Última noite de amor por Vandinha


[Comentários - 1262]   Impressora Imprimir Capitulo ou História - Lista de Capítulos

- Tamanho do Texto +

 

 

Última Noite de Amor -- Capítulo 61

 

Sebastian contornou a casa, lançando olhares à sua volta, como se procurasse alguém escondido na sombra. Parou novamente próximo a piscina e estranhou o cadeado de uma das caixas da bomba estar aberto. Virou-se em direção ao portão e berrou para o segurança:

-- Keza! Venha até aqui. Preciso que veja algo para mim.

O General mal acabou de falar e o segurança já estava ao seu lado.

-- Pois não General?

-- Porque essa caixa está destrancada? Você sabe muito bem que já me roubaram umas três bombas de piscina -- falou irritado.

-- Será que roubaram a bomba senhor?

-- Sei lá. Olhe você.

Keza pegou na tampa para levantar...

-- Aiiiiiiiiii... Socorroooooo...

-- O que é isso? -- Sebastian levantou a cabeça, assustado.

Os dois homens sacaram a arma da cintura e apontaram em direção de onde vinham os gritos.

-- Socorrooo... Fui atacado... Me ajudemmm... -- André entrou na propriedade correndo, gritava e chorava, estava transtornado.

-- O que é aquilo?

-- Sei lá patrão.

André parou na frente do general, caiu de joelhos e agarrou-se a perna da calça dele.

-- Por favor, senhor... Ajude-me -- implorou.

-- O que é isso homem? -- Sebastian deu um pulo para trás -- Tá me estranhando?

-- O que eu faço com ele chefe? -- Keza encostou a arma na cabeça do rapaz.

André estava com tanto medo que seu corpo tremia convulsivamente.

-- Espera um pouco -- o General guardou sua arma na cintura -- O que você está fazendo por essas redondezas?

-- Saí para dar uma volta de carro e me perdi. Estava parado alí na frente em busca de informação, quando fui atacado por uma cobra enorrrrmeee... Que horroorrr... Meu Deuuuusss...

Os dois homens se olharam. Sebastian levantou uma sobrancelha.

-- Levou sorte podia ter sido bem pior.

-- Podia? -- André secou uma lágrima falsa.

-- Podia. Tem muitos leões por essas bandas. Eles vêm pra cá para caçar veados -- falou e deu uma risadinha debochada -- Keza leva esse cara pra dentro e deixa-o lá até a festa terminal.

-- Sim senhor. Vem bichinho -- Keza puxou André pelo braço e o levou para dentro.

Valéria levantou um pouco a tampa da caixa e olhou para fora por uma pequena fresta. Aliviada, pode enfim soltar o ar. Não tinha ninguém por perto. Estava salva graças ao André.

 

No bordel.

 

Valentina e Gustavo se preparavam para sair com as garotas trazidas do Brasil para a festinha de Sebastian.

-- Deixem as meninas com o General e voltem logo em seguida. Vou precisar de vocês hoje à noite -- Vemba Aproximando-se da escrivaninha, abriu a primeira gaveta, retirou um envelope grosso e entregou para Gustavo -- Se vocês forem abordados por algum policial, entreguem esse documento. O delegado Xoloni é nosso parceiro na polícia. Ele é o cara que nos livra de tudo.

-- Ótimo. Isso me deixa mais tranquilo -- Gustavo guardou o envelope dentro de uma valise preta.

-- Que pena! Pensei que fossemos participar da festinha do General.

-- Hoje não Valentina. Não faltará oportunidade para isso. Vou precisar que me ajudem na recepção a princesa de Le... Sei lá o que.

Valentina cruzou os braços enquanto fazia uma careta de desagrado ao ouvir aquilo.

-- Aff... Aquela princesa é uma chata.

Vemba deu uma gargalhada.

-- Porque ela recusou você Valentina?

-- Não por isso. Ela é toda cheia de exigências.

-- Ela pode minha querida. É herdeira de um império -- Vemba abriu a porta para eles saírem -- Agora vão que a viagem é longa e cheia de imprevistos.

 

 

No restaurante do hotel.

 

-- Hummm... Alex, essas bolachinhas de manteiga mimosa são irresistíveis.

-- Assim como as cinco panquecas que você já havia comido.

-- Adoro panquecas, e, agora também adoro bolachas. Olha para essa aqui com carinha desenhada, dá até pena de comer.

-- Isso me lembrou de um cara que trabalhava em uma padaria e todo o dia uma bolacha dizia: "Sou uma bolacha! Sou uma bolacha! Sou uma bolacha!".

-- Aí, um dia, o cara se enfezou. Pegou uma espingarda e atirou na bolacha. No outro dia: "Sou uma rosquinha! Sou uma rosquinha! Sou uma rosquinha!".

-- Essa piada foi muito boa, Alex -- Bruna observou que Alexandra não havia comido nada. Apenas tomou uma xícara de café com leite -- Você não vai comer? Também está com pena de comer as bolachinhas com carinhas?

-- Estou sem fome -- falou de cabeça baixa, olhando para a xícara vazia em sua mão.

-- O que foi? Tá pensando na sua namorada gostosa?

-- Se a doutora mediúnica chamar a minha Isa de gostosa novamente, serei obrigada a cortar a sua língua.

-- Apenas estou sendo sincera, e não se preocupe minha Vic também é muito gostosa -- enfiou três bolachas de uma vez na boca.

-- Credo! -- Alexandra balançou a cabeça e olhou para os lados para ver se alguém olhava -- Mulher gostosa é igual peso de academia, você só deve pegar o que aguenta, senão vai passar vergonha.

-- O que você quer dizer com isso? -- Bruna apoiou os cotovelos na mesa e a cabeça nas mãos.

-- Que você é muito sem graça. Insonsa. Não sei como conseguiu uma mulher tão bonita.

-- Eu tenho muitos dons. Sabia?

-- E daí? Existem vários dons que as pessoas dominam. A beleza, por exemplo, esse aí eu domino!

-- Você é narcisista Alex.

-- Não tenho culpa se nem eu mesma resisto a minha beleza.

Bruna suspirou fundo.

-- Alex, já pensou que o seu plano pode não dar certo?

Alexandra pousou a xícara que estava em suas mãos na mesa. Sua cabeça não pensava em outra coisa que não fosse isso. Se algo desse errado corriam o risco de perder muitas vidas. Os homens de Vemba estavam armados até os dentes e tinham ordens de atirar em qualquer um que ameaçasse os planos deles.

-- Já pensei sim doutora e confesso que esse pensamento está me deixando quase louca. Não me perdoarei se algo de ruim acontecer com uma daquelas garotas.

-- Não existe plano perfeito, existe plano feito. Um plano bom o suficiente como o nosso. Bota fé Xandinha, vai dar tudo certo.

Alexandra ficou olhando pra ela por um tempo e logo depois se levantou e retornou para o quarto.

 

 

No bordel.

-- Desemburra Isa. Fala comigo vai.

Isabel virou a cara para a parede.

-- Não estou te entendendo. O que foi que eu te fiz de tão grave? -- Malú sentou-se na beirada da cama de Isabel -- Só porque eu transei com o Tom?

Isabel abriu e fechou a boca com expressão raivosa.

-- Você transou com ele? -- sentou-se -- Você não percebeu nada de diferente nele? -- ficou de joelhos na cama e continuou a fazer seu suposto interrogatório a amiga -- Você gostou?

-- Você está querendo saber se eu percebi que Tom é, na verdade, uma mulher? Sim eu percebi e confesso que gostei.

A fúria de Isabel era tanta que ela voou no pescoço de Malú e começou a estrangulá-la com muita força.

O ataque dela pegou Malú de surpresa, mas ela não estava nem um pouco derrotada. Agarrou nos cabelos de Isabel e as duas rolaram para o chão.

Depois de muitos gritos e xingamentos, várias garotas entraram no quarto para separar as duas.

-- O que está acontecendo? -- uma das garotas perguntou.

Malú levantou-se apalpando o pescoço que estava coberto de marcas vermelhas e arranhões.

-- Essa louca quase me matou -- Falou tossindo e com uma voz engasgada.

-- Eu hein. Vocês duas não eram tão amigas?

-- Éramos até essazinha aí querer roubar o que é meu -- virou-se de costas e caminhou para o banheiro sem olhar para Malú.

-- Como assim roubar o que é seu? Espera aí Isa -- olhou para as meninas -- Podem ir. Está tudo bem agora -- Isaaa...

No banheiro Isabel estava imóvel em frente ao espelho. Estava muito tensa com tudo o que provavelmente aconteceria nas próximas horas. Alexandra não havia dado detalhes de como fariam o resgate. Conforme o tempo passava maior era a sua angustia e apreensão.

Malú chegou por trás e a olhou pelo espelho.

-- Menina... Conta-me essa história direito. A namorada ao qual ela se referiu então é você?

Isabel sorriu e se virou.

-- Sim sou eu. O que ela falou de mim?

-- Ela não aceitou transar comigo por sua causa. Eu estava mentindo, não fazia ideia que era você a namorada dela. Estou pasma -- colocou a mão na testa e suspirou admirada -- Logo vi que deveria ter um motivo a mais do que uma simples boa ação.

Saíram do banheiro e voltaram a sentar-se na cama.

-- Então a loira fofa veio salvar a donzela prostituta. Kkkk... -- caiu de costas sobre a cama e colocou uma mão ante a boca tentando abafar parte da risada.

-- Engraçadinha -- sorriu com os cotovelos em cima do joelho, cobrindo o rosto com as mãos -- Ela é simplesmente a prova de que mulheres são fortes! Forte, sexy, confiante e determinada.

-- Hííí... amiga, além de apaixonada está dependente.

-- Dependente não. Sou contra a dependência de outra pessoa pra viver feliz ou começar a se amar/valorizar. Sou mais que isso. Vivi a vida de maneira errada e tive várias experiências ruins, todas essas experiências criaram minha vivência e, com certeza, terei consequências futuras. Você só aprende a amar experimentando, e você só se cura, machucando. A Xanda com seu amor me ensinou muitas coisas e entre elas aprendi a me amar e valorizar -- recostou-se à cabeceira da cama com as pernas esticadas -- Ela me respeita Malú. Ela me respeita mesmo sendo uma garota de programa. Isso não tem preço e me enche de forças para deixar toda essa vida no passado.

-- Poxa. De onde você achou essa não tem mais uma pra mim?

Isabel achou graça.

-- Minha Xanda é única.

-- Isa me diz uma coisa: Como será a nossa fuga?

-- A Xanda me falou que no momento exato da fuga ela estará comigo e a Bruninha estará contigo.

-- Entendo. Então elas, com certeza, nos dirão o que fazer.

-- Sim, não se preocupe. Confie na Xanda e na Bruna.

 

 

No hotel Alexandra falava com Demo pelo celular.

 

-- Muito bom Dengo. Não os perca de vista. Boa sorte! -- encerrou a ligação e virou-se para Bruna.

-- Valentina e Gustavo acabaram de sair do bordel levando com eles as meninas brasileiras.

-- E agora? Qual será o próximo passo?

-- Os dois ficarão por conta do Dengo. Ele saberá o que fazer. Nós vamos nos preparar para entrar em ação -- coçou a cabeça, sacudindo os cabelos daquela sua maneira perfeita, como sempre fazia quando estava apreensiva -- Precisamos acabar com essa corja de bandidos de uma vez por todas.

-- Eu vou incorporar a Ronda -- Bruna falou com uma espiga de milho verde cozido próximo a boca.

-- Nada disso. Sem envolver a polícia nisso.

-- Eu estou falando da Ronda Rousey. Alex você é muito lerda.

-- Como assim?

-- Deixa pra lá -- Bruna suspirou fundo e continuou a comer o milho -- Sabe o que acho Alex? -- perguntou olhando para a espiga -- O milho tem que ser estudado por cientistas. Como que a gente mastiga, mastiga, come e aquilo ainda sai inteiro no vaso?

-- Sei lá Bruna, não tenho uma opinião formada sobre isso. Só sei que tudo pra você começa in Love e termina in merda.

-- Você é tão sem graça Alex.

-- Todo casal tem uma música tema do seu romance. O seu com a Vic deve ser: "Eu, você, dois garfos e um miojo. E aí, cê topa?".

-- Você e a Isa tem uma música em especial?

-- Todo par romântico de novela tem uma música tema. Todo filme de amor tem uma música que marca. Na vida real não é diferente. Sempre tem uma música que diz exatamente o que queríamos dizer pra pessoa amada.

-- E qual é a de vocês?

-- Um dia lá na praia, a Isa cantou uma música que me marcou muito.

-- E como era a música?

-- A letra dizia assim: "Se eu estivesse em um deserto sozinho com sede e com medo...

Você apareceria com um copo d'água e gelo

Se eu estivesse à deriva no meio de um oceano

Você chegaria num bote dizendo sobe, eu te amo

Meu anjo de cabelos longos

Meu anjo de cabelos longos...

https://youtu.be/UI8KQa5dIog

 

 

Horas depois na selva...

 

André afastou um pouco a cortina azul da janela, olhou lá para fora pela fresta com cuidado procurando ocultar-se entre as dobras da cortina.

O jardim ainda estava deserto. Olhou para as caixas das bombas e fez o sinal da cruz.

-- Deus nos proteja.

Voltou a sentar-se na cama. Estava agitado. Não conseguia ficar parado, esperando. Começou a andar de um lado para o outro do quarto.

De repente escutou um barulho distante, que parecia o de um motor, vindo da entrada da propriedade. Voltou a espiar pela janela, na direção de onde vinha o ruído. Sentiu frio, não sabia se era por causa do ar úmido que entrava pela janela ou pelo medo que descobrissem eles.

De qualquer forma, continuou alí parado observando a cena.

O veículo estacionou no jardim e várias garotas saíram de dentro. Um gemido escapou-lhe dos lábios assim que viu Valentina e Gustavo.

-- Seus traidores nojentos. Vocês não perdem por esperar -- sussurrou.

Viu quando Sebastian saiu da casa e com passos pesados foi ao encontro deles para recepcioná-los.

-- Vocês estão atrasados -- disse com voz grossa e autoritária.

Gustavo acovardou-se, mas Valentina não.

-- Bom dia para o senhor também General -- estendeu a mão em direção ao homem que retribuiu de cara feia.

-- E quem é você? Onde está o Vemba ou o Bob?

-- Eles estão muito ocupados com assuntos da boate. Querendo ou não, vai ter que negociar comigo e com o Gustavo.

Sebastian encarou o advogado com desdém.

-- Bem, trazendo as garotas certas, pra mim tanto faz quem vem negociar.

-- Ótimo. Então vamos ao pagamento.

Sebastian entrou no casarão com Valentina e Gustavo ao seu lado. A satisfação refletia-se no semblante dos dois. Estavam felizes e um tanto envaidecidos.

André correu para o corredor e escondeu-se atrás da porta que dava para a enorme sala de estar. Conseguia ouvir murmúrios vindos do outro lado, mas não conseguia distinguir as vozes e nem entender o que estavam falando.

Tinha noção do perigo que correria, mas seria obrigado a abrir a porta. Precisava filmar toda a transação, era uma grande oportunidade que não desperdiçaria.

Abriu uma pequena fresta, posicionou o celular e começou a gravar.

Enquanto isso no jardim os convidados começavam a chegar. Eram fazendeiros, políticos, empresários. Apenas pessoas influentes da cidade participavam da festinha. Na sua grande maioria homens mais velhos e casados.

 

 

No bordel Isabel e Malú disfarçavam todo o nervosismo que sentiam, bebendo uma garrafa de vinho branco. Observavam cada detalhe ao redor. Cada vez que os homens de Vemba às olhavam, elas prendiam a respiração e baixavam os olhos temerosos. Era como se a qualquer momento elas fossem descobertas e tivessem que dar adeus ao sonho de voltar ao Brasil.

-- Acho que estamos dando muito na cara Isa -- Malú colocou a taça de vinho na mesa e virou a cabeça, como se inspecionasse o salão.

-- Você acha? -- Isabel olhou ao redor e depois para ela. Franziu o cenho, percebendo que os seguranças olhavam seguidamente para elas.

-- Acho -- falou enchendo novamente a taça -- Vamos tentar agir naturalmente.

-- Como se isso fosse possível, né Malú? -- olhou para o relógio de pulso pela milésima vez -- Agora falta pouco.

-- Verdade -- esfregou as mãos -- E vocês duas não inventem de querer transar antes da fuga. Terão todo o tempo do mundo para isso.

-- Engraçadinha! Nem você. Não esqueça que a Bruninha é casada. Não fique atentando ela.

-- Aquela lá parece bem pior que a sua Xanda. Essas que tem cara de anjo sempre são as piores.

Isabel sorriu.

-- A Xanda mudou muito desde que a conheci, mas, mesmo assim, ainda não coloco a minha mão no fogo por ela não.

-- Faz bem amiga. Dizem que lésbicas são piores que os homens em matéria de traição.

 

 

Na selva...

Gustavo não escondeu um sorriso vitorioso em seus lábios. A mão suada segurava a maleta com o dinheiro do pagamento. Nunca tinha visto tanto dinheiro vivo em toda a sua vida.

Valentina pegou algumas notas de dentro da maleta e cheirou.

-- O cheiro desse perfume é delicioso.

O carro arrancou. Não demorou muito começou a dar solavancos pelos caminhos de terrenos irregulares. Características próprias das cidades Angolanas.

A buzina não parava de tocar. Animais selvagens espantados se desviavam para a beira do caminho e fugiam correndo.

O carro seguia por meio a selva na direção da estrada principal. Depois de um percurso de cerca de dois quilômetros o motorista muito assustado parou o veículo com uma freada brusca.

-- O que foi isso? -- Valentina berrou -- Seu louco!

-- Tá maluco homem? -- Gustavo agarrou a maleta com mais força.

O motorista não respondeu, ele simplesmente saiu do carro e os dois continuaram lá sentados até que a porta traseira do carro foi aberta e eles foram praticamente arrancados de dentro.

-- Me soltem... -- Valentina se remexia entre os braços do desconhecido tentando se libertar -- Por favor, me deixe ir.

Gustavo foi arrastado e empurrado contra o capô do carro.

-- Não machuquem a gente -- falou baixinho.

-- Cala a boca, seu merda -- Demo rangeu os dentes e deu um tapa na cabeça dele -- Com os cumprimentos da dona Alexandra. Lembram-se dela?

 

Na propriedade do General a festa rolava normalmente.

Sebastian foi para o quarto e mandou chamar duas meninas.

-- Fiquem em pé e tirem a roupa para eu ver o corpo de vocês.

Sentou-se na cama com as pernas abertas, os braços apoiados na cama e o olhar atento.

-- Agora desfilem diante de mim. Quero escolher uma de vocês para comer a tarde inteira.

Quando Sebastian decidia, a escolhida recebia um bom pé-de-meia. O general pagava até US$ 100 mil, quase R$ 250 mil, para a sua favorita. Mas essa pequena fortuna tinha um preço alto. Um risco de vida. Quando se tratava de sexo, o general tinha os seus caprichos. Ele não transava com camisinha.

André deu alguns gritinhos finos de felicidade, e correu de volta para o quarto. Havia conseguido filmar tudo.

Olhou pela janela e deu mais um gritinho, mas dessa vez de horror.

-- Cruzes que visão do inferno -- ruborizado, ele cobriu os olhos com a mão.

Mulheres e homens nus dançavam ao redor da piscina, numa festa íntima que tomava as características de uma grande orgia. O grupo assistia perplexos, aquelas cenas chocantes de sexo, regado a muita bebida e drogas.

 

 

No hotel.

 

Alexandra estava impaciente. Fazia uma hora que Bruna havia descido para o restaurante e nada dela voltar.

Quando sua paciência já havia chegado ao limite e se preparava para ir atrás dela, eis que enfim ela abriu a porta e entrou com a maior cara de contentamento.

-- Onde você estava doutora? -- Alexandra perguntou irritada.

-- Estava na cozinha conversando com a confeiteira. Precisava pegar a receita de bolacha com ela.

-- Você levou uma hora para isso?

-- Claro que não. Aproveitei para fazer uma boquinha. Pelo que sei a noite vai ser longa.

Alexandra balançou a cabeça em negativa.

-- Recebi um whatsapp do Dengo. A Valentina e o Gustavo já estão em poder dele. Isso não é incrível?

-- Realmente, você tem toda razão, é incrível. O whatsapp só é bloqueado no Brasil mesmo -- sentou no braço do sofá, inclinou-se e colocou o rosto entre as mãos. Ficou pensativa por alguns segundos -- Como será que o pessoal está se saindo lá na propriedade do General?

Alexandra deu uma risadinha.

-- Você não conhece aquela turma. Eles são terríveis. Saem de uma confusão com a mesma facilidade que entram. Não se preocupe. Eles sabem se virar.

-- Se você está falando.

-- Você está com o mapa do prédio onde funciona o bordel?

Bruna enfiou a mão no bolso traseiro da calça e tirou uma folha de papel dobrada.

-- Está aqui.

-- Ótimo. Então vamos que já está na hora.

 

Rapidamente a noite chegou a Malanje, trazendo consigo a escuridão. Era noite de lua nova e o céu estava estrelado, mas a beleza da noite era o que menos importava a André e os demais.

Naquele momento a única coisa em que pensavam era de que maneira sairiam da propriedade sem serem vistos.

André abriu a porta do quarto, olhou o corredor vazio, caminhou na ponta dos pés, certificou-se de que o segurança não estava por perto. Continuou até o fim do corredor, girou a maçaneta que dava para a sala e a porta se abriu. Ele mal acreditou. Saiu em disparada até o jardim e abriu a caixa em que estava Valéria.

-- Vamos, vamos... -- sua língua estava para fora e sua respiração estava ofegante -- Vamos chamar os outros.

 

Na boate.

 

Uma elegante limusine preta parou na calçada em frente a boate. Alexandra cedeu ao impulso nervoso de olhar outra vez para o relógio e confirmar que eram realmente vinte e uma horas.

-- Todos prontos? -- perguntou ajeitando a pistola na cintura.

-- Sim chefe -- responderam.

-- Então que comece a festa.

 

 

 

 

EM BREVE:

CAFÉ, LETRAS E UM AMOR

 

Você deve fazer login ou se cadastrar para comentar.