Desejo e loucura por Lily Porto


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Agnes

A quarta-feira amanheceu nublada, com um friozinho gostoso. Levantei e não encontrei mais meu avô em casa. Encontrei uma moça na cozinha que argumentou de todas as formas que não deveria sair sem me alimentar, segundo ela o “café da manhã era a refeição mais importante do dia”.

– Dona Agnes, a senhora não deve dispensar o café da manhã.

Aquele “dona” foi muito engraçado, tudo bem que ela era bem mais nova que eu, mas daí a ser chamada assim, é meio estranho. Virei pra ela sorrindo e dizendo:

– Eu perdi esse hábito é... – olhei-a na tentativa de que disse seu nome.

– Eulália.

– Como dizia, perdi esse hábito tem muitos anos Eulália, e nunca senti falta dele.

– Mas dona Agnes, café da manhã é sagrado. Vou ligar para o seu avô. Ele me disse que não a deveria deixar sair sem se alimentar.

– Sério, que o seu Giovani contratou uma babá pra mim?! E eu achando que já tinha passado da idade pra isso – sorri.

Ela me olhou desconcertada, e vi suas faces ficarem vermelhas:

– Desculpa a minha intromissão.

– Tudo bem, desculpe a minha brincadeira também. Vou fazer um esforço pra provar essas torradas, mas com uma condição.

Ela me olhou desconfiada e disse tímida:

– Pode falar dona Agnes.

– Para de me chamar de dona, por favor! Apesar dos meus fios grisalhos, nada mais me faz lembrar que estou ficando velha, até ouvir o “dona”.

– Mais uma vez desculpa. Eu... nossa. Perdão.

– Calma Eulália, tá tudo bem. É só lembrar de tirar essa palavra velha da frente do meu nome – sorri e ela disfarçou um sorriso tímido me acompanhando.

Sentei para tomar café e ela tentou me servir. Confesso que já estava desacostumada com todo esse conforto, desde que sai daqui aprendi a me “virar” com tudo dentro de casa, e mesmo enquanto morava aqui, quem fazia as coisas éramos eu e vovó.

Terminei meu café, e levantei para lavar a xícara e o prato:

– Não dona Agnes, pode deixar que eu lavo. – tentou pegar as coisas que estavam na minha mão.

Bufei: – Não precisa, obrigada!

– Eulália, porque a dona Agnes está na pia lavando louça? – uma senhora entrou furiosa na cozinha.

Olhei assustada pra ela, que ainda reclamava com a garota na minha frente.

– Senhora, não precisa reclamar com ela. Eu fiz porque quis!

– Mas ela não deveria ter deixado...

– Tá tudo bem, não foi nada demais.

Logo o Silas chegou a cozinha, e tentou amenizar a situação, descobri enquanto ele me levava pra empresa que a garota era filha deles, por isso, a senhora reclamou tanto com ela quando entrou e me viu na pia.

Entrei na vinícola a procura do meu avô. Precisava me adaptar as novas instalações, na época em que sai daqui tudo era feito de forma manual. E meu avô tinha apenas 10 funcionários, contando com ele e minha falecida vozinha.

Hoje, além da produção na fábrica ser bem avançada, ele construiu um prédio de 6 andares onde ficam a fábrica, e os escritórios. Tem algumas instalações espalhadas em campos da região, onde estão localizados os vinhedos. Ah, e ao lado do prédio da fábrica, tem a loja da vinícola. Acho que vou demorar uns dois meses pra decorar onde fica cada sala aqui, rsrs.

Nesse momento estou perdida no corredor, tentando lembrar pra que lado fica a sala do vovô. Ufa, achei.

– Bom dia vô – beijei seu rosto.

– Bom dia filha. Não te vi chegar ontem a noite, imagino que o jantar com a Clara, tenha demorado.

– Um pouquinho. A Clara é muito simpática, divertida, o papo fluiu muito bem. O jantar foi magnifico, ficamos até de repetir a dose, qualquer dia desses. – sorri de canto de boca ao lembrar dela falando dos meus olhos.

Ele me olhou por cima dos óculos e disse sério:

– Presumo, que não tenha percebido a aliança na mão da bela ragazza?

– Aliança, sério? Não vi vô. – ele me olhou ainda mais sério e apertou os olhos, aquela era a minha deixa, o assunto parecia sério pra ele, e continuei – Estava brincando, percebi sim. Eu sei que a moça é comprometida. Bem sortudo o noivo dela.

Falou em tom de censura:

– Ela não é só comprometida Agnes, o casamento dela está marcado para o mês que vem.

– Tudo bem vô, já entendi que a linda administradora é comprometida. – levantei as mãos em sinal de rendimento – Não se preocupe, gostei muito da Clara, mas só a quero como amiga. Mesmo porque, cheguei tarde ao cargo de amor da vida dela, pelo o que vejo.

– Agnes!

– Estava brincando – gargalhei. – O senhor tá muito sério hoje!

– Espero que não volte a fazer esse tipo de brincadeira. A Clara é apaixonada pelo noivo. E eu, não ficaria nada contente, em saber que a minha neta a roubou do altar.

– Que bela ideia vovô, ainda existe esperança para mim então.

Ele me fitou sério e depois caiu na gargalhada:

– Muito me admira te ouvir falar em querer ficar com alguém. Lembro que a muito tempo você corre de relacionamentos, a última pessoa que achei que fosse lhe colocar uma aliança no dedo foi a Kiara, e isso tem muito tempo.

– Vô, a Ki é apenas minha amiga. Nunca daríamos certo como um casal. E o senhor está cansado de saber que aquela ali é pior que eu, quando o assunto é relacionamento amoroso.

– Vocês só querem saber de curtição e trabalho. Um dia a vida nos “pede” alguém para compartilhar nossas alegrias e tristezas. Você não pensa nisso?

– Engraçado, eu pensei na Clara pra ocupar esse lugar, mas como disse, cheguei tarde.

– Agnes, espero que esteja brincando mais uma vez.

– Estou sim – sorri. – Apesar de ter achado a Clara uma mulher sensacional, não atrapalharia a felicidade dela por puro capricho assim. Afinal, como o senhor disse, não estou a procura de uma mulher para casar. Quem sabe esquentar a minha cama nas noites frias.

Ele me olhou balançando a cabeça, coçando a barba alva, e foi dizendo:

– Então com certeza, a mulher que jantou com você não serve para esse papel. Ah, e espero que a senhorita não saia destruindo corações por aqui. Já ouvi boatos por ai de que “a neta do seu Giovani é um pedaço de mau caminho”.

– Ei, não tenho nada a ver com isso. Se conheci 5 pessoas aqui dentro já, foi muito.

– Não seja por isso. – me entregou um cronograma de reuniões – Nos encontramos daqui a pouco na primeira delas. Ah, já ia esquecendo. – colocou um aparelho celular sobre a mesa. – Esse aparelho é seu, todos os chefes de setor têm um aqui na empresa. É mais fácil para nos comunicarmos. Eles só mudam os números finais, o do seu é 08. Preciso te apresentar algumas pessoas, e isso será feito logo mais, por favor, não se atrase.

– Obrigada vovô. Quer dizer que cheguei ontem, e já virei chefe? – sorri com a careta que ele fez – Não precisa lembrar que um dia eu comandarei tudo isso aqui, eu já sei. Embora não me agrade muito essa ideia, mas isso será uma conversa para outro dia. Agora, o senhor sabe dizer se a Clara já está na empresa?

– Acredito que sim. A primeira reunião de hoje será presidida por ela.

– Certo. Só mais uma coisinha, em que andar fica a sala dela?

– Quinto andar, por sinal é no mesmo andar em que fica a sua, só que elas ficam em lados opostos, para chegar a sala dela, quando sair do elevador é só virar a esquerda. Tem o nome dela na porta.

– Obrigada vovô. – fui saindo.

– Agnes?

– Sim vô!

– Não esqueça do que eu disse. A Clara é uma menina muito doce, não me perdoaria se você a magoasse.

– Pode confiar em mim seu Giovani. Ela até faz meu tipo, mas já sei que é muito bem comprometida. – bati continência e sorri piscando pra ele.

– É bom mesmo. E não esqueça, a reunião começa daqui a pouco.

Cheguei na sala dela e a encontrei pálida, estava acompanhada de uma moça um pouco mais alta que ela, com cabelos pretos e longos, morena, olhos claros e corpo bem definido. Naquela empresa só tinham mulheres de coxas torneadas? Senhor! Onde eu vim parar?!

Elas estavam trajando conjuntinhos de executivas, salto alto, maquiagem leve. Hoje percebi que na blusa delas tem o nome da vinícola, só ali me dei conta que era a farda da empresa. E pelo o que percebi tinham várias cores. Já que a Clara estava com uma branca e a moça com uma verde esmeralda.

Ela me apresentou a linda moça, Lívia é o nome dela, chefe do jurídico. Como estava preocupada com ela, não prestei muita atenção na outra moça. Ela me revelou estar com dor de cabeça. O bordô não tinha lhe caído bem. Sai a procura de uma aspirina na minha bolsa e uma garrafinha de água com gás, pra minha sorte encontrei no frigobar que tinha em minha sala, o que me ajudou a não demorar pra voltar a sala dela.

Entreguei a ela, e pedi ao vovô que adiasse a reunião por uma hora. Ela precisava providenciar uns documentos para a reunião. Pouco tempo depois me retirei da sala, dizendo a ela que se precisasse era só me ligar.

Voltei a minha sala para organizar algumas coisas enquanto a reunião não começava. A mesma correu de forma tranquila, a Clara se saiu muito bem em sua apresentação, assim como os demais diretores, e já parecia melhor do “mal-estar” também. Conheci mais algumas pessoas com quem teria contato diário, ou melhor, quase diário, afinal, minha função não me permitia passar o dia inteiro enfurnada em um escritório, e nem eu gostava disso.

A reunião terminou e a Clara veio ao meu encontro. Sorri quando ela tocou meu braço e senti um certo choque percorre-lo.

– Agnes, muito obrigada pela ajuda, tá!

– Disponha querida. Nada mais justo, não é mesmo! Afinal, foi comigo que você bebeu, me desculpe. Não sabia que era sensível ao vinho que bebemos.

– Está tudo bem, não tem porque pedir desculpa. Me empolguei com a sua agradável companhia e nem me dei conta, que não deveria ter aceitado compartilhar aquela última garrafa.

Olhei para o lado e percebi que meu avô nos observava de longe, enquanto conversava com alguns diretores que ali estavam.

– A sua companhia também foi muito agradável, quando encontrar o livro da Valéria Piassa na casa do meu avô, te empresto.

– Tem um tempinho que venho querendo lê-lo. Mas como disse, não o achei nas livrarias por aqui. Depois acabei esquecendo. Mas diante do resumo que me fez ontem a noite, voltei a ficar muito curiosa.

– O livro é ótimo, passei a ter uma nova visão sobre o assunto. Vou procurar e te entrego.

– Vou esperar ansiosa. Falando em entregar, ainda hoje peço pra que entreguem a sua blusa, e mais uma vez perdão. – sorriu – Agnes, ontem você falou em arrumar sua casa antes de pagar o jantar que me deve. Não vai morar com o seu Giovani?

– Vou, ao menos até ajeitar a casa que pretendo morar. Ainda não tive tempo de ir ver como está. Mas do final de semana não passa. Foi um dos meus pedidos para aceitar passar uma temporada aqui, morar sozinha.

Ela continuou sorrindo e tocou meu braço, fazendo ele se arrepiar novamente. Aproveitei que sua amiga chegou e pedi licença, indo para junto do meu avô.

No finalzinho do expediente um boy da empresa entrou na sala com minha blusa nas mãos, agradeci, e ele se retirou. Na embalagem da mesma, tinha um post-it:

Desculpa Sra. Bartolli,

prometo ter mais cuidado da próxima vez que estiver

bebendo vinho de blusa branca, rsrsrs.

C.V.

Sai a procura do meu vô, fomos pra casa juntos. Lá pedi que dispensasse o motorista, queria explorar a cidade, afinal, a noite estava agradável para tal. Coloquei uma blusa de frio preta, calça jeans clara, mocassim nos pés, e sai em meio a noite. Parei no restaurante do Cadu, estava conversando com ele sobre minha volta ao Brasil, quando a Lívia, entrou vindo ao seu encontro cumprimentando-o com dois beijos na face.

Fiquei olhando ela se movimentar suavemente, dentro daquele vestido vermelho, que deixava evidente as suas curvas, maquiagem propicia para a noite, nos pés um salto médio, linda. Sorri quando ela me cumprimentou, e senti seu perfume inebriante ao beijar sua face.

Perguntou se poderia sentar conosco. Meu amigo sorriu pra mim, enquanto afirmávamos juntos que seria um prazer tê-la ali. Pouco tempo depois solicitaram a presença dele na cozinha e ficamos apenas eu e ela conversando.

 

Notas finais:

Olá... mais uma vez, obrigada pela companhia meninas, bjs!



Comentários


Nome: Tekaxaviers (Assinado) · Data: 04/05/2018 21:17 · Para: Capitulo 6 - Agnes: Conclusões

Olha esse capítulo na visão da Agnes tb show de bola e vamos atrás da continuação. 



Resposta do autor:

Oiiie!

A Agnes tem lá o encantamento dela tbm, e um ponto de vista bem centrado das coisas, eu diria.

Bjs, se cuida querida.



Nome: valadaresdanni (Assinado) · Data: 22/04/2018 23:11 · Para: Capitulo 6 - Agnes: Conclusões

Ué, não vai ter o encontra a Agnes com a Lívia? 

Sacanagem!!! kkkkk 

 

 

Att,

D.V.



Resposta do autor:

Oiie Danni.

Então, tem a continuação desse jantar, sim. Digamos que elas se deram bem, rsrs.

Se cuida querida, bjs.



Nome: mtereza (Assinado) · Data: 24/03/2018 02:07 · Para: Capitulo 6 - Agnes: Conclusões

Acho difícil mesmo desconfiada que a Clara termine só se for confrontada com a traição.



Resposta do autor:

Boa noite Tereza!

Então, a Clara tá apaixonada, empenhada e empolgada com o casamento, pra não chegar ao altar algo de extraordinário seria necessário acontecer, ao meu ver tbm. 

Mas, tudo pode acontecer, não é mesmo?!

Bjs querida, se cuida.



Nome: Baiana (Assinado) · Data: 21/03/2018 20:52 · Para: Capitulo 6 - Agnes: Conclusões

Mas rapaz, como você para na melhor parte?



Resposta do autor:

Oie Baiana!!!

Eitha poxa, esqueci uma parte do cap, rsrs, brincadeira querida.

Mas olha, mais tarde creio que essa melhor parte a qual você se referiu ai, deva ser continuada viu, rsrs.

Bjs, se cuida.



Nome: Lili (Assinado) · Data: 21/03/2018 19:26 · Para: Capitulo 6 - Agnes: Conclusões

Clarinha levando gaia e não é pouco, espero qje acabe logo e ela vá ficar com a Anges.



Resposta do autor:

Oie Lili!

A situação da Clara é meio chata mesmo, ela precisa ficar atenta a todos os sinais, pra não passar nada despercebido. E ainda por cima tem o casamento batendo na porta já.

Se cuida querida, bjs!



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