Se Eu Não Lembro, Eu Não Fiz!
Ao abrir olhou em uma expressão incrédula.
- Boa noite, Camila.
- Evellyn?
- Por que o espanto? – disse com um meio sorriso nos lábios.
- Bom, porque nunca havia vindo em minha casa e de repente é a segunda vez que vem em menos de dois dias. Algum problema?
- Eu poderia entrar? Se não for incômodo. – Evellyn disse impaciente.
- Ah, sim claro. Por favor.
- Obrigada. – disse adentrando a sala. – O que foi?
- O que foi o que? – Camila a observava dos pés à cabeça.
- Por que está me olhando como se eu fosse um animal exótico?
Camila não pôde deixar de rir sem jeito.
- Suas roupas.
- O que têm as minhas roupas, Camila?
- Nada. É que eu nunca te vi assim... despojada.
Evellyn usava uma calça jeans justa, uma blusa branca decotada e um casaco preto de linho. Não pôde deixar de gargalhar com o comentário da loira.
- Pra quem toma vinho de sutiã na cozinha de casa, não creio que esteja em posição de opinar sobre os meus trajes.
Camila corou.
- À que devo a honra da visita, senhorita Campbell? – disse tentando mudar o rumo da conversa.
- Você está tão desorientada que anda esquecendo objetos pessoais no local de trabalho. – Evellyn estendeu a mão mostrando um celular.
- Nossa! – disse estendendo a mão para pegar. – Meu celular?!
- Pelo visto não tinha notado até agora.
- Sinceramente não.
- Quando eu digo que você anda trabalhando demais, você ainda se irrita.
Um silêncio constrangedor pairou no ambiente.
- Que cheiro é esse? – Evellyn perguntou.
- Ah, não! O risoto! – Camila saiu em disparada até a cozinha. – Não acredito! Que droga! Queimou.
- O que? – Evellyn a seguiu preocupada.
- Eu estava fazendo um risoto e deixei no fogo baixo enquanto atendia a porta. Achei que seria rápido, não estava esperando ninguém.
- Nossa, me desculpe!
- Tudo bem. – disse mexendo a panela. – Não foi sua culpa.
- Agora estou me sentindo responsabilizada.
- Não se preocupe, Evellyn.
- Olha, eu até faria outro jantar pra você, mas eu não sei cozinhar.
- Por que isso não me surpreende? – Camila disse sorrindo ironicamente.
- Eu vou relevar, mais uma vez, essa sua audácia que ultimamente está aflorada, – disse com bom humor – e vou me oferecer para lhe pagar um jantar.
- Não, não precisa, Evellyn. Eu dou um jeito, faço outra coisa. Não se preocupe.
- Ok... Posso pedir uma pizza então?
- Evellyn...
Camila mal teve tempo de protestar, Evellyn já discava no celular o telefone de uma pizzaria.
- Você prefere algum sabor?
***
Sam Smith ainda tocava baixinho no som da sala. A caixa de pizza, já remexida, estava na mesa de centro. Evellyn e Camila gargalhavam, sentadas no grosso e macio tapete da sala, sobre mais alguma história sem importância a qual conversavam. As duas garrafas de vinho – já no fim – em cima da mesinha acusavam a razão dos risos sem motivo aparente.
- Eu não sei o porquê, mas depois desse dia eu passei a detestar comida japonesa. – Evellyn sorria com certa leveza no olhar.
Mais uma vez ouviu-se gargalhadas ecoarem no ambiente.
- Você é louca, Evellyn! – Camila disse encostando a cabeça já um pouco pesada no ombro da morena.
Os risos continuaram por mais alguns instantes e cessaram. Camila já abria e fechava os olhos com certa dificuldade.
- Camila... Camila?
- Sim?
- Ainda está viva?
- Parcialmente.
- Você não deveria misturar álcool com remédios. – Evellyn disse aos risos.
- Eu estou ótima! Mas não muito.
Camila permanecia com a cabeça no ombro de Evellyn. As duas estavam recostadas no sofá se apoiando sobre almofadas.
- Vem, vou te levar pra cama. Você não está em condições.
Evellyn também estava alterada, rindo à toa, mas estava lúcida e consciente. Ajudou Camila a se levantar apoiando-a em seus braços. Não haviam bebido tanto, mas o álcool misturado com os remédios analgésicos que Camila estava tomando tiveram um efeito forte sobre ela.
- Eu estou ótima, senhorita Campbell. Não se incomode comigo.
- Eu sei que está. Você é ótima, senhorita Clarke.
As duas se encaminharam arrastando-se até o quarto de Camila. Derrubaram alguns objetos pela casa durante o percurso, o que foi motivo de risos exagerados.
- Se tiver quebrado alguma coisa, amanhã eu estarei muito brava com você, Evellyn.
A morena nem se deu ao trabalho de responder. Chegaram ao quarto com certa dificuldade onde Camila foi posta sentada na cama.
- Camila. – Evellyn segurava seu rosto com as duas mãos – Você consegue se trocar sozinha?
- Oi? To ouvindo, pode falar. – disse meio zonza.
- Suas roupas, Camila. Tire elas e coloque algo confortável para dormir.
- Confortável? Sim, ela é ótima. Quer experimentar?
- O que? – Evellyn já estava de pé em sua frente.
- A cama. Ela é muito confortável. Quer experimentar?
Evellyn não pôde deixar de rir.
- Ok... – soltou um suspiro pesado – Vem, levanta.
Segurou Camila pelos braços a pondo de pé.
- Vou te trocar, está bem? Tente colaborar.
- Sim, senhorita Campbell. – disse aos risos.
Evellyn segurou na barra da blusa de Camila a subindo com certa dificuldade, a loira não conseguia manter os braços levantados. Retirou-a e deixou pelo chão. Desabotoou o seu short devagar, puxando o zíper com calma. Camila mantinha seus olhos nela. Permanecia séria. Evellyn desceu as mãos até a barra do short com delicadeza e foi puxando para baixo, abaixando-se junto. O corpo de Camila, aqueles toques, o seu calor tão próximo já estavam deixando Evellyn quente. Ela tentava se concentrar, mas desde o dia anterior tudo o que envolvia Camila estava tirando ela do sério. Levantou-se rapidamente para desviar sua atenção e deu de cara com Camila sorrindo maliciosamente para ela. A loira passou os braços no pescoço de Evellyn se aproximando, o que fez com que automaticamente ela a segurasse pela cintura. Engoliu seco ao ter Camila tão próxima vestindo apenas uma lingerie. O calor do seu corpo estava alterado e ela podia sentir só de encostar.
- Camila, vamos para a cama, vem. – disse tentando falhamente se desvencilhar.
- Eu não estou com sono, Evellyn. – disse séria.
- Não perguntei se está. Disse para vir.
- Você quer me beijar? – perguntou olhando dentro dos olhos de sua chefe.
- O que? – Evellyn ficou travada ao ouvir aquilo – Você não está em seu estado normal, Camila. Vai pra cama.
Camila sorriu aproximando-se da orelha de Evellyn onde sussurrou.
- Me beija?
Evellyn sentiu seu corpo estremecer. Fechou os olhos e arfou tentando se reprimir e afastou-se a segurando pelos ombros.
- Você está bêbada. Vem pra cama. – disse encaminhando a loira.
Evellyn a deitou na cama e sentou-se ao seu lado, ajeitando seu travesseiro.
- Onde você coloca suas roupas de dormir?
- Não precisa.
- Camila, não começa de novo. Me fala onde guarda seus pijamas, camisolas ou seja lá o que você usa para dormir.
- Não precisa, eu durmo nua. – disse com um sorriso divertido e malicioso nos lábios.
Evellyn a encarou incrédula.
- Quer tirar pra mim? – fez um gesto apontando para seu sutiã.
Evellyn fechou os olhos e sorriu, balançando a cabeça em negação.
- Isso só pode ser brincadeira. – disse mordendo os lábios.
Camila ainda a observava esperando resposta.
- Não, Camila. Não é apropriado e nem cordial tocar em uma mulher bêbada.
Camila sorriu fechando os olhos e caiu no sono. Evellyn ficou a observando por algum tempo. Admirando aquela bela mulher. Era incrível como ela não havia se permitido notar até então. Uma mulher inteligente, com caráter respeitável, de bom coração e além de tudo linda. Seu corpo, seu rosto, seus cabelos. Tudo nela ornava perfeitamente bem.
- Eu preciso sair daqui. – disse a si mesma se levantando e saindo.
Evellyn ajeitou as coisas pela casa, deu uma limpada rápida na sujeira na sala onde viu o celular de Camila sobre a mesinha de centro. Pegou-o e foi até o quarto o depositando sobre o criado mudo ao lado da cama. Deu uma última olhada na loira, puxou sua coberta para cobri-la e foi embora.
Já em seu carro particular, um Porsche Panamera na cor marrom, no caminho para casa ela não parava de pensar nos acontecimentos daqueles dois últimos dias.
- O que é que está acontecendo com você senhorita Campbell? – sussurrou a si mesma – Eu só posso estar ficando louca!
O som do carro soava baixo, uma música qualquer tocava na rádio.
- Você não pode e nem deve. – continuou pensando alto – Pelo amor de Deus, Evellyn, ela é sua secretária! Mais que isso, ela é minha funcionária de confiança, meu braço direito. Esquece isso. Esquece isso!
Evellyn esbravejou aumentando o volume do som do carro. Tocava “Do I Wanna Know” do Arctic Monkeys. Ela cantarolava a música tentando esquecer os seus pensamentos enquanto dirigia de volta para casa.
***
- Bom dia, senhorita Evellyn.
- Bom dia, Ivone. – Evellyn disse se sentando à mesa para o café.
- Passou bem a noite?
- Sim.
- E está tudo bem?
- Sim. Por que não estaria?
- A senhorita me parece tensa.
- Eu estou bem, Ivone. Obrigada.
- Tudo bem. Deseja algo mais para o café da manhã?
- Eu acho que gostaria daquelas panquecas de doce de leite, Ivone. – disse com um olhar carente – Pode pedir à Nice para preparar algumas para mim, por favor?
- Sim, claro.
- Obrigada! – disse com um sorriso largo.
- Nice, – disse Ivone já na cozinha – prepare algumas panquecas para a senhorita Campbell, por favor. De doce de leite.
- Doce de leite a essa hora da manhã? – a cozinheira a olhou com as sobrancelhas levantadas.
- Sim. – Ivone respondeu séria.
- Aconteceu alguma coisa, Ivone?
- Não. Por quê?
- Você sabe que a Evellyn não come doces, muito menos de manhã. E se come é porque tem algo de errado.
- Sim, eu sei, Berenice.
- A última vez que ela se entupiu de doces foi quando o senhor Campbell faleceu. A coisa deve ser grave. Será que é algo na empresa?
- Berenice, – Ivone disse já irritada – faça as panquecas e pare de conversa fiada.
- Sim, senhora. – disse em tom de rendição.
Após o café da manhã Evellyn sentou-se no sofá para relaxar. Ligou a TV em um canal qualquer enquanto dava uma olhada em suas redes sociais pelo celular.
Uma notificação marcava ela em uma foto de um evento:
“DJ Meg convida para uma noite no paraíso na II Edição da Night in Paradise Party!
Neste sábado, a partir das 23h na Boate FunHouse.
Não perca!”
Instantes depois recebeu uma mensagem:
DJ Meg:
“E aí, gata!
Ta afim de curtir a noite hoje?”
Evellyn sorriu automaticamente com o que leu e logo respondeu:
Evellycia:
“Megan, a DJ mais gostosa de New York, à casa retorna...
Como vai, Meg?”
DJ Meg:
“Eu estou ótima! Melhor agora...
E vc, o que me conta de bom?”
Evellycia:
“Eu to bem... Mas e essa festa aí?
To recebendo um convite formal?
Convidada VIP ou sou só mais uma na sua lista?”
DJ Meg:
“Evellycia, vc sabe que comigo é VIP!
To disponível pra vc sempre e onde
quiser! É só chamar...”
Evellycia:
“Hummm... Estou lisonjeada!”
DJ Meg:
“E então? Seu nome já ta na lista VIP.
Camarote Open Bar. O que me diz?”
Evellyn sorriu pensativa antes de responder. Precisava se distrair, uma festa agora seria ótimo para esfriar a cabeça. E um convite da Megan... Seria interessante.
Evellycia:
“Como recusar um convite da DJ mais
gostosa que eu conheço?! Convite aceito.
Me espere lá!”
DJ Meg:
“Sou a única que vc conhece, baby!
Aguardo ansiosamente...
Te vejo hoje à noite. Beeijo”
Evellycia:
“Até lá... Beeijo”
***
“Camila.”
“Sim?”
“Você quer me beijar?”
“Como disse?”
O toque dos seus lábios era suave e intenso. Sentia seu corpo estremecer. As mãos de Evellyn percorriam seu corpo fazendo pausas em pontos estratégicos. Suavemente, intensamente. Seu corpo estava quente, começava a sentir o calor percorrendo por sua nuca, descendo por seu ventre e chegando até seu centro.
“Quer tirar pra mim?”
Evellyn acatou seu pedido e tirou sua lingerie com rapidez. Passeava a língua em seu corpo completamente nu. Lambeu seu pescoço subindo até sua orelha e sussurrou.
“Goz* pra mim, vai?”
Camila mordeu os lábios ao ouvir aquilo. Seu corpo estremeceu enquanto Evellyn começou a descer aos beijos pelo seu peito, sua barriga, seu umbigo e descendo mais até que... Ouviu um zumbido ecoando ao longe.
“Não! Por favor, não para!”
Implorou à Evellyn que já estava de pé ao lado da cama.
“Eu preciso atender, Camila.”
“Não! Não!”
O Zumbido ainda ecoava em seus ouvidos.
- Não!
Sussurrou uma última vez e deu um salto na cama. Sentia seu corpo mole e suado. Seus cabelos estavam bagunçados demonstrando um sono não muito tranqüilo. Arfava de forma descompassada já sentada na cama. Passou as mãos pelo rosto parando sobre seus olhos. Respirou fundo por alguns segundos até que o zumbido recomeçou a ecoar em seus ouvidos. Seu celular no criado mudo ao lado da cama vibrava sem parar, com intervalos de poucos segundos enquanto a chamada caía e era refeita.
- Mas o que foi isso?! – disse confusa.
Sua cabeça latej*v* e o zumbido do celular só piorava a situação. Bateu a mão na mesinha pegando o celular. Na tela aparecia a foto de um belo loiro de olhos azuis sem camisa. Ela mais que depressa atendeu.
- Bom dia, Baby.
- Bom dia?! Camila Clarke, você tem noção de que horas são? Eu estou te ligando faz horas e você não me atende!
- Desculpa, amor! Eu estava dormindo.
- Dormindo até essa hora? Hummm... O que você andou aprontando, meu bem?
- Aprontando? Eu? Nada! Que horas são?
- São exatamente 11 horas e 37 minutos, meu amor!
- O que? Minha nossa, eu dormi tanto assim?!
- Isso ta me cheirando a macho. E macho dos bons porque pelo visto te deixou acabada, amiga!
Camila ouviu gargalhadas do outro lado da linha.
- Cala a boca, Denis!
- Ok, ok! Agora levanta que eu to chegando aí. Vou levar um café e alguma coisa pra gente comer. To vendo que você não tem a menor condição hoje.
- Ah, ótimo! Faça isso porque não estou em condições mesmo.
- Chego em 15 minutos. Kisses!
- Te espero. Beijo.
Camila se levantou com certa dificuldade, sua cabeça rodava. Assustou-se quando percebeu que estava apenas com suas roupas íntimas.
- Eu não me lembro de ter tirado minhas roupas. – disse confusa.
Foi até o banheiro de seu quarto para fazer a higiene pessoal. Tomou um banho frio para espantar aquele mal estar. Ao terminar vestiu roupas confortáveis e não demorou para que Denis tocasse sua campainha.
- Bom dia, Baby C! – disse adentrando a sala sem cerimônia.
- Bom dia, Baby D.
- Nossa você está péssima! O bofe era bom mesmo hein. – disse sorrindo maliciosamente.
- Denis, cala essa boca e passa essa comida pra cá. Eu to morrendo de fome.
Sentados à mesa na cozinha conversavam enquanto saboreavam a torta de pêssego e os pãezinhos que Denis levara. Camila bebia o café com sede. Estava forte e quase sem açúcar. Ela detestava café sem açúcar, mas diante da situação caía como um remédio em suas veias.
- Mas então, vai ou não me contar o que houve noite passada?
- Não houve nada, Denis. Eu só bebi um pouco de vinho e como estou tomando os remédios por conta do ferimento que o gato me fez, misturou tudo e eu acabei ficando meio grogue. Só isso.
- Sei... E quem te acompanhou?
- Ninguém. Eu estava sozinha.
- Então você estava querendo se acabar, não é mesmo? – disse apontando para a pia – Comeu uma pizza inteira sozinha e bebeu vinho em duas taças.
Camila observou a pia e corou sem jeito.
- Ok, ok! – disse bufando – Eu estava acompanhada sim, mas não vou te dizer quem era. Sua bicha curiosa! Até porque não aconteceu nada demais. Nós só conversamos, comemos, bebemos e ficamos de papo. E depois disso eu não me lembro mais.
- Você não vai me contar? Eu não acredito nisso, Baby C! Depois de tanto tempo sozinha você está saindo com alguém e não vai contar pra sua melhor amiga? Sua Best friend? A que está sempre ao seu lado. A que conta tudo, t.u.d.o, pra você. É assim que me retribui? Tudo bem, tudo bem...
- Baby D, sem drama, vai! Primeiro, eu não estou saindo com ninguém. Segundo, isso não foi um encontro, foi um acaso. E terceiro que não era ninguém importante.
- Ótimo! Se não era importante não há por que me esconder.
Camila olhou com os olhos semicerrados para o amigo. Levantou-se e foi até a pia ajeitar a bagunça.
- Por que todo gay tem que ser curioso, hein?
- Meu bem, isso vem no chip! Agora desembucha.
- Ok... – disse bufando – Acontece que eu estou atolada de trabalho e ando meio desorientada da cabeça.
- Mas isso você sempre foi, meu bem. – Denis a interrompeu gargalhando.
- Quer que eu conte ou não?!
Denis apertou os lábios e fez um gesto indicando silêncio.
- Bem, como eu dizia, eu acabei esquecendo meu celular no trabalho e mais tarde a... bem... a minha chefe veio aqui me entregar.
- O que?! – Denis um grito e saltou da cadeira – Você passou a noite com Evellyn Campbell? Meu.Deus!
- O que? Não! Denis, cala a boca! Deixa eu terminar de falar. Eu não passei a noite com ela. Houve um incidente com o meu jantar, acabei deixando queimar. Ela se sentiu culpada e pediu uma pizza. Nós tomamos um vinho e ficamos nessa. Conversamos e depois disso eu só me lembro de acordar na minha cama.
- Camila! Sua louca! Você transou com a sua chefe?!
- Denis, quer parar?! É claro que não. Ta louco? Ela é minha chefe e primeiramente é mulher!
- Baby C, meu bem, isso não quer dizer nada.
- Como não? Eu não trans*ria com uma mulher, muito menos com a minha chefe! E nem ela...
- Ah, por favor, Camila! Vai dizer que não conhece a fama da sua querida chefe Evellyn Campbell?
- Fama? Que fama, Denis?
- Ai... Às vezes eu me esqueço que você vive presa nessa bolha chamada trabalho. Camila, os rumores que rolam é que Evellyn Campbell é a lésbica mais desejada de toda a New York!
- O que? – Camila arregalou os olhos – Denis, você ta louco? Isso é sério, não pode ficar inventando boatos assim, isso dá processo.
- Que boatos, Camila?! Eu não inventei esse boato. São os rumores que rolam nas noites nova-iorquinas. Me diz, por um acaso, durante todo esse tempo que você trabalha com ela, já viu ela com algum cara?
- Não, mas eu não teria como saber. Ela sempre foi bem reservada em relação à sua vida pessoal.
- Mais um motivo. Você deve ao menos saber que antes de assumir os negócios da família ela era uma perdida nesse mundo. Não parava em casa, viajava por todo o mundo sempre em festas, rodeada de gente rica e bonita.
- Mas isso ela é até hoje. Tirando a parte das viagens.
- Justamente. As festas mais badaladas da cidade sabem o que a milionária Evellyn Campbell apronta por aí. É claro que não se tem provas e nem se pode afirmar porque ela só vai à festas bem frequentadas, gente rica, bonita e educada. Lá eles não fazem fofocas, apenas comentam a vida social das pessoas. E com certeza ela é bem cuidadosa.
- Ta, mas hipoteticamente, se isso fosse verdade, como você saberia?
- Eu tenho meus contatos, meu bem. Esqueceu que vez ou outra eu descolo uns convites para frequentar a alta sociedade?
Camila parou de falar e ficou pensativa. Ela sabia que lá no fundo essas desconfianças tinham fundamento, principalmente depois dos últimos acontecimentos, mas o fato é que ela não queria acreditar.
- Bom, de qualquer maneira eu não tenho nada a ver com a vida dela e nem você. Se ela for lésbica, qual o problema? Ela sabe da vida dela, é maior de idade, é rica. Cada um com seus gostos.
- O problema, meu bem, é que você pode ter trans*do com a sua chefe na noite passada e não se lembra.
- O que? Não, claro que não. Denis eu me lembraria se... Bem, enfim. Eu sentiria.
- Baby C, você disse que estava grogue de bebida e remédios. Como pode ter certeza que ela não fez nada contigo?
- Ai credo, Denis! Ela não faria isso, não comigo estando inconsciente. Eu posso não saber da sua vida pessoal, mas eu conheço seu caráter, sua índole. Ela não faria isso.
- Ok... Se você confia nisso quem sou eu pra dizer o contrário. Mas agora deixa essa conversa pra outra hora, depois você pergunta ela se rolou ou não alguma coisa entre vocês ontem.
Camila arregalou os olhos e estapeou o braço do loiro.
- Ai, aiiii – disse gargalhando – Para bicha louca!
- Para de falar besteira, Denis. Isso é sério.
- Ok, parei!
Camila bufou.
- Deixa eu te falar o verdadeiro motivo por eu ter vindo aqui.
- Humm... – Camila não deu muita importância, mantendo sua atenção nas louças que lavava.
- Eu consegui ingressos VIP para a Night in Paradise Party que vai rolar hoje na FunHouse!
Denis disse com empolgação dando pulinhos e batendo as mãos enquanto Camila o olhava com desdém como se não fosse nada demais.
- Nossa! Que legal. – disse com uma empolgação forçada.
- Vadia! É só isso que você diz? “Nossa que legal?" Você tem noção do quanto essa festa vai bombar?!
- Não faço a menor ideia, Denis.
- Meu Deus! Em que mundo você vive, Camila? Essa festa ta sendo anunciada à meses. Só vai rolar gente da alta, lá! E euzinho aqui consegui dois ingressos e como sou um ótimo melhor amigo decidi te levar.
- Ai, Baby D, eu não estou com o menor clima para festas.
- E quando é que você está, Camila? Nunca! Vamos sair, ver gente, conhecer gente nova, pegar uns bofes ricos. Acorda pra essa vida, mulher!
- Denis, eu não curto esse tipo de festa, você sabe disso e mesmo assim toda vez vem me chamar.
- Eu tenho uma esperança de te converter.
Camila revirou os olhos para o amigo quando ouviu seu celular vibrar em cima da mesa da cozinha. Enxugou as mãos e pegou para olhar a mensagem que acabara de receber.
Evellyn - Chefa:
“Boa tarde, Camila. Tudo bem?
Espero que sim. Ontem quando te deixei
você não estava muito bem. Espero que
esteja melhor hoje. Dei uma ajeitada nas
coisas que bagunçamos ontem, espero
não ter quebrado nada. Foi uma noite
muito agradável ontem. Não sabia que
você era tão boa companhia rsrs.
Bem, era só para saber se está bem.
Se puder me confirme isso, por favor.
Att, Evellyn"
Camila arregalou os olhos ao ler a mensagem e ficou parada um tempo olhando para o celular.
- Baby C? O que foi, mulher?
- Hã?
- Quem te mandou mensagem e por que essa cara de espanto?
- Ninguém. – disse bloqueando a tela do celular – Quer saber? Eu vou a essa festa. Preciso me distrair um pouco, esse meu trabalho ta me deixando louca!
Fim do capítulo
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Marta Andrade dos Santos
Em: 22/12/2022
Eita que eesa festa vai dá kkkkk
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