A ruína dos anjos por Drikka Silva


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Halicarnasso – Anatólia 355 A.C.

 

            Almozsaaladiel abriu um sorriso para a mulher que se aproximava da reserva de água. Desde que havia encontrado o espirito reencarnado, tinha acompanhado seu crescimento, até a tenra juventude que agora desfrutava. A jovem sorriu em sua direção: não estava surpresa por encontra-la ali, certamente estava contando com aquele encontro. Já fazia dois períodos de frio que se encontravam, conversavam sobre as coisas sobre o mundo, agricultura e ciência. Os gregos sempre fora o maior fascínio de Amtulah, que sempre ouvia quieta tudo o que falava sobre os povos que haviam se desenvolvido mais que qualquer outro. Almozsaaladiel tinha uma opinião diferente, mas guardava para si. O que realmente importava era que a jovem ficasse satisfeita com os encontros e retornasse, como naquele momento.

            - Saladiel – cumprimentou Amtulah ao colocar o balde de madeira de lado. – Que bom te encontrar aqui novamente.

            - Sempre estarei aqui te esperando – respondeu com absoluta sinceridade.

            - Perfeito. Preciso lhe contar algo. Meu pretendente foi escolhido.

            - Vais se casar? É de sua vontade?

            - É o que me foi escolhido. Não posso ir contra minha família.

            - E você quer se casar?

            - Não é o que quero, mas hei de juntar em matrimônio com esse rapaz. Não o conheço, virá no dia do casamento – suspirou Amtulah sentando-se em uma pedra ao lado da reserva de agua. Arrumou a simples vestimenta antes de olhar para Almozsaaladiel novamente. – Há tanta coisa que gostaria de conhecer e saber antes de me dedicar a criar filhos e ter uma família.

            - Você está na idade de ter sua própria família – ponderou Almozsaaladiel. – Já tem algum tempo que suas regras vieram, não?

            - Há duas colheitas. Mamãe descobriu há algumas luas, pois escondi dela. Agora não posso mais.

            - Você está infeliz. Me diga o porquê e farei de tudo para que seu sua alegria retorne.

            - Não quero me casar porque quando penso em ficar junto a alguém, você é a única pessoa que aparece na minha mente – falou Amtulah a encarando. – Eu tentei sufocar isso, mas como essa será a última vez que a verei, não poderia morrer com isso.

            - Algumas mulheres que vem aqui, pensam que sou sua mãe. Tenho tempo de vida o suficiente para isso.

            - Mas não é. Eu queria ter falado de maneira diferente, mas dado a liberdade que compartilhamos, não via necessidade de lhe poupar de alguma maneira. Talvez até facilite, já que agora sabe que eu tenho sentimentos por você.

            Almozsaaladiel abriu um sorriso ao se abaixar na frente da jovem que estava completamente encabulada.

            - Meus sentimentos por você são maiores do que pode imaginar. Não estás sentindo isso sozinha.

            - Então porque me repele?

            - Eu tenho todo o tempo do mundo para esperar por suas escolhas. Eu sei que um dia ela virá, talvez não nessa vida, mas te espero o tempo que for preciso.

            - Se tens o mesmo sentimento por mim, porque esperar? Podemos ter nossa própria base de sustento em alguma floresta, distante da Cária.

            - Se for comigo, retornar se tornará um grande problema. Será apontada como uma pária.

            - Esteja comigo e nada disso importa – pediu Amtulah tocando o rosto de Almozsaaladiel lentamente. – Eu não sei se seremos punidas pelos deuses, mas qualquer punição não será superior a uma vida ao seu lado.

            - Tão jovem e tão consciente.

            - Você me ensinou isso por todas luas que temos nos encontrado.

            Almozsaaladiel levou a mão a seu rosto, retribuindo o carinho. Se aproximou para beija-la, mas o som de patas de algum animal fez com que se afastasse. Se virou para enxergar o agricultor que se aproximava com sua criação e se levantou da frente de Amtulah para depois puxa-la pelas mãos para um lugar deserto, dentro do pequeno matagal que circulava a reserva.

            - Há algo que queira pegar com os seus?

            - Quero passar uma ultima noite com minha mãe. Depois podemos partir.

]            - Que assim seja.

            Almozsaaladiel abraçou Amtulah, sentindo seu coração bater de encontro a seu corpo, acelerado, ansioso. Puxou seu rosto para encara-la e deixou que seus lábios se encontrassem lentamente. O invólucro humano reagiu ao sentir a boca da jovem junto a sua, um encontro por tanto tempo aguardado, por tanto tempo ansiado. Todas as provações que havia passado por entre as eras, era compensado naquele momento onde a entrega acontecia de forma tão suave e delicada. Amtulah se agarrava ao seu corpo, sedenta pela novidade que provava, pela intensidade que fora impelida em um ato que mudaria sua vida. O beijo de Saladiel a transportava para outro momento, outro instante na vida e qualquer outra coisa era completamente esquecida.

            Amtulah se afastou encarando Saladiel, seus olhos claros, típico das terras no norte, a encaravam com um desejo que nunca vira antes. Deu um passo para trás e tirou o tecido que cobria sua cabeça deixando cair ao lado de ambas. Almozsaaladiel se aproximou e tirou o manto que repousava sobre os seus ombros. A abraçou novamente e lentamente caíram nos ralos tufos das plantas rasteiras entre as arvores. Tirou o próprio manto usando-o como proteção para que Amtulah não se machucasse. A deitou delicadamente, enquanto voltava a beija-la. Cada parte do seu corpo que tocava, trazia uma sensação impossível de ser colocada em palavras, como se alcançasse, novamente, o paraíso. O toque delicado de suas mãos ao tirar sua túnica, as palavras de incentivo, para que consumasse o ato. Livres de qualquer tecido, os corpos se encontraram em total entrega, era naquele momento em que Almozsaaladiel pecava mais uma vez contra a criação: não entendia como um ato tão sublime pudesse ser pecado. O corpo da jovem que se movimentava junto com o seu não dava espaço para culpas: era perfeito demais para que houvesse algum arrependimento. Juntas, embaladas pelo prazer, se entregaram de corpo e alma para o momento de prazer, selando o sentimento que havia nascido às margens do Eufrates.

            Naquela noite, Amtulah voltou para casa e, como havia dito, se despediu silenciosamente da família. Estava indo viver o amor que havia sido revelado. Almozsaaladiel esperou por seu retorno na manhã seguinte e seguiram, primeiro para Éfeso e depois Delfos. A divindade de Almozsaaladiel foi revelada quando Amtulah, já com idade avançada, questionou sua permanente juventude. Depois de poucas luas ela partiu e, mais uma vez, Almozsaaladiel pranteou sua perda, mas com o coração reconfortado pela longa e primorosa vida que haviam compartilhado.

 

  Dias atuais

 

            Andressa acordou lentamente, olhando ao redor, tentando se situar. Enxergou Saladiel sentada em uma poltrona ao lado da cama, enquanto a encarava com uma ternura ímpar.

            - Onde estou? – perguntou ao sentar-se.

            - Na minha casa.

            - Quanto tempo fiquei desacordada? – perguntou assustada.

            - Seis minutos.

            Andressa a olhou espantada, mas segurou o impulso de fazer qualquer pergunta. Sabia que estava a um passo da loucura e não estava disposta a passar o resto da vida dentro de um hospital psiquiátrico. Afastou o lençol que a cobria e saiu da cama, passando a mão nos cabelos sob o olhar atento da mulher na poltrona.

            - Onde você mora?

            Antes que Almozsaaladiel pudesse responder, a porta do quarto se abriu e Absalom entrou com uma pequena bacia de água.  

           - Gratias ago Deo! – exclamou o servo ao vê-la em pé.

            - Você mora três quadras atrás da minha casa... – sussurrou Andressa, balançando a cabeça em sentido negativo. – Qual a probabilidade de chegar aqui em menos de dez minutos? Que merda é essa?!

            - A verdade que tanto pediu – respondeu Almozsaaladiel. – Eu queria ter lhe poupado de tudo isso.

            - Tenha calma - pediu Absalom depositando a bacia em uma cômoda. – Você está muito agitada!

            - O que você é?... Você é... Normal?

            - A normalidade depende do que acredita – respondeu o homem com um sorriso. – Sente-se, será bem cuidada.

            - Eu quero ir pra casa! – gritou. – Eu não sei o que...

            Almozsaaladiel levantou do lugar onde estava, percebendo a agitação intensa da morena.

            - Eu jamais faria algo para lhe machucar, mas como já disse antes, qualquer coisa que quiser, em plena consciência, será feita.

            Andressa encarou a mulher a sua frente, sentindo o corpo relaxar aos poucos. Por mais assustador que parecia ser tudo, Saladiel tinha o incrível poder de lhe passar confiança e segurança.

            - O que eu sou? – perguntou, por fim, sentando-se na beirada da cama.             - Um espirito antigo.

            - Antigo quanto?

            - Sua primeira vinda à terra foi há muito tempo, antes mesmo do diluvio, por todos os milênios...

            - Espera... O dilúvio bíblico?

            - Sim.

            - Noé existiu de fato?

            - Não exatamente como leu.

            - Eu não li. Não acredito na bíblia, não acredito em Deus, anjos ou demônios. Eu não acredito nem que essa conversa seja real!

            - Vamos encerrar essa conversa por hoje, já teve o bastante. Quando se sentir preparada, podemos retomar quando quiser.

            - Que horas é agora? – perguntou se lembrando do celular e de Vitória.             - Oito horas da noite.

            - Vitória só chega da faculdade às onze. Temos duas horas e quarenta minutos para me contar tudo o que quero saber.

            Almozsaaladiel trocou um olhar com Absalom que apenas assentiu em concordância e saiu do quarto. Passou a mão no cabelo antes de tirar o casaco e se sentar ao lado de Andressa.

            - Teve algumas vezes que isso foi mais fácil – sorriu. – Você ficou sabendo apenas no final.

            - Que final?   

          - Antes de desencarnar.

            Andressa olhou chocada para Almozsaaladiel, sentindo a própria voz falhar.

            - Eu já morri?

            - Algumas vezes.

            - Ok, eu quero ir embora. Isso aqui é assustador demais. Só me deixa ir embora.

            - Como quiser.

            Almozsaaladiel se levantou e puxou Andressa para que ela se levantasse também. Juntas ganharam o corredor e depois as escadas que levava ao piso inferior. Absalom estava na sala e olhou com alegria para as duas mulheres que passavam em direção a garagem. Assim que chegaram no portão, Almozsaaladiel o abriu para que ela pudesse passar.

            Andressa atravessou e começou a caminhar em direção do próprio apartamento, mas não conseguiu segurar a vontade de olhar para trás. Se virou e enxergou Saladiel parada no mesmo lugar. O coração batia descompassado, como se estivesse deixando algo importante para trás. Estava enlouquecendo, isso era um fato, mas porque aquela loucura era tão boa. Não conseguiu segurar uma lágrima que brotou em seus olhos, com vontade absoluta de voltar para ela. Enquanto estava parada no meio da rua, uma batalha começou em sua cabeça: ir para casa e esquecer tudo o que tinha acontecido, se um dia conseguisse ou voltar para a linda mulher que a encarava tão terna? A resposta veio pelas pernas, que criaram vida, voltando para o lugar onde Almozsaaladiel estava. A abraçou apertado e se afastou para encarar seus olhos, tão cheio de carinho. Em um impulso buscou seus lábios em um beijo, sentindo o corpo todo estremecer. As bocas se encontraram rápidas, sedentas. Mais uma vez a sensação de que tinha esperado por aquilo a vida inteira se apoderou da sua mente. Talvez Saladiel fosse de fato um anjo, pois nunca antes havia provado um beijo tão perfeito como o que acontecia, um que mexia com todo o seu emocional, que deixava suas pernas bambas e um contentamento nunca antes sentido. Não era um beijo qualquer, era quase divino.

            Andressa se afastou e fez um carinho delicado no rosto de Saladiel antes de voltar a encara-la.  

           - Amanhã eu venho te ver.

            - Estarei te esperando, como sempre.

            Andressa deu um ultimo beijo em seus lábios e se afastou para ir para casa. Assim que entrou no apartamento, Dexter novamente se escondeu com medo. Pegou o gato no colo e seguiu para a janela da sala. O felino voltou a se ouriçar e naquele momento compreendeu o comportamento do bicho. Olhou para o prédio a frente procurando por algo na escuridão do teto.   

          - Me deixa te ver – pediu em um sussurro.

            Abriu um sorriso quando enxergou um brilho no telhado do prédio a frente. Saladiel se mostrou em meio a luz e uma lágrima escorreu pelo seu rosto, mas não era de tristeza ou medo: era de alegria, uma alegria que jamais saberia explicar.

Nome: Baiana (Assinado) · Data: 01/05/2018 21:29 · Para: Capitulo 10

Um anjo que tem por alma gêmea uma atéia, pode isso? Kkkk

Pelo menos a Andressa não pirou totalmente o cabeção e até que meio aceitou seu admirador angelical. Agora eu tô começando a entender o motivo do anjo a ter impedido de pegar a esposa no flagra. ..



Resposta do autor:

hahahahaha Sacanagem, né? Isso é o que chamam de ironia hehehe

Isso se ela acreditou de fato, neh? Acho que ela ainda está levando meio na brincadeira, no espirito da doidera hehehehe

Ehhhh Vitória ainda tem o dela guardado hehehee

 

Bjokassssssssss



Nome: mtereza (Assinado) · Data: 01/05/2018 08:43 · Para: Capitulo 10

A como sempre lindo.e perfeito o capicapí 



Resposta do autor:

Obrigada lindonaa!!!

Bjokassssssssss



Nome: zilla (Assinado) · Data: 30/04/2018 14:13 · Para: Capitulo 10

Só tenho uma palavra para descrever esse capítulo! 

PERFEITO diva !

Quero uma Almozsaaladiel pra mim hehe



Resposta do autor:

Obrigada lindona! Que bom que curtiu!!!!

Mulher, um personal Angel??? topzera total hehehhee

Bjokassssssssss



Nome: NovaAqui (Assinado) · Data: 30/04/2018 10:05 · Para: Capitulo 10

Quase que ela enlouquece rsrs aparecer não foi uma boa ideia kkkk mas ela pediu e tem que ser respeitado o livre arbítrio, né?

Quando Vitória sai de cena, já deu dela ficar colocando chifres na companheira

Abraços fraternos procês aí



Resposta do autor:

Hahahaaha Não é toda hora que se dá de cara com um anjo, neh?! hehehe

Sim, pediu tá pedido, não pode surtar depois hahhaa

Daqui a pouco a gente dá um jeito em Vitória, rs (prometo que serei boazinha com ela) 

 

Bjokassssssssss



Nome: silvie (Assinado) · Data: 30/04/2018 10:03 · Para: Capitulo 10

Uau 

Uau

Uauuuuuu

Que delícinha  de capítulo ...   

Amei!!!!



Resposta do autor:

Sabia que tu ia curtir hehehehhe

Minha anja sendo corrompida pelos desejos mundanos e vc comemorando... tsc tsc hehhe

Bjokasssssssssssss



Nome: Angell (Assinado) · Data: 30/04/2018 04:08 · Para: Capitulo 10

Que lindo o primeiro beijo delas! Espero que Vitória crie coragem e termine logo o relacionamento para deixar  Andressa livre para ser feliz com Saladiel. 



Resposta do autor:

Será que ela deixa???? 

Oremos hehehehe 

Vitória ainda tem um tico de chão rs

Bjokassssssss



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