Por acaso | a história de duas mulheres e seus acasos por Poracaso


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Aquela combinação de medicamentos a deixou completamente entregue. Era a minha chance de mostrar que meu caráter, definitivamente, não estava atrelado a uma simples furadora de filas. Fui procurar um táxi, até que Luisa disse que havia deixado seu carro no estacionamento do aeroporto.

Duvidei um pouco, não sabia se devia levá-la em consideração naquele estado de torpor. Só me convenci quando ela me mostrou a chave do carro e o cartão do estacionamento. Fui pagar o estacionamento e, quando voltei, Luisa estava sentada no meio fio, dormindo com a cabeça entre os joelhos. Acordei ela para que me dissesse onde havia estacionado carro. A partir das informações inconsistentes, consegui achar o veículo e convencê-la a deixar-me dirigir. Ela passou para o banco do carona e nem esperou que eu ligasse o carro, dormiu imediatamente.

Como não sabia onde ela morava e àquela altura achava que não valia a pena acordá-la, decidi que o melhor era levá-la para minha casa. Sem parecer muito consciente de suas ações, ela caminhou até o elevador e deitou em minha cama onde tornou a dormir profundamente. Tirei a roupa dela de modo a deixá-la mais confortável, mas não toquei nas peças íntimas. Coloquei uma camiseta minha para que não ficasse com frio nem com vergonha quando acordasse.

Preferi me acomodar no sofá da sala para não correr qualquer risco de ser acusada de assédio ou ter, de alguma forma, meu caráter questionado mais uma vez. Acabei cochilando também.

Acordei com Luisa gritando no quarto. Sai correndo e quando cheguei lá, ela me olhava assustada. Sentei na cama, envolvendo-a nos meus braços.

– Ei, está tudo bem. Você estava com muito sono e como não sabia onde você morava, te trouxe para minha casa – expliquei.

Ela então, de olhos fechados, passou a mão pela gola da camisa.

– Não quis mexer na sua mala, então tirei sua roupa, mas não toquei nas roupas íntimas – frisei – e coloquei uma blusa minha para ficar mais confortável.

Antes mesmo que eu pudesse acabar de falar, ela dormiu de novo.

Voltei para o sofá e liguei a televisão. Mais um pouco e outro grito. Peguei um copo d’água e corri para o quarto novamente. Sentei ao lado dela e ela me abraçou muito forte.

– Foi só um sonho ruim. Está tudo bem. Estou dormindo na sala, qualquer coisa é só chamar – acalmei.

– Fica aqui comigo, por favor?! – ela disse assustada.

– Tá bom – atendi, deitando meio sem jeito ao lado dela.

Assim que deitei, ela sentou na cama e resmungou:

– Tenho que ir. Tenho uma reunião.

Eu estava caindo de sono, mas lembrei que tinha que ser paciente:

– Meu bem, você está morrendo de sono. Não tem reunião nenhuma, são 3h20 da manhã e é sábado. Eu estou aqui com você. Vem dormir – chamei, segurando ela pelos ombros, cobrindo-a com o edredom.

Dormi mal, preocupada com ela ao meu lado. Com medo de tocá-la e ser mal interpretada, sei lá. Acordei às 8h e sai devagarzinho da cama. Preparei o café da manhã, mas fiquei esperando mais um pouco para acordá-la. Ela tinha tido uma noite particularmente difícil e achei que merecia descansar um pouco mais.

Às 10h, fui até o quarto com uma bandeja com um café da manhã variado, a alternativa que encontrei por não saber do que ela gostava, além de chá e pizza.

Ao me ver, ela virou para o lado e fez que ia dormir novamente:

– Se você comer, prometo que te deixo dormir – sentenciei.

Como se tivesse acabado de voltar da mais insólita localidade deste planeta, ela devorou todos os víveres e quando perguntei se queria mais alguma coisa, ela respondeu:

– Quero fazer xixi.

Parecia uma menina travessa, suplicando por mais 5 minutos de brincadeira. Apontei para o banheiro e avisei que havia separado uma escova de dentes para ela.

Quando ela voltou do banheiro, enfiou-se novamente embaixo do cobertor. Eu então achei melhor deixá-la sozinha para que pudesse voltar a dormir conforme combinado. Ela então disse:

– Você devia aproveitar e dormir um pouco. Sei que atrapalhei seu sono durante a madrugada. Olha, queria te dizer que não sou sempre assim, mas acho que os acontecimentos me deixaram tensa.

– Meu bem, não estou nem um pouco preocupada com isso. Se você for assim, por mim não tem problema, vou estar aqui do seu lado. E se não for, também estarei igualmente aqui – declarei tranquilizadora.

Ela agradeceu, envergonhada.

Pisquei o olho e disse:

– Agora dorme, que você ainda tem tempo.

Fui para sala e deixei-a dormir. Entrei no quarto algumas vezes para checar se estava tudo bem, mas ela parecia tranquila. Peguei o telefone e liguei para Bia. Quando ela atendeu fui logo dizendo:

– Bia, ela está na minha cama, alguma recomendação especial?

– Quem está na sua cama sua doida? Isso é jeito de ligar para alguém? – reclamou ela.

– Luisa. Desculpa. É que é uma emergência – expliquei.

– Quem diabos é Luisa, Carol? – perguntou ela.

– A garota da fila, no aeroporto, lembra? – perguntei.

– Gente, e eu pensando que você tava em São Paulo, dando aula! – brincou.

– Eu estava, mas encontrei com ela no aeroporto de novo – falei. – Bia, me ajuda! – pedi.

– Você me pedindo conselho sobre o que fazer na cama com alguém? Você sabe muito bem o que fazer Carol, até melhor do que eu – disse ela. – Ah, outra coisa, o ideal é que você não fure a fila – riu ela.

– Ai, Bia, fala sério! Ela só dormiu aqui. Não aconteceu nada – disse.

– Carol, não precisa mentir pra mim. Esqueceu que fomos casadas. Eu te conheço! – falou.

– Não estou mentindo, é verdade – tentei.

– E por que ela foi dormir na sua casa? Não tem hotel nessa cidade não? – disse.

– É uma longa história Bia, depois te explico. Me diz só se você tem alguma recomendação – consultei.

– Vai com calma, que pelo seu interesse, parece que essa garota pegou você de jeito. Vê se não estraga tudo e boa sorte aí! – desejou ela.

Fui ao quarto ver como ela estava. Ela estava tão linda dormindo que deitei ao lado dela e, não sei por quanto tempo, fiquei observando-a dormir. Quando ela acordou, sorriu ao me ver olhando para ela.

– Você deve estar aí pensando: que mulher folgada essa que tá alugando minha cama há horas – disse ela.

– Pode ficar o quanto quiser. Só estava olhando você dormir – falei. Tá com fome? Tá quase na hora do jantar – disse, olhando o relógio.

– Meus Deus! Tenho que ir – apressou-se. – Posso tomar um banho? – perguntou.

– Claro. Já separei uma toalha para você. Está pendurada na porta do box – disse.

Enquanto ela estava no banho, fui até a varanda respirar um pouco. Meu celular tocou, era Bia perguntando como eu tinha me saído.

– Não me sai desse jeito que você está pensando. Mas acho que estou no caminho certo – falei.

– Então continue assim. Não se atropele e nem atropele ela – aconselhou.

Tinha acabado de desligar o telefone quando Luisa apareceu enrolada na toalha:

– Tá precisando de alguma coisa?

– Essa situação é um pouco constrangedora, mas gostaria de saber onde estão minhas roupas – perguntou.

– Vamos lá achar as roupas da Bela Adormecida – brinquei.

Abri meu guarda-roupa e apontei para as roupas dela penduradas.

– Obrigada! –disse.

– Espero que você tenha a consciência que eu podia ter confiscado suas roupas – ameacei.

– Sim, eu tenho. E agradeço desde já por não tê-lo feito, pois causaria um grande prejuízo à minha reputação – brincou ela.

– Estou à sua disposição – disse.

Ela passou as mãos nos cabelos para desembaraçá-los. Fui pegar um pente para ajudá-la. Quando voltei, ela estava forrando a cama. Aproveitei então para pentear os cabelos dela. Quando acabei, ela olhou para mim e disse:

– Não sei nem como agradecer.

– Não agradeça. Vou descer com você para te mostrar onde está o seu carro – disse.

Enquanto descíamos no elevador, rimos da forma como eu tinha penteado o cabelo dela.

– Tá linda, com cara de menina comportada! – eu disse.

Quando chegamos a frente ao carro dela, eu disse:

– Você é uma mulher encantadora. Não esconda isso. Nem todo mundo quer te machucar. E se for o caso, lembre-se de Vinícius de Moraes: “Porque a vida só se dá. Pra quem se deu. Pra quem amou, pra quem chorou. Pra quem sofreu” – disse.

– Prometo que vou lembrar – disse ela, me abraçando com força, assim como fez na noite anterior.

Por um momento, senti medo de nunca mais tê-la assim tão perto.


Nome: Luanna-lua (Assinado) · Data: 08/01/2018 12:44 · Para: Capitulo 31 - Se acaso me quiseres...

Tão lindo e profundo o envolvimento das duas, pena é ver que apesar disso a Carol foi capaz de trair a única mulher que disse amar de verdade. 



Resposta do autor:

Calma Luana, nada termina antes de chegar ao fim!



Nome: mtereza (Assinado) · Data: 08/01/2018 11:19 · Para: Capitulo 31 - Se acaso me quiseres...

Elas era fofas juntas triste lembrar sabendo como acabou



Resposta do autor:

Tereza, fica triste não que a gente não gosta. Aguarde os próximos capítulos.



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