Por acaso | a história de duas mulheres e seus acasos por Poracaso


[Comentários - 328]   Impressora Imprimir Capitulo ou História - Lista de Capítulos

- Tamanho do Texto +

Subi de volta para o meu apartamento e liguei para Bia. Precisava de uma opinião abalizada e distante da situação. Depois de contar em detalhes tudo que havia acontecido nas últimas 24 horas, ela saiu com a seguinte pérola:

– Meu bem, você sabe que quero muito ver você feliz. Acho que você está encantada com essa moça. Só não sei se o que te encanta é o mistério, a dificuldade ou se é tudo.

– Você acha que tudo isso vai acabar quando formos para cama? – perguntei a ela.

– Talvez. É uma possibilidade. Mas pode ser que não – disse.

– Ai, Bia, não sei, mas me vejo em outra fase. Estou  cansada de estar só, pulando de galho em galho. Desde que acabamos nunca mais me prendi a ninguém. – resumi.

– Eu entendo. Também acho que hoje você está mais madura. Talvez essa garota venha para colocar sua vida nos eixos novamente – sentenciou. – Mas isso só o tempo vai dizer.

– É que ela é tão especial, encantadora, diferente sabe? – eu disse.

– Sei – disse ela.

– Parece uma menina que precisa de colo, que precisa ser cuidada – expliquei.

– Carol, sabe o que eu acho? Que você está apaixonada por essa garota – disse ela.

– Será? – perguntei.

– Humhum – riu ela.

– Não sei se é paixão, mas que faz bastante tempo que não sinto essa sensação, faz – ponderei.

– Então, não deixa ela escapar – falou.

– O pior é que nem tenho o telefone dela – lamentei.

– Meu bem, ela sabe onde você mora. Se tiver que ser, vocês vão se encontrar mais cedo ou mais tarde – tentou me acalmar.

– Ela não me parece o tipo de mulher que bateria em minha porta – diagnostiquei.

– Se ela quiser você, tenha certeza que vai encontrar um jeito – falou.

Quando desliguei o telefone, deitei no sofá e fiquei imaginando como seria nosso próximo encontro. Até o momento, eles tinham sido completamente casuais, quase novelescos. Me incomodava ter que contar com o destino, algo tão fora do controle. Tudo bem que eu gostava de ser surpreendida, de quebrar regras, mas esta ansiedade não me deixava confortável.

Meu estômago roncou como se quisesse me avisar que paixonites não sustentam o corpo de pé. Então, levantei e fui cozinhar uma massinha para jantar.

Enquanto esperava a massa cozinhar, abri um vinho e coloquei uma música.

O sinal de mensagem do meu celular me trouxe de volta à realidade:

“Oi, tomara que não esteja atrapalhando. Queria poder agradecer pela noite de ontem”.

Quis responder no mesmo instante, mas não sabia direito o quê. Demorei pensando:

“Já disse que não precisa agradecer. Foi um prazer. Posso considerar que tenho seu telefone agora?”

Ao contrário de mim, a resposta foi imediata:

Pode sim.

Diante de tamanha agilidade, tratei de discar o número dela.

– Oi – atendeu ela, parecendo descontraída.

– E ai? – perguntei, sem saber direito o caminho que devia dar àquela conversa.

– Aqui – respondeu ela, como se também não soubesse para onde ir.

– Está fazendo o que? – perguntei, tentando ser mais objetiva e acabar com aquele impasse.

– Estava escrevendo um relatório, mas agora vou ver um seriado, já que esgotei todo o meu sono ao longo do dia – explicou.

– Pois é, eu também acabei pegando carona no seu sono e agora estou super acordada. Vai assistir o quê? – quis saber.

– The Good Wife – disse.

– Sério?! Estou na quinta temporada e você?

– Na terceira ainda. Mas quem diria, temos uma antropóloga viciada em séries de TV americanas!

– Todo mundo tem seu ponto fraco – justifiquei.

– Bom, se você não se incomodar de rever, está convidada para assistir, comentar aos olhos dos estudos sociais e comer um carpaccio – convidou.

– Só vou se puder não tecer quaisquer comentários teóricos, apenas passionais, mas o carpaccio, esse eu prometo comer com prazer – aceitei, enquanto ajeitava meu cabelo com as mãos de modo sensual, como se ela pudesse me ver.

– Então venha, que a sessão vai começar – avisou.

– Você vai me dar o endereço ou vou ter que usar tudo que aprendi na série outra vez para descobrir onde você mora? – desafiei.

– Ah! Então quer dizer que foi The Good Wife que ensinou você a descobrir identidades? – quis saber.

– Descubro utilidade em tudo – expliquei.

– Eu moro a 5 minutos da sua casa. Anote ai – disse.

– Dá para ir a pé. Só não vou por causa da hora – falei.

– Espero você então! – disse.

Desliguei o fogo e fiquei andando em círculos pela cozinha, sem saber para onde ir no meu apartamento de 30 metros quadrados. Corri para o banheiro, tomei um banho e saí.

Quando cheguei ao apartamento dela, fui anunciada pelo porteiro e conduzida até o elevador social. Subi me olhando no espelho para ver se estava tudo em ordem. Toquei a campainha. Ela abriu a porta e me cumprimentou com dois beijinhos no rosto.

Ela me acomodou no sofá e me ofereceu uma taça de vinho, que eu aceitei. Colocou um pouco para ela também, mas logo abandonou o álcool e o trocou por chá. Ela morava num loft de muitíssimo bom gosto, extremamente bem decorado, ao melhor estilo minimalista.

Ela foi até a cozinha e voltou pondo o carpaccio em cima da mesa e um episódio de The Good Wife. Vimos cinco episódios seguidos e eu bebi toda a garrafa de vinho. Não levantei com medo da gravidade me jogar de volta pro chão. Embora não parecesse embriagada, sentia meu corpo querer levitar e a última coisa que eu queria era sair dali voando.

Foi ficando tarde e ela me convenceu a dormir na casa dela. Na verdade, não foi um trabalho de persuasão dos mais complicados, tendo em vista as circunstâncias. O quarto dela ficava na parte de cima do apartamento, um mezanino moderno, que se revelou um desafio para mim depois de uma garrafa de vinho. Ela me entregou uma camisa e uma escova de dente.            Lembro vagamente de ter escovado os dentes, mas daí pra frente minha memória me traiu.

Só me recordo do que aconteceu a partir das 5 da manhã, quando levantei para ir ao banheiro. Olhei no espelho e me dei conta que estava seminua, apenas de calcinha e com uma camisa. Será que tinha acontecido alguma coisa e eu não lembrava? Que vexame! Uma fura fila bêbada. Acabara de jogar minhas chances pela janela. Quando voltei para cama, ela perguntou:

– Está tudo bem?

– Desculpa, eu não sou de ter esse tipo de comportamento. Eu só estava sem saber como agir, ainda estou, eu acho.

– Meu bem, não estou preocupada com isso. Quero só saber se você está bem – tranquilizou ela, me abraçando.

Pude sentir o cheiro dos lábios dela. E se já era impossível resistir a eles, àquela distância a dificuldade aumentava consideravelmente. Beijamos-nos. As mãos dela percorriam minha nuca e minhas costas. Eu segurava sua cintura em busca de uma resposta sobre até onde podia ir.

O desejo me respondeu, eu enfiei a mão por dentro da blusa dela e toquei seus seios. Eles estavam rígidos. O bico do peito dela parecia querer romper a barreira da blusa. Apertei-os entre meu indicador e o polegar e ela gemeu. Desci a mão direita por dentro do short dela e senti o seu sexo molhado. Deixei meu indicador escorregar por todo o seu clitóris por várias vezes, enquanto mordia o bico do peito dela com força. Senti o corpo dela tremer. Então, penetrei a vagina dela com toda a minha mão, sentindo-a gozar. Virei ela de costas, segurando-a pelos cabelos e a penetrei. O corpo dela estava mole, entregue, e ela gemia alto, mexendo os quadris da forma mais excitante que já vi. Aquele balanço fazia com que minha mão entrasse mais no corpo dela. Deitei por cima do seu corpo e gozei com o movimento dos quadris dela, fazendo com que meu líquido escorresse pelas minhas pernas, se misturando ao dela. O estado de êxtase aumentava com as palavras que ela me dizia. Ouvi o que jamais imaginei ouvir daquela boca.

O corpo dela sossegou na cama e ela pôs a mão para trás, em busca do meu sexo. Virou-se de frente para mim e mordeu meu pescoço, desceu lambendo meu colo até chegar em meu peito, chupando-o devagar. Continuou o percurso atingindo meu sexo, percorrendo todo o meu clitóris, até me penetrar. Gozei na boca dela. Ela levantou a cabeça com o meu gozo escorrendo pelos lábios, os lambeu e beijou minha boca. Aquela cena me fez gozar outra vez. Usou as mãos para puxar meu clitóris, me fazendo gritar. Virou-me de costas e deitou sobre mim, roçando seu sexo na minha bunda e mexendo os quadris até gozarmos juntas. Não sei ao certo quanto tempo durou, mas ao final parecíamos ter saído vitoriosas de uma guerra particular, onde lutávamos de um mesmo lado. Dormimos coladas pelo suor, pelos nossos líquidos e pela vontade.

Quando acordei, procurei-a na cama, mas ela não estava. Apesar disso, pude sentir seu cheiro e o cheiro do nosso sexo por toda a parte. Confirmei que aquilo não era um sonho. Senti um frio na barriga que há anos não sentia. Ri sozinha de felicidade.

Vesti a camisa que ela tinha me emprestado e desci as escadas à procura dela. Estava sentada no sofá da sala, debruçada no computador. Abracei-a por trás e beijei-lhe o pescoço, dizendo:

– Bom dia.

Ela me puxou para perto dela no sofá e encostou a cabeça no meu ombro como um gato. Beijou minha boca e respondeu:

– Bom dia.

Enquanto ela digitava, perguntei em tom de brincadeira:

– Será que depois dessa noite de vexame e de um início de manhã avassalador, eu posso saber quem você é?

– Avassalador? – quis confirmar ela.

– Completamente avassalador – confirmei, roubando-lhe um beijo.

Ela então esticou o braço até a bolsa, pegou um cartão de visita e me entregou.

No cartão, eu li:

“Luísa Medeiros de Mendonça, advogada especialista em Direito de Empresas. Mendonça e Carreiro – Advogados Associados”

– Isso é aquele escritório enorme que fica na avenida? – perguntei.

– Umhum – respondeu.

– Gente! Que mulher poderosa eu fui arrumar! – Brinquei.

– E você? – quis saber ela.

Fiz a mesma coisa. Peguei um cartão de visita e entreguei-lhe.

– Maria Carolina Cavalcanti Ferraz, professora Dra. Em Antropologia do Comportamento, Professora Titular do Departamento de Antropologia. Doutora? – perguntou.

– Sei que não é lá grande coisa, mas a tese é razoável, se quiser ler depois… – disse rindo alto.

– Claro que quero ler! – disse animada.

Afastei-me para atender meu telefone. Era Bia, que queria passar lá em casa para pegar algumas coisas de Bob, nosso gato, que ainda estavam por lá. Então, eu disse que não estava em casa, mas que ela podia pegar a chave no lugar de sempre e levar o que quisesse.

Percebi claramente que Luisa havia ficado desconfiada com o telefonema. Então eu quis puxar assunto.

– O que você pretende fazer hoje? – perguntei.

– Nada – disse, tentando, sem sucesso, disfarçar o aborrecimento por causa da ligação.

Não queria que absolutamente nada estragasse aquele início de história. Então me sentei ao lado dela, na beira do sofá e disse:

– Eu desconfio o que tenha feito você ficar assim, mas não tenho certeza. Quem acabou de ligar para mim foi minha ex. Tive um relacionamento que durou quatro anos e acabou há um ano. Tínhamos um gato, ou melhor, quando a conheci ela já tinha o Bob…

– Olha, não precisa me dar satisfação da sua vida, dos seus relacionamentos – disse ela numa mistura de embaraço e raiva.

– Eu sei que não preciso, mas eu quero – respondi pacientemente. Sendo assim – continuei – quando nos separamos, Bob ficou comigo até que ela encontrasse um local para ficar. Agora ela encontrou e levou o Bob semana passada, mas algumas coisas dele ainda estão lá em casa e ela precisa pegar. Só isso – concluí.

– OK – respondeu ainda mal humorada.

– Bom, quero deixar claro que não quero machucar você e que, embora não saiba o que aconteceu com você antes, as pessoas são diferentes, os comportamentos não são padronizados. E independente do que acontecer com a gente daqui pra frente, eu gosto de você, não quero te fazer mal. Entendo a sua desconfiança, mas precisa me conhecer para confiar em mim e se não me deixar entrar na sua vida, não vai poder me conhecer.

– OK – respondeu com desdém.

Sem saber direito como agir, percebi que era melhor deixar ela sozinha para pensar. Então subi, tomei um banho e quando voltei fui beijar-lhe a boca e ela virou o rosto. Então eu disse:

– Olha, eu vou estar em casa o dia todo esperando você ligar. Podemos jantar, assistir filme ou fazer qualquer coisa que você queira – eu disse sem saber se aquilo era atitude de uma menina mimada ou de uma mulher machucada.

– Tá bom – respondeu ela olhando nos meus olhos.

Fui embora insegura. Logo eu, sempre tão dona de mim, me vi numa situação especialmente particular. Estava nas mãos dela, completamente ao seu dispor.

Notas finais:

Um capítulo cheio de informações, mas a história dessas duas ainda não acabou. Espero que estejam gostando, meninas! 

Beijos!



Comentários


Nome: mtereza (Assinado) · Data: 19/01/2018 00:54 · Para: Capitulo 32 - O perdão do poeta

Entendo mais a Carol mais ainda sem compreender a traição



Nome: patty-321 (Assinado) · Data: 16/01/2018 11:22 · Para: Capitulo 32 - O perdão do poeta

Luiza continua com o pé atrás neste momento. Se abriu e depois se sentiu insegura novamente por causa do telefonema e recuou mas a Carol e inteligente e paciente. Bjs. Amando ter o pov da carol.



Resposta do autor:

Oi Patty, eu te disse que ia valer a pena ouvir Carol falar!!! Beijo.



Você deve fazer login ou se cadastrar para comentar.