If(true){love} //o código da atração por linierfarias


[Comentários - 407]   Impressora Imprimir Capitulo ou História - Lista de Capítulos

- Tamanho do Texto +

Static void Main(){

                var Capítulo= 14;

  var Título = “Outro Lugar”;

                var POV= “Alice”;

};

 

“Quero ter o teu encanto, tanto, pra me enfeitiçar
Quero ter você mais perto, pra poder te amar...”

Outro Lugar (Detonautas, 2002)

 

Voltando para casa, após quase ter sido beijada na boca pela minha morena dos olhos de mel, – Sim, porque me recuso a acreditar que essa não foi a intenção inicial dela – eu tentava lidar com aquela sensação que já não era mais momentânea, mas sim constante. Pela leveza que eu sentia, arriscava dizer que já estava até me acostumando com aquilo. Liguei o som do carro em uma rádio qualquer e estava tocando Detonautas, Outro Lugar. Lembrei dos tempos de colégio, da minha adolescência... E percebi que era assim que me sentia naquele instante: uma adolescente.

Aumentei o volume e comecei a cantar junto em voz alta, enquanto usava o volante como bateria:

-- “Eu podia até tentar acreditar nessa ilusão, não sei por que, viagem errada então. O meu caminho me levava a acreditar que eu estava certo, que eu era esperto e coisa e tal... Cara sinistro da zona sul, andando com um monte de santinha pra lá e pra cá, mas com você foi diferente, foi de primeira. Quando eu te vi, até me faltou ar. As oportunidades nessa vida me fazem crer que quando estamos frente a frente, só eu e você, o tempo passa tudo é mais fácil.
Difícil é esquecer o que eu faço quando você se vai. Eu fico aqui bolando planos mirabolantes,
fico inconstante, pareço iniciante. Eu vou fazer de tudo pra trazer você pra perto de mim... Pode acreditar que sim...”

O celular tocou, interrompendo o meu show. Como estava conectado ao som do carro através do bluetooth, apenas acionei o botão do volante para atender. Era Pedro:

-- Fala, seu pateta!

Atendi brincando. Eu estava alegre, divertida... A despeito de todo o desconforto que havia sentido durante a tarde, após a conversa complicada que tive com Giselle, naquele momento, a felicidade havia se apoderado de mim. Minha vontade era de cantar, dançar, pular, gritar... Em certo momento, até desejei que caísse um temporal, só para que eu pudesse parar o carro e sair correndo pela rua, interpretando aquela cena clássica de Cantando na Chuva. Até analisei alguns postes de luz, para ver se encontrava algum em que eu pudesse me pendurar e girar, para arrematar a performance.

O porquê de tanta felicidade? Pasmem, porque eu também pasmei quando me dei conta. Pois bem, o motivo não devia ter mais de 1,63m de altura, mas sua personalidade peculiar, de tão grandiosa, transbordava aquele corpinho pequeno e delicioso, deixando-a gigantesca. É, eu estou falando da minha Mel.

“Isabella... Lindo nome!”

Perdi as contas de quantas vezes já tinha repetido sozinha dentro do carro.

“Isa... Bella... Belíssima e encantadoramente... Como posso definir? Encantadoramente doidinha. Perfeita.”

Sim, perfeita, até nos defeitos. Toda metódica e certinha. Certeza que organizava as roupas por cor. E aquele atrevimento dela, quando não queria ficar por baixo? Ativava todas as terminações nervosas do meu corpo. Coisa mais linda era vê-la se enrolando toda para falar quando estava envergonhada. Mais linda ainda quando perdia o controle de tão nervosa e começava a ter aquelas crises de ansiedade. Aliás, aquilo havia acontecido tantas vezes em apenas dois dias que cheguei a ter o pensamento prepotente de que a causadora de tanto nervosismo era eu. Bom, eu não tinha como saber disso, mas de uma coisa eu tinha absoluta certeza: eu gostava da sensação de conseguir acalmá-la. Ela despertava em mim um instinto de proteção e de cuidado. Despertava ainda outros instintos não tão nobres, mas...

“Gente, quase esqueci do Pedro. Daqui a pouco eu volto a falar do quanto estou embasbacada pela Isa. Vou só atendê-lo rapidinho, ok?”

-- Maldita bastarda. Desertora, sacana, filha da puta! Levamos uma sova do boss porque você não apareceu pro raide. Como tu abandona teus companheiros de clã desse jeito?

“Tá, eu sei... Você não entendeu nada do que ele falou, né? Calma, vou explicar. Pedro e eu fazemos parte de um clã (time) que joga World of Warcraft online (um jogo de RPG) todas as terças e quintas. A revolta dele é porque eu não apareci pra jogar e o clã ficou incompleto. Por esse motivo, eles devem ter perdido o raide (batalha) para o boss (chefão). Deu pra entender mais ou menos?”

-- Puta que pariu, o raide. Foi mal, Pedrão! Esqueci completamente.

Esbravejei falsamente. Eu não tinha esquecido, mas não revelaria nem sob tortura que não me importei em dar bolo neles para ficar de papo com a Isa. Quem poderia me julgar? Acho que Pedro e eu éramos os mais velhos daquele clã. Os outros jogadores não deviam ter mais do que... Sei lá... Treze anos. E nós nem ficávamos juntos de verdade. Era cada um na sua casa, na frente do computador, com um fone de ouvido e um microfone. Coisa mais fria! Com a Isa não... Com ela não era frio, muito pelo contrário...

“Eita, já ia começar a falar da Isa de novo. Voltemos ao Pedro.”

-- “Foi mal” não. Foi péssimo. Tivemos que arrumar outro DPS pra jogar, mas o cara era tão noob que estava mais pra TANK.

“DPS é o cara que bate, no meu caso, a elfa sangrenta guerreira que metia a porrada em todo mundo. TANK é o chamariz da porrada. O papel do TANK é basicamente ficar apanhando pra manter o inimigo ocupado enquanto o DPS toca o terror. E noob é um jogador principiante.”

-- Não julgue o garoto. Você ficou com esse sentimento porque eu sou a melhor DPS que já existiu. Qualquer um parece noob quando comparado a mim.             

-- Ainda por cima, é uma baita de uma cara de pau. Espero que tenha uma boa desculpa, senão vou te banir do clã. O Norte se lembrará, Alice.

-- Eu estava com a Isa!

-- Quê? Tu estava transando com a Isa?

-- Não, seu idiota. Quem falou em transar? Ela me convidou para um lanche, ficamos conversando e perdi a noção do tempo.

-- Ainda bem que eu não comprei aquela tua promessa furada de hoje cedo, porque a parada tá mais séria do que eu pensava.

-- Ei, espera aí, do que você tá falando?

-- Alice Shcultz perdeu a noção do tempo e não foi por causa de trabalho, videogame ou sexo.

-- E o que tem isso? Vai dizer que nunca perdeu a noção do tempo por causa de um bom papo?

-- Já, mas com um brother... Falando de trabalho, videogame ou sexo. Não com uma gata com quem estivesse querendo transar. Bem, pelo menos não até transar com ela.

-- Ora, ora... Encontrei alguém mais cafajeste do que eu.

-- Alice, tu não percebeu ainda, né?

-- O quê?

-- Velho, caralho... Tu tá apaixonada.

“Quê? Como? Por que ele tá dizendo isso? Tá bom, eu tô mesmo viciada no cheiro dela, obcecada por aqueles olhos lindos, tarada naquele corpo delicioso, sedenta daquela boquinha pequena e bem desenhada... Mas isso não significa que eu esteja apaixonada... Ou será que significa? Não, não, não... O nome disso é tesão. É isso, tesão... Com adicional de admiração e encantamento... Ah, que confuso!”

-- Acho que “apaixonada” é uma palavra muito forte.

-- Tá vendo? Se fosse em outra situação, você teria me mandado tomar no cú. Nem consegue mais negar que tá apaixonadinha pela Isinha dos olhos de mel.

Ele tinha razão. Em outra situação, teria mandado mesmo.

“Cara, num é que eu tô apaixonada mesmo?”

Entrei em desespero e retruquei quase chorando:

-- Pedro, o que vai ser da minha vida agora? O que eu faço? Anda, você precisa me dizer algo útil. Vou passar aí pra você me dar um tapa na cara. Pode ser que eu acorde dessa maluquice.

O idiota estava se divertindo às minhas custas. Não parava de gargalhar.

Alguns minutos depois, cheguei à casa dele, que já me recebeu com uma cerveja.

“É um idiota, mas sabe como receber uma amiga desesperada.”

Logo que sentamos no sofá, disparei:

-- Anda, me dá logo uma surra.

-- Sinto te desapontar, mas isso não vai te ajudar. Paixão não passa assim não, Alice.

-- E o que eu faço?

-- Já te disse que não acho uma boa se meter nessa, mas nem vou gastar minha saliva repetindo, porque tu já tá enfiada até o pescoço.

-- Valeu, seu besta. Tá me ajudando pra caralho.

-- Olha, Alice, se te serve de consolo, acho que... Não, eu tenho certeza de que ela tá na mesma vibe.

-- Será?

-- Não tô entendendo essa tua insegurança. Sempre sacou quando uma gata estava na tua. Qual é a noia agora? A fodástica Alice não sabe mais ler as mulheres?

-- Ela é diferente. Não consigo lê-la. Às vezes acho que ela tá a fim, às vezes acho que não...

-- Isso é porque tu tá cega de paixão. Mas como eu tô enxergando perfeitamente bem, vou quebrar teu galho. Ela tá caidinha por você, Alice. Além de estar na cara, a Fernanda ainda deu a entender.

-- Quê? Do que você tá falando?

A informação me assustou, mas também me interessou.

-- Ué, você não viu? Ela forçou a maior barra entre vocês duas. Além disso, quando fomos pegar o sonho, ela perguntou na minha lata se eu não achava que estava rolando um clima entre vocês.

-- E o que você respondeu?

-- Eu não tinha porque mentir, tinha?

-- Não. E ela?

-- Ela disse que dava a maior força e propôs que eu convidasse vocês pra happy hour.

-- Sabia que vocês estavam tramando algo, mas achei que a intenção era forçar um encontro entre você e ela.

-- Bom, bem que eu queria, mas ela parecia mais interessada em vocês duas do que em mim, então...

“Tá bom, eu tô doida com a informação que acabei de receber, mas vou deixar minha euforia de lado um pouquinho pra cuidar da vida sexual desse pastel aqui, senão ele morre virgem.”

-- Ah, mas é um mané mesmo.

-- Ei, por que tá dizendo isso?

-- Ela tá na tua, seu idiota. Devia estar esperando você tomar alguma iniciativa. Mas deixa... Sexta você resolve isso.

-- Você acha?

-- Só você não viu. Ela só faltou se jogar em cima de você. Pateta!

Hilária a cara de felicidade que ele fez quando terminei de falar. Ao mesmo tempo em que ria, levantou e ficou fazendo uma dança estranha bem no meio da sala. Não aguentei e caí na gargalhada. Perguntei:

-- Tá tendo um ataque epilético?

-- Não... Isso é a dança do acasalamento.

“Que figura!”

Gargalhei mais ainda. Ele continuou dançando. Tentando me controlar, perguntei:

-- Por que tá fazendo a dança do acasalamento?

-- Ora, porque vou transar na sexta. É um aquecimento.

E nesse clima descontraído, terminei a minha noite. Saí da casa de Pedro com duas certezas. A primeira, Pedro, daquele jeito tosco dele, era o melhor amigo que eu poderia desejar. Acredita que ele não me baniu do clã, mesmo depois de eu ter assumido que estava me lembrando do jogo, mas não tive coragem de largar a Isa? Tudo bem que me banir seria dar um tiro no pé, porque eu era realmente a melhor jogadora daquele grupo, mas Pedro era um homem orgulhoso. A atitude dele foi nobre. A segunda certeza era: eu estava perdidamente... Não, fodidamente apaixonada... E em tempo recorde, pela Isa.

 

Nos dias que se seguiram, a certeza de que Isa era a mais nova detentora dos meus pensamentos e desejos apenas se ratificou. No entanto, mesmo com toda aquela proximidade entre nós, no trabalho e fora dele, não permiti que meus instintos predadores forçassem qualquer barra. Eu tinha muito medo de fazer bobagem, de me afoitar, afinal, ela era uma mulher comprometida e supostamente hétero. Qualquer passo em falso poderia afugentá-la, e eu simplesmente não conseguia sequer cogitar a ideia de não tê-la, mesmo que tão pouco. Conversar com ela havia se tornado um vício. Nós nos encontrávamos todas as manhãs na padaria, depois seguíamos para o trabalho, passávamos o dia inteiro juntas, com direito a almoço dentro da sala, e no final do dia eu ainda a levava para casa. Não repetimos mais o lanche no food park. Ela não me convidou novamente, e eu tampouco tive coragem de convidá-la. Estávamos próximas, diria que quase íntimas. Amava as nossas guerrinhas de sarcasmos. Ela era craque em me provocar e eu amava revidar. A cada palavra trocada, descobríamos mais sobre a outra e percebíamos o quanto éramos compatíveis nas nuances. Ela era bem discreta ao falar da vida pessoal, mas não foi difícil perceber que não tinha uma relação muito próxima com a família e que ela e o namorado não estavam vivendo a melhor fase. Não me orgulho disso, mas confesso que a percepção de que o relacionamento dela estava por um fio me deixou feliz. A possibilidade de ela ficar solteira, no entanto, não mudava muito as coisas para nós, afinal, até ali ainda era hétero e minha parceira de trabalho, então, não poderia acontecer.

Embora eu estivesse completamente louca por ela, já havia tomado a decisão de não dar asas aquele sentimento intempestivo que havia se apoderado de mim. Só tinha um problema: eu não sabia que a paixão tinha o poder de exorcizar qualquer vontade que pudesse existir de estar com alguém que não fosse “A” pessoa. Descobri isso da pior maneira possível. Na quarta, tentei sair com uma garota que deu match comigo no Tinder. Resultado: deixei a menina falando sozinha enquanto batia papo com a Isa pelo WhatsApp. Quando cheguei em casa, desinstalei o Tinder do celular e fui tomar banho para tirar da cara o cheiro da cerveja que havia sido jogada em mim pela tindergirl, cujo nome eu não me lembro, ao perceber que estava sendo esnobada. Isso me fez perceber que aquela era a segunda vez na mesma semana que eu levava um jato de bebida na cara. Lembrei da Giselle...

Não vi mais a Giselle depois da nossa conversa. Ela não voltou do almoço aquele dia e no dia seguinte, ao perguntar por ela para Jéssica, a recepcionista, soube que havia se afastado por motivos de doença e que só deveria voltar na semana seguinte, após o natal. Não acreditei na doença, no entanto, fiquei preocupada. Pensei em ligar, mas achei que isso só pioraria as coisas, caso fosse dor de cotovelo. Talvez fosse melhor mesmo ela dar um tempo, assim, quando voltasse, a cabeça estaria mais fria e poderíamos ensaiar uma convivência amigável. Para Pedro, ela estava mesmo era tramando algum plano macabro para me exterminar da face da terra.

“Pedro e sua imaginação fértil.”

Aliás, Pedro estava todo animadinho para a happy hour de sexta. Fernanda não havia mais aparecido para o café da manhã, mas após eu muito insistir, ele concordou em ligar para ela. Conversaram por horas e ele finalmente aceitou que ela estava realmente interessada. Na sexta, chegou para trabalhar todo arrumado. As calças cargo largas haviam dado lugar para um jeans escuro, bem justo. Ponto para ele que tinha pernas torneadas e uma bunda redondinha. A camiseta de super-herói havia sido substituída por uma camisa azul marinho de botões, com as mangas dobradas até o cotovelo. A barba estava aparada e o cabelo arrumado. Ele realmente estava disposto a fazer sexo naquela noite. Tirei muito sarro dele.

No final do expediente, foi a vez de Pedro tirar sarro de mim. Isa havia saído da sala, dizendo que iria retocar a maquiagem antes de sairmos. De repente, me deu a vontade de fazer o mesmo. Bem, no meu caso, não de retocar, pois não estava usando qualquer maquiagem aquele dia. Na verdade, só me maquiava quando tinha alguma reunião com cliente ou algum evento de gala. De vez em quando até passava um batom, mas a verdade é que eu detestava ter que me maquiar. Por isso, aquela vontade que se apoderara de mim havia sido no mínimo estranha. Pedro, pensando o mesmo, não deixou barato. Ao entrar na sala e me encontrar passando batom, perguntou confuso:

-- Por que tá passando essa merda na cara? Você detesta.

“É, por que eu tô passando essa merda na cara?”

-- Ah, sei lá! Deu vontade de ficar bonita.

Pedro me olhou incrédulo antes de soltar:

-- Alice, velho, é meio esquisito o que eu vou falar, principalmente porque tu é minha brother. Tô até me sentindo meio viado com isso, mas vou falar mesmo assim: tu é gata, Alice. Tipo... Gata mesmo, sacou? Sem passar reboco nenhum na cara. E se o que tá te preocupando é a Isa não achar isso, relaxa, porque tenho certeza de que ainda que ela te visse caída de bêbada na sarjeta, toda mijada, ainda te acharia gata. Não precisa passar essa merda aí não, porque nem combina contigo.

“A doçura com que ele trata uma mulher não é comovente? Por isso não transa.”

-- E quem disse que é por causa da Isa?

Retruquei sem energia. Se eu não conseguia enganar nem a mim, como eu enganaria o Pedro, que entendia mais dos meus sentimentos pela Isa do que eu mesma?

-- E eu não te conheço, né? Desde quando tu precisa de maquiagem pra se sentir segura em pegar alguém? Isso daí é porque tu tá querendo se mostrar pra ela, que eu sei. Quer que ela te note. Assume logo que fica mais bonito.

Ele tinha razão. Aquilo era patético.

-- Ok, não está mais aqui quem se maquiou.

Já estava tirando um lenço da bolsa para limpar o batom, mas fui interrompida pela entrada intempestiva de Isa na sala:

-- Tô pronta. Vam... – A frase ficou suspensa no ar. Ela emudeceu por alguns instantes, engoliu o nada e continuou. – Você tá usando batom?

Fui pega no flagra. Menti:

-- É... O Pedro disse pra eu passar. Falou que eu estava muito apagada.

-- Quê? Eu não dis...

O pateta retrucou, mas antes que continuasse, dei um chute na canela dele por baixo da mesa. Ele se corrigiu:

-- Ai... Digo... É... Um batonzinho pra iluminar não vai mal, né?

Isa nos olhou confusa, mas deu de ombros. Sem entender a nossa confusão, falou apenas:

-- Nossa, Pedro, você sabe como fazer uma mulher se sentir bem, né?

-- Sim, ele é super sensível.

Ironizei. Rimos juntas enquanto Pedro nos olhava com cara de pastel. Isa me olhou fundo nos olhos, fazendo com que eu tremesse dos pés à cabeça. Voltou a falar:

-- Alice, você tá muito linda com esse batom, mas sabe que não precisa né? Tua boca é tão rosadinha que já parece estar de batom o tempo inteiro.

Emudeci. Como eu poderia lidar com aquilo?

“Isa reparando na minha boca... Nunca pensei. Ou pensei?”

Foi minha vez de ficar com cara de pastel. Fiquei lá, feito boba, a boca abria e fechava, mas não conseguia expressar nada. Não costumava ficar envergonhada com elogios, muito pelo contrário. Eu me achava bonita, sabia que tinha meu charme, então, ser elogiada era apenas uma constatação desse fato. Mas vindo dela foi esquisito de receber. Talvez porque eu não estivesse esperando por aquilo ou talvez porque estivesse me sentindo horrorosa diante da tão maravilhosa imagem dela naquele tubinho preto com um decote em V, que instigaria a imaginação até de uma árvore, a maquiagem realçando aqueles olhos enormes e lindos, os cabelos caindo como um adorno deslumbrante para aquele rosto perfeito e delicado, cujo sorriso poderia iluminar as profundezas das trevas.

Foi ela mesma quem me tirou daquele transe constrangedor, mas apenas para me deixar mais encabulada ainda:

-- Passou blush também? Tá tão corada!

E soltou uma risada gostosa, que embora houvesse saído no intento de me sacanear, mexeu com o meu mais profundo instinto animal. Se eu tivesse deixado me levar, teria levantado e avançado sobre ela ali mesmo, na presença de Pedro. Mas, ao invés disso, desviei rapidamente o olhar, antes que fosse tarde demais. Enquanto eu tentava me recompor, Pedro e ela se divertiam às minhas custas. Foi ela mais uma vez quem falou:

-- Que bonitinha, toda envergonhada.

E foi se aproximando de mim, sorrindo.

“O que você tá fazendo? Não... Não chega perto. Sai daqui, Isa. Sai, ou eu não respondo por mim.”

Parou na minha frente, ainda sorrindo. Senti aquele cheiro alucinante. Tocou e acariciou meu rosto com as pontas dos dedos. Engoli a seco, fechei os olhos e respirei fundo.

“Essa garota tá me provocando e só pode ser de propósito.”

Abri os olhos e encontrei os dela, mas eles não estavam normais. Estavam escuros e me fuzilavam. Quase avancei. Falou em um tom que eu poderia jurar que era provocativo:

-- Até parece que não sabe que é bonita.

Senti uma vertigem forte e achei que fosse cair. Foi Pedro quem me salvou.

-- Ei, vocês sabem que eu tô aqui, não sabem?

Acho que ela finalmente percebeu o quanto aquela situação era inadequada e tratou de se recompor. Afastou-se e perguntou:

-- Então, nós vamos ou não vamos pra esse bar? A Fernanda já deve estar chegando lá?

Antes mesmo de terminar de falar:

-- Vamos.

Eu já estava na porta de saída.

Alguns instantes depois chegamos ao bar. Era um lugar enorme, com vários ambientes. Fernanda já nos esperava em nossa mesa e fez uma festa quando nos viu. Sentamos e começamos a conversar animadamente. O garçom se aproximou para anotar os nossos pedidos e todos se espantaram quando eu pedi uma água. Foi Pedro quem perguntou:

-- Como assim, não vai beber?

-- Não, tô dirigindo.

Mentira. Eu só não queria mesmo era perder o controle. Sabia que se bebesse, correria sérios riscos de agarrar a Isa.

-- Até parece. Mas tem razão. Eu mesmo achei melhor vir de Uber.

-- Eu também. – Fernanda completou.

Isa interferiu:

-- Alice, agora tô me sentindo culpada. Aposto que só veio de carro por minha causa.

-- Claro que não. Eu teria vindo de carro de qualquer jeito.

Tentei usar um tom casual, mas aquilo não era verdade. Sempre que saíamos e eu sabia que ia beber muito, não ia de carro. Pedro sabia disso e me olhou confuso, mas na mesma hora percebeu e calou o que pretendia falar. Isa não comprou o meu papo furado e retrucou:

-- Sei... Vou fingir que acredito. Mas vamos fazer assim, você bebe e eu dirijo. Deixo você na sua casa e depois dou um jeito de ir...

-- Não... Eu não quero mesmo beber, juro. Tô me sentindo meio enjoada.

Mentira.

-- Você não tá bem? Tá se sentindo mal? Quer ir pra casa ou pro méd...

-- Calma, doidinha.

Eu ri. Ela já estava ficando nervosa. Tratei de acalmá-la:

-- Tá tudo bem, só não estou com vontade de beber. Às vezes acontece.

Ela já estava caindo na minha, mas Pedro, como sempre, fez o favor de falar merda:

-- Só se “às vezes” for sinônimo de “nunca”.

“Esse mané vai me pagar.”

-- Pedrão, por que você não chama a Fernanda pra dançar? Olha essa música... Super combina com aquela coreografia que você ensaiou outro dia.

Eu estava me referindo à dança do acasalamento. Ele corou. Perfeito, objetivo atingido.

“Mission complete.”

Fernanda para Pedro:

-- Hummm... Então você sabe dançar, é?

-- Não... Digo... Sei... Mas, mas...

Antes que ele conseguisse formar a frase, Fernanda o arrastou para a pista de dança. Isa e eu ficamos sozinhas na mesa e ela insistiu no assunto:

-- Alice, não tô me sentindo bem com isso. Não é justo que você seja a minha babá.

-- Para, Isa. Já disse que não quero beber. Se eu quisesse, duas cervejas não me fariam mal pra dirigir. Eu tô bem, relaxa.

Ela me olhou incrédula, mas se resignou.

-- Tá bem, vou relaxar, mas só porque hoje é o último dia que vou te importunar com esse lance de carona. Amanhã recebo o meu carro.

Cheguei a sentir uma dor só de pensar que não teria mais a companhia dela na volta pra casa, todas as noites, e ela achando que estava me importunando.

-- Sei... Você tá é aliviada de não ter mais que andar de carro comigo. Pensa que eu esqueci que me chamou de barbeira da primeira vez que te ofereci carona?

Ela soltou uma gargalhada gostosa, antes de responder:

-- Você pode me culpar? Quase me matou atropelada.

-- Quem manda não olhar ao atravessar a rua?

-- Ih, não vamos entrar nessa discussão não, porque você perde. Quem foi que avançou a faixa de pedestre?

Ela tinha razão, eu havia sido a culpada mesmo.

-- Tem razão. Saiba que por sua causa, passei a me preocupar mais com a sinalização, tá?

-- Que ótimo! E o que tá querendo? Uma estrelinha, por não fazer mais do que a sua obrigação?

-- Seria um bom reconhecimento, se quer saber. Além disso, eu paguei minha dívida com você, te dando carona.

-- Nossa! – O riso dela murchou discretamente. – Então as caronas eram com o intuito de pagar uma dívida? E eu aqui achando que você gostava da minha companhia.

Ela entendeu tudo errado. Tratei de me explicar... Ou pelo menos tentei:

-- Não... Não foi isso que eu quis dizer... Eu gosto da tua companhia e...

-- Não precisa se explicar. Já acabou mesmo o teu martírio.

“Tecnicamente é um martírio mesmo, mas não pelos motivos que você deve estar pensando. Martírio é ter que me controlar pra não te agarrar dentro do carro. Mas isso eu não posso falar.”

-- Martírio? – Falei levemente irritada. – Tá maluca, Isa? Acha mesmo que eu ofereceria carona se não quisesse te levar?

Ela voltou a sorrir, e eu não entendi nada.

-- Calma, garota, tô só te zoando. Relaxa!

-- Hahaha... Muito engraçado.

-- Boba! Se quer saber, acho que você dirige muito bem e...

-- E...

-- Vou sentir falta das tuas caronas.

“Page cardio!”

-- Fique à vontade pra vender o carro.

Não resisti em provocar, e ela provocou de volta:

-- Não dê ideia. Vai que eu resolvo acatar.

-- Bom, eu ia adorar ser a sua motorista particular.

“Eu ia adorar ser tudo o que você quisesse.”

-- Você pediria demissão na segunda semana. Sou muito exigente.

“Essa brincadeira não vai acabar bem.”

-- Eu aguento o tranco. Adoro trabalhar sob pressão.

Encaramo-nos por alguns instantes e depois caímos na gargalhada, ambas percebendo que havia chegado o momento de parar com as provocações, antes que fosse tarde demais. Voltamos a falar de assuntos mais seguros e a noite seguiu sem maiores emoções. Bem... Exceto para Pedro e Fernanda, que se atracaram em um canto do bar e por lá ficaram.

Algumas horas depois, despedimo-nos do novo casal e fomos embora. Isa e eu ficamos em absoluto silêncio durante todo o caminho até o prédio dela. Havia um sentimento nostálgico no meu peito que, após muito tentar entender, percebi que era antecipação da saudade que eu ia sentir dela, pois só voltaríamos a nos encontrar na terça, depois do natal. Já parada na frente do prédio dela, tentei diminuir o tempo em que ficaríamos afastadas ao propor:

-- Quer que eu te leve pra buscar o carro amanhã?

-- De jeito nenhum! Não vou te incomodar com isso, ainda mais no sábado.

-- Isa, larga de ser boba. Não vai me incomodar.

Ela me olhou pensativa. Acho que ponderou sobre o assunto, mas mesmo assim negou:

-- Obrigada! Agradeço muito a gentileza, mas a Fernanda vai me levar. Já havíamos combinado.

Eu queria insistir, mas seria esquisito. Resolvi me conformar com o fato de ter que esperar quase cinco dias para vê-la novamente.

Já estávamos paradas havia alguns minutos, mas parecia que ela não queria sair, tampouco eu queria que ela se fosse. Não sei por que fiz, mas acomodei a cabeça no volante e fiquei olhando para ela, que sorriu com um ar que eu poderia jurar que era de encantamento.

-- Tá cansada, né? Vou subir... Deixar você ir embora.

-- Não, eu não tô nada cansada.

-- Tá sim, já tá até tendo que encostar a cabeça.

-- Não, não é isso... É que...

“É que eu quero te admirar e o ângulo é bom.”

-- É que...?

Voltei à posição normal. Não podia externar o que estava sentindo. Estava tendo dificuldades de assumir até para mim, imagine para ela. Resolvi acabar com aquela tortura. Não ia acontecer, não podia acontecer. Melhor mesmo era ir logo embora.

-- Nada. Tem razão, eu tô meio cansada mesmo. Melhor eu ir.

Olhou-me com certa dúvida, mas não me questionou. Ao invés disso:

-- Tá bom... Boa noite, então.

Sorri.

-- Boa noite, então.

Ela sorriu também.

-- Bom final de semana.

Era como se procurássemos assunto mas retardar a despedida. Havia um intervalo longo entre uma fala e outra.

-- Pra você também... E feliz natal. Até terça.

-- Verdade, tem o natal. Só te vejo de novo na terça, né?

Ela falou melancólica.

“É. Triste né? Também vou sentir saudade.”

-- Acho que sim.

-- Feliz natal, então.

Sorrimos. Ela se aproximou. Já sabia o que ia fazer: ia beijar meu rosto, como fez todas as noites ao se despedir. Apenas esperei que o fizesse, deixando-me mais uma vez naquele estado de êxtase o qual eu já havia me habituado a sentir.

“Espera, ela não tá desviando. A boca dela está vindo em direção à minha”

A penumbra do carro não permitia que eu visse a cor de seus olhos, mas não me impediu de ver a expressão de desejo e o brilho que vinham deles. Ela não ia beijar o meu rosto. Estava se movendo lentamente em direção à minha boca. Se eu tinha qualquer dúvida sobre sua intenção, essa se esvaiu quando suas mãos seguraram o meu rosto e a boca dela chegou tão perto que senti seu hálito.

-- Eu amo os teus olhos, Alice.

Falou em um fio de voz, e tive que engolir a seco. Acho que de todas as sensações novas que eu havia conhecido ao longo da semana, aquela foi a que mais mexeu comigo. Cada célula do meu corpo clamava por aquele contato. Beija-la era tudo o que eu mais queria, no entanto, eu temia demais aquela situação. Ela havia bebibo, estava com as emoções alteradas. Pelo pouco que eu a conhecia, dava para saber que se estivesse sóbria, jamais teria tido um ímpeto como aquele.

“Daí você deve estar se perguntando: ‘mas por que você tá preocupada com isso, Alice?’ Pois é, estou me fazendo a mesma pergunta. Parece muito errado ceder a esse desejo desta forma. E se ela se arrepender? ‘Se’ não, porque ela vai. E as coisas não vão ficar legais entre nós, se isso acontecer”

Continuou:

-- Eles me hipnotizam.

“Os teus fazem o mesmo comigo.”

Desceu os olhos para os meus lábios. Eu tremia da cabeça aos pés. Estava louca de vontade de agarrá-la, mas sentia todo o peso daquela situação nas minhas costas. Permaneci estática, tentando controlar a respiração, enquanto ela falou:

-- E essa boca? Tem noção do quanto ela me enlouquece?

-- Isa...

Consegui sussurrar. Absolutamente excitada, porém, completamente apavorada.

-- Desde o primeiro dia, eu quis sentir o gosto.

-- Isa, por favor.

“Que viadagem é essa, Alice? Você tá doida pra beijar a garota. Beija logo.”

Ela aproximou os lábios...

-- Isa, para.

“Tá louca, Alice?”

-- Por que, se eu sei que você também quer?

“Sabe? Pois é, eu quero... Quero mais que tudo.”

Roçou os lábios nos meus.

“Deus, eu vou ter um infarto. Sim, é isso que você leu:  agora eu acredito em Deus.”

-- Isa, você bebeu e...

-- Eu nunca estive tão lúcida.

Mordeu meu lábio inferior.

“Que delícia! Tá esperando o quê, Alice? Beija logo essa mulher...”

-- Isa, não...

A voz quase não saiu.

-- Por que não?

“É, por que não? Beija logo...”

Passou de leve a ponta da língua nos meus lábios.

“É agora. Não vou resistir.”

­-- Isa...

“Isa nada. Anda logo com isso, Alice!”

-- Eu... Nós... Melhor não.

-- Vai negar que quer?

-- Eu quero... Quero muito.

Roçou de novo os lábios nos meus.

-- Então me beija.

“Isso, beija.”

-- Não podemos... você... o Lucas.

“O quê? Tá louca? Idiota, covarde...”

Falar no Lucas foi o que bastou para que ela voltasse à realidade. Afastou-se de uma vez de mim. O distanciamento me causou algo muito parecido com dor. Arrependi-me na hora de ter invocado o nome dele. Nervosa, falou:

-- Tem razão. Não sei onde eu estava com a cabeça. Eu... Eu... Desculpa, Alice.

-- Ei, não fica assim...

Tentei toca-la, mas ela se desvencilhou.

-- Não... Eu... Tenho que ir. Obrigada pela carona. Tchau...

-- Isa, espera...

Mas foi tarde demais. Ela já havia saído em disparada.

“Idiota, estúpida. Desde quando a tua consciência pesa com traição, Alice? Por que não beijou?”

Esmurrei forte a direção do carro.

“Que raiva de mim. Por que eu simplesmente não beijei? O que tá acontecendo comigo?”

Eu não era mais eu mesma. Estava conhecendo, na marra, uma versão boba e apaixonada de mim, algo que jamais imaginei que pudesse me acontecer. Até consciência eu tinha adquirido. Em uma situação normal, eu teria agarrado Isa ali mesmo, dentro do carro, subido para o apartamento dela sem dar a menor importância para o namorado. No outro dia, a vida seguiria seu curso normal e a minha única preocupação seria encontrar desculpas para me desvencilhar se suas investidas, caso ela quisesse repetir. Mas, com Isa, eu não queria que fosse assim. Com ela, eu queria... queria... mais. É isso. Eu queria muito mais dela... muito mais do que ser seu experimento lésbico, muito mais do que sexo casual, muito mais do que ser um escape para um relacionamento frustrado. Eu queria que ela me quisesse da mesma forma e com a mesma intensidade que eu a queria.

“Por que isso está acontecendo comigo. Eu estava tão satisfeita com a minha vida fútil e desprovida de sentimentos... eu era feliz assim. Estava bem, jamais havia reclamado. Logo eu, a rainha da pegação, agora aqui a ponto de ter uma crise de choro por estar se sentindo apaixonada por alguém a quem eu não posso ter, porque já é de outro. É, parece que esse lance de justiça divina é coisa séria.”

Cheguei em casa arrasada. Um aperto tremendo no coração. Eu conseguia sentir o cheiro do perfume dela em mim. Nunca havia me sentido daquela forma em toda a vida... Eu estava desesperada por ela. Era mais do que vontade, era necessidade. Eu precisava tê-la, mas será que um dia eu a teria?

 

 

Notas finais:

Meninas, 

Capítulo da semana postado. 

Espero que estejam gostando da história.

Não deixem de me contar o que estão achando, ok?

Obrigada por estarem acompanhando.

Abraços e até a semana que vem.



Comentários


Nome: PK LIMA (Assinado) · Data: 18/01/2018 19:41 · Para: Capitulo 14 - Outro Lugar

Todo mundo deveria ter uma amiga FERNANDA rs louquinha, realmente é um FAUSTAÕ e um bobão Pedro...

Torcendo por Alice e Isa, mesmo já sabendo que ainda haverá muita turbulência nessa estória.

Ansiosa já para o próximo capitulo.



Resposta do autor:

PK LIMA,

Concordo com você sobre a Fernanda. Kkkkk

Alice e Isa com certeza ainda têm muito o que enfrentar, mas a paixão delas já está fervendo. Já viu o cap 15?

Abraços!!



Nome: Val Maria (Assinado) · Data: 18/01/2018 00:57 · Para: Capitulo 14 - Outro Lugar

Boa noite autora.

Caramba!!! Eu simplemente amo esse humor que vc coloca em suas personagens,principalmente com a MINHA querida Alice.

Tudo nessa estoria é perfeito,a Isa é muito fofa,pois amo esse casal e ainda vamos rir muito com ambas.

Só posso pedir: CONTINUAAAA!


Saude e sorte em tua vida autora.


Val Castro



Resposta do autor:

Val, 

Obrigada pelo carinho, viu?!

Você é um amor.

Vai continuar sim, pode deixar.

Abraços!!!



Nome: luba (Assinado) · Data: 16/01/2018 18:00 · Para: Capitulo 14 - Outro Lugar

- As definições de autocontrole foram atualizadas por Alice - 

kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Tinha que comentar este momento da Alice. A história toda está incrível, apaixonante e engraçada demais. Tô amando. Parabéns, Linier! 



Resposta do autor:

Luba,

kkkkkkkkkkkkkkk amei!

E amei mais ainda receber um comentário seu. Muito bom saber o que está achando.

Obrigada mesmo por isso e também por estar acompanhando.

Abraços!



Nome: naybs (Assinado) · Data: 15/01/2018 19:05 · Para: Capitulo 14 - Outro Lugar

NOSSA! QUE CAP FOI ESSE, BRASEEL? MORRI KKKKKKKKKK Tenho 5 coisas para falar! 

 

Cara, primeiro, os pensamentos da Alice são muitoooo divertidos! Aquele 99% vagundo e 1% anjo, isso era a Alice no passado. Só que nesse cap., a gente percebe que roubaram a Alice e colocaram um clone com outra personalidade no lugar dela kkkk Essa nova Alice nada parece com aquela Alice de outrora.

 

Segundo, o Pedro é um cara super engraçado! kkkk Ele fica trolando a Alice assim como a Fernanda trola a Issa. Realmente, o Pedro e a Fer nasceram um para o outro, supercombinam :)

 

Terceiro, voltando ao assunto Alice, acho que ela teve uma atitude muito sensata. Apesar de a gente ficar torcendo para ela beijar a Isa, o ato de não corresponder foi a melhor atitude a ser tomada. Começar um relacionamento com coisas mal resolvidas é difícil demais para ambas as partes. Acho que esses relacionamentos tendem a fracassar.

 

Quarto, a Isa, cara, não tenho palavras para descrever a Isa nesse cap kkkkkk Sério! Meldels. Tive vários ataques cardíacos nesse cap. Ainda bem que tenho 7 vidas porque morri todas as vezes que a Isa dizia uma frase para a Alice dentro daquele carro na hora da despedida kkkkk  Page cardio em mim o tempo todo durante essa cena! Ainda bem que saí viva. Se o outro cap for assim, talvez vocês não me vejam aqui na semana que vem kkkk

 

Quinto, Linier, te admiro pra caramba! Esse talento de conseguir provocar na gente as reações e os sentimentos que as personagens sentem não é para qualquer pessoa. Esse cap. conseguiu me causar frios na barriga. Vários deles. Parabéns, tu escreve demais! Você sabe que você é minha autora preferida!

 

Arrasou mais uma vez! Que venha o próximo. Vou contar aqui se ainda tenho vidas suficientes disponíveis para ler o próximo cap. hahaha

 

 

 



Resposta do autor:

Nay, 

Tenho cinco palavras: OBRIGADA POR SER TÃO FOFA!

Nem dá pra acreditar que dedicou o seu tempo para comentar cada detalhezinho do capítulo. Você não tem noção do quanto isso significa pra mim. Acho que mesmo que eu me esforçasse muito, jamais seria capaz de responder à altura a tanta generosidade, sua e de outras leitoras, em me deixar saber o que a história está provocando em vocês. Queria que soubesse que isso é a minha maior inspiração.

Então... vou deixar de viadagem, senão eu vou longe, como boa canceriana que sou. kkkkkk

Sobre o próximo capítulo: se eu fosse você, procuraria por aí um daqueles cheat codes que dão vida infinita nos jogos de videogame, porque vai precisar. Tem fortes emoções vindo por aí. Aquela cena do carro não foi nada. Arrisco até dizer que o Michel Temer vai decretar feriado nacional na data que o capítulo 15 for lançado.

Ah..... duvido muito que eu seja a sua escritora favorita, porque sei que tem muitas outras maravilhosas por aí, mas fico feliz em saber que estou disputando esse posto. hahaah brinks...

Obrigada mesmo pelo carinho, viu!

Abraços.



Nome: Dessinha (Assinado) · Data: 15/01/2018 18:50 · Para: Capitulo 14 - Outro Lugar

Texto super foda. Massa!!



Resposta do autor:

Dessinha,

Obrigada pelo "super foda".

Que bom que está gostando.

Abraços!!!



Nome: Mille (Assinado) · Data: 15/01/2018 17:26 · Para: Capitulo 14 - Outro Lugar

Olá autora 

E o prêmio de alto controle vai para Alice. E mesmo a consciência mandando agarrar a Isa ela pensou no depois. Alice está mega apaixonada, falta do a Isa mandar o Lucas para pqp e cair nos braços de sua deusa de olhos azuis. 

Bjus e até o próximo capítulo 



Resposta do autor:

Mille, 

Alice arrasou no autocontrole, né? Vamos ver quanto tempo ela aguenta mais. kkk

Abraços!



Nome: mtereza (Assinado) · Data: 15/01/2018 14:03 · Para: Capitulo 14 - Outro Lugar

Esse capítulo foi muito massa teve de tudo romance , comédia e tudo mais amo essas duas kkkk



Resposta do autor:

Tereza,

Teve até a Alice nos ensinando o significado da palavra autocontrole, né?

kkkk

Abraços!



Nome: Tatta (Assinado) · Data: 15/01/2018 01:43 · Para: Capitulo 14 - Outro Lugar

Que a deusa tenha piedade de nós, reles leitoras mortais, pra aguentar a ansiedade pelo próximo capítulo até semana que vem... socorro autora, tenha misericórdia de nós e solta um extrazinho de leves kkkkk

adorei o capítulo, e to amando a historia!



Resposta do autor:

Tatta,

owwwwwwwwwwwww.... juro que gostaria de postar um capítulo por dia, mas o tempo não permite. Mas prometo que sempre que terminar um cap antes, posto logo, ok?

Obrigada pelo carinho, viu!

Abraços!



Nome: Ingrid Santos (Assinado) · Data: 14/01/2018 22:32 · Para: Capitulo 14 - Outro Lugar

Capítulo maravilhoso, tão bom que prefirir lê-lo a fazes meus trabalhos da faculdade que se multiplicam de forma exponencial. 

Muito dificil esperar até o próximo domingo, espero que a semana passe rápido.

Abraços e Beijos!

 



Resposta do autor:

Ingrid,

Meninaaaaaaaaa... não vai reprovar, hein!!! Pelamordideus. kkkkkk

Mas fico muito feliz que esteja gostando. O próximo capítulo tá o máximo, viu!

Abraços!



Nome: Bia08 (Assinado) · Data: 14/01/2018 21:51 · Para: Capitulo 14 - Outro Lugar

Impossível não amar essa história e as meninas. Alice é muito fofa e os pensamentos dela me fazem chorar de rir kkkkkk e ela toda preocupada com a Isa é lindo demais de se ver. Adorei a atitude dela de não beijar mesmo com mt vontade... Bjss 



Resposta do autor:

Bia08,

A Alice é tão cafa, mas está se transformando num docinho perto da Isa, né? Muito gostoso de se ver mesmo.

Ela se controlou legal pra nao agarrar a Isa, mas será que resiste a uma segunda tentativa?

Abraços!



Nome: alany (Assinado) · Data: 14/01/2018 21:39 · Para: Capitulo 14 - Outro Lugar
Eu estou amando muito a historia.

Resposta do autor:

Alany,

Obrigada por me deixar saber disso.

Fiquei muito feliz.

Abraços!!!



Nome: Rapha (Assinado) · Data: 14/01/2018 21:32 · Para: Capitulo 14 - Outro Lugar

Amei o capítulo!!! Alice fez certo!! Deixa a Isa enlouquecer de vontade dela, pra quando elas ficarem ser com mt vontade <3 ansiosa pelo próximo!! 



Resposta do autor:

Rapha, 

Se a Isa ficar com mais vontade, ela morre. kkkkkkkk Já tá a ponto de explodir, tadinha!

Abraços!



Nome: patty-321 (Assinado) · Data: 14/01/2018 21:02 · Para: Capitulo 14 - Outro Lugar

Caramba Alice vc foi forte pra cacete. Uau. Eu nao teria resistido. Fli super mulher. A isa nao se controlou. 5 diad sem ver serão um inferno. Bjs



Resposta do autor:

Patty, 

Alice mostrou o significado da palavra resistência. Vou te contar, viu! Não foi nada fácil pra ela não agarrar a Isa. Ela foi contra todos os instintos predadores dela.

Abraços!



Nome: Angel68 (Assinado) · Data: 14/01/2018 20:22 · Para: Capitulo 14 - Outro Lugar

Essa adiantadinha de Código em pleno domingão chatésimo é bom demais !!! Mais um capítulo delicioso...Pedro sendo Pedro, uma figura....adoro !! Agora, Alice tá fudidamente apaixonada....finalmente reconheceu...Esqueçam a Alice cafajeste e mulherenga, morreu....porque ela já sente o que existe de mais bonito no amor, o altruísmo...podia sim ter se aproveitado, tascado num só um beijaço na Isa, mas levado pra cama, ela tava entregue....tava com a bola na cara do gol, era só chutar, mas não, em nome de um sentimento muito maior, ela abriu mão....teve que falar o nome do empata foda pra detonar tudo....daqui por diante vamos ver o que rola, caronas acabaram, happy hour já foi, falta agora reveillon e a viagem....cara, não sei até quando vão se segurar, as duas não estão se aguentando de tesão...me surpreendi com a Isa, revelou cada coisa pra Alice do que tá sentindo desde que se conheceram....agora doida pra ler o pov dela, hahahahahahaha....tenho medo de que até quando o empata foda do Lucas vai continuar estragando tudo.....



Resposta do autor:

Angel, 

Não tenho certeza, mas acho que vou ficar postando aos domingos mesmo. 

Agora sobre o teu comentário: Cara, me divirto demais escrevendo as partes do Pedro e da Fernanda. São duas figuras, né não?

Sobre ALice e Isa, o mais engraçado é que a Alice está tão apaixonada que está criando consciência, já a Isa está tão apaixonada que está perdendo a consciência. Interessante como a paixão muda as pessoas, não acha?

Agora tem essa virada de ano e essa viagem... aiai... não posso falar nada, mas garanto que o próximo cap tá de matar. kkkk

Abraços!!!

 



Nome: NovaAqui (Assinado) · Data: 14/01/2018 19:06 · Para: Capitulo 14 - Outro Lugar

Pedro é uma figura kkkkk ele é Alice juntos são demais

Alice está tão apaixonada que não quer atropelar as coisas. Ela faz bem

Isa está saidinha kkkkk 

Abraços fraternos procê!



Resposta do autor:

Oiii...

Pedro é palhaço demais. Junta ele e a Fernanda e dão dois ótimos excelentes amigos, não acha? kkkk

Alice tá tão apaixonada que tá criando consciência... e a Isa tá tão apaixonada que tá perdendo a consciência.

Muita treta, né? O próximo capítulo promete.

Abraços!



Você deve fazer login ou se cadastrar para comentar.