Desejo e loucura por Lily Porto


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Agnes

– Então, senhora Bartolli, gostando das mudanças da cidade? – ela me lançou um olhar penetrante enquanto falava.

Confesso que a forma que ela estava me olhando desde a hora que chegou, estava me deixando de certa forma, interessada, em saber mais sobre si.

– Posso te fazer alguns pedidos, antes de responder?

– Sim senhora! – sorriu enigmática.

Eu poderia até estar equivocada, mas ela parece estar flertando comigo. Foca aqui Agnes, sorri, tentando manter meus pensamentos afastados e continuei:

– Primeiro, pode me chamar apenas de Agnes. Senhora e dona, não são palavras que me deixam confortável, quando colocadas a frente do meu nome. E quanto a pergunta, eu pouco andei por ai desde que cheguei. Mas o que pude ver nesses poucos dias, me agradou muito.

– Tudo bem senhora... – levou a mão direita aos lábios – perdão. Agnes. – sorriu – Veio pra ficar, ou tem data para partir?

– Olha, pretendo ficar por aqui de um a dois anos no máximo, mais ou menos o tempo necessário para iniciar uma boa produção.

– Nossa, tão pouco tempo assim?

– Digamos que o Brasil, para mim, não tenha lá mais tantos atrativos assim.

– Entendo. Vem pouco pra cá?

– Desde que fui morar na Europa, essa é a segunda vez que volto aqui.

– Uou! – disse surpresa – Não vá me dizer que você é mais uma dessas dondocas que nasceram aqui, e depois de passarem anos fora, quando voltam, não conseguem se readaptar ao clima tropical do país?

– De forma alguma. Como disse, o país não tem atrativos que me faça passar mais tempo do que isso.

Ela apoiou o cotovelo sobre a mesa, e segurou o queixo com a mão dizendo calmamente:

– Você é uma mulher muito intrigante, Agnes!

Sorri com aquela afirmação perguntando:

– Deseja comer alguma coisa? – fiz sinal para um garçom que passava próximo a mesa.

Ela respondeu que ainda não tinha jantado, e decidimos fazer isso ali. Optamos por uma picanha nobre, acompanhada por um Malbec Sigle Vineyard 2011. Que seria servido apenas quando trouxessem nossos pratos. Eu estava dirigindo, e não queria abusar do álcool. Sem falar que ainda é quarta-feira.

Conversamos sobre muitas coisas, os anos fora do país, me deixaram meio que afastada de certos assuntos da nossa cidade. De certa forma eu fiz questão de não saber do crescimento dela. Afinal, as únicas coisas que me ligavam ainda aqui, eram meu avô e meu amigo Cadu.

Então, de certa forma me sentia como a Lívia, que mesmo a cinco anos morando aqui, não tinha se adaptado totalmente a cidade. Ao contrário do que pensei, a moça não era como algumas das advogadas que já conheci, viciadas em trabalho. Bem extrovertida e uma ótima companhia ela é. Ah, e uma amante da vida noturna, pelo o que entendi, é o que ela mais sente falta aqui, boates badaladas.

Nossos pedidos chegaram juntamente com o vinho, e comemos naquele clima animado. Terminamos de jantar e nos despedimos do Cadu. Que fez uma graça sobre o preço do vinho, quando a moça foi ao banheiro. Quando ela retornou, ele entregou duas garrafas de Ricossa Barolo Riserva a ela. Gente, que vinho maravilhoso, com elegância e complexidade adquirida ao longo do tempo de envelhecimento, ácido e sedoso. E aquelas garrafas ele tinha me feito postar algumas semanas antes da minha vinda para cá. Será que ele e a Lívia, tinham alguma coisa? Afinal, ele me disse que aquelas garrafas eram pra alguém muito importante.

Mas... e os joguinhos de olhares dela na mesa, antes e durante o jantar? Ao meu ver, como dizem por ai, meu radar apitou para ela, será que me enganei? Se sim, também não tem problema.

– Nossa, que chuva! – afirmou enquanto chegávamos a porta do restaurante – Desse jeito, não chego em casa hoje.

– Porque diz isso? Chuva é sempre bom, acho que essa noite conseguirei dormir até melhor por conta dela.

– Estou sem carro e sem guarda-chuva, vou precisar esperar ela passar. E ela não tá com cara de que vai passar por agora.

– Não seja por isso. Me acompanhe, estou de carro, te deixo em casa.

– De forma alguma Agnes, melhor você ir pra casa descansar. Daqui a pouco passa um táxi e eu vou embora.

– Mas nem em pensamento Lívia, é o mínimo que posso fazer, por ter feito a gentileza de me acompanhar no jantar. Em partes a culpa é minha por você tá aqui até agora. Não custa nada te deixar em casa.

Ela sorriu, parecia constrangida quando disse de forma calma:

– Tudo bem, mas vou logo avisando, você vai desviar um pouco do caminho da casa do seu avô.

– Não tem problema. Acho que não dá para me perder. Quer dizer, está tudo tão mudado por aqui agora, que nem vou afirmar isso.

Gargalhei e fui acompanhada por ela. Abri a porta do carona para que ela entrasse e dei a volta. Já dentro do carro perguntei:

– Então moça, que direção devo tomar?

Ela me deu a localização de sua casa e seguimos pra lá. A ideia era deixar ela em casa e seguir para a minha. Mas a mulher é de uma lábia tão grande que me fez descer e acompanha-la. Entramos na casa dela meio molhadas, eu então, que tirei o casaco, que peguei de última hora antes de sair, e entreguei a ela para que não molhasse os cabelos, estava quase pingando em sua sala. Tudo graças a um vizinho mega gentil dela, que estacionou um caminhão em sua porta, e a chuva já era torrencial quando o contornamos, para ter acesso a entrada. Rimos muito depois que entramos.

Quando ela viu que eu estava com os cabelos e a blusa molhada, correu e me entregou uma toalha. Juntamente com uma camiseta dela.

– Olha Agnes, não sei se vai ficar legal no comprimento, ao menos está seca. Troca logo, não quero ver você resfriada por minha culpa.

– Não se preocupa Lívia, eu vou pra casa. Lá tomo um banho quente e ficará tudo bem.

– Nada disso. – falou se aproximando de mim para secar meus cabelos – É sério, troca ao menos a blusa antes de ir, tem secador no banheiro também, se quiser seco seus cabelos. Por favor.

Era muito fofo ver a preocupação nos olhos dela. Definitivamente eu estava desacostumada a ser mimada dessa forma.

– Não precisa se preocupar, eu estou... – espirrei – bem – outro espirro.

– Tá vendo, você já tá espirrando. Vai trocar essa blusa, vai – ela disse me puxando delicadamente pela mão, me conduzindo até o banheiro.

– Calma moça, foi só... –  iniciei uma rápida crise de espirros.

– Eu vou entrar nesse banheiro e te dar banho! – disse brava.

Olhei pra ela ainda espirrando e arqueei a sobrancelha, meio que desafiando-a: – Você não teria coragem!

– Ah, você não me conhece.

Ela parou na porta do banheiro e levantou a minha blusa. Fiquei olhando pra ela ainda incrédula, sabia que estava apostando alto demais naquilo ali, e se ela tivesse alguma coisa com o Cadu? Decidi investigar mais, antes de fazer o que estava prestes a fazer...

– Lívia, você trata todas as pessoas que vem aqui assim? Acho que como advogada, você sabe que isso é assedio. Deixa minha blusa que eu tiro. – travei os braços junto ao corpo – Daqui a pouco seu namorado chega ai e vai achar meio que inusitado ver você tirando a blusa de uma estranha e empurrando ela pro banheiro.

Ela gargalhou gostosamente respondendo de forma imediata:

– Primeiro, nunca tive namorado. Segundo, se tivesse uma namorada, eu estaria com ela dentro daquele box, e não com você aqui, parecendo um jegue amuado, prestes a pegar um resfriado.

Chegamos ao ponto que eu queria. Confirmei as minhas suspeitas. Agora sim eu entraria naquele banheiro, mas ainda, não com ela!

– Ei, pode soltar a minha blusa por favor, senhorita? – segurei suas mãos. – Eu coloco a sua blusa de... – olhei a estampa – Bob esponja, nossa. Que fase hein?

Peguei a tolha que ela ainda segurava, fechei a porta gargalhando da cara de ofendida que ela fez ao me ver falar do seu personagem favorito. No banheiro troquei a camiseta, sequei os cabelos e sai. Quando cheguei na sala, ela também já estava de roupa trocada, com uma garrafa de vinho e duas taças.

– Tomei a ousadia de lhe convidar para uma taça de vinho, – apontou para a janela – a chuva aumentou e eu não vou deixar você pegar a estrada com esse temporal.

– Sério? – passei a mão nos olhos – Eu queria tanto ir pra casa – sorri.

– Hum, acho que minha companhia não está te agradando – ela entrou na brincadeira. – Mas vem, senta aqui. Quem sabe você não dê a sorte, da chuva passar logo?

– É, pode ser. – me estendeu uma taça.

– Pode sentar, vou procurar algo para assistir... Ah não, droga. – levantou.

Faltou energia e ela ficou visivelmente irritada. Segurei a taça com uma mão e a puxei com a outra.

– Senta aqui. Se acalma um pouquinho. Daqui a pouco a energia volta.

– Desculpa Agnes, te fiz ficar. E acabei ficando sem energia em casa.

– Não foi culpa sua. Vamos beber o vinho, e conversar enquanto a chuva não cessa.

Ficamos ali no sofá bebendo enquanto ela contava piadas, já estava quase chorando de tanto rir, ela fazia imitações de vozes a cada piada. Nossa. Acabou uma garrafa e ela foi buscar outra. A sala era iluminada apenas pelos clarões dos relâmpagos.

Quando voltou pra sala fazendo graça, na hora de abrir o vinho acabou pisando no meu pé e se desequilibrando, o que a fez cair sentada no meu colo. Isso pra gente foi cócegas. Rimos até perder fôlego. E assim seguimos para a terceira garrafa. Quando ela chegou na sala com ela resolvi me manifestar:

– Senhorita, desse jeito não conseguirei nem chegar a porta. Quanto mais dirigir até em casa. Vou acabar dormindo no seu sofá assim.

Ela gargalhou, passou a mão no cabelo e tentou abrir a garrafa.

– Não. – peguei a garrafa e o saca-rolhas da sua mão – Deixa que eu abro pra você, ou então, você pode se machucar.

– Sério isso? – levantou com a mão na cintura – Não duvide de mim dona Agnes, ou então...

Ouvimos um trovão e ela gritou correndo, e mais uma vez caiu sentada no meu colo. Gargalhei falando:

– Com certeza, você está gostando de ficar aqui e a cada momento arranja uma nova desculpa para sentar.

Ela passou a mão em meu rosto, e foi aproximando seu rosto do meu, nos olhamos por alguns segundos, e logo ela selou meus lábios com um beijo. A puxei para mais perto do meu corpo, pedindo passagem levemente com minha língua em sua boca, ela cedeu e a invadi. Tornando o beijo mais intenso, ela começou a passear com suas mãos em meu corpo, enquanto eu distribuía beijos por seu pescoço.

Passei a acariciar suas coxas enquanto ela explorava minha boca e dava leves mordidinhas em meus lábios. Em instantes se livrou da camiseta que eu usava, e sorriu beijando meus seios sobre o sutiã, beijou é modéstia da minha parte, ela chupava meus seios com tanta vontade que me deixou excitada só com aquele contato. Não bastando, ela invadiu minha calça sem a mínima cerimônia.

Sorri e falei entre seus lábios: – Esses eram os seus planos, não eram?

– Você descobriu os meus planos muito rápido, senhora Bartolli! Devo confessar, que desde que entrei no restaurante e te avistei, minha vontade de provar você, só aumentou! Bendita chuva.

Voltei a beijar seus lábios e calmamente tirei o seu vestido, por baixo dele ela usava uma lingerie de renda, passei as mãos nas laterais do seu corpo, enquanto ela mexia gostosamente em meu colo. A deitei no sofá, na tentativa de me livrar das peças que ainda usávamos.

Fui beijando seu corpo lentamente, e ela gemia a cada toque meu. Cheguei aos seus pés beijando, voltei parando em seu sexo molhado, com meu polegar passei a fazer movimentos circulares em seu clitóris. Entrei com um dedo em seu sexo, ela gemeu mais alto, e introduzi o segundo dedo, voltei para seus lábios, descendo para os seus seios sugando com muito prazer.

A cada gemido e arranhão dela, aumentava o ritmo das minhas estocadas. Era enlouquecedora a forma que ela rebolava, pra completar, ainda prendeu meu quadril com suas pernas, aumentando assim, o atrito dos nossos corpos. Mordendo minha orelha ela dizia coisas desconexas em meu ouvido, mexendo embaixo de mim ela disse:

– Coloca... huuuuum... mais um... c... huuuum... isso. Eu vou... soca bem gostoso Agnes... assim... assim... eu...!

Enquanto ela gemia e falava, arranhava ainda mais minhas costas e dava leves mordidinhas na minha orelha. Naquele ritmo acabaria gozando antes dela. Continuei no ritmo que ela queria e pouco tempo depois ela gozou em meus dedos, os lambi em sua frente e ganhei uma mordidinha nos lábios e um aperto no bumbum. Ela quase me fez gozar com aquele aperto.

Rapidamente ela me virou, ficando por cima e invadindo meu sexo com dois de seus dedos de forma cadenciada, ela esfregava seu corpo ao meu, pressionando ainda mais seus dedos dentro de mim, enquanto eu chupava seus seios. Cheguei ao orgasmo rapidamente, e ficamos ali abraçadas por um tempo, até nossos corpos cederem ao desejo novamente.

Pegamos no sono já passava das duas da manhã. Sai de lá as seis, catando as roupas pelo meio da sala e de pontinha de pé para não acordá-la, antes de sair encontrei um bloquinho de notas ao lado do rack e deixei um bilhete pra ela:

Bom dia!

Precisei ir embora, você tava tão linda dormindo que preferi não te acordar. Preciso visitar uns campos fora da empresa hoje. Provavelmente só estarei por lá a tarde. Qualquer coisa me liga, tem um cartão com meus números perto do seu celular. Obrigada pela noite.

A. Bartolli

Cheguei em casa, e claro que a noite não dormida ali, não passou despercebida aos olhos do seu Giovani, que balançou a cabeça sorrindo quando me viu entrar em casa. “Tomei café” e segui juntamente com ele e o motorista para os campos que precisávamos visitar.

Passamos o dia inteiro fora, quando retornamos dos campos as 16h, ele ainda achou folego para ir a empresa, eu estava visivelmente cansada, pela noite mal dormida, ou melhor, pela noite magnifica que me fez dormir pouco. Pedi para que o motorista me deixasse em casa antes de leva-lo para a empresa.

– Agnes, que mal lhe pergunte. Onde passou a noite?

Ele perguntou enquanto passávamos pelo casebre onde muitas vezes tinha me encontrado com a Cal. O mesmo pertencia ao meu avô, e agora servia de galpão para armazenagem de barris.

– Desculpa vovô, não entendi. Sobre o que falava?

– Quero saber onde você passou a noite mocinha.

– Ahh! – sorri passando a mão nos lábios – Na casa da Lívia.

Ele me olhou sério e voltou a falar: – A Dra. Lívia, diretora do jurídico?

– Sim, ela mesma, vovô.

– Nem vou perguntar como foi a noite, afinal, esse pequeno arranhão em seu pescoço já diz tudo. – sorriu – A Lívia é uma boa garota, só não gosta de relacionamentos sérios, assim como você!

– Isso é muito bom, não creio que esse será um problema entre nós.

No momento em que terminei de falar chegou uma mensagem no meu celular. Sorri ao ler, era dela.

Oi linda, desculpa não ter acordado para te acompanhar até a porta, que falta de educação a minha, assim você não voltará mais em minha casa, rsrsrs. Que tal um jantarzinho na minha casa hoje? Preciso me redimir da minha falta de educação.

Lívia Alencar

Respondi que sim e ela me mandou outra mensagem dizendo o horário em que deveria chegar lá.

– Suponho que a mensagem era dela. – meu avô disse sem disfarçar o sorriso.

– Sim, me convidando para jantar hoje em sua casa.

– Espero que durma essa noite – gargalhou.

– Pelo sim e pelo não, vou dormir agora. Tchau vovô! – beijei seu rosto e sai do carro entrando em casa sorrindo.

Depois de um banho quente e relaxante me joguei na cama. Acordei com o celular despertando, tomei outro banho e me troquei pra sair. Meu avô fez umas brincadeiras antes de liberar a chave do carro e segui pra casa dela.

O jantar foi maravilhoso e mais uma vez adentramos a madrugada transando. E assim chegou o sábado, frio, mas sem chuva. Levantei e fiz o café para nós. Ela estava tentando me convencer a ficar para o almoço, daquele jeito bem sedutor dela, quando a campainha tocou. Continuei na cozinha enquanto ela seguiu para a porta.

E por ela passou a simpática e linda Clara, ela parecia abatida e pela forma rápida que falava, precisava conversar com a amiga. Aproveitei a chegada dela e me despedi da Lívia, precisava providenciar um carro pra mim, e ver como estava a antiga casa dos meus pais, era lá que iria morar enquanto estivesse na cidade, e sabia que mesmo o vovô volta e meia indo lá ajeitar uma coisa ou outra, ela precisava de reforma, afinal, tinham muitos anos que não morava ninguém lá. E assim eu passei o final de semana, na antiga casa dos meus pais, conferindo o que precisaria para a reforma.

A minha melhor amiga ficou de vir passar um tempo comigo aqui, espero que ela cumpra a promessa.

Um mês se passou desde que cheguei aqui. Eu e Lívia estamos “saindo”, já deixamos claro que não procuramos um envolvimento amoroso, ao menos não agora. Gostamos da companhia uma da outra e sempre que podemos estamos juntas.

A reforma está andando, já providenciei um carro pra mim e as coisas na empresa não poderiam estar melhores. Não encontrei mais com a primeira dama, e isso é muito bom. Quero manter mesmo a distância dela, e deixar os meus fantasmas do passado de lado de uma vez por todas.

Mais um dia de reuniões na empresa, estava preparando o material que ia usar, quando meu celular tocou. Atendi e imediatamente escutei sua voz:

– Oi vadia, como estão as coisas por ai? – gargalhou.

– Me respeita mulher. Esqueceu meu nome foi?

– Ainda não, mas se continuar nesse ritmo, esquecerei rapidinho. Esqueceu das amigas foi?

– Não Kiara. Tem poucos dias que nos falamos. Estou com a agenda cheia por aqui, para de coisa vai!

– Ah! Me trocou por uma agenda cheia, entendi! – disse debochada – Mas vem cá, nessa agenda, tem o número de mulheres gostosas?

– Você só pensa em mulher, nossa!

– E você só pensa em trabalho. Não é possível que nem estando no Brasil, você para de pensar em trabalho e se diverte um pouquinho. Afinal, ai você é a patroa.

– Que patroa que nada. Você sabe muito bem que vim ao Brasil a trabalho, e não pra levar mulheres pra minha cama.

– De vez em quando fazer as duas coisas é bom, sabia?

– Você não existe Kiara.

Gargalhei sendo interrompida por ela, que dizia:

– Claro que existo tesoro mio, imagina como seria chata a sua vida, se eu não existisse. Sem falar, que você não ficaria com mulher nenhuma se não fosse a minha ajuda.

– Mas você se acha mesmo, né! Que horror. Agora diz, quando você vem pra cá?

– Me responde primeiro, tem mulher gostosa ai?

– Para de pensar em mulher um pouquinho. Jesus é a luz! Toma tento criatura.

– Liguei pra dizer quando vou. Mas já que não quer responder a minha pergunta, então, não saberá a minha resposta.

– Ki, porque você não arruma uma namorada, hein?

– Porque uma mulher apenas não dará conta de mim! Sem falar que se eu inventar de namorar, deixarei muitas mulheres tristes.

– Você é muito convencida mulher. Para com isso vai. Me diz, você vai poder vir?

Ela sorria do outro lado da linha dizendo:

– Você não sabe nem se divertir. Olha eu vou, mas quando chegar ai, você vai dar um tempo no seu trabalho. Não vou para o Brasil pra conhecer mato, e nem ficar enfurnada 24h dentro de uma empresa.

Gargalhei respondendo: – Se você soubesse como pode encontrar boas visões dentro dessa empresa, não diria isso.

– Senhorita Bartolli, o que me esconde? Vamos, conte tudo.

– Agora não posso amore mio, tenho uma reunião em 10 minutos. Quando você pretende vir?

– Logo, preciso só cumprir minha agenda aqui, e irei. Meu agente, até propôs uma exposição ai, no Rio de Janeiro, estou pensando na possibilidade. Mas me dê mais uns quinze dias e estarei chegando ai, para te ensinar a sair com mulheres novamente.

– Tá bom, convencida. Se cuida, preciso ir. Beijo.

– Beijo tesoro mio, bom trabalho. E não se canse muito!

A Kiara é minha amiga a uns dez anos, nos conhecemos em uma das suas exposições, em Viena. Ela é artista plástica, muito famosa na Europa. O irmão dela, que é dono da vinícola onde trabalhava, nos apresentou.

Até saímos algumas vezes, mas de primeira percebemos que seriamos melhores como amigas, do que como “namoradas”. Ela sempre foi muito desapegada de relacionamento, assim como eu. Embora nesse tempo que morei fora tenha tido até alguns namoros.

E desde que nos tornamos amigas nunca vi a Ki namorar ninguém, ela sai com uma mulher no máximo 3 vezes. Diz que mais que isso é perigoso, porque a mulher pode achar que podem ter uma relação mais duradoura, e até definitiva.

 

Carolina

Já estou cansada de aguentar esse garoto, que demora pra esse semestre começar. Já falei ao Antenor pra mandar ele pra capital. Se intromete em tudo.

Droga, já tem um mês que a Agnes tá na cidade e ainda não consegui conversar com ela. Além de me evitar, ela nunca está sozinha. Isso tá me deixando louca, que raiva. Andava de um lado para o outro passando a mão nos cabelos.

– Problemas Cal? – disse irônico sentando no sofá.

– Sai daqui garoto, procura alguma coisa pra fazer, vai.

– Estou fazendo, conversando com a minha querida madrasta – sorriu debochado.

– Para de sarcasmo Luiz. Não estou com saco para suas baboseiras hoje. Falando nisso, quando você vai embora?

– Nossa Calzinha, assim você me magoa. Não está gostando da minha companhia? – gargalhou.

– Você sabe muito bem que não! Por mim nem teria vindo pra cá.

– Amo a sua sinceridade, você não sabe o quanto!

– Algum problema por aqui?

– Nenhum pai, acho que a sua esposa anda dormindo contigo de calça jeans, ou então, você não dá conta do recado. – levantou – Cuidado, pode aparecer alguém que a coma como ela gosta – piscou pra mim.

– Luiz! Respeite a sua mãe.

– Ela nunca será minha mãe, – me olhou de cima abaixo e disse demonstrando uma raiva excessiva – vadia materialista.

Enfim o bocó do meu marido fez alguma coisa decente, deu uma bofetada na cara daquele garoto abusado, que mesmo assim ainda saiu da sala me ameaçando:

– Esse seu reinado vai acabar um dia Carolina, quando menos esperar, você será destronada.

Gargalhei: – Vai crescer fedelho, e me esquece.

Ele saiu resmungando mais alguma coisa que não entendi, e ficamos na sala eu e o pai dele.

– Querida, preciso viajar. Só retornarei no final da semana.

– E vai me deixar sozinha com o seu filho?

– Vai ser por poucos dias, você nem vai perceber a minha ausência.

– Se ele me desrespeitar novamente, mando-o para capital!

– Ele não fará isso, mesmo assim, vou falar com ele antes de viajar. Agora peça para arrumar minha mala. Preciso voltar para a prefeitura. – me deu um beijo insosso.

– Não esquece de falar com o seu filho antes de viajar.

– Pode deixar. – saiu acenando com a mão.

Com o Antenor fora de casa, enfim, conseguiria falar com a Agnes. Ou melhor, espero que assim aconteça, vou apelar para o Cadu, ele pode até não querer, mas o convencerei a me ajudar.

 

 

Notas finais:

Agnes e Lívia "estreitando" os laços... rsrsrs

Um ótimo final de semana meninas!

Bjs



Comentários


Nome: Tekaxaviers (Assinado) · Data: 04/05/2018 23:03 · Para: Capitulo 7 - Agnes / Carolina: Trato feito

Hummm Agnes e Livia que encaixe, bom ve-las juntas, as coisas estão num caminho bom.



Resposta do autor:

Oiie!

Elas tiveram uma rápida atração, e deu "liga". Digamos, que as coisas estão tomando um bom caminho.

Se cuida, bjs.



Nome: dannivaladares (Assinado) · Data: 26/04/2018 20:03 · Para: Capitulo 7 - Agnes / Carolina: Trato feito

L Braun, 

 

Agnes (adoro), Livia (tem meu respeito), Clara (adoro tbm), mas essa Carolina não me desce.

kkkkkk

 

Oh produção, vamos ligar o ar-condicionado, por favor?

Capitulo quente!! 

 

Att,

D. Valadares. ;)



Resposta do autor:

Bom dia, Danni!

Agnes, Livia e Clara, são muito simpáticas e de um carisma contagiante.

Acho que você não vai com "os cornos" da Cal... a mulher é meio assim mesmo, digamos, dificil de engolir, e vai por mim, nem tenta, pode ser bem indigesto.

A produção informou que deu um pequeno defeito no ar-condicionado, mas logo concertam... kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk.

Se cuida querida, bjs.

 

 



Nome: duarte (Assinado) · Data: 24/03/2018 19:14 · Para: Capitulo 7 - Agnes / Carolina: Trato feito

Essa Carolina é um pé no saco. Já tô cheia de ranço por ela.



Resposta do autor:

Boa noite Duarte, tudo bem? Seja bem vinda por aqui.

A Cal nos causa os mais diversos sentimentos, digamos que ela seja uma mulher um pouquinho difícil de engolir as vezes, rsrs.

Bjs querida, se cuida.



Nome: Lili (Assinado) · Data: 24/03/2018 06:40 · Para: Capitulo 7 - Agnes / Carolina: Trato feito

Carol tu quer infernizar vai fazer isso com o teu marido.

 



Resposta do autor:

Boa noite Lili!

A Cal quer mesmo "apertar a mente alheia", e o marido vive em fuga disso.

Logo ela se "aquieta", rs'.

Se cuida querida, bjs.



Nome: mtereza (Assinado) · Data: 24/03/2018 02:40 · Para: Capitulo 7 - Agnes / Carolina: Trato feito

Agora está esquentando



Resposta do autor:

Oiiie!

Digamos que nossas personagens estão se conhecendo pouco a pouco, rsrs.

Se cuida, bjs.



Nome: Baiana (Assinado) · Data: 23/03/2018 20:18 · Para: Capitulo 7 - Agnes / Carolina: Trato feito

A Agnes com a Livia? Já não gostei,mesmo elas não tendo nada sério,ela é a melhor amiga da Clara.

A primeira dama tem um inimigo declarado dentro de casa,se lascou.

E essa Kiara,vai arrastar as asas para a Lívia ou para a Clara?



Resposta do autor:

Boa noite baiana!

Eitha, o bicho pegou agora, rsrsrs. Mas olha, como vc disse, elas não tem nada sério. E querendo ou não, a Clarinha tá no pé do altar.

O enteado da Cal parece que não gosta muito dela não, esse pode dar trabalho a ela em algum momento.

A Ki chega logo, não sei bem quem a encantará primeiro. Mas vamos ver no que dará tudo isso.

Se cuida querida, bjs.



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