo suor que escorria pelo seu pescoço e os longos suspiros carregados vez ou outra de leves gemidos denunciavam um sonho um tanto quanto perturbador.
Acordou assustada ao ouvir as gargalhadas escandalosas de Denis ecoando pela casa. Passou a mão pela testa correndo até sua nuca, enxugando o suor. Sentou-se na cama e suspirou pesado.
- Mas nem em sonho eu tenho a sorte de chegar lá! – negou com a cabeça deixando um sorriso escapar.
Após se vestir e fazer sua higiene matinal, foi até a cozinha de onde ouvia-se uma conversa animada.
- Mas se ela dorme toda sexy assim quando está sozinha, imagina quando está acompanhada! – Denis provocou ao ver a amiga adentrar a cozinha com uma camisola num tom claro de rosa que mal lhe cobria a bunda.
- Não começa, Denis! – a loira repreendeu mal humorada, sentando-se à mesa com o amigo e a mãe.
- Bom dia pra você também, querida. – Daisy sorriu debochada.
- Ih... Alguém acordou de mau humor hoje.
- Vocês atrapalharam meu sono!
- Eu pensei que estaria muito bem humorada hoje, afinal você e a morena de olhos verdes dona do seu coração já fizeram as pazes.
Camila o encarou séria franzindo o cenho.
- O que? Dona Daisy já me contou tudo! Que vocês brigaram, que ela te contou tudo e que ontem mesmo fizeram as pazes. Ah... o amor não é lindo?! – disse batendo palminhas.
- Vocês dois formam um complô pra me perturbar, só pode!
- Pelo visto não fizeram as pazes completamente, só isso justifica esse mau humor todo. – a senhora sorriu maliciosa enquanto bebericava o café em sua xícara.
- Olha, dona Daisy... – a loira fitou a mãe e suspirou – Eu não vou nem te falar nada, mãe!
- Um casal quando briga só sela as pazes de verdade com sex*! Se não houve sex* ainda não fizeram as pazes direito. – o loiro instigou.
- Ah, isso é verdade, hein! – Daisy confirmou.
- Senhor, dai-me paciência! – Camila olhou para cima com expressão suplicante.
- Olha, a Evellyn ta caindo no meu conceito, viu?! Não achei que ela fosse mulher de deixar a desejar assim não. – Denis continuou provocando trocando olhares cúmplices com Daisy que correspondia com sorrisos maldosos – Alguém avisa pra ela que a mulher dela ta necessitada!
- Sabe o pior disso tudo? – Camila se pronunciou – O pior é que eu ainda amo vocês!
- Ah... – o loiro sorriu com carinho – Mas disso eu já sabia!
- Idiota! – Camila finalmente se permitiu rir, jogando um pãozinho no amigo.
- Eu também amo vocês, mulheres da minha vida! – Denis disse afetuoso.
- Mamãe também ama vocês. – Daisy sorriu jogando beijos no ar em direção aos dois.
***
- Aí ontem ele me mandou flores no trabalho, acredita?!
Após o café estavam na sala jogando conversa fora, ouvindo Denis se lamentar sobre o fracasso de sua vida amorosa.
- Mentira que ele fez isso? – Camila questionou incrédula.
- Fez! Ele ainda não voltou pra Europa, acho que nunca ficou tanto tempo aqui em New York desde que foi embora.
- Acho que o Jean Pierre deve estar aqui ainda pra tentar te conquistar de novo, Baby D.
- Pois ele que se mude e fique aqui por toda a eternidade! Se está achando que eu vou dar essa chance à ele está muito enganado!
- Mas você já conversou com ele, meu filho? – Daisy perguntou interessada na história.
- Depois do papel ridículo que ele me fez passar na festa de aniversário dele? Não mesmo! Junto com as flores tinha um cartão dele me convidando pra jantar hoje. Vai esperar sentado no restaurante mais chique da cidade.
- E por que não aceitou? – Camila questionou – Vocês precisam conversar, Denis. Nem que seja pra colocar um ponto final em tudo de uma vez.
- Eu até aceitaria porque o restaurante para o qual ele me convidou é maravilhoso, mas hoje não posso. Tenho outro compromisso com a dona Daisy.
- Comigo? – a senhora estranhou.
- Sim! Combinei com o médico bonitão de sairmos hoje! – disse sorrindo animado.
- Ai meu Deus! E você só me diz isso agora? – Daisy se levantou do sofá apressada – Eu preciso me arrumar, escolher uma roupa, fazer as unhas, cabelo, me depilar!
- Isso, faça tudo isso mesmo porque ele adorou as fotos suas que mostrei pra ele.
- Jura? – disse com um sorriso largo observando o loiro balançar a cabeça positivamente.
- Ficou interessadíssimo! Disse que está mesmo precisando sair um pouco, conhecer pessoas novas... Daí eu combinei de sairmos todos juntos pra quebrar o gelo de início. Vocês se conhecem e se rolar um clima combinam de sair outras vezes, só os dois. – sorriu malicioso.
- Todos juntos quem? – Camila fitou curiosa.
- Eu, você e mais dois amigos lá do hospital. E claro, dona Daisy e o seu futuro padrasto. – gargalhou.
- Ai, será? Nossa, eu preciso ir me cuidar! – disse saindo da sala – Se ele for mesmo o segundo homem da minha vida tenho que estar perfeita pra esse encontro!
Os dois gargalharam vendo a mulher sair dali.
- Infelizmente eu não vou poder ir conhecer o meu futuro padrasto hoje, Baby D. – Camila disse voltando-se para o amigo.
- E por que não?
- Tenho que ir à uma festa com a Evellyn.
- Huumm... – sorriu maldoso – Então o que não rolou ontem vai rolar hoje... Graças a Deus! Tomara que ela te pegue de jeito mesmo pra curar esse seu mau humor.
- Bem que eu queria mesmo... – sorriu num suspiro.
- Queria?
- Iremos à essa festa à trabalho. É o aniversário do irmão dela e ela me convocou pra ir ajudar a procurar alguma prova contra ele. Será uma oportunidade única de conseguir investigar algo porque com certeza ele guarda documentos e arquivos comprometedores em casa. Só nos resta saber onde.
- Ta, você já me contou sobre essa imitação barata do Loki que é o irmão dela. Ainda não conseguiram nada contra ele?
- Não, nada concreto que prove que ele é o responsável pelos desvios da verba da empresa.
- Mas então vai ser só trabalho? Será que não rola uma festinha particular entre vocês depois não?
- Acho difícil...
- Nós estamos falando da mesma Evellyn mesmo? É aquela que transbordava desejo e luxúria, que quando estava perto de você exalava uma tensão sexual sentida a quilômetros de distância, aquela pegadora que te agarrou no banheiro da boate, que transou com você na sala de trabalho de vocês? É essa mesma?
- Ai, não me lembre disso, Denis! – disse suspirando, passando a mão pela nuca.
O loiro arqueou uma sobrancelha a fitando confuso.
- É que ela inventou uma história de se manter em celibato até que nós tenhamos um compromisso sério. – disse sem jeito.
- O que??? – Denis prendia um sorriso incrédulo.
- É que a nossa relação começou meio que baseada em sex* e ela quer mudar isso. Quer que tenhamos uma relação que envolva sentimentos, que tenhamos cumplicidade em vários aspectos, não apenas nesse. Eu já disse a ela que não é só sex*, mas mesmo assim ela está irredutível!
- E você está pirando com isso. – afirmou sugestivo.
- Não, é só que... ela me deixa de um jeito! Eu não consigo explicar, só de ficar perto dela, sentir o cheiro dela, o jeito que ela me olha com aqueles olhos intensos, e...
- E você está subindo pelas paredes! – o amigo gargalhou jogando a cabeça pra trás e batendo palmas.
A loira sentiu suas bochechas queimarem e sorriu em negação.
- Quem diria que Evellyn Campbell fosse dessas... O que você está fazendo com essa mulher, Camila?
- O que ela está fazendo comigo, você quer dizer, não é?!
- Na verdade, que ela não está fazendo com você, amiga!
- É... – sorriu sem humor – Ontem ela quase cedeu, mas mamãe me ligou bem na hora dizendo que tinha perdido as chaves daqui de casa e eu tive que vir embora pra socorrer ela.
- Não creio! – Denis gargalhou mais uma vez – Camila, eu não acredito! Essa foi a causa do seu mau humor hoje mais cedo então? – continuava rindo sem parar.
- Isso não tem graça, Denis! – a loira bufou raivosa.
- Isso é tipo, seria cômico se não fosse trágico, mas eu não consigo não rir. – caiu na risada mais uma vez – Dona Daisy mal chegou e já ta atrapalhando a iniciação da vida “homo-sexual” da filha. – fez aspas com os dedos.
- Ela estava tão perto... – suspirou mais uma vez.
- Camila, você precisa dar pra essa mulher logo! Se visse sua cara falando... – gargalhou novamente – Eu nunca vi você nesse desespero todo pra trans*r com alguém!
- Cala a boca, Denis! Você não está ajudando desse jeito.
- É, meu bem, é assim... Sabe a história de Adão e Eva comendo do fruto proibido? É a mesma coisa, provou uma vez não tem mais volta. E você pelo visto gostou tanto que não quer saber de outra coisa! Eu te entendo, amiga. Comigo foi do mesmo jeito.
- Me diz uma coisa, depois da primeira vez que você ficou com um homem você não quis saber de mulher mais? Assim, você soube logo que você era gay e pronto?
- Olha, eu não sei se podemos analisar com a mesma perspectiva porque eu brincava de bonecas desde que nasci. Eu fiquei com algumas meninas na adolescência, mas foi mais por pressão das amizades, sei lá, é uma fase em que você segue o fluxo. Eu sempre fui gato desse jeito e as meninas me davam mole. – sorriu convencido fazendo Camila revirar os olhos e sorrir também – Eu ficava com uma ou outra, mas não sentia nada. Mas quando eu fiquei com um menino pela primeira vez... Nossa! Foi como se um mundo cor de rosa cheio de arco-íris e purpurina tivesse se aberto pra mim. O que eu nunca tinha sentido beijando uma garota eu senti beijando ele. Mas eu já tinha essa noção, eu já reparava nos rapazes da escola, das revistas. Eu só tive a confirmação pra ter certeza do que eu queria.
- Entendo. – a loira o fitou pensativa.
- Você já reparava em mulheres antes? Quero dizer, reparava com olhar de cobiça? Já sentiu alguma atração mesmo que leve e momentânea por alguma mulher?
- Eu? Ah, eu... eu não sei. Bom, eu sempre admirei muito as mulheres. As artistas, não sei, mulheres famosas que sempre atraem muitos olhares. E às vezes algumas mulheres as quais conheci, mas nada que me fizesse pensar nelas com outros olhos.
- Ta, mas admiração até eu sinto! Eu falo em olhar com desejo, sentir tesão mesmo, Camila. Já sentiu algo diferente por alguma mulher antes da Evellyn?
- Não sei, acho que não.
- Como não sabe?
- Ah... Uma vez eu assisti um filme e... quer dizer, foi tipo eu estava passando os canais na TV e aí tava começando esse filme, eu não sabia do que se tratava e acabei assistindo e... bom, eu achei bem... interessante.
- Interessante? Qual era o filme?
- Azul é a Cor mais Quente. – disse sem jeito.
- Tarada! – o loiro gargalhou fazendo Camila corar – Brincadeira. Vamos continuar a análise. Então você assistiu esse filme e...?
- E o que?
- O que você achou? O que sentiu?
- Ah, eu achei interes...
- Interessante eu já sei. O que você sentiu vendo o filme e todas aquelas cenas quentes?
- Ta, eu fiquei curiosa pra saber como era e senti... tesão. – o olhou sem jeito.
- Bom, diante de toda essa análise do seu histórico e avaliando as suas experiências chegamos à conclusão que isso tudo não quer dizer nada!
- Como assim?
- Camila, sentimentos, desejos, sensações, são coisas que infelizmente, ou felizmente, nós não podemos controlar. Nós apenas sentimos. Sentir independe de qualquer coisa a não ser você e o seu objeto de desejo. Você pode preferir as morenas, mas se aparecer uma loira interessante na sua vida e você sentir algo por ela você não vai ser capaz de controlar. Você apenas sente. Presta atenção, na vida nós não podemos controlar o que sentimos, mas temos poder sobre as atitudes que tomamos em relação ao que sentimos. Você nunca se imaginou com uma mulher, nunca se sentiu de fato atraída por uma, até o momento em que uma em especial despertou isso em você. Você sentiu, gostou de sentir e resolveu viver isso. Ponto. Não sinta essa vontade de se rotular ou de se encaixar em padrões impostos pela sociedade, apenas viva o que você sente e aproveite o momento.
- Eu não sei o que seria de mim sem você! – disse agarrando o amigo pelo pescoço e o abraçando com força.
- É muito amor envolvido, Baby! – sorriu devolvendo o abraço.
***
- Filha! – Daisy gritava pela casa terminando de se arrumar apressada – Camila, cadê você?
- Aqui no quarto, mãe! – respondeu enquanto terminava de se vestir.
A senhora adentrou o quarto sem cerimônias e parou de frente para a filha encarando-a.
- E então? Como estou? – perguntou com olhar ansioso.
- Nossa! Você está linda, mãe. Dê uma voltinha. – disse segurando nas mãos de sua mãe incentivando-a a se virar.
- Gostou mesmo? Não está curto demais ou exagerado demais para um primeiro encontro?
- Não, mãe. Está perfeito! – disse avaliando a mulher de corpo esbelto à sua frente – Esse vestido valoriza o seu corpo, mas não mostra demais. Vai apenas instigar a curiosidade do Doutor Bonitão. Está linda assim.
- Humm, gostei dessa parte. – Daisy disse sugestiva.
- Não seja assanhada, mamãe!
- Senhoritas Clarke! – ouviu-se a voz de Denis adentrando a casa.
- Aqui no quarto! – Camila gritou.
- Uau! Mas o que temos aqui... – Denis disse avaliando as mulheres assim que entrou no quarto – A família Clarke foi mesmo agraciada com o dom da beleza!
- O que acha, Baby D? – Daisy perguntou ainda insegura – Você acha que ele vai gostar assim?
- Está linda, dona Daisy! Acho que ele vai adorar ver esses seus dotes aí. – disse apontando para o leve decote sobre os seios da mulher que sorriu largo.
- Ótimo! Vou terminar de me ajeitar. – disse saindo do quarto.
- Não demore se não vamos nos atrasar! – Denis alertou.
- E você está muito gato, Doutor Dawson! – Camila fitou o loiro – Vai encontrar alguém interessante nesse jantar também?
- Não que eu saiba, mas espero que sim. Já chega de ficar na fossa!
- Então quer dizer que o Jean Pierre perdeu mesmo?
- Esquece esse traste, Camila! Eu não entendo o porquê de você ficar defendendo ele.
- Eu não estou defendendo, Baby D! Eu só achei que ele me pareceu sincero quando me disse que gostava de você de verdade.
- Pois eu só lamento por ele. A vez dele já passou, teve uma chance e não soube aproveitar. Perdeu!
- Tudo bem, não está mais aqui quem falou. – disse levantando os braços em rendição e voltando-se para a escrivaninha onde estavam suas maquiagens.
- E essa produção toda aí é pra convencer a sua chefe a cancelar o celibato forçado, é?
- Não. Eu preciso estar apresentável. – disse enquanto se maquiava – Vai ter um monte de gente da empresa lá, só os mais importantes. E com certeza muita gente da alta sociedade nova-iorquina.
- E essas pernas à mostra e esse batom vermelho são pra impressionar a alta sociedade nova-iorquina?
- Uma mulher que vai estar ao lado de Evellyn Campbell não pode fazer feio, não é?!
- Você não faria feio nem se quisesse, Camila. Mas se o seu objetivo é deixar a Evellyn babando com certeza vai conseguir.
- Você acha? – ela perguntou o fitando pelo espelho à sua frente.
- Tenho certeza! Você está sutilmente sexy e extremamente desejável. Não vai demorar pra conseguir passar por cima desse voto de castidade que ela inventou. Camila, você tem todas as armas na mão, só não usa se não quiser.
- Denis, você não entende. Eu preciso me controlar também, preciso mostrar pra ela que não to interessada só em sex*, mas é tão difícil conseguir resistir quando se trata dessa mulher. Meu Deus! É praticamente impossível! Só o jeito que ela me olha já me deixa... quente. – suspirou.
- Eu to vendo como ela te deixa! – sorriu – É melhor parar de falar nela se não vai precisar trocar de calcinha antes de sair de casa. – gargalhou.
A loira arregalou os olhos e manteve sua boca entreaberta sem acreditar no que ouviu.
- Ridículo! – soltou ouvindo o loiro gargalhar novamente.
- Até mais, filha. Me deseje sorte!
Daisy e Denis se despediam de Camila, já saindo para o seu jantar.
- Boa sorte, mamãe. E vocês dois se comportem! – disse fitando os loiros à sua frente.
- Olha, eu vou me comportar, já a dona Daisy eu não posso garantir porque ela mal saiu de casa e já ta toda animadinha.
- Se depender de mim eu não vou me comportar mesmo! Tudo vai depender do Doutor Bonitão.
- Mamãe! – Camila repreendeu.
- Dona Daisy é das minhas. Não perde tempo. – Denis disse rindo.
- Vocês dois são dois pervertidos, isso sim.
- Olha quem fala... Estava agora mesmo se derretendo toda pela chefinha agora fica aí dando uma de santa.
A loira o fitou com os olhos semicerrados.
- Eu estou brincando, minha filha. Sua mãe é doida, mas tem juízo.
- Depois de tanto tempo ela ainda cai nas nossas provocações. – Denis zombou.
- É, cada um tem sua cruz pra carregar, não é?!
- Vamos logo antes que o seu pretendente desista. – o loiro apressou – Beijo, Camilinha. Boa festa. – disse beijando a bochecha da loira.
- Boa festa, filha. E diga à minha nora que eu quero conhecê-la logo! – se despediu e logo saiu deixando a filha corada de vergonha.
Minutos mais tarde Camila ouviu a buzina do Audi A8 estacionado na frente de sua casa e logo saiu.
Como de costume William a esperava na porta traseira do carro com um sorriso gentil no rosto.
- Boa noite, senhorita Clarke.
- Boa noite, William. – sorriu de volta.
Camila entrou no carro e sentou-se observando Evellyn que mexia no celular concentrada.
- Boa noite, Evellyn.
- Boa noite, Camila. – a morena respondeu ainda sem olhar para ela.
O carro já havia partido quando a loira começou a analisar e observar os detalhes da mulher ao seu lado. Correu os olhos por sua boca desenhada com o batom vermelho habitual, descendo até o decote sutil revelando parte de seus seios. – “Meu Deus! Essa mulher...” – pensou suspirando. Evellyn estava tão atenta ao celular que mal percebeu que Camila a encarava. A loira continuou observando toda a linha do belo corpo de sua chefe. Analisou as coxas à mostra das pernas cruzadas da morena que permanecia concentrada no que fazia.
- Está tudo bem? – perguntou fitando-a de repente.
Camila virou o rosto para frente no mesmo instante, tentando manter a postura.
- Sim, sim. Estou bem. E você?
- Bem. – disse analisando a loira – Está bem mesmo? Parece tensa.
- Estou bem, eu só... Estou preocupada com essa nossa missão de hoje. – a encarou sem jeito.
- Não se preocupe, Camila. A casa do meu irmão é enorme e eu conheço cada detalhe dela. Com certeza haverá muita gente lá, o que facilitará a nossa movimentação sem que ninguém nos perceba.
Camila sorriu fraco assentindo, evitando encarar Evellyn por muito tempo.
Ao chegarem na mansão de Marco foram recepcionadas por seguranças no portão de entrada. Um deles se aproximou da janela do motorista e assim que viu que se tratava de William o cumprimentou e acenou para que deixassem passar.
No grande salão da mansão havia muitas pessoas, todas esbanjando elegância. As moças percorreram o local analisando toda a situação.
- O escritório do Marco fica na primeira porta à esquerda daquele corredor ali. – Evellyn dizia discretamente para Camila que observava atenta – É provável que a sala esteja trancada, mas eu vim preparada para isso.
- Você realmente planejou tudo mesmo. – Camila disse surpresa.
- Uma chance como essa não pode ser desperdiçada. – sorriu.
- Tia Evellyn! – uma voz suave e animada foi ouvida e a morena sentiu algo se chocar de encontro às suas pernas.
- Emma! – sorriu largo assim que viu a pequena encarando-a de baixo para cima – Como você está, meu amor? – abaixou-se e pegou a jovenzinha de cabelos castanhos e olhos claros no colo.
- Bem. – disse com um sorriso no rosto.
- Como você está linda! Já cresceu mais desde a última vez que te vi.
- Sim, eu já sou uma mocinha! Mamãe que disse.
Camila observava o brilho no olhar de Evellyn que se derretia pela criança.
- Quem é essa, tia? – perguntou apontando para Camila.
- Essa é a tia Camila. Ela trabalha comigo.
- Tia Camila é linda. – disse sorrindo para a loira.
- Oh, obrigada! Você também é linda!
- Eu sou a Emma.
- É um prazer conhecê-la, Emma. – Camila sorriu assentindo com a cabeça.
- Emma Charlotte Campbell! Venha aqui, mocinha! – uma jovem um pouco acima do peso com uniforme branco apareceu respirando fundo, parecendo cansada.
- Ih, a Jenny me achou! – disse escondendo o rosto no pescoço de Evellyn.
- Não se preocupe, Jenny, ela está comigo. – a morena sorriu para a jovem.
- Ela precisa ir jantar, dona Evellyn. Essa sapeca fugiu de mim antes de chegar à cozinha.
- Eu não vou comer aquela sopa horrível! – a pequena protestou.
- Emma, querida, não faça pirraça! – uma mulher de aparência jovem e muito elegante surgiu – Seja uma criança boazinha e vá com a Jenny, está bem?
- Mas mamãe...
- Sem mas! Vá jantar que depois eu deixo a Jenny te dar sorvete de sobremesa.
A criança fitou a mãe e a babá parecendo ponderar a proposta.
- Sorvete de morango? – perguntou encarando as mulheres.
- Com cobertura de chocolate! – Jenny confirmou.
- Ta bom então. Tchau, tia Eve. Tchau, tia Camila. – disse se despedindo enquanto ia para o colo da babá.
- Tchau, meu bem. Até mais. – a morena respondeu com um sorriso carinhoso nos lábios.
- Como vai, Evellyn? – a mulher a fitou com um sorriso forçado.
- Muito bem, Rachel. E você?
- Estou ótima!
- E o meu irmão?
- O Marco está por aí recepcionando os convidados. Há muita gente importante aqui hoje.
- Imagino que sim. – a morena sorriu sem vontade.
- Bem, eu também preciso ir fazer meu papel de anfitriã. Aproveite a festa! – disse saindo.
- Com certeza eu irei aproveitar, Sra. Augustus Campbell. – sussurrou.
- É a esposa do Marco?
- A própria. Mulherzinha irritante!
A festa acontecia animadamente para alguns e extremamente entediante para outros. Evellyn suspirava esperando o momento certo para poder colocar o seu plano em ação.
- O que está esperando? – Camila disse enquanto tomava um gole do líquido transparente em sua taça.
- Os convidados e o Marco ficarem bêbados o suficiente. Vai ser mais seguro para nós quando as pessoas aqui estiverem animadas demais para notar qualquer movimentação estranha.
- Evellyn, meu amor! – um homem alto de corpo atlético vestindo um terno preto se aproximou abraçando a morena.
- Não encosta, Eric! – disse se afastando.
- O que é isso, prima? Não vai cumprimentar seu primo mais querido?
- Não precisa me agarrar pra cumprimentar!
- É que eu não resisto a tanta beleza.
- Sínico! – sorriu.
- E você sempre acompanhada de belíssimas mulheres. Olá, senhorita. – disse estendendo a mão para Camila – Eric, ao seu dispor.
Camila retribuiu o gesto, sorrindo sem jeito quando o moreno à sua frente depositou um beijo em sua mão.
- Camila. Muito prazer.
- Me diga, Camila, você é uma moça comprometida ou está livre? Porque se me permitisse eu adoraria cortejá-la, senhorita.
Camila olhou sem jeito para o rapaz e fitou Evellyn que a encarava séria.
- Eu... Eu não estou disponível, Eric. Me desculpe. – sorriu vendo a expressão surpresa da morena.
- Isso é realmente uma pena.
- Pare de dar em cima da minha assistente, Eric! – Evellyn repreendeu.
- Oh, me perdoe, Marie! Você continua possessiva como sempre. – sorriu provocativo.
- Pra você é senhorita Evellyn Marie Campbell!
- Não me diminua na frente da moça, Evellyn. Ou quer que eu conte a ela alguns segredinhos da sua infância?
- Não ouse!
- Sabe, Camila, a Evellyn sempre foi uma criança muito perturbada. Aprontava todas, deixava as babás e empregados loucos! Ela tinha um gato chamado Félix. Uma vez ela...
- Cala a boca, Eric! – a morena tapou a boca do rapaz que gargalhou.
- Eu só paro de contar se você me der o número do celular da sua assistente.
- Não seja inconveniente, já ouviu ela dizer que não está disponível.
- Numa próxima vez eu termino de lhe contar essa história, Camila. – deu uma piscadela pra loira que sorria de toda a situação.
- Eu adoraria saber, Eric. – provocou fitando a morena.
- Mas então, que belo discurso no Evento anual de Publicidade, hein. – o rapaz deu tapinhas no ombro de Evellyn – Eu assisti tudo pela TV. Meus parabéns!
- Obrigada.
- O tio Michael ficaria orgulhoso de você.
A morena sorriu fraco e abaixou as vistas.
- Enfim, já que eu levei um fora e que a minha prima é possessiva demais para deixar eu me aproximar de sua assistente, eu vou dar umas voltas por aí pra ver se encontro alguma companhia. Foi um prazer, meninas. – disse acenando a cabeça para as moças.
- Tchau, cabeçudo! – a morena afrontou.
- Não me provoque, Evellyn! Ou quer que eu conte a ela o seu apelido de infância também?
- Vai embora logo, Eric! – sorriu o empurrando pelos ombros.
- Muito simpático o seu primo. – Camila comentou assim que o rapaz saiu.
Evellyn a fitou séria.
- Se quiser ainda dá tempo de passar o seu número pra ele.
- Não me ouviu dizer? Eu não estou disponível, senhorita. – disse se aproximando do ouvido da morena – Vou te contar um segredo. Eu estou completamente perdida de amores pela minha chefe. – sussurrou.
Evellyn sentiu os pêlos da sua nuca se arrepiarem ao sentir Camila tão próxima.
- Vamos... – pigarreou se afastando daquele contato – Vamos lá no escritório. Acho que já está na hora.
Saíram do salão disfarçadamente e se encaminharam para o corredor onde ficava o escritório de Marco. Evellyn levou a mão até a maçaneta e constatou que a porta estava trancada.
- Fique vigiando enquanto eu abro, Camila.
A loira viu sua chefe retirar uma pequena chave de dentro da bolsa de mão que carregava.
- Uma chave mestra. – disse rodando a chave na fechadura e abrindo a porta – O William não falha comigo! – sorriu vitoriosa.
- Eu não sabia que o William prestava serviços escusos à você. – disse adentrando a sala.
- O William é um excelente funcionário. Me presta serviços de todos os tipos. O que eu pedir.
Camila arqueou uma sobrancelha e a encarou.
- Nada ilegal e muito menos de cunho sexual, Camila. – disse ao perceber a expressão no rosto da loira – Fique tranquila.
Evellyn fechou a porta e pegou uma pequena lanterna em sua bolsa para iluminar o ambiente.
- Você pensou em tudo mesmo, hein. Anda assistindo muitos filmes de espionagem?
- Eu sou apenas uma mulher precavida. – sorriu – Vamos olhar ali na mesa dele. Espero que as gavetas não estejam trancadas também. Essa chave só serve para portas.
Evellyn iluminou o caminho e foi em direção à mesa do outro lado da sala, sendo seguida por Camila. A loira começou a analisar alguns papéis que estavam em cima do móvel enquanto Evellyn vasculhava as gavetas. Camila folheava uma pasta com documentos quando a deixou cair. Ao se abaixar para pegar bateu com a cabeça na borda da mesa.
- Ai! – levantou com a mão na testa.
- Camila? O que foi isso?
- Eu bati a cabeça na mesa.
- Você está bem? – deixou a pequena lanterna sobre a mesa e a encarou.
- Sim. Só está um pouco dolorido. Ai! – gem*u.
- Deixa eu ver aqui. – pegou a lanterna e iluminou o rosto da loira analisando a região – Só está um pouco vermelho.
- Ai, Deus! Será que vai ficar inchado? Como vou sair daqui com a testa inchada? Droga!
- Calma, não foi nada demais. Acho que não vai ficar marcado não. – Evellyn se aproximou para olhar mais de perto.
Camila a encarou por alguns segundos sentido as suas mãos firmes sobre ela.
- Seu perfume... – respirou fundo – É tão bom.
A morena a fitou.
- O seu também é muito bom, Camila. – disse e tentou desviar a atenção de volta aos papéis na mesa.
- Tudo em você é irresistivelmente delicioso! – a loira a segurou, tomando a lanterna de suas mãos, apagando-a e deixando sobre a mesa – Seu cheiro. Seu beijo. – se aproximou da orelha de Evellyn sussurrando aquelas palavras – O jeito que você me pega forte. – levou as mãos da morena até sua cintura apertando-as contra seu corpo enquanto beijava seu pescoço.
- Camila... – Evellyn respirava fundo tentando não se desconcentrar.
- Você ta me deixando louca, Evellyn. Eu não consigo ficar perto de você sem querer que você me toque, me beije...
- Camila, vamos nos concentrar no trabalho, sim? – disse tentando se afastar.
A loira a impediu segurando com as duas mãos em seu pescoço e aproximando sua boca do rosto da mulher à sua frente.
- A todo o momento eu me pego imaginando você arrancando as minhas roupas e me fazendo sua.
- E acha que é fácil resistir à você, Camila? Eu tenho que me concentrar muito pra não perder o juízo com você!
- Então não se concentre! Perca o juízo comigo! – disse roçando os lábios pelo maxilar da morena.
- Camila, por favor... Não faz assim. – suspirou fundo.
Camila distribuía beijos por todo o rosto de Evellyn. Sentia as mãos da morena apertarem sua cintura cada vez mais forte enquanto ela pressionava seu corpo contra o de dela, roçando levemente, incitando o desejo entre elas.
Quando não conseguiu mais resistir Evellyn agarrou Camila sedenta por seu beijo. Pressionava a loira contra ela com uma mão enquanto a outra foi de encontro à sua nuca e puxou com força os seus cabelos. Camila arfou sobre os lábios de Evellyn que foi de encontro ao seu pescoço e começou a depositar beijos molhados. A loira se apoiou na mesa enquanto Evellyn corria as mãos por suas coxas sem desgrudar seus lábios do beijo ardente que trocavam. A morena levou uma das mãos por baixo do vestido de Camila e logo alcançou seu sex* molhado sob a calcinha. Começou a fazer movimentos calculados enquanto Camila se movia desesperada por aquele contato. Haviam perdido a noção de tudo e de todos. O desejo ardia tanto entre elas que já não se importavam com o que acontecia ao redor. Foi então que ouviram barulhos do lado de fora da porta da sala onde estavam. Num rompante pararam os movimentos quando viram a porta se abrir. Abaixaram-se sob a mesa o mais rápido que puderam tentando se esconder atrás do móvel de madeira grossa.
- Eu não acredito nisso! – Camila sussurrou com a respiração descompassada.
- Shiu! – a morena fez sinal com o dedo na boca.
- E agora, Evellyn? – disse baixinho.
- Agora ferrou!
Fim do capítulo
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