Por acaso | a história de duas mulheres e seus acasos por Poracaso


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O tempo foi passando e a nossa relação foi se consolidando. A insegurança de Luísa diminuiu o suficiente para torná-la uma mulher confiante e tranquila. Ainda não tolerava Bia com tanta desenvoltura, mas já era capaz de conviver com ela em harmonia.

Eu achava que tinha encontrado a pessoa com quem queria passar o resto dos meus longos dias. Ela colocava a culpa do nosso encontro no destino. Fosse lá como fosse, adorava me sentir plena, completa, cheia.

Ela gostava de contar nossa história para as pessoas e ouvi-las dizer que mais parecia “coisa de cinema” ou que a nossa química se devia a uma “combinação astrológica perfeita”. Eu achava divertido a necessidade que os outros tinham de explicar o que era apenas o que era: amor, paixão, desejo.

Tínhamos aprendido que o ser humano tem limites. Talvez ela tenha me ensinado mais. Aprendi a ser paciente, não que eu não o fosse, mas com Luísa entendi que a paciência tem nuances. Aprendi o que era uma personalidade feminina de verdade. Entendi o que era ser mulher, no sentido pleno da intensidade e não do gênero.

Sofri um bocado até me adaptar àquele novo tipo de ser humano, desconhecido para mim até então, pois embora só tivesse me relacionado com mulheres até aquele momento, nunca com uma mulher com toda essa densidade e complexidade.

Depois de quase um ano, enfim o equilíbrio, a maturidade. Conseguimos manter o furor adolescente dos primeiros dias, resistimos à tentação lésbica de nos juntarmos prematuramente e a paixão continuava intocada. Desejava aquela mulher como no primeiro dia.

Tínhamos planos de uma vida a duas, ou melhor, de uma vida em família. Luísa tinha uma intimidade com minha mãe e irmã que nem eu mesma fazia questão de manter, mas queríamos mais: planejávamos uma família só nossa, crianças, uma casa.

Para celebrar nossa felicidade, organizei uma festa de um ano de namoro. Só eu sei o sofrimento! Eu, que nunca organizei nem minha gaveta de calcinhas, me vi às voltas com doces, buffet e cerimonial. Mas a surpresa de verdade deixei para o final. Esperei todos saírem, coloquei The Way You Look Tonight e tirei Lu para dançar. Assim que a música acabou, abri um espumante, servi nossas taças e disse, segurando a mão dela:

– Luísa Medeiros de Mendonça, você aceita casar-se comigo?

Ela parecia feliz, mas assustada. Demorou para responder e quando a resposta veio, foi na forma de pergunta:

– Assim, tão rápido?!

– Você acha um ano rápido? – perguntei, decepcionada.

– Não, é que não sei se estou pronta para um passo tão grande. Eu amo você, mas não sei se de repente isso não estragaria tudo – argumentou.

Queria entender se ela estava insegura ou se realmente casar não fazia parte dos planos dela. Então, perguntei:

– Você está com medo de casar comigo ou você está com medo do casamento? O que quero saber é se o que te deixa em dúvida sou eu ou o casamento em si.

– Eu amo você, o casamento é que me deixa aflita – esclareceu, parecendo realmente angustiada.

Vi que ela estava incomodada com a situação. Ao que parecia, ela queria aceitar, mas estava com tanto medo que não conseguia decidir. Então, fiz a seguinte proposta:

– Podíamos procurar uma casa que tivesse a nossa cara e que a pensássemos juntas, de modo a manter a individualidade e os espaços de cada uma e só oficializar o casamento quando estivesse tudo pronto. Funcionaria como uma fase de transição. O que você acha?

– Eu aceito! – ela disse, animada, como se eu tivesse tirado um peso enorme das costas dela.

Então, perguntei outra vez:

– Luisa Medeiros de Mendonça, você aceita casar-se comigo?

– Aceito! – respondeu, pulando no meu pescoço.

Diante da resposta positiva, finalmente pude tirar as duas alianças que havia comprado do bolso da calça. Coloquei uma delas na mão direita de Luísa e depois fiz o mesmo na minha. Beijei-lhe a mão e disse:

– Danem-se os astros, os autos, os signos, os dogmas, os búzios, as bulas, anúncios, tratados, ciganas, projetos. Profetas, sinopses, espelhos, conselhos. Se dane o evangelho e todos os orixás. Serás o meu amor, serás, amor, a minha paz.

Enfim, noivas.

Nome: patty-321 (Assinado) · Data: 07/02/2018 12:46 · Para: Capitulo 35 - Consta nos astros, nos signos, nos búzios

Lindas. Ela como sempre muito inteligente e entendendo e burlando as inseguranças de Luiza.



Resposta do autor:

É Patty, né fácil não. Administrar as inseguranças de Lu e ainda lidar com os próprios sentimentos é para os fortes!!! 



Nome: mtereza (Assinado) · Data: 07/02/2018 04:33 · Para: Capitulo 35 - Consta nos astros, nos signos, nos búzios

Ha adoro Chico Buarque



Resposta do autor:

Somos duas. Vai lá na nossa fanpage e confere a playlist dessa estória! Tenho certeza que você vai gostar.



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