Dois corações por IolandaStrambek


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Notas da história:

 

Primeiramente não briguem com essa simples “rascunheira” aqui pela demora para postar uma nova história.

Eu tinha esperança que terminaria essa história e depois a postaria. Porém, a algumas semanas a venho escrevendo cheguei a um ponto da história que preciso saber como estou me saindo porque é uma história que sinceramente eu estou AMANDO escrever e preciso saber a opniões de vocês.

 

O nome da história é da música: Dois Corações – Melim

 

 

08 abril de 2018

Primeiramente nunca tive intenção de escrever um diário, a ideia toda foi da minha psicóloga Vitória. Não que a considere minha psicóloga de verdade, já que nossos encontros eu nunca falei uma única palavra. Ela apenas acha que preciso expressar meus sentimentos, e talvez um diário seria de grande utilidade. Assim, talvez eu conseguisse jogar tudo para fora, como se estivesse drenando meus sentimentos para fora. Não acho isso interessante, porque todo medico que utiliza o procedimento de drenagem em um paciente, o mesmo acaba sofrendo ainda mais.

 

Mas deixando bem claro, não pretendo escrever aqui todos dias. Comecei hoje pelo simples fato do diário estar em cima do meu criado mudo, me atrapalhando de pegar um livro legal que havia começado a ler três noites atrás. O caderno estava em branco, e como obra do destino ficamos em uma situação de impasse. Não quero, e quero escrever.

 

Esqueci de dizer que nesse mesmo dia que a Dra. Vitoria me receito o diário, ela própria havia sugerido para minha mãe um antidepressivo contraproposta ao diário. Está aí, uma coisa que abomino. Tenho a Síndrome de Asperger, não sou depressiva, apenas tenho meu próprio mundo. Não preciso de antidepressivo para poder fugir dele. Não preciso de uma válvula de escape. Não quero fugir de nada. Preciso apenas ficar no meu mundo, com meus livros, meus desenhos e as minhas músicas. Não que necessariamente as músicas sejam minhas, mas eu adoro ficar ouvindo música, praticamente em todas as vinte quatro horas do meu dia, e isso de certo modo me faz ter alguma ligação com elas.

 

Não queria ninguém interferindo na minha vida, ainda mais uma doutora que acha que sabe de tudo. A ironia de tudo isso é tinha certeza que na próxima vez que fosse lá, ela instruiria a minha mãe a fazer dormir oito horas por noite, além de fazer ter uma alimentação mais saudável. Afinal, qual o problema em comer lanche e batata frita três vezes na semana? É, não tem nenhum problema.

 

Às vezes me sentia estranha por minha mãe nunca reclamar de nada, e me agradar das melhores maneiras possíveis. Mas talvez ela não percebesse isso. Talvez ela só quisesse suprir a necessidade de pagar seus pecados comigo. Nunca disse isso para ela, mas ela não tem culpa de nada. Meu pai abandonou nossa família porque era um covarde. Mas já fazia tanto anos, talvez ela não tivesse superado.

 

Não queria estar fazendo isso despejando minha vida em caderno em branco, para talvez um dia ser analisado por alguém. Talvez depois desse primeiro dia, o melhor lugar para esconde-lo fossem no fundo na minha gaveta de calcinhas. Aliás, meu quarto não tem chave. Então minha mãe, ou minha irmã pode simplesmente entrar a hora que desejar. Não sei por que concordei com esse desastre que é falar sobre minha vida. Acho que apenas quero ser uma paciente boa e normal, que se adequa as regras impostas por seu psicólogo. E depois da nossa sessão ela parecia visivelmente satisfeita.

 

Nunca lhe havia dirigido uma palavra, não tinha nada para falar, e havia aquele impasse no meu interior de não conseguir falar com desconhecidos e nem com pessoas que não confiava. Por isso minha roda social era apenas eu, minha irmã, minha mãe e as vezes a minha tia, Nadir. Acho que por isso ao me entregar o diário ela parecia ansiosa, como se minha sanidade mental dependesse daquele momento de um diário idiota. Minha cabeça estava baixa e eu olhava para meus all star. Por isso apenas assenti com a cabeça, como se estivesse confirmando que entendia tudo que ela havia dito aquele dia.

 

Agora estou aqui, divagando com esse diário idiota. Os músculos da minha mandíbula estavam tensos, o sol lá fora começa a descer no horizonte e amanhã era segunda, consequentemente teria aula. Como eu odiava a escola, queria morar fora do Brasil. Em um desses países em que alunos poderia ter aula em casa. Mas aí teria outro problema, minha mãe nunca teria dinheiro para bancar isso com seu salário de representante de roupas. Pensar nessas coisas me faz lembrar se talvez um dia eu teria uma vida normal. Nunca. Não conseguia ter uma vida normal, eu simplesmente odeio as pessoas. E é tão mais fácil viver sem seu próprio mundo cheio de incerteza e certeza que torna tudo tão especial. Normal, nunca vai ser uma palavra para me definir. Não me sentia horrível por minha condição. Apenas me incomodava aqueles olhares. O mundo tinha seu jeito próprio de achar que pessoas como eu, eram apenas retardadas ou deficiente mentais sem sentimentos. Como eu odeio as pessoas!

 

Deficiente mental? Não acho que seja uma. Na prova do Enem que fiz no ano passado quando ainda estava no segundo ano do Ensino Médio, tirei 800 pontos na redação. O que era bom, mais ninguém nunca prestou atenção na redação, porque eu havia tirado 935 pontos em matemática, física e química. Minha mãe achou surpreendente minha nota. Mas isso não mudou nada minha vida, contas e equações não me ajudariam a passar por toda essa experiencia insana que é a adolescência. Como se prepara para a vida de adulta, fumando maconha atrás da quadra, ficando com metade dos garotos da escola ou praticando maldades com pessoas como eu? Eu sofria bullying na escola, mas nesses momentos meus fones de ouvido estavam no último volume. Deixando minha mente alienada em qual quer outra coisa do que no momento da ofensa.

 

Que idiota, estou aqui escrevendo em um diário que não queria escrever e pensando em equações. Percebo a ironia da minha vida e percebo que existe uma equação para justificar minha vida. Tem meus pais, sendo minha mãe + 1 e meu pai + 1, minha irmã sendo +1 e eu como -1. Talvez seria melhor que eu não tivesse nascido. Aí meu pai foi embora, quando descobriu que tinha essa síndrome, o que acrescenta -1 nessa conta. Se tentar resolver, vai ver ficou apenas 1 nessa conta insana. Acrescenta uma letra, a conta insana vai se torna uma equação cheia de incógnita escondidas. E esse 1, é apenas a coisa que importa. Seria variável mover, tentar isolar, subtrair, para descobrir o sentindo dessa equação. Como se tivesse A, B e C eu tentaria resolver. E descobriria que tudo deu errado.  E que eu era apenas o C isolado, sem número nenhum, e ainda negativo.

 

Eu geralmente gostava de ficar isolada na solidão do meu quarto. O mundo é cruel e barulhento, e as vezes a única coisa que desejava era que todo mundo ficasse quieto. Não compreendiam o meu silencio, e o meu jeito de ver o mundo. Ou talvez as pessoas só não quisessem compreender, isso tornava o fato de viver mais fácil. Afinal, eu era apenas considerada uma retardada qualquer. Mesmo não sendo, era apenas diferente. Pelo menos eu achava isso. Minha síndrome não tinha cura, mas se me esforçasse conversando com psicólogos, fazendo terapia, além de tomar uma cesta de remédio diariamente para irritação, hiperatividade além de antipsicóticos forte que deixariam meu cérebro dormente e mais propensa a dormir em cada lugar que encosto. Minha mãe nunca permitiu isso, sempre disse que esperaria eu ter idade para decidir o que era melhor para mim. Essa idade chegou, e decidi por não tomar remédio algum. Único luxo que me dava era frequentar a Dra. Vitoria uma vez na semana. Grande ironia esse luxo! Deveria para com isso, sobraria mais dinheiro para minha mãe fechar o mês sem precisar se matar de trabalhar. Já que ela era a única de trabalhava em casa.

 

Estou escutando minha mãe assistindo TV no quarto, e minha irmã foi ao parque, provavelmente, com os amigos. E eu escrevendo nesse diário idiota. O fato de escrever está cansando minha mão e pesando os meus dedos. Eu riscaria tudo isso, e começaria novamente. Mas talvez não esteja com a mínima vontade de começar. E ficaria para outro dia que nunca chegaria.

 

Aliás acho que não me apresentei ainda. Me chamo, Luísa Sanches. Talvez agora eu possa fechar esse caderno e voltar para minha vida real.

 

Notas finais:

Boa noite meninas.

Só para constar essa não vai ser uma história escrita como diário, serão apenas capítulos isolados para mostrar como Luísa se sente em determinadas situações. A narrativa será em terceira pessoa.

Por favor, se puderem cometar e dizer o que acharam..., se odiaram, para dar opiniões e sugestões, me xingar, ou elogiar. Isso incentiva demais a escrever cada vez mais. Obrigada a todas vocês.

Talvez amanhã poste mais um capitulo, mas pretendo postar os capitulos aos finais de semana.

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O que é Síndrome de Asperger?

O Asperger é uma condição de base genética que afeta de 3 a 7 a cada 1000 crianças, não tem cura e depende de tratamento contínuo com psicólogos. O transtorno possui diversas semelhanças em relação ao autismo, contudo, os portadores de Asperger não sofrem, de forma grave, com comprometimento cognitivo e atrasos no desenvolvimento da fala. Enquanto o autismo é um transtorno de desenvolvimento que compromete a interação social do indivíduo ao ter comportamentos viciados, repetitivos e extremamente restritos. Mesmo que o portador de Asperger também possa apresentar essas características, a intensidade e gravidade dos sintomas são menores. O Asperger costuma ser diagnosticado mais tardiamente do que o autismo, que é percebido de forma precoce entre um até os 3 anos de idade.

A Síndrome de Asperger não tem cura, mas pode ser controlada a partir de medicamentos de uso contínuo e terapia. Os sintomas podem aumentar e diminuir ao longo do tempo, por isso quanto mais precoce ocorrer o diagnóstico e o início do tratamento, melhor pode ser a adaptação do paciente ao ambiente e ao convívio social.

Os tratamentos diferem pois os padrões de comportamento e problemas mudam a cada pessoa, assim é necessário que o médico especialista teste procedimentos para encontrar o ideal ao paciente.

 

Características da condição pode-se citar:

 

- Peculiaridades do discurso e da linguagem;

Em alguns casos, o indivíduo demonstra um alto nível de habilidades verbais, fazendo o uso de um vocabulário rebuscado e considerado muito formal para sua faixa etária. Por causa disso, muitas crianças preferem conversar com adultos do que com outros de sua idade.

 

- Dificuldade na comunicação verbal e não-verbal;

Dificuldades em se comunicar e manter diálogos, interagir com outras pessoas, decifrar linguagem corporal e em compartilhar seus pensamentos, emoções e interesses com outras pessoas. Além disso, não sabem como usar movimentos corporais e gestos na comunicação não-verbal. Para crianças com Asperger, trabalhos em grupo podem ser desafiadores, pois há possibilidade de demonstrarem impaciência, dificuldade em lidar com conflitos e críticas ou aborrecimento ao não aceitar outros pontos de vista. Esses fatores podem resultar em isolamento.

 

- Interpretação literal da linguagem;

Incapacidade de entender sarcasmo, ironia, duplo sentido e outros artifícios utilizados no tom de voz para caracterizar a diferença entre a brincadeira e a seriedade. A pessoa também pode ter dificuldade em compreender mensagens passados pelos olhos ou por gestos, com tendência a serem consideradas desrespeitosas ou rudes.

 

- Dificuldade na empatia;

Aparente falta de empatia com os sentimentos, desejos e necessidades de terceiros. As crianças e adultos com esse transtorno não vêem o interesse ou necessidade em se relacionar com outras pessoas.

 

- Linguagem corporal incomum;

Posturas estranhas e expressões faciais incomuns, como evitar todo tipo de contato visual ou olhar excessivamente para outra pessoa.

 

- Fixação por uma única atividade;

Se concentram em poucos interesses ou apenas um, realizando comportamentos repetitivos e excessivos ao brincar ou falar sobre a mesma coisa durante horas. Os interesses são específicos e limitados, o que pode resultar em estudos profundos sobre determinadas áreas. Normalmente, são muito verbais e atenciosos a detalhes, com tendência a fazerem descrições aprofundadas de assuntos que despertam sua atenção. Habilidades incomuns, como memorização de números e mapas, são comuns em pessoas com essa síndrome.

 

- Hipersensibilidade aos estímulos sensoriais;

Maior sensibilidade a ruídos altos, texturas e luzes brilhantes, o que pode irritar ou animar a pessoa de forma exagerada.

 

- Nenhum atraso no desenvolvimento;

Portadores de Asperger possuem a inteligência normal ou Q.I considerado acima da média. O desenvolvimento costuma ser normal, assim como o período que aprendem a falar, andar ou pensar.

 

Se você chegou até o final dessa nota gigante, saiba que vou tentar colocar essas caracteristicas na minha historia. Porque Luísa é uma personagem incrivel.

Obrigada mesmo a todas que leram e chegaram até aqui.

Um beijo a todas



Comentários


Nome: sonhadora (Assinado) · Data: 15/04/2018 02:41 · Para: Capitulo 1 - O diário idiota de Luísa

Oi moça, pois é consegui ler agora! Parabéns pela iniciativa de fazer uma história com um personagem diferente. Gosto quando alguém faz isso, nos mostra que não é só fantasia que habita nosso mundo no Lettera. Os contos, os romances eles nos levam a enxergar muita coisa que não víamos no mundo real e tem a nos ensinar também.

Obrigada por postar novamente e quero mais.... Kkkk

Beijos de Luz!



Resposta do autor:

Oi Lalu

Tudo bem? Que bom que gostou, acho importante tomar essa iniciativa.. e tentar passar algo para outras pessoas.

Obrigada por acompanhar meus contos. Beijos



Nome: josy 21 (Assinado) · Data: 15/04/2018 00:35 · Para: Capitulo 1 - O diário idiota de Luísa

Achei muito interessante.Ansiosa pelos próximos capítulos.



Resposta do autor:

Que bom Josy (:

Espero você nos proximos capitulos.



Nome: LeticiaFed (Assinado) · Data: 14/04/2018 23:45 · Para: Capitulo 1 - O diário idiota de Luísa

Oi, autora! Sim, li até o fim e adorei a idéia de alguem escrever sobre ou com um personagem “diferente”. Acredito que vai render mais uma boa história. Certamente não deve ser fácil a convivência com um portador de Asperger na escola, por exemplo, se nao for do conhecimento dos demais das suas peculiaridades...se bem que bullying infelizmente existe por qualquer “motivo”. Torcendo para que seja uma boa psicologa/psiquiatra, e que a resistência de Luísa diminua em breve.

Outro capítulo amanhã, por favor! ????

Beijo!



Resposta do autor:

Oi Leticia (:

Obrigada por ter lido até o final.

Estava ansiosa para postar essa historia e fugir do clichê um pouco. Deve ser dificil a convivencia, mas não podemos apenas ignorar e ridicularizar pessoas com essas peculiaridades... precisamos tentar cada qual com a sua forma o convivio e amizade.

O bullying existe, e não podemos esconde-lo.

Vou te dar um novo capitulo amanhã. hehe

Minha primeira leitora (:

Beijos



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