Sobre a cama no escuro eu suava. De calor, de frio. Aquela sensação de um queimar por todo o corpo. E arrepios, e calafrios. Tremia.
Todo o corpo tremia encolhido em posição fetal, acuado, e as mãos que já pareciam sem forças ainda seguravam o lençol.
Os olhos ardentes, vermelhos, lacrimejantes, e aquela dor na garganta seca, a sensação desconfortável de que eu nunca mais ia conseguir respirar normalmente. È, eu estava doente, mas não, não estava.
Não era febre. Até era também. Quem saberia explicar porque o termômetro indicava que a qualquer momento meu corpo explodiria, mas não era febre. Não. Era paixão.
Era de paixão que eu queimava sobre aquela cama. Paixão não mais correspondida. Aquela paixão que antes foi tão correspondida, tão forte, e agora no escuro, no meio daquela noite, eu queimava a lembrar que teria de esquece-la.
Teria de esquecer a forma como ela tomou meu corpo, esquecer toda aquela força com que ela me tomava para si, esquecer sua forma indelicadamente delicada de me amar.
Não era febre, era paixão, e ali eu entendi, paixão é febre de amor.
Fim do capítulo

rhina
25/07/2016 às 17:03
Olá.
Imagine ficar numa situação destas.
"Paixão é febre de amor."
Belo autora.
Até.
Rhina.