Amor de carnaval por Alice Reis


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Marie, ganhou uma nova coluna no jornal e teve que fazer horas extras para dar conta do novo cargo, chegava em casa exausta e o fuso horário começou a atrapalhar a conversa das duas, pois as cinco horas de diferença faziam com que ambas se esquivassem de ligações ou chamadas por vídeo. A dificuldade em se comunicar estava deixando ambas nervosas e desinteressadas em conversa apenas por mensagem.

 

Em um sábado, Vitória acordou encalorada, colocou um biquíni e rumou para a Praia dos Coqueiros, queria sumir, queria ficar em paz e curtir a solidão. Quando finalmente chegou na praia deparou-se com a areia e mar abandonados, assim era como ela sentia. Ventava e o mar estava agitado, procurou um local com sombra perto dos coqueiros e sentou-se observando as ondas bravas que o mar insistia em quebrar. Sentia-se vazia e com os sentimentos revoltos. Ainda se perguntava como poderia sentir paixão por uma garota que ela não tinha intimidade, que era mais nova e que estava longe, muito longe.

 

No mesmo dia que Vitória foi até a praia sozinha, Marie estava trabalhando e descobriu que a galeria de artes que ela tinha que visitar para fazer um reportagem estaria expondo os quadros de Charlotte, pintora com quem havia tido um caso recentemente. Tentou não ir, mas já era tarde para tentar encontrar algum repórter para lhe substituir, teria que estar na galeria em menos de uma hora. 

 

Vitória arriscou entrar no mar, percebeu a violência das ondas e seu corpo parecia responder com a mesma intensidade quando pensava em Marie. Respeitou o mar revolto, apenas molhou os pés e voltou a sentar. Tirou uma foto da praia vazia e enviou para Marie com uma legenda, “Me sinto assim sem você, vazia.”

 

Ao receber a foto não pode responder, estava correndo contra o tempo para chegar na hora da entrevista marcada com Charlotte, sabia que ela odiava atrasos. Terminou de se arrumar e saiu, esquecendo o celular em cima da cama. 

 

- Marie! - Charlotte disse surpresa e sorrindo.

- Charlotte! - Marie tentou parecer confortável com a situação.

Entraram na sala de reunião da galeria para poderem fazer a entrevista tranquilamente. 

- Est plus sombre, - Charlotte acendeu um cigarro em sua piteira longa e fina - je dirais même, qui est plus belle que la dernière fois que nous avons rencontré.  - riu soltando o primeiro trago. (Está mais morena, diria, até, que está mais bonita do que a última vez que nos encontramos.)

Marie não queria responder, mas Charlotte sabia lhe fisgar pelo olhar, sabia como usar seu corpo para seduzí-la, no passado não havia se entregado à Charlotte, pois não se sentia pronta para ir para a cama com ela, mas hoje parecia que seu desejo estava aflorando com força. O sorriso de Charlotte lhe deixava tonta, lhe hipnotizava e seus gestos lentos e suaves prendiam seu olhar. Charlotte se deliciava com o olhar semi apaixonado de Marie em seu corpo e a atenção que tinha em seus gestos.

- Peut-on commencer? - finalmente conseguiu falar. (Podemos começar?)

- Vous ne me dites pas où vous obtenez ce bronzage?  - sorriu. (Não vai me dizer onde conseguiu esse bronzeado?)

- Brésil. - encarou-a (Brasil).

Charlotte sorriu.

Marie começou a entrevista e evitou contato visual com a artista, que fumou graciosamente tentando lhe chamar a atenção o tempo todo. Quando Marie anunciou que seria a última pergunta, Charlotte levantou-se e aproximou-se sentando na mesa perto de Marie, cruzou a perna direita em cima da esquerda e o joelho ficou próximo ao rosto de Marie, que evitou olhar para as pernas que estavam ao seu lado.

- Êtes-vous célibataire? - perguntou Charlotte fazendo Marie olhá-la. (Você está solteira?)

- Pas. - respondeu firme.

- Je ne crois pas. - Charlotte riu. (Não acredito em você.)

Marie olhou-a brava.

- Je date et elle se déplace en France pour rester avec moi. (Estou namorando e ela vai se mudar para a França para ficar comigo)

- Vous êtes amoureux d'un Brésilien? - riu alto. (Está apaixonada por uma brasileira?)

Marie ficou envergonhada.

- Je ne suis pas ici pour parler de moi. - disse brava. (Não estou aqui para falar de mim.)

Charlotte riu e concordou com ela.

Terminaram a entrevista falando sobre as obras em exposição na galeria. A paixão com que Charlotte falava e expunha seus sentimentos ao pintar as obras faziam Marie olhá-la sem pudor. Charlotte lhe lançou um sorriso no fim da explicação dos quadros e passou a mão no rosto de Marie.

- Je vous souhaite bonne chance avec le Brésilien. - beijou-lhe a testa e levantou-se. ( Desejo-lhe sorte com a brasileira.)

- Merci! - Marie levantou também. (Obrigada!)

Marie acompanhou Charlotte até a porta.

- Vous obtenez le cocktail? - pousou a mão em seu ombro. (Você fica para o coquetel?.)

Oui. - sorriu-lhe. (Sim.)

 

Após a tarde na praia, Vitória sentia-se mais relaxada, mas ainda estava chateada com o silêncio de Marie, sabia que estava entrevistando uma artista famosa, mas estava sentindo-se excluída por não receber nenhuma resposta. Quanto tempo demoraria uma entrevista? Uma hora? De volta em seu apartamento tomou um banho e ligou para Rosângela, sua melhor amiga, precisava sair de casa e beber alguma coisa.

 

Marie estava andando pela galeria quando foi interceptada por um garçom, ele lhe entregou uma dose de champanhe e um bilhete: “Oubliez le Brésilien pendant quelques heures avec moi?” (Esquece a brasileira por algumas horas comigo?). Já estava se sentindo alcoolizada, aquela taça, seria sua quinta. Marie sorriu lendo o bilhete novamente e percorreu o salão com os olhos procurando Charlotte, encontrou-a do outro lado conversando com dois rapazes, lhe lançou um sorriso e saiu em sua direção, percorreu todo o salão lhe encarando e quando estava próxima, segurou-lhe a mão e continuou a andar puxando Marie para uma sala. 

Entraram na sala e Charlotte lhe puxou para um beijo, Marie se afastou. Charlotte sorriu descendo o zíper do seu vestido e se despindo aos poucos enquanto andava na direção de Marie. Andou tentando fugir, mas seus olhos não desgrudavam do corpo que se desnudava em sua frente, encostou na parede ficando sem ter como continuar a se afastar. Charlotte tirou o vestido todo, estava com um sutiã meia taça e uma calcinha fio dental ambos pretos. 

- Cesser de nier qui ne me veut pas. - Charlotte beijou-a - Son brésilien sera jamais déplacer ici. (Pare de negar que não me quer. A sua brasileira nunca vai se mudar para cá.)

Charlotte sorriu com sarcasmo da paixonite de Marie por uma brasileira e a ingenuidade dela ter acredito na mudança da brasileira. Marie lembrou-se da foto que recebeu, do celular em cima da cama e de não ter respondido à mensagem antes de sair, desvencilhou-se dos braços de Charlotte e saiu correndo deixando a porta aberta, para todos verem a nudez de Charlotte, mas devido à bebida liberada e os quadros de nus femininos, ninguém percebeu que Charlotte estava na sala ao lado do salão de exposição.

 

Vitória desistiu de sair e ficou em casa assistindo a um filme e esperando uma resposta das mensagens que havia enviado para Marie, no total tinha tentado ligar quatro vezes e mandado nove mensagens. Todas ainda sem resposta e sem retorno.


Notas finais:

Aguardo comentários! ;)

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Comentários


Nome: DaniCordeiro (Assinado) · Data: 31/07/2017 06:27 · Para: Capitulo 8

Eu adorei seu romance, li tudo e já quero mais :(



Resposta do autor:

Olá, Dani, tudo bem?

Calma que essa semana tem atualização. :)

Enquanto isso entra no meu site e conheça meus livros:
oamordealice.com.br/livros

 

Um abraço,
Alice Reis
oamordealice.com.br

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Nome: rhina (Assinado) · Data: 29/07/2017 17:52 · Para: Capitulo 8

 

Oi

Boa tarde 

hum.....a vida seguindo. ....acontecendo  normalmente 

gostei.......sairá daí se o sentimento   e verdadeiro e capaz de vencer a distância

rrhina



Resposta do autor:

Olá, Rhina, tudo bem?

Vamos ver se é amor verdadeiro mesmo.

 

Um abraço,
Alice Reis

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Nome: cidinhamanu (Assinado) · Data: 29/07/2017 02:25 · Para: Capitulo 8

Mesmo seu desejo aflorando com força, Marie não cedeu a sedução de Charlotte, isso só prova que ela ama mesmo a Vitória.
Se Vitória tá se sentindo assim tão vazia sem a Marie, o  que tá impedindo-a de tomar essa decisão de ficar ou ir ao encontro dela?

Bjus e bom fds.
cidinha. 



Resposta do autor:

Olá, Cidinha, tudo bem?

Também não sei o que está impedindo Vitória de ir logo par aa França, talvez ela esteja insegura.

Um abraço,

Alice Reis
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Nome: patty-321 (Assinado) · Data: 28/07/2017 23:32 · Para: Capitulo 8

Se Marie tivesse cedido a essa sedução eu diria q a vitória deveriam m esquece-la e seguir a vida. Mas a vitória precisa se decidir. Bom fds. Bjs



Resposta do autor:

Olá, Patty, tudo bem?

Precisa se decidir mesmo, pois Charlotte está a solta, rsrs.

Um abraço,

Alice Reis
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