Por acaso | a história de duas mulheres e seus acasos por Poracaso


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Acordei às 4h55 da manhã com o telefone tocando. Era a recepcionista, avisando que o ônibus da companhia aérea passaria no hotel às 8h para levarmo-nos para o aeroporto e que todos deveriam aguardar no saguão após o café da manhã. Olhei o relógio e maldisse a moça do telefone antes de programar o celular para mais 30 minutos de sono. Mas os pensamentos da noite anterior não me deixavam dormir mais nem um minuto, nem eu queria que deixassem.

Resolvi agir. Tomei banho, me vesti e fui até o saguão do hotel. Briguei com a máquina de refrigerante e consegui fazer com que ela cuspisse uma lata de chá gelado de limão para mim.

Fui até o quarto dela e bati na porta. Quando ela abriu, entreguei-lhe o chá e disse:

– Bom dia! Dormiu bem?

– Pouco, mas bem. E você? – retribuiu

– Ai, desculpa, fiquei conversando e não deixei você dormir – me desculpei, estendendo-lhe a lata de chá.

– Não foi você, a conversa estava ótima – disse ela, tomando um gole de chá.

– Vim buscar você para tomar café – convidei.

– Tá. Deixa só eu pegar minha mala.

Enquanto ela entrou no quarto, aproveitei para puxar assunto:

– Estava pensando…o que eu já posso saber no quinto encontro?

– Pode perguntar se eu gosto que chá – autorizou ela.

– Aí não vale. Tudo que eu sei, descobri sozinha, com meu próprio esforço – reclamei – Me diz uma coisa, isso tudo é desconfiança? Você acha que sou uma serial killer ou uma louca obcecada que persegue as pessoas no aeroporto? – perguntei.

Ela parou na minha frente e respondeu:

– Digamos que eu seja uma pessoa precavida.

E difícil, pensei comigo mesma.

– Não sei nem como você aceitou o chá. Trouxe, mas tinha certeza que você ia jogar fora, achando que eu queria te envenenar – disparei.

– Também não é assim, vai. E vamos embora senão vamos acabar nos atrasando – apressou.

Atraso era uma palavra que não constava no vocabulário da nossa companhia aérea. Passamos mais 12h no aeroporto, tempo suficiente para eu escrever um artigo quase todo e passar por umas 10 fases de Candy Crush, até decidirem que embarcaríamos.

Quando entrei no avião, percebi que estávamos afastadas por umas dez filas. Não podia passar 3h no mesmo lugar que Luísa sem estar junto dela. Fui até o assento dela e me dirigi à sua vizinha:

– Senhora, se não se importar poderia trocar de lugar comigo? Estou a dez filas daqui, também no corredor. É que minha prima, que está ao seu lado, tem uma estranha síndrome que a acomete de desmaios súbitos, precisando de cuidados especiais. Seria possível realizar a troca? – relatei.

A mulher comovida ou amedrontada, não sei, prontamente respondeu, já de pé:

– Sim, claro.

– Muita gentileza da sua parte, senhora – respondi gentilmente.

Acomodei-me no meu novo assento sob o olhar de Luísa, que não sabia se ria ou se me repreendia. Assim que decolamos, ouvi:

– Bom, agora temos três horas para conversar – ofereceu.

– Estou à sua disposição – aceitei. Ao mesmo tempo que cuidei:

– Na verdade, acho que você podia aproveitar esse tempo para dormir. Está cansada e eu culpada por ter te alugado a noite passada – sugeri.

– Nunca consigo dormir direito em avião. É desconfortável e frio – reclamou.

– Deixa eu ver o que podemos fazer para aliviar seu sofrimento – falei.

Levantei o braço da cadeira que separava o meu assento do dela e providenciei um cobertor e um travesseiro. Apoiei o travesseiro em minhas pernas e convidei ela para que deitasse em meu colo. Ela deitou, obediente, e, pela primeira vez, não reclamou de absolutamente nada.

Comecei a alisar os cabelos muito pretos dela. Eram tão lisos e macios que escorregavam entre meus dedos. A tocava enquanto contava sobre a palestra intitulada “A origem do jeitinho brasileiro” que tinha ido dar numa Universidade em São Paulo há uns anos.

Ela disse que estava enjoada e espirrava sem parar. A solução foi então a combinação de um remédio para enjoo e um antiestamínico para alergia o que, claro, teve como resultado, sono. Pelo menos, foi no meu colo.

Notas finais:

Perdão pelo atraso desse capítulo, meninas. 

Mas aproveitando: Feliz Ano novo pra!!! Que bom entrar em mais um ano aqui com vocês. Um 2018 com muito amor!



Comentários


Nome: mtereza (Assinado) · Data: 04/01/2018 08:47 · Para: Capitulo 30 - Apertem os cintos

Feliz ano novo muito bom ler a história do amor delas agora contado por Carol



Nome: patty-321 (Assinado) · Data: 03/01/2018 01:42 · Para: Capitulo 30 - Apertem os cintos

Fofas.



Resposta do autor:

Amamos muito essas duas!!!



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