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Static void Main(){


                var Capítulo= 11;


  var Título = “Quando você Passa – Parte 2”;


                varPOV= “Isabella”;


};


 


“Meu olhar decora cada movimento e até o teu sorriso me deixa sem graça.”


 


Quando Você Passa (Sandy e Júnior, 2001)


 


“Já ouviram aquela expressão: ‘tô virada no Jiraya’? É o mesmo que dizer: ‘tô furiosa’, ‘tô P da vida’, ‘tô explodindo de raiva’... Ou então, como boa cearense que sou, ‘tô fumando numa quenga’. Se eu fosse o Bruce Banner, naquele exato momento, teria me transformado no Hulk e esmagado a Fernanda. Cara, só estava faltando ela olhar para a Alice e dizer: ‘Alice, dá um trato nessa mulher porque ela tá desesperada’. Nunca me senti tão vendida na vida. Ela parecia a minha cafetina.”


Tudo começou quando ela, Fernanda, e Pedro descobriram algo incomum entre eles: a paixão por Game of Thrones. Os dois desembestaram a falar como duas matracas sobre a série, e Alice e eu ficamos só observando. Eu também amava a série e em outro momento até teria entrado na conversa, mas estava muito tensa com aquele par de olhos azuis me analisando de forma incansável. Não conseguia pensar em nada que não fosse a presença dela ali e as lembranças do dia anterior. Eu estava, ao mesmo tempo, excitada e constrangida, e podia jurar que ela estava percebendo isso, pois me sentia invadida. Sei que ela não tinha como ler os meus pensamentos, mas era como se pudesse. Por um instante, achei que estivesse mesmo, porque, olha o que ela me perguntou:


-- E o sonho?


Quase dei um pulo da cadeira.


“Como ela sabe do sonho? Não pode ser, não pode ser...”


Eu estava tão nervosa que não associei esta pergunta à anterior. Primeiro ela já tinha me questionado sobre o croissant que serviam na padaria. Eu neguei, ela fez uma pausa e depois perguntou sobre o sonho, mas era o sonho que o estabelecimento servia.


“Sonho de comer... Não de ser comida, sua tonta!”


Só que antes de concluir isso, perguntei toda enrolada:


-- So... Sonho? Que sonho?


-- Sonho... O sonho daqui da padaria. É uma delícia. Já provou?


-- Ah...


“Prazer! Meu nome é anta, e o seu?”


Minha cara de alívio deve ter sido nítida. Estava apenas esperando alguns segundos para minha voz voltar e já ia responder, só que a intrometida da minha melhor amiga decidiu sair do diálogo super empolgante que estava tendo com o Pedro para fazer o que mais gostava na vida: me constranger.


-- Ah, a Isa adora sonhos. Agora a pouco, no carro, ela vinha me contando que provou um delicioso ontem à noite.


Eu tinha certeza que o melhor remédio para tirar Fernanda de um coma após um traumatismo craniano era começar a contar algum babado forte ao lado do leito dela no hospital. Estar certa disso foi o que me deu confiança para procurar algo com que pudesse acertar sua cabeça ali mesmo, na frente de todo mundo. Depois, quando estivéssemos no hospital, bem longe da Alice, eu contaria alguma fofoca e ela acordaria.


Mas como não consegui encontrar nada para bater, apenas repreendi em um tom firme:


-- Fernanda!


Era melhor não ter dito nada, porque a minha atitude fez Alice olhar confusa para nós duas. Lógico que ela percebeu que não falávamos de um sonho de padaria. Corei na hora e agradeci por ser moreninha, pois assim o rubor ficava mais disfarçado. Após um breve instante de confusão, ela pareceu se divertir com a situação e resolveu se juntar à Fernanda. Com a atenção virada para mim, perguntou:


-- Sério? E qual era o sabor do recheio?


“Recheio: teus dedos; sabor: quero mais. Senhor, eu sou muito lésbica!”


Quase falei. Quase... Porque a enxerida respondeu por mim de novo:


-- Era um recheio colorido. Ela não conseguiu identificar o sabor.


“Vou matar a Fernanda. Vou puxar a língua dela, apoiar em uma pedra e cortar fora com uma faca. Será que tem como as coisas piorarem?”


Alice questionou pensativa:


-- Recheio colorido? Nunca vi. Mas era gostoso ao menos?


“Sim, as coisas podem piorar.”


-- Si... Sim. Foi gostos... Digo... Estava gostoso.


Alice riu do meu embaraço ao respondê-la, mas acho que percebeu o meu desconforto com aquela brincadeira e resolveu parar. Agradeci mentalmente quando ela voltou ao assunto inicial:


-- Eles servem uns sonhos maravilhosos aqui. Vários recheios. E você pode até misturá-los. É tipo uma sorveteria, só que a casquinha é o sonho e o sorvete é o recheio. Tem até uma vitrine pra você escolher...


Nem terminou de falar e já foi interrompida por Fernanda... De novo:


-- Hum... Que delícia! Eu quero. Pedro, vamos comigo? Quero montar um com pelo menos uns três sabores.


“Vade retro, satana!”


-- Claro, vamos.


“Espera, o Pedro ainda estava aqui? Tadinho do garoto. Fernanda vai engoli-lo tão fácil.”


Não sei se a saída dos dois me deixou mais aliviada ou mais tensa. Olhei para Alice e flagrei os olhos azuis me fitando. Sorri de forma involuntária. A cada segundo que passava eu tinha mais certeza de que o que eu estava sentindo não ia ser passageiro, porque quanto mais eu olhava para ela, mas eu a queria. Ela estava ainda mais linda do que no dia anterior. No rosto, uma maquiagem bem leve. Não que ela precisasse de maquiagem para isso, mas a que usava a deixou mais linda ainda. Estava sem o blazer, que repousava sobre as costas da cadeira. Vestia uma blusa branca básica, bem colada no corpo. Deu para ver que era atlética, os braços torneados, os ombros firmes, os seios...


“Você deve tá pensando: ‘Olha lá a Isa... Estava toda altiva, até pouco tempo atrás, pagando de heterazinha convicta e agora tá toda eriçada, reparando nos seios de uma mulher.’ Pois é... Não tenho nada pra dizer em minha defesa. Declaro-me culpada. Estava olhando mesmo e não era porque queria ter iguais.”


Pois bem, continuando... Os seios eram médios, redondos, firmes. Fiquei imaginando como seriam os mamilos.


“Devem ser rosados como os lábios dela. No sonho eram rosados. Ai... Muda o foco, Isa, porque do jeito que você tá, capaz de ter outro orgasmo espontâneo aqui mesmo, na frente dela.”


Esforcei-me para mudar o foco e lembrei o quanto Fernanda havia sido entrona, desde o momento em que eu as apresentei. Decidi me desculpar por ela:


-- Não liga pra Fernanda, ela veio ao mundo sem filtro, mas é uma pessoa boa.


Ela sorriu...


“Pelamordideus, mulher... Paaaara! Para de ser assim tão perfeita, tão linda, tão... Tão... Gostosa! Senhor... Tá decidido: sou lésbica.”


-- Não esquenta! Ela é ótima. Muito divertida. Acho que ela e o Pedro se entenderam bem.


“Ainda por cima é um poço de fofura e gentileza.”


-- É, parece que sim.


Falei e sorri. O sorriso mais abobalhado que já devo ter exibido na vida. Não porque ela não se incomodou com a Fernanda, mas porque fiquei lembrando do dia anterior, quando ela me carregou no colo após me salvar de dar de cara com o chão depois que eu desmaiei, do jeito que ela tocou nos meus ombros e falou comigo para me acalmar, na hora em que o elevador parou, da maneira como me invadia sem pedir licença com aqueles olhos lindos...


Tirando a frase cafajeste que soltou no final da noite, ela foi tão doce e tão gentil comigo o tempo inteiro e, enquanto isso, só me ocupei em ser desagradável com ela. Precisava me desculpar por isso.


-- Isa, eu...


-- Alice, eu...


Falamos ao mesmo tempo e nos interrompemos quando percebemos.


-- Fala. – Eu disse.


-- Não, pode falar.


-- Por favor, eu faço questão.


Respirou fundo e falou:


-- Isa, eu quero me desculpar pelo meu comportamento de ontem. Não queria te desrespeitar ou invadir o teu espaço... Eu... Eu... Olha, eu não pego todo mundo do trabalho, tá? Tem esse rolo com a Giselle mesmo, mas nunca me envolvi com mais ninguém da empresa... E nem com ela mais, também... As coisas entre nós não estão mais funcionando.


“Como assim, produção? Ela não tá mais com a Giselle? Terminaram? Não, eu não posso perguntar. O que você quer, Isa? Tá, já entendeu que tá afim dela, mas não esqueça dos contras. Pode até ser que ela esteja solteira, só que você não está... E mesmo que estivesse, vai ter que deixar essa história só nos teus sonhos mesmo, porque não dá certo se envolver com colegas de trabalho.”


-- Alice, eu que quero me desculpar. Não tenho nada a ver com a sua vida e não tinha o direito de ter feito aquelas perguntas, muito menos de falar com você daquele jeito. Não queria ter te constrangido. Você foi tão legal comigo ontem e eu toda grosseira pro teu lado o tempo todo... É só que... Meu dia foi meio maluco, e eu estava uma pilha... Daí teve aquilo tudo e...


Desembestei a falar e comecei a ficar nervosa, agitada. Ela percebeu e me interrompeu:


-- Ei, calma... Calma. Respira... Relaxa...


-- Não, é que...


Mas eu precisava continuar. Acho que nem estava conseguindo ser clara, mas tentei. Só que assim que comecei, ela pousou as mãos enormes sobre as minhas e as apertou.


-- Isa, não esquenta. Vamos esquecer?


“É, eu sei. Ela só estava tentando ser fofa mais uma vez, mas eu me arrepiei toda com aquele contato. Viu a mão dela? É enorme. Os dedos compridos... Lembrei do sonho e senti uma fisgada inoportuna entre as pernas... Não, não, não... Foco, Isa... Foco. Volta para o assunto.”


-- Esquecer?


-- Vamos fazer assim: você me desculpa, eu te desculpo e começamos tudo do zero hoje. O que acha?


Sorri. Ela despertava os sentimentos mais loucos em mim. Era responsável ao mesmo tempo por me excitar, me deixar nervosa e me acalmar.


-- Parece bom pra mim.


Foi a vez dela sorrir. Largou minhas mãos e eu sofri com isso. Um sentimento de perda... Quase puxei de volta, mas me controlei, embora já estivesse plenamente ciente de que queria muito mais do que só a mão dela sobre mim.


-- Combinado então. Amigas?


-- Amigas.


E pronto, era isso. Amigas era tudo o que poderíamos ser. Apertamos as mãos e selamos o acordo.


Pedro e Fernanda voltaram. Enquanto ela se lambuzava toda com o sonho que havia comprado, Pedro propôs uma happy hour na sexta. Não podia rolar. Precisava evitar ao máximo o contato com Alice, para minha segurança e para a dela. Mas a maldita tagarela mais uma vez passou na minha frente e decidiu por mim, dizendo que iríamos. Ia ficar chato dizer que não depois. Estava decidido: Fernanda era uma mulher morta.


“Bom, se não tem remédio, remediado está. Vamos pra essa happy hour e seja o que Deus quiser.”


Eu poderia jurar que Alice estava tão interessada em mim quanto eu nela, por isso, quando ela convidou o Lucas, estranhei. Pode ser que estivesse só tentando ser gentil. De todo modo, mesmo que ele não fosse tocar, eu não o chamaria. Já pensou ele percebendo o meu olhar indiscreto para Alice? Agradeci o convite e informei que ele não poderia ir.


Ficamos em silêncio por alguns instantes e as coisas começaram a ficar meio esquisitas. Pedro e Fernanda se olhavam com uma estranha cumplicidade e sorriam de forma maliciosa um para o outro. Depois de alguns instantes, foi Fernanda quem quebrou o silêncio:


-- Alice obrigada por ter quebrado o meu galho ontem, levando a Isinha pra casa. Acabei me enrolando lá na loja. Essa época de final de ano é fogo.


-- Não esquenta, não foi trabalho nenhum. Ela mora pertinho da minha casa. É caminho, aliás.


“Para de ser tão perfeita, garota!”


-- Sério? Que ótimo! Então você pode deixá-la hoje de novo? Sério, porque é quase natal e fica difícil sair da loja antes das 22h...


“O quêêêêêêêêêêê? O que eu faço com a Fernanda, hein? Já sei. Já viram Dexter? Vou forrar o chão, as paredes e o teto de um quarto com plástico, colocar uma maca bem no meio dele, injetar um sedativo de cavalo na Fernanda, deitá-la na maca, envolver o corpo dela com filme de PVC, matar, esquartejar, colocar as partes do corpo em sacos de lixo, encher os sacos com pedras de concreto e depois jogar tudo no meio do mar. Não me olhe assim, não. Ela merece. No meu lugar, você faria o mesmo.”


Nota da Autora: veja mais sobre Dexter em:  https://pt.wikipedia.org/wiki/Dexter_(s%C3%A9rie_de_televis%C3%A3o).


Não deixei que ela continuasse. Quase gritei:


-- Fernanda!


Ela deu de ombros e começou a rir da minha cara. Virei para Alice:


-- Alice, não vou te incomodar com isso. – Em seguida, dirigi-me à Fernanda. – Fê, não precisa se preocupar. Sei como tá o movimento na loja e já tinha decidido alugar um carro. A seguradora não quer me dar um reserva porque é o segundo acionamento só esse ano, mas prometeu aprontar o meu até o final de semana. Na hora do almoço eu resolvo isso e...


Alice me interrompeu:


-- Imagina, Isa, é meu caminho. Não precisa ter esse gasto, é desnecessário. Além do mais, é só até o final de semana. Posso te levar todos os dias, se quiser.


“Todo dia? Garota, você tá brincando comigo. Isso é um jogo? Como acha que vou dar conta disso?”


-- Não. Você deve ter seus compromissos e...


“...E eu tô doida pra me jogar em cima de você, mas não posso, então é melhor não.”


-- Sem compromissos. Meus compromissos desta semana são todos relacionados a trabalho, exceto a nossa happy hour de sexta, mas você vai junto, então...


-- Viu, Isa? Larga de ser boba, mulher. A Alice não se incomoda, não, né, Alice?


-- Claro que não.


Resignada, perguntei à Alice:


-- Tem certeza, Alice? Não quero mesmo te atrapalhar e...


-- Certeza absoluta. Faço questão de te levar.


O que eu queria falar mesmo era:


“Por favor, me dê licença que preciso ir ali rapidinho tomar uma fluoxetina.”


No entanto, o que disse foi:


-- Ok, então, obrigada!


Ela não respondeu. Apenas sorriu. Linda demais, perfeita demais.


“Tô fodida.”


E assim ficou combinado. Até eu ter o meu carro de volta, Alice me daria carona para casa depois do trabalho.


Deu a nossa hora e comecei a apressar todo mundo. Já havia chegado atrasada no dia anterior e não estava disposta a repetir o ato naquele dia, principalmente porque Alice e eu teríamos reunião com o Leandro logo no início da manhã. Como ainda tínhamos um tempinho, acompanhamos a metida da Fernanda, que não se calava por nada, até o carro. Alice ria do falatório dela. Acho que não prestava atenção em nada do que dizia, mas estava se divertindo com seu comportamento espontâneo. Pedro olhava para Fernanda encantado, e eu conhecia a minha amiga o suficiente para saber que ela também estava interessada. Aquela happy hour de sexta estava fadada a acabar com os dois se agarrando e eu e a Alice segurando vela. Quero dizer... Se ela não se engraçasse por ninguém lá, então eu ficaria sozinha, olhando para o tempo. Só de pensar nisso, senti meu estômago embrulhar.


“O que é isso, Isa? Além de tudo, ainda está com ciúmes? Menos, né? É até melhor que ela arranje alguém. Pelo menos vai ficar longe e você não correrá riscos de fazer nenhuma besteira.”


Quando entramos no elevador, veio junto a tensão e a lembrança da minha experiência de quase morte na noite anterior. Acho que percebendo isso, Alice buscou o meu olhar falou sem som “calma, não vai cair”. Li os lábios dela e não acreditei naquela gentileza. Ela não fez isso para tirar sarro, estava preocupada mesmo. Sorri e instantaneamente fiquei mais calma. Minha tranquilidade só foi embora de novo quando Leandro, já na reunião, nos informou que teríamos que viajar para o Rio de Janeiro em quinze dias para a apresentação do projeto. Se tinha uma coisa que me assustava mais do que morrer asfixiada em um elevador era a ideia de entrar em um avião. Já tinha entrado várias vezes, mas em todas elas sofri desde a hora do embarque até o desembarque. Outra coisa que me deixou nervosa foi tomar ciência de que passaria três dias no Rio com Alice.


“Isso não vai funcionar.”


Depois da reunião, fomos ao trabalho. Nosso prazo estava curto e tínhamos muita coisa para fazer. Alice e eu vestimos as nossas melhores máscaras de profissionais éticas e fomos ao projeto. Impressionante a nossa sincronia. Sempre gostei de trabalhar sozinha porque, confesso, sou muito arrogante e autossuficiente quando o assunto é trabalho. Sempre achei que ninguém faria nada tão bem quanto eu. Mas com Alice era diferente. Eu admirava muito o seu conhecimento. Na verdade, acabei até percebendo que tinha muito a aprender com ela.


Achei que fôssemos almoçar juntas de novo, na sala, mas Alice me informou que tinha um compromisso. Tentei disfarçar a minha decepção e almocei sozinha. No intervalo, aproveitei para falar com Fernanda. Despejei ao telefone todos os palavrões que eu conhecia, mas a bandida não se deixou atingir. Ao invés disso só ria da minha cara. Depois que meus ânimos se acalmaram, ela soltou um:


-- Eita, filha! Mas também, como não ficar afim de um mulherão daquele? Isa, ela é enooooorme... E gata pra caralho, porra! Aquele olhão azul dela, menina... Ai, ai... Fora que parece ser super gente boa. Se você não pegar, eu pego.


-- Palhaça! Já tá planejando furar meu olho. E o Pedro?


-- Ah, ele é um fofo, né? E bem gatinho, mas é muito meninão. Acho que não rola, não.


-- Sei...


-- Tá, vai rolar, mas não sei se passa de uma vez.


-- Nenhum homem é bom o bastante pra você, né? A senhorita é muito seletiva. Por isso não desencalha.


-- Pode ser que eu seja lésbica e ainda não descobri. Vai que é isso? Se você não quiser mesmo a Alice, avisa, porque daí eu já faço logo o experimento e tiro a dúvida.


-- Mas é uma piranha mesmo, viu!


E assim levamos a conversa até que precisei desligar e voltar. Alice demorou um pouco do almoço e quando chegou, percebi que estava meio distante, pensativa. Não quis me intrometer, por isso não perguntei nada.


Já passava das 19h e nenhuma de nós duas havíamos percebido, mas a empresa estava vazia. Empolgamo-nos com o trabalho e conseguimos adiantar bastante coisa. Como eu estava de carona, não quis ser a que chamava para ir embora, mas ela parecia também já ter chegado ao limite. Desligamos tudo e quando eu estava pegando a minha bolsa, ela perguntou com um sorriso no rosto:


-- Vamos ao elevador?


Mais uma vez aquela carinha linda de preocupação, mas não resisti e decidi zoar:


-- Vai ficar tirando sarro do meu medo de elevador o tempo inteiro agora?


Falei em um tom sério, e ela arregalou os olhos assustada. Começou a gaguejar:


-- N... Não, eu... Eu não quis te...


Não aguentei e comecei a rir.


-- Tô só te zoando, boba. Relaxa!


-- Ah, então eu aqui preocupada com você, e você tirando uma com a minha cara. Muito bem!


E então foi a vez dela fazer a cara séria. Até cruzou os braços. Fiquei na dúvida se estava me zoando também ou se estava falando sério. Para não errar, optei por me desculpar:


-- Des... Desculpa, eu...


Fui interrompida por uma risada aberta, gostosa, seguida de um:


-- Te peguei.


Eu até pensei em retrucar, mas estava tão encantada com aquela mulher enorme, linda, sorrindo tão gostosamente para mim, que desisti. Apenas ri de volta.


-- Vamos?


-- Vamos.


Ficamos em silêncio a maior parte do caminho. Eu queria falar muitas coisas, mas tinha medo da minha boca me trair. Ela com certeza não estava bem. Estava muito calada e com um olhar distante. Estava me coçando para perguntar, mas não o fiz. Ela quebrou o silêncio:


-- Tô morrendo de fome. Meu estômago tá doendo até. Você se incomoda se eu passar em um drive thru pra comprar comida?


-- Lógico que não, imagina. Mas tenho uma ideia melhor...


“Isa, pare com isso agora mesmo.”


-- Lembra que tem uma pracinha na frente do meu prédio?


“Isa, não faça isso. Eu tô mandando.”


-- Lembro.


-- Então...


“Isa, você tá ficando maluca?”


-- Tem um food park lá...


“Isabella Ferreira...”


-- Por que você não estaciona na pracinha e a gente come alguma coisa por lá?


“Tá bom, depois não diga que eu não avisei.”


-- Ótima ideia. Eu topo.


 


 


 


 


 


 

Notas finais:

E aí, o que será que vai sair desse lanchinho no food park, hein?

Estão gostando? Contem o que acharam do capítulo.

Abraços!



Comentários


Nome: Val Maria (Assinado) · Data: 09/01/2018 02:08 · Para: Capitulo 11 - Quando Você Passa (Parte II)

Boa noite autora.

 

Não tem como não se divirtir com essas personagens, a Fernanda é demais.

 

 

 

Essa estória é show.

 

Beijossss 

 

Val Castro



Nome: mtereza (Assinado) · Data: 06/01/2018 09:13 · Para: Capitulo 11 - Quando Você Passa (Parte II)

Estou mal acostumada com capítulo todo dia praticamente dessa história apaixonante quando não tem já fico com crise de abstinência.



Resposta do autor:

Pois corre pq postei o 12. Último capítulo da maratona!!!



Nome: Ingrid Santos (Assinado) · Data: 06/01/2018 01:04 · Para: Capitulo 11 - Quando Você Passa (Parte II)

O povo cearense temum ótimo humor e ditados populares 



Resposta do autor:

Ingrid, sim... temos mesmo um ótimo humor e praticamente um dicionário próprio.

Você já conhece o Ceará?

Então, está gostando da história? Espero que sim.

Abraços!



Nome: AlRibeiro (Assinado) · Data: 05/01/2018 17:57 · Para: Capitulo 11 - Quando Você Passa (Parte II)

Venho acompanhando a história e tô encantada com os diálogos, com o humor na medida certa. Os memes citados e as séries também só estão dando um toque especial, inclusive estou me identificando com minha xará Alice. Muito grata por essa história!



Resposta do autor:

AlRibeiro,

Que bom que está gostando e, principalmente, que bom que me deixou saber disso. =D

Então seu nome também é Alice... é um belo nome. Gosto tanto que dei ele à uma das protagonistas da história. Que legal que está se indentificando com ela, mas espero que vc não se meta em tantas presepadas.. kkkk pq a Alice da história é campeã em fazer isso, né? 

Eu que sou grata por vc estar acompanhando a minha história. Espero não decepcionar.

Já leu o cap 12? Já está disponível. Quando terminar de ler, pode me contar o que achou?

Abraços!!!



Nome: Mille (Assinado) · Data: 05/01/2018 17:22 · Para: Capitulo 11 - Quando Você Passa (Parte II)

Ola autora

Cara eu bolo de rir da Isa e esse convite vai dar treta aguardar para ler.

Nanda dando aquela pressão básica na Isa porque se deixar ela pega a Alice dela. Kkkk

Bjus e até o próximo capítulo



Resposta do autor:

Mille,

Quem nunca teve uma amiga como a Fernanda, né? As vezes a gente não consegue enxergar o que está bem na nossa frente, então precisamos dos amigos para abrir os olhos.

A Isa é meio psicopata, né? Ela é hilária.

Que bom que está gostando.

Abraços!!!

 



Nome: Lary_ferreira (Assinado) · Data: 05/01/2018 02:04 · Para: Capitulo 11 - Quando Você Passa (Parte II)
Eita que tô amando essa história cada dia mais, me divirto bastante kkkk.
Isa tá ferrada com certeza depois de ter feito esse convite.

Tô tão ansiosa pelo próximo cap. Quero saber o que vai rolar nesse food park.

Resposta do autor:

Lary,

Já viu que o cap 12 está disponível? Não deixe de me contar o que achou depois que ler, tá?

Fico feliz de verdade que esteja gostando. Espero não decepcionar.

Abraços e obrigada por estar acompanhando.



Nome: Enaile Araujo (Assinado) · Data: 05/01/2018 01:31 · Para: Capitulo 11 - Quando Você Passa (Parte II)

Miiiga, ri muito com esse capítulo, você tem um humor excelente e negro, hein?! kkkkkk Pelo visto, além de  Game of thrones, é fã tbm de Dexter... Mas o mais curioso que achei nesse capítulo, é que essas ameaças mentais, são iguaizinhas as que um amigo me fazia quando eu o chamava por um apelido que inventei, exclusivamente pra ele, incrivel coincidencia, miiiga! kkkkkk Muitoooo bom! Bjãooo



Resposta do autor:

Miiigaa... adoro quando vc comenta! Sempre me divirto com o que escreve.

Sou fã de GoT sim e amooooooo Dexter... exceto o final ridículo da série. Vejo que vc gosta tb. 

Então vc tem um amigo parecido com a Isa? kkkk que legal!! Eu tenho um que é igualzinho à Fernanda.

Miiga... não passa tanto tempo sem comentar, nao!!! Gosto tanto da tua opinião! Já leu o cap 12? Me diz o que achou quando ler.

Abraços!!!



Nome: naybs (Assinado) · Data: 05/01/2018 01:09 · Para: Capitulo 11 - Quando Você Passa (Parte II)

Cara, eu amooo a Fernanda! Ela só que trolla a Isa Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

 

Gente do céu! A Isa gosta de brincar com fogo mexxmoo! Ela não quer ficar de boa na lagoa com os dilemas dela não, a bicha quer é testar os limites  hahaha Adoro! E os pensamentos da Isa? Morri kkkk E vamos combinar uma coisa, a Isa é mais lésbica que nós todas juntas! E meio psicopata também, né? Kkkkk aiai Eu queria é que a Alice pudesse ler os pensamentos da Isa! (6) Meu sonho! Kkk

 

Acho que essa "parada estratégica" para comer vai esticar em outro lugar. E acho que a Isa vai atacar a Alice! Ela está a perigo demais kkkk (6) 

 

Ri demais com esse cap! Tu é a pica da galáxia, Linier!!! Arrasou, viada! 



Resposta do autor:

Nay,

Tu gosta mesmo da Fernanda, né? Tô começando a achar que tu ia preferir que ela fosse a protagonista. kkkkkkk Mas ela é o máximo mexxmo.

A Isa é inteligente... os sentimentos são novos pra ela e muito confusos, mas acho que aquela conversa que teve com a Fernanda serviu pra que ela se permitisse uma auto análise. De fato, tava na cara e ngm via... nem mesmo a Fernada, mas Isa sempre foi lésbica. Tava faltando só uma Alice na vida dela pra que acordasse pra Gzus. Ela é meio psicopata também, mas a Fernanda desperta esses sentimentos nas pessoas.

Obrigada pelo "tu é a pica das galáxias". Acho que foi um elogio, né? kkkkkkk

Agradecida pelo vosso comentário, viu? Mas quero dizer que tem dois capítulos sem.

Abraços!



Nome: Pouca Sombra (Assinado) · Data: 05/01/2018 00:34 · Para: Capitulo 11 - Quando Você Passa (Parte II)

Assim fica dificil não te amar! Ótimo capítulo!

E com certeza vai ter lanchinho...



Resposta do autor:

Pouca Sombra, 

Então acho que isso significa que estou fazendo o meu trabalho direito, né? Que bom!!!

Obrigada por estar acompanhando.

Abraços!!



Nome: Angel68 (Assinado) · Data: 05/01/2018 00:26 · Para: Capitulo 11 - Quando Você Passa (Parte II)

Linier, agora é oficial, vc é fodástica !!! Código tá matando á pau essa semana, essa história tá demais....eu já não sei de quem dou mais risada, se da Isa, da Alice, da Fernanda ou do Pedro....esse Pov da Isa, me acabei....ai, agora tô me comichando pra saber o que deu a conversa da Alice com a Giselle, boa coisa não foi, tava borococho....mas esse lanchinho no final do dia....moral da história....não tão conseguindo ficar muito tempo longe uma da outra, essa é a verdade. Que chegue logo o próximo capítulo !!!



Resposta do autor:

Angel,

Obrigada pelo "fodástica" kkkkkkk

Fico, de verdade, muito feliz que esteja gostando e agradeço muito por estar deixando a sua opinião em cada capítulo. Não sabe o quanto é importante pra mim. Sei que já leu o cap 12, então já sabe o que aconteceu entre a Alice e a Giselle... e já sabe também como acabou a noite do futuro casal.

Por favor, continue acompanhando a história e me agraciando com os seus comentários.

Abraços!



Nome: Rapha (Assinado) · Data: 05/01/2018 00:07 · Para: Capitulo 11 - Quando Você Passa (Parte II)

Adorando, volte logo!!



Resposta do autor:

Rapha,

Fico feliz em saber. 

O cap 12 ja está disponível, viu?

Abraços!



Nome: patty-321 (Assinado) · Data: 05/01/2018 00:05 · Para: Capitulo 11 - Quando Você Passa (Parte II)

Po. Elas combinam muito, quando nao estão brigando. Isa ta qyase se entregando. A atração entre as duas e quase palpável. Muito legal. A estória ta ótima. Bjs



Resposta do autor:

Patty, 

Acho que quando rolar, vai pegar fogo. Concorda?

Obrigada por estar acompanhando, viu? Já viu que o cap 12 já está disponível?

Abraços.



Nome: FoxyLady (Assinado) · Data: 04/01/2018 23:50 · Para: Capitulo 11 - Quando Você Passa (Parte II)

Delícia de história :)

 



Resposta do autor:

FoxyLady,

<3

Que bom que está gostando.

Abraços!



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