Por acaso | a história de duas mulheres e seus acasos por Poracaso


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Não acordei porque eu não dormi. Bem que gostaria de acordar de repente e achar que tudo aquilo era um pesadelo. Mas não era, ou era, mas eu não estava dormindo. Não fui para a aula, sequer me olhei no espelho com medo de me encarar.

Liguei tantas vezes para Luísa. Liguei do meu telefone, liguei do orelhão da esquina, liguei do telefone do vizinho, mas ela não atendeu. Tentei o celular, o telefone da nossa casa. Até que resolvi tentar o telefone da casa dela. A secretária eletrônica atendeu:

– Lu, pelo amor de Deus, sei que você está ai. Já liguei para o escritório, para nossa casa e para o seu celular. Você é a mulher da minha vida. Eu amo você. Me perdoa. Deixa eu pelo menos explicar o que aconteceu – tentei.

A cada tentativa, imaginava ela olhando as minhas ligações e se negando a atendê-las. Como aquilo doía. Parecia uma chaga.

Pensava na dor que ela deveria estar sentindo. Se furar fila já depunha tão mal sobre mim, traí-la, sem dúvida, seria bem pior. Mas pior era ter feito mal a ela. Tê-la machucado. Ela era a mulher da minha vida, era perfeita pra mim. Ela era minha, nós éramos uma da outra e eu a perdi.

A única pessoa a quem eu podia recorrer naquele momento era a Marcos. Ele era o melhor amigo de Luísa. Companheiro de todas as horas e era para ele que ela corria quando a vida aprontava.

Liguei para Marcos em desespero, sem saber mais o que fazer:

– Marcos, é Carol

– O que aconteceu Carol? – perguntou ele.

– Eu fiz uma besteira – confessei.

– Ai, meu Deus, Carol. Já até imagino o que aconteceu – disse ele.

– Eu traí a Luísa – disse aos prantos.

– Ai, Carol, você podia ter feito tudo, menos isso. Você contou? – quis saber ele.

– Ela descobriu. Ligou para mim e a menina atendeu – expliquei.

– Puta que pariu, Carol – disse ele indignado.

– Foi só uma aventura. Juro que não significou nada, foi atração e só – justifiquei.

– Carol, não vou te julgar, pode até ter sido, mas é difícil de acreditar, de entender, de perdoar – não me poupou.

– Me ajuda – pedi desesperada.

– Infelizmente, não tenho como, Carol. Sempre torci por vocês, mas torço pela felicidade da Luísa acima de tudo. Às vezes, acho que torço pela dela até mais do que torço pela minha – cortou ele.

– Marcos, fala com ela, por favor. Pede pelo menos para ela me atender, preciso conversar com ela, só quero isso – pedi.

– Olha, Carol, eu vou ligar para ela porque sei como ela é, sei que ela está precisando, mas não vou insistir, não espere nada – disse ele.

– Obrigada, Marcos – agradeci.

– Fica bem e qualquer coisa pode ligar – ofereceu ele.

– Obrigada mesmo – agradeci outra vez.

Liguei de volta para ele 10 minutos depois.

– Falou com ela? – perguntei.

– Ela não vai te atender. Acho melhor não insistir por enquanto – sugeriu.

– Como é que ela está? – quis saber.

– Decepcionada – resumiu.

– Marcos, eu preciso falar com ela – disse.

– Eu sei, Carol, mas espere a poeira baixar. Vocês estão de cabeça quente e tudo que for feito neste momento pode ser mais um complicador – sugeriu.

– Já comprei a passagem. Embarco em algum tempo – revelei.

– Carol, não seria melhor esperar? – perguntou.

– Não vou esperar, Marcos. Ela é a mulher da minha vida – declarei.

– Você devia ter pensado nisso antes de meter os pés pelas mãos – alfinetou.

– Estou sofrendo as consequências de não tê-lo feito – assumi.

– Luísa sabe que você está vindo? – quis saber.

– Não. E você vai me prometer que não vai contar – pedi.

– Não vou me meter, mas tome cuidado com ela – pediu.

– Pode deixar – prometi.

Toquei a campainha da casa de Luísa um pouco depois das 22h. Não sabia o que iria encontrar e aquilo me deixava apreensiva. Aquela viagem era o meu “tudo ou nada”.

Ela demorou para abrir a porta, mas, quando abriu, não a fechou em minha cara:

– Posso conversar com você, por favor? – pedi, ao vê-la.

– Entra – ela disse.

Quando a vi meus olhos se encheram de lágrimas imediatamente e não pude contê-las, pois eram, sem dúvida, mais fortes que qualquer tentativa minha. Arrastei minha mala até o meio da sala e fiquei lá, parada, sem ação, sem ímpeto. Meu corpo estava cansado, minha mente sem argumento e meu coração sufocado. Ela não parecia sensibilizada, nem esperava que estivesse. Convidou-me para sentar e a partir daí já não respondia mais pelos meus atos. Pus-me a chorar copiosamente.

Ela me trouxe água, mas o que eu queria eram seus braços. Ela limitou-se a sentar ao meu lado e me pedir calma. Eu não merecia mais que isso. Pedi desculpas tantas vezes que perdi a conta. Era só isso que tinha para ser feito.

Luísa demonstrava um equilíbrio que não era compatível com a imaturidade própria dela até então. Na verdade, ela perecia muito mais controlada do que propriamente madura. Não sei se o equilíbrio dela me tranquilizava ou se me deixava ainda mais insegura. Eu me acusava e ela dizia que cada coisa tem seu tempo de maturação, que essa história toda ainda estava doendo muito nela e que preferia não fazer nada de cabeça quente.

Perguntou desde quando eu estava no Brasil e eu respondi que tinha acabado de chegar, e que voltaria às 4h da manhã do dia seguinte.

– 8h apenas no Brasil? – perguntou.

– Vim só para conversar com você – solucei.

– Você não devia ter vindo. Se desgastado. Esse vai e vem todo é muito cansativo – ela disse.

– Você não me atendia, foi a minha única opção – justifiquei.

Ela não parecia querer avançar com aquela conversa:

– Você quer que eu chame um táxi para você? – ofereceu.

Lembrei-me de Marcos me aconselhando a não fazer nada de cabeça quente e a não insistir. Então, somente aceitei a oferta. Quando o táxi chegou, ela me levou até a porta e eu soube que era minha última oportunidade. Eu a abracei forte e disse:

– Por favor, volta pra mim?

– Carol, vamos dar tempo ao tempo – respondeu impassível.

Entrei no elevador.

Chorei durante as 8 horas de vôo. Sentia-me fraca. A vontade de chorar continuava, mas as lágrimas não caiam mais.

Eu havia secado.

Nome: Childlaurmani (Assinado) · Data: 11/07/2018 03:59 · Para: Capitulo 41 - Você que ontem me sufocou de amor e de felicidade, hoje me sufoca de saudade

Olha, acho absurdo e até abusiva a forma que a Carolina estava vendo o relacionamento. Até antes da viagem eu a achava super madura, mas a partir do momento que ela passou a encarar mudança de pais como uma obrigação da Luísa, ela perdeu totalmente a razão.   Primeiro de tudo era uma viagem do doutorado dela ( vale salientar que Luísa nem tinha conhecimento de tal fato, logo, não foi algo planejado por ela), então a obrigação de fazer a viagem era única e exclusiva dela. Querer que a outra mude sua vida, rotina, tudo em prol de algo que era pra ela, soa extremamente egoísta, ainda mais algo que seria passageiro, em um ano teria terminado. Se o sentimento dela não pode aguentar isso ou simplesmente aceitar a decisão da outra, sem ficar encarando como uma atitude errada só pq não saiu da forma como ela planejava, ele precisa ser revisto. 



Nome: mtereza (Assinado) · Data: 24/03/2018 08:58 · Para: Capitulo 41 - Você que ontem me sufocou de amor e de felicidade, hoje me sufoca de saudade

O motivo da traição como ja foi dito aqui foi exteextremam egoísta e diria que ate fútil não combina realmente com a pessoa que a Carol se mostrou ser durante toda história todo relacionamento delas resta saber agora se vale a pena para a Luiza passar por cima de tudo é perdoar acho que não é o perfil dela mais como nós enganamos com a Carol talvez a Lu tb nos surpreenda 



Resposta do autor:

Vamos torcer por Luísa



Nome: Nocturne (Assinado) · Data: 20/03/2018 11:47 · Para: Capitulo 41 - Você que ontem me sufocou de amor e de felicidade, hoje me sufoca de saudade

Sigo achando inadmissível a atitude da Carolina. Além do mais, ela é incoerente. Se estava "carente" (desculpa esfarrapada), pq pediu para a Luísa remarcar a passagem e continuou se encontrando com a outra?

A Luísa não merece ficar com alguém que não a respeita. E a Carol só se arrependeu porque foi descoberta porque enquanto a Lu não sabia, ela estava aproveitando bastante a situação. Como ela pretendia levar essa situação adiante? Ia continuar enganando a Luísa? Cabe à Luísa o perdão ou não, mas na minha opinião, ela não deveria perdoar. 



Resposta do autor:

Tem coisa que só o coração sabe explicar.



Nome: Allex (Assinado) · Data: 20/03/2018 02:06 · Para: Capitulo 41 - Você que ontem me sufocou de amor e de felicidade, hoje me sufoca de saudade

Uma história de amor tão bonita manchada por uma atitude tão cafajeste e egoísta! Carol estava mantendo um caso, no apartamento que a esposa ficava quando ia visitá-la, com uma mulher que já havia sido apresentada para a esposa, com o conhecimento das pessoas que também já conheciam sua esposa... Qual o respeito que Carol tem pela Luísa? Acho que respeito não deve ser ensinado e sim uma coisa espontânea, que todo mundo devia ter quando está em qualquer tipo de relacionamento. Pra mim vai ser muito injusto com a Luísa aceitar a Carol de volta. É um prêmio à falta de respeito e a lealdade.  Bjs autora



Resposta do autor:

Allex, vamos dar tempo ao tempo, só ele é capaz de curar.



Nome: NovaAqui (Assinado) · Data: 20/03/2018 00:39 · Para: Capitulo 41 - Você que ontem me sufocou de amor e de felicidade, hoje me sufoca de saudade

Carolina, Carolina! Como você é BURRA

Apesar de achar traição uma coisa imperdoável, estou torcendo por vocês! 

Acho que você fez a maior besteira de sua vida, porém estou acreditando que você se arrependeu de verdade e está disposta a reconquistar sua amada.

Abraços fraternos procês aí!



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