R u gonna be my girl? por Rose SaintClair


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        Me perdi novamente. "Luiza sua anta, presta atenção nas placas!". O metrô de NY é um meio de transporte super rápido que interliga todos os bairros de Manhattan com Queens e Brooklin. O grande problema é que é SUPER CONFUSO se você não pega a dinâmica. Você precisa se ligar se vão para Uptown ou Downton, as linhas são as mesmas, mas os trens vão para lados diferentes. Sem falar na porra do trem expresso! Se você pega errado fudeu. Ele não para em todas as estações e você é obrigada a descer na última.

          Queens é um bairro muito legal de se morar, mas fica longe da New York University, pelo menos de onde as minhas aulas são. Meu curso é basicamente na parte sul da ilha com aulas no Financial District (onde fica o World Trade Center), Tribeca, etc. Então para se perder no difícil sistema de trem, para mim que sou tansa, é muito fácil.

           Meus pais queriam me dar um carro para andar aqui. Só que é burrice. O que eu gastaria em estacionamento é exorbitante e pode até parecer, mas eu não gosto de jogar dinheiro fora. A Bianca, minha prima, dona do apartamento no Queens morre rindo a cada vez que eu conto as minhas "peripécias". Esses dias achei que tinha pegado a linha de metro certa e acabei cochilando escutando música. Acordei no Bronx. Imagina o CAGAÇO!            Estou tentando convencer aos meus pais a alugarem um apê, mesmo que minúsculo no sul da ilha. Mas eles não querem que eu fique sozinha e se eu não achar ninguém para dividir vou ficar conhecida como "A LOUCA QUE CORRE DE SALTOS ALTOS NO METRO". Falando nisso tenho que me acostumar a levar um par de sapatos confortáveis e trocar quando chegar ao destino.    

         New York a todo o momento te surpreende. Você se sente dentro de um filme ou série de TV. Para mim é o meu lugar preferido em todo mundo! Mesmo eu estando triste e com o coração partido não consigo deixar de sorrir por apenas estar ali. Aqui você pode ser quem você quer. Ninguém está se importando em como você se veste. Você pode andar de pijamas pela rua e todos te tratam normalmente.

         Corri para tentar entrar na aula, mas já estava muito atrasada. Resolvi caminhar e sentar no Pier a beira do Hudson. Peguei um latte no Starbucks (deve ter uma lei em NY que diz que todo quarteirão deve ter um Starbucks porque dá que nem mato!) e me sentei vendo o movimento dos turistas e dos nova-iorquinos.

           Dias assim me fazem lembrar o amor da minha vida: Fernanda Dutra, Nanda. Como eu gostaria de mostrar a ela tudo de lindo que eu estava vendo. Mas ela não pertence e nunca pertenceu a mim. Desde sempre ela só tem olhos para a sua melhor amiga: Ana Clara. Se eu superei isso? Lógico que não. Se alguém nota? Lógico que não.

           Eu estava tão acostumada a não demostrar os meus sentimentos que ás vezes até eu me enganava. Para os outros eu era a Luiza Nadge: louca, despreocupada, metida, egoísta, mimada e engraçada. Mas era uma máscara. Desde muito cedo eu fingia. Primeiro fingia gostar de meninos. Fingia ser fútil e só pensar em mim. E principalmente fingia ter superado meu amor pela Nanda.

           Desde criança eu era completamente louca pela minha colega de aula. Nós nos conhecemos quando ela tinha 8 anos e entrou na minha turma. Fiquei fascinada pela menina de olhos tristes, muda e careca. E o que uma criança faz quando gosta de outra? A trata mal.

           Mas ela nunca revidou e continuava a não falar. Até que os cabelos dela começaram a crescer e eu comecei a achar aqueles fios pretos a coisa mais linda do mundo. Até que um dia ela foi para a escola e começou a falar. Quando eu ouvi a sua voz me chamando para brincar no escorregador eu me apaixonei. Tá, pode ser demais para uma criança. Mas se não era paixão naquela época, era um sentimento muito forte.

            Conforme fomos crescendo eu sempre dava um jeito de estar junto a ela. Se tinha trabalho em grupo eu subornava alguém do grupo dela para trocar comigo. E assim eu fui crescendo cada vez mais apaixonada. Na época eu não sabia disso, mas aos poucos fui percebendo que  os meninos não me chamavam atenção. Aos 11 anos, em uma festa do pijama na casa da Paulinha, dormimos no mesmo colchão e no meio da madrugada começou a chover. Nanda se remexia demais e eu vi que que ela estava acordada e agitada.

          - Nanda tudo bem? - perguntei

         - Aham. - notei que ela tremia.

          - Não consegue dormir?

           Não consigo dormir quando chove assim. - eu já sabia do trauma que ela tinha. Nanda ficou presa num carro capotado por várias horas em uma noite chuvosa. E pior de tudo: seu pai estava morto, todo ensanguentado, no seu lado.

          - Posso fazer alguma coisa? - fiquei preocupada com ela.

           - Lu, você pode me abraçar? - pediu relutante.

           - Claro!!! Vem cá. - a puxei e ficamos deitadas abraçadas. Minha mão fazia carinho nas suas costas e eu me sentia flutuar. A proximidade dela me fazia sentir coisas que eu nunca havia sentido. Uma sensação estranha se formava lá embaixo. Uma pulsação. Eu nos meus 11 anos nunca tinha sentido algo assim.

          - Obrigada. - ela fala suspirando. - Geralmente a Clarinha que me abraça assim até eu conseguir dormir.

          - Tudo bem. Não precisa agradecer. - ficamos em silencio e a sua mão estava abaixo do meu seio esquerdo e eu sentia meus mamilos doerem. "É, essa noite tá cheia de sensações novas".

          - Nanda posso  fazer uma pergunta?

          - Uhum. - diz sonolenta.

          - Você gosta de alguém? Tem algum menino que você goste?

         - Menino não. - ela ri baixinho. Resolvi arriscar.

         - E menina?

         - Gostar, gostar assim... acho que não.

         - Posso te perguntar outra coisa?

        - Fala.

         - Você ainda é BV?

         - Aham.

         - Sériooo? - fiquei completamente espantada. Além de ela ser mais velha o corpo dela já era de uma mulher feita! Era impossível que ninguém nunca pediu pra ficar com ela!

          -  Mas tipo... ninguém nunca pediu pra você, tipo... dar um beijo.

          - Já mas nunca tive vontade. E você? Já perdeu o BV?

          - Não. - falo constrangida. - Nunca ninguém pediu. - e como iriam pedir? Eu era uma  tábua! Os meninos me chamavam de Olivia Palito.

         - Se você quiser eu beijo você. Só que... sei que você gosta de meninos e tipo... eu não sou experiente... - olha pro meu rosto e eu fiquei pasma com o pedido. PARALISADA. - Na real, deixa pra lá você...

           Não deixei ela terminar e desajeitadamente colei nossos lábios. Senti todo meu corpo formigar! O toque macio dos seus lábios nos meus era um sonho! Timidamente abri minha boca durante o beijo e senti a sua língua acariciar a minha. A pulsação no meu ventre aumentou! No momento em que ela chupou a minha língua com um pouco de força, uma descarga elétrica atravessa a minha espinha e meus dedos do pé se retorcem. Um líquido sai da minha vagina e eu levanto correndo e vou para o banheiro deixando a Nanda com uma cara surpresa. Na época eu não sabia o que tinha acontecido. Mas hoje eu sei que tinha acabado de perder o BV e tido um orgasmo pela primeira vez. Sorrio com essa lembrança e vou tentar pelo menos pegar a segunda aula.

 

Notas finais:

Oi Oi oiiiiiieeeeeeeeee. O que estão achando? Nesses primeiros caps terão muiiitos flashback de várias situações vividas pela Lu em My sunshine e My Only sunshine. Espero que vocês gostem! Comentem para eu saber! Besosss



Comentários


Nome: luaone (Assinado) · Data: 20/05/2018 05:09 · Para: Capitulo 2 - Primeiro Beijo

Querida autora,

 

Ela amou a Nunda quase como a Nanda amou a Clarinha...

Que triste...

 

Sem Spoiler autora... não se deixe levar por tuas leitoras... kkkkk

 

Bjo



Resposta do autor:

Hahhahahha S2



Nome: Lili (Assinado) · Data: 19/05/2018 23:12 · Para: Capitulo 2 - Primeiro Beijo

Caramba demais Lu é show.



Resposta do autor:

s2



Nome: Gioh (Assinado) · Data: 19/05/2018 22:27 · Para: Capitulo 2 - Primeiro Beijo

Eu to adorando.. eu amo a Lu..

pena que ela vai sofrer muito ainda.



Resposta do autor:

Vai... mas vai ser feliz tb! Bj



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