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Quando o amor acontece... por Marina_Santos

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Palavras: 836
Acessos: 1832   |  Postado em: 00/00/0000

Capítulo 5 - INTERMEDIÁRIO

Faltavam 03 dias para ela viajar e eu não conseguia falar com ela.

Não atendia minhas ligações e nem respondia meus e-mails.

Mil coisas passavam na minha cabeça e uma delas era:

- Não acredito que ela vai dá pra trás agora, depois de tudo que fiz.

Estava agoniada, precisava vê-la, saber o que aconteceu, o porquê dela ter desistido e só assim, seguir em frente.

DATA: 09/01. HORA: 08:30 LOCAL: Aeroporto Internacional Tom Jobim.

Foi à última notícia que eu tive dela, em uma mensagem, de um número que desconheço.

Eu já programei tudo, minha casa já esta organizada, já com data pra começar em outro emprego e ela simplesmente, some.

No dia 09 eu estava lá, cheguei 07:30 da manhã e comecei a procurá-la.

Quando a encontrei, quase não reconheci, ela estava pálida, com um semblante muito triste.

Fiquei um tempo observando de longe e uma coisa que reparei era que o pai dela não saiu de perto, em nenhum momento.
Eu pensei: 

- Puts, será que ela contou para eles o que planejávamos?

Então, resolvi me aproximar.

- Marcela. – Disse em tom firme.

- Deixe-a em paz. – Disse o pai olhando seriamente para mim.

- Vc arruinou nossa família, não quero minha filha perto de vc. – Continuou.

- Sua filha já é bem grandinha Sr. Oswaldo. Ela tem poder de tomar qualquer decisão.

- Eu não quero ir pai. – Ouvi a voz dela pela primeira vez, depois de muitos dias.

- Cale a boca Marcela, vc não vai se juntar com esse tipo de gente. – O retrucou.

- Sr. Oswaldo, dê uma chance para sua filha. Ela tem uma carreira brilhante pela frente, deixe-a escolher o que ela quer.

- Eu quero ficar pai. – Implorou ela.

Quando ela se virou para suplicar ao pai, eu notei uma mancha roxa em seu pescoço.

Eu fiquei parada olhando e ela quando percebeu que eu havia visto, tentou disfarçar.

Aquilo me irou. Não acredito que ele havia batido nela.

- Marcela, venha comigo, agora. – Disse estendendo a mão pra ela.

- Ela não vai a lugar nenhum. – Disse ele segurando ela.

- Se o senhor não a soltar, chamarei a polícia. Faço ela fazer um B.O. contra o senhor. Ela não esta te maltratando, nem tão pouco te desrespeitando. Ela só esta tomando uma decisão, precisa respeitá-la. Criou uma filha para se dá bem na vida, mas cabe a ela decidir o que quer fazer.

Ele olhou para os lados e começou aos poucos soltá-la.

Então a mãe dela disse:

- Deixe-a ir Oswaldo. – E começou a chorar.

- Espero que vc saiba o que esta fazendo menina. – E a soltou.

Eu estendi a mão para ela, que prontamente segurou.

Que alívio poder senti-la novamente, eu a abracei tão forte que não queria soltar mais.

- Ela será muito bem cuidada Sr. Oswaldo. – Disse olhando em seus olhos.

- Espero que não se arrependa, pq não estaremos aqui se isso acontecer.

- Não vou me arrepender pai. Eu amo vcs.

Ele a ignorou. Virou-se e foi em direção ao portão de embarque.

Ela conseguiu abraçar a mãe.

- Se cuida Marcela, sempre poderá contar comigo. – E a beijou depois de um longo abraço.

E virou-se em direção ao portão.

Depois de tudo ter passado, ela me encarou.

- Que bom vc veio.

- Achou que eu não viria? Não cheguei num um cavalo branco, mas vim.

- Achei que não veria mais vc.

- Vamos, teremos muito tempo para conversar e programar nossa mudança.

A abracei mais uma vez, um alívio.

Pegamos as malas, colocamos no carro e fomos para o apartamento.

Ao chegar, pedi para que ela tomasse um banho e deitasse.

Fui para a cozinha, preparar um café, estava faminta.

Ouvia o barulho do chuveiro ligado e ela cantarolava alguma música que eu não entendia.

Preparei tudo e mesmo assim ainda ouvia o barulho do chuveiro.

Levei a bandeja para o quarto e fui ao banheiro, bati na porta e ela não respondeu.

Então, eu abri e entrei.

A encontrei sentada, em baixo do chuveiro, chorando.

Entrei do jeito que eu estava mesmo, agachei e a abracei.

- Ei, o que houve? – Perguntei preocupada.

- Eu ainda não acredito que consegui e que vc não desistiu de mim. – Disse aos prantos.

- Minha linda, eu jamais iria deixar vc partir, sem antes saber o que tinha acontecido.

Só então, eu pude ver a marca que ela tinha em volta do pescoço.

- Foi seu pai que fez isso?

- Sim, ele não aceitou quando disse que não iria embora e que iria ficar com vc.

- E pq não me ligou?

- Ele me tirou tudo, celular, computador... Consegui mandar a mensagem pra vc do celular da empregada. – Ela sorriu.

- Mas agora acabou ta, vou cuidar de vc, vc agora é minha pequena. – E a beijei.

- Vamos, preparei um café para nós. O primeiro de muitos...

Fim do capítulo


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