Sunshine: esperança. por femarques


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CAPÍTULO 6:

SCOUTT

           

            “Tudo bem, Oscar.   Por enquanto tudo está indo bem.”

            “A agente da Joan quer falar com o pessoal da B&M, então avise alguém de lá que ela vai ligar.”

            “Mas está tudo certo com as exigências dela.”

            “Eu sei, menina. Esse pessoal só gosta de ser um pé no saco.”

            Dei risada dele e acabei concordando. Ficar em Chicago essa semana está me matando. Desde que vi a Mea na segunda em nossa nada agradável reunião, tenho ficado trancada no apartamento, lendo e relendo esse contrato, apesar de não existir um erro se quer. Minha passagem de volta está marcada para sábado e eu ainda teria mais dois dias aqui.

            Melhor do que ligar para Tina e avisar sobre a agente chata de Joan era ir até lá, assim já entregaria o contrato assinado.

            Tomei um banho rápido, vesti uma camisa social de mangas compridas azul clara, devido ao vento forte que tomou Chicago desde ontem, uma calça jeans escura e meu mocassim preto. Resolvi prender o cabelo com aquele coque que eu mal sabia fazer, coloquei o contrato dentro da minha bolsa, a pendurei no ombro e saí apressada no hotel.

            Pela primeira vez desde que estava nessa cidade a calçada até o prédio onde eu tinha esperança de ver Mea, estava praticamente vazia, e eu não precisava desviar de ninguém.

            Enquanto eu caminhava e olhava o céu nublado, cinzento, brincava com comparações bobas. Era assim que eu me sentia andando em direção a ela, que se esforçava para não demonstrar um mínimo de afeto ainda existente por mim. Mas sorte a minha conhecê-la tão bem. Minha cabeça parecia nublada também, não conseguia traçar muito bem um plano de ação quanto o assunto era Mea, ela ainda tinha o poder de me desarmar.

            Antes de finalmente chegar ao elevador, fui revistada de forma mais educada agora que o segurança finalmente me conhecia.

            “Como foi o jogo ontem?” Perguntei para ele enquanto minha bolsa era revistada.

            Ele riu e negou com a cabeça. “Não foi, minha mulher me fez levar ela para sair, perdi o jogo.”

            “Mulheres.” Dei risada enquanto pegava minha bolsa de volta e já me afastava dele.

            Fui direto para o 17º andar. Logo que a secretária da recepção me viu, saiu correndo para chamar Tina. A menina parecia, toda vez que eu vinha aqui, que tinha visto um fantasma. O que será que Tina andou falando por aí?

            Me sentei em uma poltrona e fiquei pensando se Tina avisou a todo mundo que sou uma destruidora de corações e Mea não pode me ver. Seria legal passar reto pela recepção e ver o caos.

            “Vim trazer o contrato.” Me adiantei quando vi Tina surgir do corredor, com um sorriso estampado no rosto. Ela gosta de mim, tenho certeza. Pelo menos alguém que torce por mim.

            “Pode vir até a minha sala.”

            “É rápido, Tina.”

            Andei até ela e ficamos parada na entrada do largo corredor, que em seu fim era possível ver a grande portra de vidro que me separava de Mea.

            Tirei o contrato da bolsa e entreguei a ela.

            “Eu já assinei o contrato, se precisar da assinatura de Oscar vou ter que levar o contrato.” Tirei outro papel da bolsa e entreguei a ela. “Mas aqui tenho a assinatura dele autorizando minhas decisões em nome dele e da empresa nesse projeto.”

            “Quanta organização! Obrigada, Scoutt.”

            Pisquei para ela e sorri. “Não por isso.”

            “Ah, a agente da Joan vai ligar para você. É só falar para ela que está tudo certo e dar uma explicada no que estamos planejando.”

            “Tudo bem, sem problemas.”

            “Que horas você sai daqui hoje?” Perguntei a Tina.

            “Seis e meia, depende. Precisa de algo?”

            “Não, ia perguntar se quer sair beber alguma coisa.”

            “Eu sei as suas intenções. Fica para a próxima.”

            Comecei a rir. “Que intenções?”

            “De me conquistar e te ajudar a reconq...”

            Deixei de escutar o que Tina dizia no momento em que aquela porta de vidro se abriu e Mea apareceu. Os cabelos longos e ruivos, descendo por seus ombros e suas costas. Que saudade de beijar seu pescoço e seu ombro. Ela estava com a franja presa para trás e as pontas do cabelo onduladas. Vestia uma saia preta até o joelho, justa em suas coxas, e uma camisa social que parecia ser de um tecido fino, quase transparente, na cor azul. Sorri quando vi a cor de sua camisa e fiquei a encarando, sem conseguir desviar os olhos.

            Como a atrapalhada que é, demorou para olhar para frente, até conseguir fechar a porta e segurar um pacote ao mesmo tempo. Segurei no ombro de Tina, como se me desculpasse e pedisse licença ao mesmo tempo, e fui até Mea como se estivesse hipnotizada.

            Peguei na mão dela que segurava a maçaneta da porta e a ajudei a fechar a porta. “Me deixa te ajudar.”

            Ela levantou a cabeça e seu rosto todo empalideceu, seguindo rapidamente para um vermelho forte, corando todo seu rosto. Ela umedeceu os lábios com a ponta da língua e raspou os dentes nele em seguida, muda.

            “Posso te ajudar?” Tornei a perguntar.

            “Já me ajudou, obrigada.” Ela respondeu em um fio de voz.

            “Você fica linda de azul.”

            Ela deu um sorriso sem graça e mordeu o maldito lábio de novo, tentando evitar o sorriso.

            “Obrigada.”

            “Você fica linda com essa saia, mas ficaria melhor sem ela.” Soltei sem pensar.

            Ela arregalou os olhos e imediatamente levou a mão para a barra da saia puxando-a para baixo, esquecendo que segurava um pacote, deixando-o cair em seus próprios pés.

            “Meu Deus, Mea! Que desastre você ainda é.” Comecei a rir e me abaixei para pegar o pacote. Ainda meio de joelhos em sua frente, a encarei. “E desculpa, é a força do hábito de te achar gostosa.”

            Me levantei segurando o pacote e a entreguei. Mea parecia estar com a cabeça em outro mundo pela demora para pegar o pacote.

            “Obrigada... pelo pacote.”

            Ri de novo. “Machucou?”

            Ela estreitou os olhos, sem entender.

            “Seus pés, Mea. Machucou?”

            “Ah, não, tudo bem.”

            “Bom, eu vou embora agora. Só vim te ver.” Soltei de novo sem pensar. “Quer dizer, vim trazer o contrato.”

            Ela sorriu e abaixou a cabeça.

            “Não precisa se esconder de mim. Eu sei que você ainda sente o mesmo que eu. Eu sei que tudo o que você quer agora é passar o nariz no meu pescoço e sentir meu cheiro, como eu quero fazer com você. Se você sente a mesma saudade que eu sinto, eu sei o quanto está doendo ficar perto de mim.” Me aproximei dela e ela se apoiou na maçaneta da porta. “Eu sei que suas pernas estão bambas só de me ouvir falar. Mas não posso tocar em você enquanto você fingir que não me quer.”

            “Scoutt, eu tenho namorada...” Ela sussurrava sem olhar para mim, encarando seus próprios pés. Seus dedos seguravam com tanta força na maçaneta que era possível ver os nós deles esbranquiçados.

            “Eu sei, eu sei. Mas eu conheço você, e mesmo com namorada, eu consigo ver o quanto você ainda me quer. Eu sinto a sua falta.”

            Me afastei dela para deixá-la respirar e finalmente ela levantou a cabeça, com os olhos azuis escurecidos. De desejo, talvez?

            “Bom, vou embora agora. Até o próximo encontro. Estou adorando trabalhar com você.” Dei o meu melhor sorriso para ela e saí andando, deixando-a sozinha para lidar com o desejo que sei que acendi nela.

            “Tchau Tina, obrigada por tudo até agora. Meu convite ainda está de pé.” Sorri para ela, que apenas acenou com a cabeça para mim.

            No caminho de volta para o hotel passei em uma floricultura e pedi por um buquê de rosas vermelhas, escrevi um cartão e pedi que entregassem para Mea Bradley na empresa. Depois fui direto para o bar ao lado do hotel para conversar com Stella, a melhor companhia ultimamente.

            Para variar, no bar tinham no máximo cinco homens bebendo. Me sentei no balcão e quem estava atendendo era Derek.

            “Já vou chamar a Stella.” Ele falou sem ser muito amigável. Nunca tínhamos conversado e ele não parecia ser do tipo que faz amizades.

            Derek gritou por ela três vezes como se ela fosse sua propriedade. Stella surgiu de um corredor emburrada e pronta para xingá-lo, mas abriu um sorriso ao me ver.

            “Scoutt!”

            “E aí, garota.” Sorri para ela e pisquei.

            “Assim você me mata, já te falei.”

            Dei risada dela e fiquei esperando pela cerveja que ela já sabia que eu pediria.

            Tomei um gole longo da cerveja, sentindo todo o calor causado por ficar perto de Mea se dissipar.

            “Como está sendo o seu dia nessa adorável cidade?”

            “Vi Mea hoje, provoquei ela e a deixei sozinha para lidar com isso. Mas também mandei entregar um buquê de rosas vermelhas com um cartão para ela.”

            Stella riu e se sentou de frente para mim, se apoiando no balcão e se inclinando para mim, fazendo seus seios fartos praticamente saltarem para fora da regata preta bastante apertada que ela usava.

            “Você é persistente e joga sujo pelo jeito.”

            “Só sou persistente, sem jogo sujo. Preciso descobrir quem é a namorada dela.”

            Comecei a dobrar as mangas da camisa pelo calor que fazia aqui dentro.

            “Vai ver ela está blefando com você.”

            “Acho que não, ela está tentando de tudo para me esquecer.”

            Stella soltou uma risada alta e grossa. “Convencida.”

            “Estou falando sério, garota.”

            “Para de me chamar de garota.”

            “Para de ser chata.”

            “Chata? Estou aqui usando todo o meu charme para te conquistar e me chama de chata?”

            Dei risada e balancei a cabeça em negativa para ela. “Deixa disso. Eu já falei que não teremos nada. Eu tenho alguém para te apresentar quando você for a Seattle.”

            “Se for aquela garota que drogou a sua paixão, nem quero.”

            Eu estava dando gargalhadas dela e da sua cara de espanto quando ofereci Megan a ela. “Você é demais, Stella.”

            “Não precisa ficar me tocando para outra pessoa se você não me quer.”

            “Te quero como amiga, pode ser?”

            Stella deu de ombros e abriu um sorriso malicioso. “Por enquanto.”

            Revirei os olhos para ela. “Qual a graça que vê em mim? Deixe disso, garota.”

            “Você parece que é boa de cama, só isso.”

            Convencer Stella do contrário era perda de tempo, ela insistia. Mais tarde naquele dia, quando já estava deitada para dormir, Jeremy me ligou.

            “E aí, cara.”

            “E aí, Scoutt. Quando você volta?”

            “No sábado, quero o apartamento limpo.” Comecei a rir.

            “Não sou eu quem faz bagunça, idiota.”

            “Mas se mora comigo tem que ajudar.”

            “Não vou te responder. Está tudo bem por aí?”

            “Você não faz ideia... encontrei a Mea.”

            Jeremy ficou mudo por um tempo, até finalmente falar. “Onde?”

            “Na empresa do pai dela, onde era a minha reunião.”

            Mais uma vez a ligação ficou muda, nem mesmo a respiração dele eu ouvia. E então eu entendi.

            “Você é um filho de uma puta. Você sabia esse tempo todo onde ela estava trabalhando e não me disse?”

            “Scoutt, escuta...”

            “Vai se foder. Até chorei na sua frente, seu idiota!”

            “Ela não queria que você soubesse, me fez jurar. Ela não quer nada com você mais.”

            Bufei. “Ela quer sim, nenhum de vocês que se dizem amigos dela sabem o que ela quer, como ela se sente. Eu sei. E não vou desistir dela.”

 

            Desliguei a chamada no meio da conversa e desliguei o celular para evitar que ele me ligasse. Todos sabiam o lugar que Mea escolheu para se esconder de mim e todos decidiram apoiá-la, mas ninguém quis me ouvir, me dar outra chance. Eu era a menina malvada que acabou com a doçura de menina boa. Eu era uma merda na visão de todo mundo, e agora tinha que lutar sozinha por Mea.

Nome: lohs (Assinado) · Data: 14/12/2015 08:01 · Para: Capitulo 6

Scoutt é muitoooo fodaaaaa!!!!!!

Viu como tenho razão em defendê-la? Ninguem entende o que ela passa, todo mundo fica do lado da garota "boazinha", mas Mea não é nenhuma santinha. Ruum

 

-Loh



Resposta do autor em 11/03/2016:

Lohanne, controle seu calor ao lado de Scoutt. 



Nome: patty-321 (Assinado) · Data: 07/12/2015 17:01 · Para: Capitulo 6
A scoutie fez tanta merda q nem o amigo dela acredita nela. E com razao. Ela terá q provar q realmente mudou e merece uma segunda chance c a mea. E ela deve ter ficado muito bolada c a aproximação de scoutie. Bj


Nome: Miss_Belle (Assinado) · Data: 07/12/2015 16:49 · Para: Capitulo 6

Meus Deus... SCOUTT 1x 0 CHANCES DE RESISTIR DA MEA

Será que não da pra postar só mais um capítulo hoje....estou aqui pulando, com o ataque da Scoutt!! Tomará que a Tina aceite sair pra beber.



Resposta do autor em 11/03/2016:

Eu ri do seu comentário, mas no bom sentido. 

Desculpa a demora para responder...muita demora, aliás.

O placar vai continuar zerado do lado "chances de resistir da Mea."

 

Obrigada por ler, beijos!



Nome: Ada M Melo (Assinado) · Data: 07/12/2015 15:31 · Para: Capitulo 6

concordo com scoutt ela foi legal com a Mea, mas esse amigo dela tambem vacilou.....



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