Sunshine: esperança. por femarques


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CAPÍTULO 07:

 

Allegra ainda não havia chegado em casa e nem sabia que saí mais cedo da empresa. Desde que o menino que foi pago para fazer a entrega me chamou na portaria para me dar um buquê com vinte e quatro rosas vermelhas e um cartão escrito apenas, com aquela letra que mais era um garrancho, “Hello, A.”, não consegui mais trabalhar. Eu sabia de quem era aquela letra e a ideia de me mandar um cartão com o nome de uma música.

            Segurando o buquê e minha bolsa pedi para avisarem Tina, assim não tinha que enfrentar ela e suas perguntas sobre Scoutt e o motivo dela me mandar rosas. Aliás, nem eu sabia ainda. E assim saí da empresa às pressas para ficar a sós com meu presente.

            Com as rosas em cima da mesa da cozinha e eu segurando o cartão como se ele fosse uma preciosidade, passando o polegar sobre as letras como se eu tivesse transtorno obsessivo compulsivo, liguei para Tom e esperei que ele atendesse.

            “Gata, estou trabalhando.”

            “Não fala assim, que trabalhar mesmo você vai quando vier para mim.”

            Ele soltou uma risada gutural e eu podia imaginá-lo tranquilo, com aquele dentes brancos e perfeitos à mostra e seus olhos ficando puxadinhos conforme ria de mim.

            “Está ocupado de verdade, Tom?”

            “Desembucha logo, vai. Te dou cinco minutos.”

            “Preciso que escute uma música comigo, tudo bem?”

            “Chicago está te deixando estranha, nunca me ligou para ouvir música, mas tudo bem.”

            “Só escuta, chato.”

            Coloquei a música para tocar em um link da internet pelo meu iPod e então a voz grossa de Adele começou a cantar a pior letra de todos os tempos para foder com o coração de alguém. A pior coisa que Scoutt poderia me dizer. Ela sabia bem como me deixar pensando nela de um jeito vicioso.

            Escutamos a música toda em silêncio e meu coração se fechava com cada palavra, sentindo-as realmente como se fosse Scoutt dizendo-as para mim.

            “A música é linda, Mea. Mas e daí?”

            “E daí que é incrível a capacidade dela”, comecei dizendo, reforçando sobre quem eu queria falar, “de escolher uma música que encaixe tanto.”

            “Você se encontrou com ela, Mea?”

            “Não! Quer dizer, sim, mas na empresa, no corredor e foi horrível de tão difícil de ficar perto dela.”

            Tom suspirou e escutei uma porta batendo para então voltar a falar. “Mea, isso é perigoso. Você vai se machucar de novo.”

            “Essa música é ela me pedindo desculpa, eu só não entendo porque ela disse que tentou falar comigo e não conseguiu.”

            Ele bufou do outro lado da linha e pigarreou. “Bom, sabe aquele bilhete que deixou aqui para ela antes de ir embora?”

            “Sei...” Senti minha pele gelar como quando recebemos uma notícia ruim ou sabemos que algo de ruim está por vir.

            “Então, ela recebeu. Ela veio aqui atrás de você no dia seguinte.”

            “O que?!” Gritei com ele no celular e me levantei, coloquei o cartão no bolso da minha calça e fui procurar minha chave do carro dentro da bolsa.

            “Mea, ela veio aqui, só isso. Disse que precisava te pedir desculpa, se desculpar, só isso. Mas é aquele velho papo, até ela surtar de novo e te deixar na merda. Eu não te contei e fiz bem, sua vida está ótima agora.”

            “Você foi um idiota, de verdade, e não sabe de nada sobre a minha vida agora.”

            “Vai ver eu não sei nada porque você não me conta.” Ele retrucou irritado.

            “Nem você me conta as coisas, estamos quites.”       

            Desliguei a chamada, com o sangue fervendo em minhas veias e meu coração acelerado. Liguei para a empresa e esperei uma das secretárias atender.

            “Bradley & Miller, boa tarde.”

            “É a Mea. Eu preciso agora do endereço de Emma Scoutt, da Seattle Publisher, de onde ela está ficando em Chicago.”

Podia sentir o desespero da menina que me atendeu para mostrar sua rapidez para mim, como se eu ligasse para isso. Não demorou nada e me passaram o endereço de um prédio de apartamentos bem perto daqui, e perto da empresa até.

Desisti da chave do carro e decidi ir andando, já que era perto e não compensava pegar trânsito. Ainda não sabia direito o que ia falar para ela, como iria agir, mas tinha certeza que queria sua confirmação sobre ter ido me ver, sobre querer se desculpar e me contar a verdade. Se eu não tivesse trocado o número de celular ou Tom me contado sobre isso, eu podia estar com ela, podíamos ter nos acertado há muito tempo.

Entrei no elevador junto com meu vizinho de porta, que sorriu amigavelmente para mim.

            “Boa tarde, Mea.”

            “Oi, boa tarde.” Olhei para ele e sorri, abaixando a cabeça em seguida.

            “Como vai sua esposa?”

            Olhei para ele e franzi o cenho, tentando entender o que ele estava falando. Tudo o que passava em minha cabeça era Scoutt tentando falar comigo e não conseguindo, pensar em uma esposa agora parecia algo de outro mundo, como se não fizesse parte do meu, como se não fosse comigo a conversa.

            “Allegra, não é a sua esposa?”

            “Ah!” Levantei as sobrancelhas e dei um sorriso tímido. “Sim, ela é. Quer dizer, não. Só namoramos e moramos juntas.”

            Ele começou a rir e deu de ombros. “Tudo bem, desculpa, achei que fossem casadas.”

            “Tudo bem, estou meio atrapalhada hoje.”

            Finalmente o elevador chegou ao térreo e eu saí dele sem me despedir do vizinho chato. Passei pelo saguão correndo e fui com pressa até o prédio, procurando pelo nome do cruzamento certo para não errar o endereço.

            Assim que cheguei na esquina, onde já avistava bem a entrada do prédio, com a respiração ofegante e descontrolada, vi Scoutt, com a mesma roupa que ela estava mais cedo quando me provocou no corredor, saindo de um bar, cuja entrada era horrorosa, junto com uma morena mais alta que ela e com um corpo bem malhado, coxas mais grossas e bunda bem maior do que a minha. Elas entraram juntas no prédio e não me viram. Scoutt ria dela, enquanto levava alguns soquinhos no braço.

            Mordi meu lábio inferior e sem entender direito, as lágrimas escorriam por minhas bochechas.

            Mais uma vez eu estava chorando, mesmo sabendo que eu não era mais dela e ela não era minha. Na verdade, talvez ela nunca tenha sido minha. Vim até aqui mentindo para mim mesma que iria apenas conversar, mas no fundo eu sabia de como meu corpo a queria, sentia a sua falta, queria beijá-la, queria que ela me agarrasse, queria dizer que pensava nela todos os dias e ainda a amava mais do que possamos juntas imaginar, que ela tinha sido uma idiota, mas que eu a perdoava e estava disposta a ouvi-la, a tentar de novo. Mas agora, olhando Scoutt entrar em seu apartamento com uma morena, com a gola da camisa polo desarrumada, a expressão despreocupada, eu tinha certeza de que Tom fez a escolha certa em não me contar nada, e eu fiz a escolha certa com Allegra.

            Scoutt é complicada e parece que não sabe o que quer. Aquela música agora parecia mais uma das suas mentiras e joguinhos, e era assim que eu tinha que me lembrar dela, não como a pessoa engraçada e carinhosa que um dia pensei conhecer.  Nunca pareceu certo me apaixonar por ela assim se me fazia sofrer tanto, mas o destino é engraçado e nosso coração gosta de bancar o babaca, nos fazendo nos apaixonas pelas pessoas mais complicadas e estranhas. Quanto maior o problema, maior o mistério, mais gostamos. E assim era Scoutt.

            Limpei as lágrimas quando já estava de frente para meu apartamento, saindo do elevador e respirei fundo. Depois do que vi agora, tinha certeza que nossa história acabou.

            Entrei no apartamento e vi Allegra mexendo nas rosas, cheirando algumas pétalas.

            “Oi, amor.”

            Fui até ela e dei um beijo demorado em sua boca, envolvendo meus braços em sua cintura com força. Deitei a cabeça em seu ombro e respirei fundo, inspirando seu cheiro forte de perfume. Allegra usava perfume demais.

            “De quem são essas rosas?” Perguntou depois de beijar minha cabeça e passar um braço sobre meus ombros.

            “Ganhei de um investidor para agradecer um favor que fiz pela empresa dele antecipando a negociação.” Respondi rápido, como se um gatilho fosse disparado dentro de mim com um alerta “proteja Scoutt, projeta seu relacionamento maluco com ela”.

            “São muitas rosas, acho que vou ter que falar com esse investidor. Mas onde você estava agora?”

            E mais uma vez o gatilho foi disparado, mas agora, junto com um sentimento terrível de culpa. “Fui procurar meu celular no carro, derrubei ele lá, demorei porque estava conversando com Tom.”

            “Entendi. Tudo bem com ele?”

            Ignorei sua pergunta sobre Tommy e a apertei mais contra mim. “Eu te amo. Obrigada por ser tão boa, tão honesta comigo.”

            Ela se afastou um pouco e segurou meu rosto com as mãos, me olhando nos olhos. “Eu também te amo, Mea. Obrigada pela honestidade também.”

            Me desvencilhei de suas mãos e voltei a esconder meu rosto em seu ombro, escondendo também a vergonha que sentia por mentir para ela. Precisava me esforçar mais para esquecer a porcaria do meu passado. Passado. É tudo o que Emma é agora.

            Beijei o pescoço de Allegra algumas vezes e a encostei na mesa, segurando a barra de sua blusa comecei a levantá-la, dando a entender o que eu queria.

            Nós duas nos despimos na cozinha, aumentando o calor do beijo e então fomos para o quarto. Eu a queria ali, em cima da mesa, sentada na cadeira ou no chão, mas Allegra gostava da cama.

            Consegui esquecer de tudo por alguns segundos enquanto ela me tocava, me chupava com carinho, sem nenhum pingo de tortura ou daquele desejo que não se pode controlar que me levasse a uma explosão descontrolada, mas era bom, me fazia ter um orgasmo...bom.

            Depois que retribuí a ela o carinho, do jeito como gostava, ela penetrou seus dedos em mim ao mesmo tempo que levei os meus até ela. Agora Allegra usava um pouco mais de brutalidade, mas ainda assim o carinho dominava. Eu não conseguia ter um orgasmo assim, então fingia e ela ficava satisfeita por ter conseguido seu segundo orgasmo da noite e feliz por pensar que eu tive o meu também. Que situação medíocre.

            Depois de terminamos, fiquei na cama exausta, afinal, sexo é sexo. Dispensei o jantar com a desculpa de que “estava com uma dor de cabeça terrível e precisava dormir”, ela acreditou, fez um lanche ao meu lado na cama assistindo à televisão e depois apagou a luz para que eu dormisse, me dando um beijo casto nos lábios de boa noite.

 

            Fechei os olhos e chorei baixinho até dormir naquela noite, pensando em como Scoutt estaria tocando aquela morena, se a chamariaa de linda, se pediria que ela gozasse como pedia para mim. Vê-la com outra doeu mais do que qualquer coisa, mesmo sem sentido algum na atual situação. Era como se o destino esfregasse na minha cara mais uma vez como nós duas não podemos dar certo, como estamos sempre nos pegando em situações erradas, como todo o universo conspira contra nós duas. Essa confirmação doía de um jeito que parecia que nunca cicatrizaria, e eu teria que conviver escondendo esse sentimento penoso por todo o sempre.  Dormi pedindo em uma prece silenciosa que isso passasse logo, não sabia mais quanto tempo aguentaria essa dor.

Nome: lohs (Assinado) · Data: 14/12/2015 08:09 · Para: Capitulo 7

Mea é muitoo lesada. Que droga!!!! Pq que sempre ela tem que ficar tirando conclusão??!!!

Ai fica sofrendo por ai e usando Allegra pra tentar esquecer Scoutt...

Por isso, eu digo que Scoutt deve ficar comigo. rsrsrs

 

Nant, não demora, ta?

 

Beijão



Resposta do autor em 11/03/2016:

Tão a sua cara esse comentário! Dá pra ler "lesada" ouvindo seu sotaque, tão engraçado.

Mea tira conclusão na mesma frequência que Scoutt se comporta como babaca, certo? Para de defender ela um pouco...

E eu nunca demoro, beta. Relaxa aí. 

Beijão.



Nome: Ana Maria (Assinado) · Data: 11/12/2015 12:16 · Para: Capitulo 7

Pois é, que coisa louca isso as coincidências da vida. Eu adorando sua história também cheia de coisas que a gente nem precisa sair de casa prá  saber que existe, pois ou já viveu ou já ouviu falar, mas dizer que é conto da carochinha não pode dizer que é não...

E agora? Quando teremos mais dessa história onde o fácil mascarado de amor está deitado em seu colchão de penas de ganso tomando um cosmopolitan, enquanto o amor que dói que é uma delícia  está pulando de bang jump sobre o Niágara?

Demorando...



Resposta do autor em 11/03/2016:

Não demoro a postar, logo terá mais dessa história e seus amores.

Espero que continue gostando. Obrigada, beijo!



Nome: gleice (Assinado) · Data: 10/12/2015 19:00 · Para: Capitulo 7

Poh Mea foda ne....teve a mesma atitude de Scoutt certa vez....precipitou as atitudes, o que custa os "casais" conversarem antes de qualquer conclusão???? 😒😒😒

Parece que Scoutt ainda vai correr um pouquinho atrás da Mea...não sei se fico triste ou acredito que um dia é da caça e outro do caçador kkkkkkk

bom dmais Fe, assim como a primeira temporada 🔝🔝🔝👊🏼👊🏼



Resposta do autor em 11/03/2016:

Obrigada!!

Scoutt correndo atrás enquanto Mea se esquiva. Um dia da caça e outro do caçador mesmo. 

Beijão!



Nome: gleice (Assinado) · Data: 10/12/2015 19:00 · Para: Capitulo 7

Poh Mea foda ne....teve a mesma atitude de Scoutt certa vez....precipitou as atitudes, o que custa os "casais" conversarem antes de qualquer conclusão???? 😒😒😒

Parece que Scoutt ainda vai correr um pouquinho atrás da Mea...não sei se fico triste ou acredito que um dia é da caça e outro do caçador kkkkkkk

bom dmais Fe, assim como a primeira temporada 🔝🔝🔝👊🏼👊🏼



Nome: Ana Maria (Assinado) · Data: 09/12/2015 23:37 · Para: Capitulo 7

O amigo  fofo parece na realidade  meio empelotado.  O estepe parece que está cheio de remendo capengas e, portanto só serve pra dizer que tem e ai me pergunto isso serve para alguma coisa? E no fritar dos ovos, a insegurança deixando a coisa toda ir prá lixeira... mas tem quem come... e passa mal. Mundão cheio disso.

Estava na torcida para um embate entre as duas, mas querer não é poder mesmo. Aguardando o que vossa cabecinha cheia de histórias tem para nos contar.

 



Resposta do autor em 10/12/2015:

Adoro seu comentário :))))



Nome: jake (Assinado) · Data: 09/12/2015 23:08 · Para: Capitulo 7

Eitha tha difícil....putz



Nome: lih (Assinado) · Data: 09/12/2015 19:54 · Para: Capitulo 7

Cara,  pq as pessoas sempre tiram conclusões precipitadas das coisas?  Já tava vislumbrando a cena tórrida do reencontro e aí a mea amarela...  Aiai, não foi agora que elas se acertaram. 



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